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terça-feira, 8 de abril de 2014

P202 - [EFEMÉRIDES] XIX - O NOSSO REGRESSO FOI HÁ 40 ANOS (BISSAU - LISBOA) CART 3494 DEC71/03ABR74 - Por: Jorge Araújo

Na sequência de E-mail recebido, do ex. Fur. Milº Luciano de Jesus, lembrando o quadragésimo aniversário da nossa chegada da Guiné e perante sugestão da minha parte, para que se fizesse um post. conforme MSGs em referência, eis que de imediato o nosso amigo e camarada d'armas ex. Fur. Milº Op. Esp/Ranger, Jorge Araújo, se prontificou com mais um texto bastante sugestivo que vos convido a apreciar, comentar e quiçá, alguém  nos conte as últimas peripécias sobre: "Como foi a última viagem de regresso a casa".
Luciano de Jesus
A. Castro


De
Para
Antonio Bonito; Benjamim Martins Dias; Acácio Correia; Antonio Espadinha Carda; Sousa de Castro; jorge araujo
Enviado
quinta-feira, 3 de Abril de 2014 21:02

Queridos Camaradas,

É só para lembrar que hoje passam 40 anos da chegada da Cart 3494 ao aeroporto de Figo Maduro
Um grande abraço para todos e longos anos de vida.
Até breve,

Luciano de Jesus

A. Castro
Assunto
RE: O regresso
De
Para
'Luciano José Jesus'; 'Antonio Bonito'; 'Benjamim Martins Dias'; 'Acácio Correia'; 'Antonio Espadinha Carda'; 'jorge araujo'
Enviado
sexta-feira, 4 de Abril de 2014 16:19

É verdade!... Passou tão depressa! Eu sugeria que se fizesse um post relacionado com esta efeméride, se possível com fotos da chegada. Recordo que fiz a viagem em carro de praça (Taxi) juntamente com o Fur. Carvalhido da Ponte, Fur. Dias e o Fur. Domingues, fizemos duas paragens, uma para jantar, não me recordo onde e outra em Coimbra para tomar café, de salientar que as estradas não eram o que são hoje, foi de certa maneira uma viagem penosa, se fosse hoje... Teria vindo de comboio, desfrutando os últimos momentos com o pessoal, talvez fosse mais agradável, digo eu. 
Um abraço e muita saúde,

A. Castro


Jorge Araújo
Assunto
O NOSSO REGRESSO FOI HÁ 40 ANOS
De
Para
Sousa de Castro
Enviado
segunda-feira, 7 de Abril de 2014 19:23

Caríssimo Camarada Sousa de Castro
Os meus melhores cumprimentos.
A pedido de diferentes membros da família «Fantasmas do Xime», onde te incluo, aqui trago à memória colectiva os meus últimos actos vividos no já longínquo ano de 1974, que foram, pelas razões aludidas, um pouco diferentes dos restantes camaradas da CART 3494, mas que têm um significado em comum: o regresso às origens, depois do dever cumprido, agora que estão decorridos [já!] quarenta anos.
É obra!
Obrigado!
Um abraço,
Jorge Araújo.
07ABR2014. 
O REGRESSO - 03ABR74, Aeroporto de Bissalanca - Foto de: ex. Fur. Milº Antero Santos, CCAÇ 3566 e CCAÇ 18


GUINÉ
Jorge Alves Araújo, ex-Furriel Mil. Op. Esp./RANGER, CART 3494
(Xime-Mansambo, 1972/1974)
O NOSSO REGRESSO FOI HÁ 40 ANOS
(BISSAU - LISBOA)
- Abril de 1974 -
1. INTRODUÇÃO
Nos primeiros dias do mês de Abril de 1974, portanto há quatro décadas atrás, algumas centenas de jovens nascidos maioritariamente no ano de 1950 regressaram definitivamente à Metrópole, para junto de seus familiares e amigos, na sequência de terem terminado o Tempo da sua Comissão de Serviço no CTIGuiné, depois de aí haverem cumprido, como combatentes, a transcendente missão de assegurar a manutenção da soberania de Portugal num dos territórios ultramarinos, encerrando-se, assim, este ciclo relacionado com os deveres individuais para com a Nação, emergentes na Lei do Serviço Militar Obrigatório.
Lamentavelmente, outros jovens, como nós, não tiveram direito a viver as diferentes emoções específicas pelo regresso às origens, e a partilhar entre si a felicidade pelo reencontro com os seus pares/parentes, acontecimentos muito desejados por todos e aguardados, sempre, com muita ansiedade e impaciência. Para esses meus/ nossos camaradas que tombaram ao meu/nosso lado, expresso aqui e agora mais uma sentida homenagem.
2. O BATALHÃO DE ARTILHARIA N.º 3873 [RAP 2]
      - CART’s: 3492 – 3493 – 3494
Os jovens militares milicianos a que me refiro nesta narrativa são os que constituíram o contingente metropolitano organizado em Batalhão, cuja Unidade mobilizadora foi o Regimento de Artilharia Pesada n.º 2 [RAP 2], em Vila Nova de Gaia, de acordo com a Nota Circular n.º 4496/PM-Proc.º 18/3873 da 1.ª Repartição do Estado Maior do Exército, datada de 04NOV71.
Esse contingente, designado por Batalhão de Artilharia n.º 3873, era constituído por quatro Companhias, sendo três Operacionais [CART’s: 3492; 3493 e 3494] e uma de Comando e Serviços [CCS]. O destino do BART 3873, assim como da sua CCS, sob o comando do
Ten. Cor. A. Tiago Martins [1919-1992]
                  CMDT do BART 3873
Tenente-Coronel de Artilharia António Tiago Martins [1919-1992], foi a localidade de Bambadinca, situada no Sector L1, considerado um dos de maior vastidão em todo o T.O., enquanto as Companhias Operacionais seriam destacadas para três subsectores, a saber: CART 3492 [Xitole/Ponte dos Fulas], CART 3493 [Mansambo/Cobumba] e CART 3494 [Xime/Enxalé/Mansambo/Ponte do Rio Udunduma].
Embarcado no Cais da Rocha, em Lisboa, no dia 22DEC1971, 4.ª feira, a bordo do N/M Niassa, zarpando ao Cais do Pidjiguiti, em Bissau. O regresso do BART 3873 era, à data, uma miragem, uma vez que se tornava difícil, quase impossível, prever o tempo de duração da Comissão. O seu termo estava, com efeito, dependente das decisões políticas dos governantes da época, em função da evolução da conjuntura e da estratégia político-militar, conforme os casos.
Em função das sucessivas alterações produzidas no terreno, por via da evolução dinâmica do conflito, as dificuldades na gestão dos Recursos Humanos foram-se agravando, levando o Poder a protelar, sine die, o tempo de Comissão de cada Unidade, que inicialmente era de dezoito meses, passando, depois, para vinte e um, vinte e quatro e, finalmente, vinte e sete meses.
A este propósito, tenho andado na busca da Lei que enquadra este tema, mas até agora sem sucesso. Será que este objecto teve algum enquadramento jurídico?
Como exemplos paradigmáticos do acima exposto, destacamos os casos do BART 3873 [Bambadinca] e do BCAÇ 3872 [Galomaro], bem como das Companhias de Caçadores Independentes n.ºs 3518, 3519 e 3520, mobilizadas no Batalhão Independente de Infantaria n.º 19 [BII 19], no Funchal, uma vez que todos cumpriram tempo semelhante – vinte e sete meses e meio, conforme se pode observar nos quadros abaixo e que no histórico das C. Serviço equivale a um acréscimo, significativo, de 50%.
 































3.  O MEU REGRESSO …
Contrariamente ao que aconteceu com o efectivo da CART 3494 [a minha unidade], que regressou à Metrópole por via aérea, no dia 03ABR1974, pelas 13,00 horas locais, 15,00 horas na Metrópole, 4.ª feira, o meu regresso verificou-se por via marítima, a bordo do N/M Niassa, iniciado em 28MAR1974 e com a chegada a Lisboa a verificar-se em 04ABR1974, 5.ª feira.
Esta situação ocorreu porque fui nomeado, por critério desconhecido, para responder pela logística dos bens individuais mais volumosos do colectivo, no qual se incluía também todo o espólio da Companhia. A mesma responsabilidade foi atribuída a um elemento das restantes três companhias do Batalhão.
Nesta viagem o Niassa transportou, para além dos quatro elementos do BART 3873, o BCAÇ 3872 [Galomaro], constituído pelas CCAÇ’s n.ºs 3489 [Cancolim], 3490 [Saltinho] e 3491 [Dulombi] e CCS, as Companhias de Caçadores Independentes n.ºs 3518 [Gadamael], 3519 [Barro] e 3520 [Cacine/Guileje/Cameconde], e, ainda, a Companhia de Artilharia n.º 3521 [Piche], num total superior a um milhar de ex-combatentes.
O Paquete Niassa fez, então, escala no porto do Funchal, onde chegou a 2ABR1974, 3.ª feira, para deixar as três Companhias Independentes formadas no BII 19.
Em função do exposto, apresento uma pequena reportagem fotográfica para memória futura. Eis como um conjunto de imagens nos fez recordar um tempo e reviver factos do passado que são peças de um pedaço da nossa vida.
4.  FOTOGALERIA
Foto 1 – Cais do Pidjiguiti [28MAR1974] – Fase de preparação para o embarque no N/M Niassa dos efectivos militares pertencentes ao BCAÇ 3872 [CCAÇ’s 3489, 3490, 3491 e CCS], às CCAÇ’s 3518, 3519 e 3520 e à CART 3521.

 Foto 2 – Cais do Pidjiguiti [28MAR1974] – Continuação da preparação para o embarque no N/M Niassa.

Foto 3 – Cais do Pidjiguiti [28MAR1974] – Continuação da preparação para o embarque no N/M Niassa


Foto 4 – Cais do Pidjiguiti [28MAR1974] – Chegada das 1.ªs viaturas com os efectivos militares pertencentes ao BCAÇ 3872 [CCAÇ’s 3489, 3490, 3491 e CCS], às CCAÇ’s 3518, 3519 e 3520 e à CART 3521


Foto 5 – Paquete Niassa [28MAR1974] – Início da viagem rumo a Lisboa, com escala no Funchal

Foto 6 – Paquete Niassa [28MAR1974] – Início da viagem rumo a Lisboa, com escala no Funchal

Foto 7 – Cais do Funchal [2ABR1974] – Familiares dos militares das CCAÇ’s 3518, 3519 e 3520, aguardando pelo momento de os poderem abraçar

Foto 8 – Cais do Funchal [2ABR1974] – O N/M Niassa momentos antes de zarpar a Lisboa com os camaradas das restantes unidades

Foto 9 – Cais do Funchal [2ABR1974] – O N/M Niassa no momento de iniciar a última etapa desta longa viagem. Na imagem, à direita, o camarada Manuel Faia, natural do Funchal [Furriel da CCS do BART 3873], mas que teve de seguir viagem

Foto 10 – Cais do Funchal [2ABR1974] – Momentos de descontracção à volta de uma chávena de café, enquanto aguardava pelas 15:00 horas, para regresso ao Niassa

Um abraço,
Jorge Araújo
07ABR2014

2 comentários:

Sousa de Castro disse...

Conforme Capítulo I da História do BART 3873(autor desconhecido), na alinea e) Instrução - o IAO (Instrução de apuramento operacional) teve início em 29DEC71 a 27JAN72 em Bolama, assim sendo faz todo sentido que o BART 3873 aportou em Bissau a 28DEC71 e não a 29DEC71. Por outro lado transcrevo para recordar a alínea f)do mesmo capítulo. - DESPEDIDA: A cerimónia de despedida constou de Missa celebrada pelo Capelão da Unidade no Mosteiro da Serra do Pilar; alocução de um Oficial Superior, representante do Exmo Governador da Região Militar do Porto ao que se seguiu desfile das tropas em parada e almoço de confraternização na Messe de Oficiais do RAP. 2.

Anónimo disse...

Foi tudo muito emotivo acompanhado de receios saudades responsabilidade e perigo,enfim éramos novos"-era o desconhecido e não foi nada agradável tudo aquilo porque passamos!!
Alcindo Silva