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terça-feira, 9 de junho de 2026

P471 - «OPERAÇÃO PINHANÇOS – SEIA» EM 6 DE JUNHO DE 2026 - O XXXIX ENCONTRO/CONVÍVIO ANUAL DA CART 3494

 

Alguns camaradas foram diretamente para o restaurante


GUINÉ

Jorge Alves Araújo, ex-Furriel Mil. Op. Esp./RANGER, CART 3494

(Xime-Mansambo, 1972/1974)


O XXXIX ENCONTRO/CONVÍVIO ANUAL DA CART 3494

«OPERAÇÃO PINHANÇOS – SEIA»

 EM 6 DE JUNHO DE 2026

1.   INTRODUÇÃO

No início de 1971, cada um de nós (os milicianos) começaram a sentir que o seu anterior projecto de vida acabara de sofrer uma significativa e profunda mudança de rumo em todas as dimensões humanas – bio-psico-sociais – e que todos os “mancebos”, jovens adolescentes, tinham de adaptar-se ao, então, contexto militar, que continuava imparável desde 1961, e sem soluções à vista, em cada uma das três frentes ultramarinas: Guiné, Angola e Moçambique.

Todos sabiam, ainda, que um destes destinos estava reservado para nós, e que deveríamos estar bem preparados para nele “vivermos”, “convivermos” e “sobrevivermos”, onde a dor, o sofrimento e eventuais ferimentos incuráveis, pudessem ser partilhados por todos que, tal como acontece numa equipa desportiva, o seu colectivo vale mais do que o desempenho individual.

da esq.: ex. fur. Dias, Vicente Trms, ex. fur. Bonito, Peixoto ex. cond. auto, Castro Trms, Ferreira cond. auto, Alcindo enf, e Azevedo cond. auto.

Aqui chegados, os jovens adolescentes, oriundos sobretudo da região norte do País, após a sua formação de especialidade, concentraram-se no Regimento de Artilharia Pesada (RAP2), sito na Serra do Pilar, Vila Nova de Gaia, em obediência ao desígnio da nova “missão” das suas vidas – uma expedição militar a desempenhar na Guiné Portuguesa, durante um determinado tempo.

Esse tempo, que foi sendo dilatado ao longo da nossa presença e que, no início começou por ser de 18 meses, passou para 21 e, depois, para 24, acabando por atingir mais de 27 meses, um “record”. A chegada à metrópole (conceito da época) foi a 3 de Abril de 1974, desde quando passámos a ser conhecidos por «Veteranos de Guerra» ou «Ex-Combatentes da Guerra do Ultramar».

O lema da Companhia de Artilharia 3494 (CART 3494), que se expressa numa curta frase «Na Guerra Construindo a Paz» mantém uma actualidade inquestionável, sendo uma “Marca d’Água”, cada vez mais nítida, para que, em vários pontos do planeta, sobre ela se possam inspirar, reflectir e praticar.

2.   A «OPERAÇÃO PINHANÇOS – SEIA»


A «Operação Pinhanços», a 39.ª desde que se deu início ao (re)agrupar das tropas, acontecimento que ficou grafado com a data de 14 de junho de 1986 em Aver-o-Mar, Póvoa de Varzim, e que, desde então, nos permitiu regressar às origens, e que faz agora quarenta anos. É incrível!

Esta Operação, baptizada de “PINHANÇOS» voltou a ficar sob a responsabilidade logística do camarada José Espírito Santo Vicente, com assessoria do camarada Sousa de Castro, ambos já com provas dadas em eventos anteriores, provando que “quem sabe, dificilmente esquece”, aliás, em conformidade com o conhecimento científico produzido nas nossas Academias.

Tal como em 2018, a concentração dos operacionais começou cedo, pelas 09h30, no local previamente acordado e indicado no plano de acção – Largo da Capela do Senhor das Almas, a um quilómetro da Freguesia de Nogueira do Cravo, e a vinte e cinco do local da “emboscada”, em Pinhanços, realizando-se o “Golpe de Mão” à base, com colher, faca e garfo, conhecida por «Restaurante Manjar da Serra».

Porém, durante a concentração, local onde foi feito o respectivo controlo de presenças, notou-se a ausência de vários elementos inscritos que, tudo indicava serem de força maior, em particular no âmbito da saúde (ou falta dela!). E as previsões bateram certo, lamentavelmente. Estão neste quadro clínico os casos dos camaradas Acácio Correia, sujeito a uma intervenção cirúrgica no dia anterior; o Lúcio Silva (Vizela); o Nelson Cardoso, ambos devido a situações clínicas que aconselhavam a ficar em casa, e outras maleitas da época e da idade. Desejamos a todos rápidas melhoras! Mas, tantos outros que queriam participar e por razões óbvias não o poderem fazer. Estou a lembrar-me de um camarada que se encontra acamado e outro com sintomas de Alzheimer. 

Chegados ao local combinado, as forças foram distribuídas por pontos estratégicos, onde havia mesas e cadeiras. Durante cinco horas, todos deram o seu melhor para desbaratar o que se apresentava pela frente, e ainda sobrou tempo para darmos mais uma voltinha pela Guiné-Bissau, do antigamente

O circuito começou em Varela, Susana e São Domingos, entrámos pela fronteira no Senegal, regressámos, depois, a Bissorã, Farim, Mansabá, Bafatá, Nova Lamego, Canquelifá, Gabú, Madina do Boé, Galomaro, Saltinho, Xitole, Mansambo e Bambadinca, as mais importantes.

Depois, com muito cuidado e atenção, fizemos um trajecto pela região do Fiofioli, com passagem pela Ponta do Inglês, Poidon, Ponta Varela, Ponte do Rio Undunduma, Ponta Coli (de má memória) e Xime. Do outro lado do Geba, na margem direita, parámos no Enxalé, demos um saltinho a Mato Cão, seguindo, por via marítima, até Bissau.

Comemos algum marisco, nomeadamente camarões e ostras, acompanhados por umas bazucas, seguindo depois por Brá, Bissalanca, tendo terminado no Aeroporto Internacional, agora designado por Osvaldo Vieira (1938-1974), antigo combatente e quadro dirigente do PAIGC.

Esta viagem, durante a qual se recuperaram memórias de factos e feitos de cada contexto, foi partilhada e escutada, com o máximo interesse e atenção pelos filhos e netos dos veteranos presentes, onde as suas “companheiras”, já licenciadas em “História da Guerra”, iam acrescentado detalhes com alguma pertinência.

Para finalizar o evento, o Coronel Pereira da Costa, o nosso 2,º Cmdt a constar na história da Unidade, usou da palavra para, de improviso, relevar o desempenho, a camaradagem e a solidariedade existente entre todos os militares que constituíram e construíram laços de união que continuam fortes.

Foi guardado um minuto de silêncio em homenagem aos camaradas que tombaram em combate e aos que até hoje deixaram de fazer parte do grupo dos vivos.

A “emboscada” terminou com o uso da célebre “Espada do CMDT Pereira da Costa” que, com a ajuda do neto do nosso mestre de cozinha “Machado”, dividiram, em partes iguais, o bolo confeccionado para comemorar duas efemérides: a da 39.ª Operação (almoço/convívio) e a do 52.º Aniversário da passagem “à peluda”, acompanhado por uma taça de champanhe, como manda o protocolo.

Finalmente, todos prometeram continuar a fazer exercício físico para se manterem em forma, ou seja, bem preparados para a próxima “Operação”, agora em Espinho, em 5 de Junho de 2027 a cargo do Armando Alves Dias.

Saúde e um forte abraço para o colectivo.

Jorge Araújo.

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