| Alguns camaradas foram diretamente para o restaurante |
GUINÉ
Jorge Alves Araújo,
ex-Furriel Mil. Op. Esp./RANGER, CART 3494
(Xime-Mansambo,
1972/1974)
O XXXIX
ENCONTRO/CONVÍVIO ANUAL DA CART 3494
«OPERAÇÃO
PINHANÇOS – SEIA»
EM 6 DE JUNHO DE 2026
1. – INTRODUÇÃO
No
início de 1971, cada um de nós (os milicianos) começaram a sentir que o seu anterior
projecto de vida acabara de sofrer uma significativa e profunda mudança de rumo
em todas as dimensões humanas – bio-psico-sociais – e que todos os “mancebos”,
jovens adolescentes, tinham de adaptar-se ao, então, contexto militar, que
continuava imparável desde 1961, e sem soluções à vista, em cada uma das três
frentes ultramarinas: Guiné, Angola e Moçambique.
Todos
sabiam, ainda, que um destes destinos estava reservado para nós, e que
deveríamos estar bem preparados para nele “vivermos”, “convivermos” e
“sobrevivermos”, onde a dor, o sofrimento e eventuais ferimentos incuráveis,
pudessem ser partilhados por todos que, tal como acontece numa equipa
desportiva, o seu colectivo vale mais do que o desempenho individual.
| da esq.: ex. fur. Dias, Vicente Trms, ex. fur. Bonito, Peixoto ex. cond. auto, Castro Trms, Ferreira cond. auto, Alcindo enf, e Azevedo cond. auto. |
Aqui
chegados, os jovens adolescentes, oriundos sobretudo da região norte do País,
após a sua formação de especialidade, concentraram-se no Regimento de
Artilharia Pesada (RAP2), sito na Serra do Pilar, Vila Nova de Gaia, em
obediência ao desígnio da nova “missão” das suas vidas – uma expedição militar
a desempenhar na Guiné Portuguesa, durante um determinado tempo.
Esse
tempo, que foi sendo dilatado ao longo da nossa presença e que, no início
começou por ser de 18 meses, passou para 21 e, depois, para 24, acabando por
atingir mais de 27 meses, um “record”. A chegada à metrópole (conceito da
época) foi a 3 de Abril de 1974, desde quando passámos a ser conhecidos por
«Veteranos de Guerra» ou «Ex-Combatentes da Guerra do Ultramar».
O
lema da Companhia de Artilharia 3494 (CART 3494), que se expressa numa curta
frase «Na Guerra Construindo a Paz» mantém uma actualidade
inquestionável, sendo uma “Marca d’Água”, cada vez mais nítida, para
que, em vários pontos do planeta, sobre ela se possam inspirar, reflectir e
praticar.
2. – A
«OPERAÇÃO PINHANÇOS – SEIA»
A «Operação Pinhanços», a 39.ª desde que se deu início ao (re)agrupar das tropas, acontecimento que ficou grafado com a data de 14 de junho de 1986 em Aver-o-Mar, Póvoa de Varzim, e que, desde então, nos permitiu regressar às origens, e que faz agora quarenta anos. É incrível!
Esta
Operação, baptizada de “PINHANÇOS» voltou a ficar sob a responsabilidade
logística do camarada José Espírito Santo Vicente, com assessoria do camarada
Sousa de Castro, ambos já com provas dadas em eventos anteriores, provando que
“quem sabe, dificilmente esquece”, aliás, em conformidade com o conhecimento científico
produzido nas nossas Academias.
Tal
como em 2018, a concentração dos operacionais começou cedo, pelas 09h30, no
local previamente acordado e indicado no plano de acção – Largo da Capela do
Senhor das Almas, a um quilómetro da Freguesia de Nogueira do Cravo, e a vinte
e cinco do local da “emboscada”, em Pinhanços, realizando-se o “Golpe de Mão” à
base, com colher, faca e garfo, conhecida por «Restaurante Manjar da Serra».
O
circuito começou em Varela, Susana e São Domingos, entrámos pela fronteira no
Senegal, regressámos, depois, a Bissorã, Farim, Mansabá, Bafatá, Nova Lamego,
Canquelifá, Gabú, Madina do Boé, Galomaro, Saltinho, Xitole, Mansambo e
Bambadinca, as mais importantes.
Depois,
com muito cuidado e atenção, fizemos um trajecto pela região do Fiofioli, com
passagem pela Ponta do Inglês, Poidon, Ponta Varela, Ponte do Rio Undunduma,
Ponta Coli (de má memória) e Xime. Do outro lado do Geba, na margem direita,
parámos no Enxalé, demos um saltinho a Mato Cão, seguindo, por via marítima,
até Bissau.
Esta
viagem, durante a qual se recuperaram memórias de factos e feitos de cada
contexto, foi partilhada e escutada, com o máximo interesse e atenção pelos filhos
e netos dos veteranos presentes, onde as suas “companheiras”, já licenciadas em
“História da Guerra”, iam acrescentado detalhes com alguma pertinência.
Para
finalizar o evento, o Coronel Pereira da Costa, o nosso 2,º Cmdt a constar na
história da Unidade, usou da palavra para, de improviso, relevar o desempenho,
a camaradagem e a solidariedade existente entre todos os militares que
constituíram e construíram laços de união que continuam fortes.
Foi
guardado um minuto de silêncio em homenagem aos camaradas que tombaram em
combate e aos que até hoje deixaram de fazer parte do grupo dos vivos.
A
“emboscada” terminou com o uso da célebre “Espada do CMDT Pereira da Costa”
que, com a ajuda do neto do nosso mestre de cozinha “Machado”, dividiram, em
partes iguais, o bolo confeccionado para comemorar duas efemérides: a da 39.ª
Operação (almoço/convívio) e a do 52.º Aniversário da passagem “à peluda”,
acompanhado por uma taça de champanhe, como manda o protocolo.
Finalmente, todos prometeram continuar a fazer exercício físico para se manterem em forma, ou seja, bem preparados para a próxima “Operação”, agora em Espinho, em 5 de Junho de 2027 a cargo do Armando Alves Dias.
Saúde
e um forte abraço para o colectivo.
Jorge Araújo.
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