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sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

P440 - "O Forno de Cacheu" São 06h30m estou em Cacheu. Esta noite consegui dormir porque, malgrado o medo das mosquitas anopheles, abri a janela e o ar muito fresco da noite foi arrefecendo o quarto.

 Texto transcrito do Facebook de José Luis Carvalhido da Ponte, com a devida vénia!

 


José Luís Carvalhido da Ponte ex. Furriel Milº Enf. da Cart 3494/BART 3873, sediado no Xime e mais tarde em Mansambo – Guiné, dezembro 1971 a 03 de abril 1974.
Foi professor e diretor da Escola Secundária de Monserrate, Viana do Castelo. Tem vários trabalhos publicados aqui: http://bivam.pt/autor/jose-luis-carvalhido-da-ponte/
http://bivam.esmonserrate.org/clr/autores/AutorBibliografia.asp?codAutor=25 
José Carvalhido da Ponte da Associação de Cooperação com a Guiné Bissau com o apoio do Rotary Clube de Viana do Castelo, é responsável pelo trabalho desenvolvido no Cacheu, cidade geminada com Viana do Castelo.

Muito dedicado à causa humanitária na Guiné, para onde se desloca regularmente no sentido de contribuir para o bem-estar daquele povo, nomeadamente na área da saúde.

CACHEU

O Forno de Cacheu

São 06h30m estou em Cacheu. Esta noite consegui dormir porque, malgrado o medo das mosquitas anopheles, abri a janela e o ar muito fresco da noite foi arrefecendo o quarto.

Saio para comprar pão. Subo a poeirenta Rua de Viana do Castelo e perguntam-me Kuma ke bu mansi?. É uma mindjer garandi i kumpridu que me cumprimenta enquanto varre o seu kau. Todos os dias, logo de manhazinha, as mulheres assomam às portas, vertem água em largas bacias e lavam os apetrechos da última refeição. E lavam bem. Outras, com curtas vassouras de capim, dobradas até a cabeça quase tocar o chão, varrem toda a envolvente da sua kasa, movidas, naturalmente, por uma entranhada noção e limpeza e higiene. Mas são sempre, ou quase-quase sempre, as mulheres a trabalhar. Vemo-las a tratar dos filhos, a varrer as kasas e o kau, a regar e trabalhar as hortas, a buscar a lenha, a lavar a roupa, a fazer compras. As mulheres.

Ontem, à noite, fomos jantar a Bachile, uma tabanca do Setor de Cacheu, convidados pela Romana, uma jovem mãe de uma menina nascida há precisamente sete dias e a quem foi dado o nome de Maria Afonso.

Quando chegamos, um corridinho de mulheres preparava o festim enquanto os homens, entre eles o pai da Maria Afonso, recém-chegado de Dakar, conversavam, bebiam, passeavam. As mulheres, a Romana e a mãe Cristina e todas as outras cirandavam, formiguinhas em modos de acolhimento.

Eis, finalmente, o forno. É uma construção sob um telhado de zinco e vedada com um muro de adobes. Todos os dias, o padeiro coze 900 pães (900 baguetes). Para tal aquece o forno duas vezes. O processo é muito simples e semelhante ao que acontecia no forno de minha casa. Apenas uma diferença: a massa, já moldada, é colocada em bases de chapa com 3 camas cada uma e assim evitam sujá-la na cinza do lar. Em algumas casas da minha aldeia colocavam a massa sobre folhas de couve. Cada baguete tem, sensivelmente, 30cm x 08cm e custa 150 FCFA. É um pão saboroso, trabalhado por homens.

Regresso pela mesma rua ouvindo inúmeros cumprimentos madrugadores: Oi, branco, kuma ke bu mansi? Recordam-me a dignamente humilde simpatia desta gente.

Tenho saudades da minha família, mas sinto-me em casa, nestas terras de Honório Barreto.

Cacheu, 18/02/2024

Notas:

Kuma ke bu mansi? = Como descansaste? Como acordaste?

mindjer garandi i kumpridu = mulher idosa e alta

Kau = lugar, sítio

FCFA = o franco CFA (Communauté Financière d'Afrique) é a moeda utilizada na UEMOA, União Económica e Monetária da África Ocidental (Benim, Burquina Fasso, Costa do Marfim, Guiné-Bissau, Mali, Níger, Senegal e Togo). 1 € equivale, normalmente, a 655 FCFA

Vd. Post.: CART 3494 & camaradas da Guiné: P423 - (...) Ainda gemia, sabia lá eu porquê, de tão desfeito que estava. A cabeça esventrada. Juntei-lhe os bocados e aconcheguei-os no que restava da caixa craniana.(...) TEXTO RECUPERADO DA "RÁDIO ALTO MINHO" DE JOSÉ CARVALHIDO DA PONTE EX. FUR. MILº ENF. DA CART 3494 ONDE DESCREVE COMO VIU A MORTE DO SEU AMIGO FURRIEL, MANUEL DA ROCHA BENTO VITIMA DA EMBOSCADA PERPETRADA PELO PAIGC NA PONTA COLI - GUINÉ QUE TRANSCREVO COM A DEVIDA VÉNIA. (cart3494guine.blogspot.com)

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

P400 - O farmacêutico minhoto que foi à guerra na Guiné e voltou para salvar vidas 40 anos depois - DN

MSG recebida em 14/10/2020 de Santos Oliveira, Ex.Fur. Milº Armas Pesadas/Ranger do Pel de Morteiros 912, Guiné - Tite, OUT1963/OUT1965, autor do Blogue: https://acordarsonhando.blogspot.com/ 


Publicado na edição do "Diário de Notícias" do dia 10/10/2020 e transcrito com a devida vénia.


Manuel Pimenta ajudou tanto em Cacheu, que a rua da maternidade da cidade tem o seu nome. E a paixão pelos guineenses já conquistou toda a família, a começar pela filha Manuela, farmacêutica como ele, que também tem feito muito para apoiar aquele povo africano tão ligado a Portugal. 

Manuel Pimenta e Manuela fotografados em Bôr, na Guiné, no verão de 2018. Pai e filha partilham paixão pela ajuda àquele país africano

© Leonardo Negrão / Global Imagens

"Passei dois Natais na Guiné, também foram dois aniversários", relembra Manuel Pimenta, farmacêutico, "repescado" para ir para a guerra quando tinha 29 anos. "Cheguei em junho, e a 24 de dezembro fiz lá os meus 30 anos", conta, sentado no laboratório de análises clínicas em Ponte de Lima que tem o seu nome. Quem socorre o pai quando a memória parece falhar é Manuela Pimenta, a filha também farmacêutica. Conheci ambos há dois anos numa reportagem em Bissau, quando visitava o hospital de Bôr, e fiquei de um dia contar a história do farmacêutico minhoto que foi à guerra na Guiné e voltou 40 anos depois para salvar vidas.

Ao contrário de muitos outros soldados portugueses enviados para a Guiné, Angola e Moçambique, Manuel Pimenta não foi chamado para África para combater. Foi para trabalhar na chefia dos serviços de saúde da então colónia portuguesa, e "como tinha pouco que fazer", deu uma ajuda no laboratório de um hospital hoje em ruínas, situado junto à estrada que leva ao aeroporto. Também trabalhou no hospital central de Bissau, hoje chamado de Simão Mendes, um herói guineense. Desse tempo recorda sobretudo como portugueses e guineenses se entendiam bem, pois "o que combatia eram as ideologias, não os povos".

Na Guiné, era a guerrilha do PAIGC que lutava pela libertação. E foi uma guerra duríssima, com a independência a ser proclamada em 1973, ainda antes do 25 de Abril em Portugal (foi reconhecida logo em 1974). Mas a memória de Manuel Pimenta, hoje como 82 anos, destaca sobretudo o que viu de positivo, como "aqueles helicópteros que vinham buscar até grávidas".

Ora, foi a condição das grávidas guineenses que levou mais de 40 anos depois o farmacêutico de Ponte de Lima de volta a África. "Fui lá em 2011 com um amigo aqui de Ponte de Lima, que era administrador da Universidade Lusófona, o António Montenegro Fiúza. Entretanto, soube que havia uma associação em Viana do Castelo que tentava juntar dinheiro para construir uma maternidade no Cacheu. Um português, ex-combatente, o José Luís Carvalhido, professor, foi lá e viu uma coisa horrorosa, a morte de uma jovem parturiente", conta.

"A mortalidade materna na Guiné-Bissau é das piores do mundo. A infantil também", sublinha a filha. Na conversa participam também José Antas Aguiar, o marido de Manuela, que foi várias vezes com o sogro à Guiné e que informatizou o laboratório de análises clínicas para rápido acesso dos médicos aos resultados, e Jesuíno Alvarenga, guineense, que está em formação em Portugal já pela segunda vez.

"As mulheres muitas vezes trabalham até ao último dia da gravidez. E de repente estão no mato na altura do parto, sem qualquer ajuda", explica Jesuíno, que fala com ligeiro sotaque brasileiro pois estudou em Goiânia graças a uma bolsa. "É terrível o que por vezes se vê, mas toca o coração perceber que aquilo que fazemos salva vidas", acrescenta José.

A maternidade em Cacheu foi construída com muito material doado de Portugal, desde janelas a azulejos, e a ajuda financeira de Manuel Pimenta completou o que faltava.

Houve grande festa na inauguração e a rua onde fica a moderna maternidade acabou por ser batizada com o nome do farmacêutico de Ponte de Lima, figura muito querida na terra, oriundo de uma família de sucessivas gerações de farmacêuticos que está ligada à Farmácia Misericórdia, que fica no coração medieval da vila.

Manuela demorou mais a ir à Guiné, só em 2018. "Ficava sempre apreensiva quando o meu pai e o meu marido iam de viagem. Mas quando me despedia deles no aeroporto ficava curiosa com o ânimo deles. Iam tão felizes, como que para uma viagem de finalistas. Como tenho filhas pequenas, ainda hesitei um pouco, mas quis também conhecer o país. E a verdade é que se tornou uma paixão de toda a família. Temos duas filhas, uma com 11 anos e a outra com 5, que sabem tudo sobre aquilo que fazemos lá, sabem o nome de muitas crianças que ajudamos e até rezam o ave-maria e o pai-nosso em crioulo", conta.

Manuela ajudou o pai a montar um laboratório de análises clínicas em Bôr, que visitei com o fotógrafo do DN Leonardo Negrão, e diz que hoje é tudo mais acessível aos guineenses, mais barato. À formação de Jesuíno aqui em Ponte de Lima junta-se a de outros técnicos guineenses no próprio país. "Temos de ajudar o nosso país a desenvolver-se, as pessoas a terem mais acesso à saúde", diz Jesuíno, que gosta de estar em Portugal, como gostou de estudar Biomedicina no Brasil, mas que quer voltar à Guiné, fazer lá carreira, "é a minha casa".

© Leonardo Negrão / Global Imagens

Manuel Pimenta sempre foi reconhecido como um humanista, uma pessoa também com grande espírito cristão, e em 1975, nas primeiras eleições a seguir à Revolução de 1974, foi eleito deputado à Assembleia Constituinte. "Senti o dever de defender a democracia. E aceitei ser candidato nas listas do PS. Para mim, Mário Soares era o político que mais garantias dava ao país." Recorda-se de muitos outros deputados da época, que aprovaram a Constituição de 1976, como o ainda no ativo Jerónimo de Sousa, hoje secretário-geral do PCP, na época jovem operário.

Recordo com Manuel Pimenta e a filha aquele dia do verão de 2018 em que nos conhecemos em Bôr. E como uma tragédia que ali vimos teve um final feliz. Uma menina de 3 anos, a Nazaré, que ingeriu soda cáustica e ficou com o esófago queimado, tendo de ser alimentada por sonda. Uns meses depois, graças à ONG portuguesa Missão Saúde para a Humanidade, Nazaré viajou para Portugal, onde foi operada no Serviço Nacional de Saúde. Depois de uns tempos de recuperação, a menina guineense já comia iogurtes. Manuela esteve envolvida no processo, e elogia muito a amiga Maria José Ferreira, uma enfermeira de Aveiro, que também fez da ajuda à Guiné uma das suas causas. As duas também têm estado ativas no apoio ao Lar Bethel, em Bissau, que apoia órfãos e que também eu e o Leonardo visitámos num dia muito especial, uma oferta de equipamentos dos infantis e juvenis do FC Porto, uma ideia de Fernando Pinheiro, médico que integrou a Missão Saúde para a Humanidade.

A conversa em Ponte de Lima termina com Manuel Pimenta a contar uma outra história com final feliz: "Uma guineense grávida de quadrigémeos que desde os quatro meses foi acompanhada na Casa das Mães de Cacheu. Na altura do parto foi transferida para o hospital do Canchungo e depois, por segurança, para o Simão Mendes. E todos sobreviveram."

Manuela explica que a Casa das Mães, onde existe um azulejo com o rosto do pai, "é uma estrutura que fica junto à maternidade de Cacheu e serve para evitar partos repentinos, no meio do mato. As mulheres vivem ali quando estão perto do final da gravidez. Até cozinham e trazem os outros filhos. Mas têm acompanhamento, e isso faz toda a diferença". "Se ficam no campo, na tabanca, até ao fim, muitas morrem", diz Jesuíno.

"A parteira de Cacheu é Antonieta Monteiro. Falamos muitas vezes por telefone com ela", conta Manuela Pimenta. E as notícias agora são mais boas do que más. Muito graças à generosidade do farmacêutico que fez tropa na Guiné.

                                                                                                                   Diário de Notícias

                                                                                         SO

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

P280 - Rescaldo de uma ida à Feira da Ladra, 17/9/2016 (MÁRIO BEJA SANTOS Ex. Alf. Mil CMDT do PEL CAÇ NAT 52 Guiné, Missirá e Bambadinca 1968/70)


MSG de Santos Oliveira que foi Fur. Milº Armas Pesadas/Ranger do Pel de Morteiros 912, Guiné - Tite, OUT1963/OUT1965 com data de : 19SET2016







Rescaldo de uma ida à Feira da Ladra, 17/9/2016

 

Beja Santos

 

1969 foi o Ano Internacional do Turismo Africano e a Agência Geral do Ultramar produziu uma brochura alusiva, mostrando as atrações turísticas, comunicações, formalidades para a viagem, onde ficar, onde obter informações, não deixando de mencionar que a província tinha boas perspetivas para investimentos. Não resisto a mostrar-vos a praça Honório Barreto e um belo DS a introduzir um toque de vanguardismo; mais adiante temos o bar da Associação Comercial e Industrial de Bissau, projeto arquitetónico que foi muito acarinhado ao tempo e onde o pintor José Escada andou a trabalhar na decoração; e temos uma imagem da Praia das Escadinhas em Bubaque, seguramente estão ali militares e famílias a deliciar-se em águas tépidas.



1969 - Praça Honório Barreto - Bissau

1969 - Bar da Associação Comercial e Industrial de Bissau

1969 - Praia das Escadinhas em Bubaque

Mais algumas fotografias referentes a uma unidade militar que andou pela Guiné entre 1959 e 1961. Impressiona a qualidade da fotografia, trata-se, como é óbvio, de imagens pacíficas, não se vislumbra mais do que curiosidade. Felizmente, as imagens têm datas e alguma explicação. Em 16 de Junho de 1960, temos uma gazela na granja, fica a incógnita se se tratará da Granja de Pessubé, onde trabalhou Amílcar Cabral de finais de 1952 a 1954. Nesse mesmo dia temos dois oficiais com poilões imponentes e escreve-se: “A. J. com o alferes Rui Cardoso junto de duas árvores tipo Guiné, perto da carreira de tiro nova”; estamos agora em Cacheu, a 2 de Fevereiro e diz a legenda que se experimenta remar numa canoa indígena junto ao cais fluvial de Cacheu; dias mais tarde, a 26 de Fevereiro, temos soldados brancos a piscarem à cana enquanto das mulheres indígenas passam por ali transportando garrafões de aguardente de cana; alguns dias antes, a 18, o fotógrafo está em Varela e regista um quadro pintado na sala de jantar do restaurante, menciona-se que a sala se encontra num alpendre género esplanada com largas vistas para o mar; e em 11 de Março temos a vista parcial do barco de guerra francês Le Bourguignon, ancorado no Pidjiquiti; e por último temos um jovem tenente a pôr a sua correspondência na caixa do correio. Subsistem dúvidas se este é o fotógrafo, é um jovem oficial que aparece em repetidas outras imagens, de um modo geral neutras e igualmente o jovem oficial guarda um ar tristonho, e veste um camuflado que, em rigor, não devia ter sido usado entre 1959 e 1961, na Guiné. Bom seria que alguém identificasse esta unidade militar, se bem que eu não escuse ir bater à porta do Arquivo Histórico-Militar.

16JUN60 - Foto de cima: Uma gazela na Agra e 2 Oficiais "A. J. com o Alf. Rui Cardoso"

Cais Fluvial de Cacheu (foto de cima) em baixo: Quadro no Restaurante em Varela

Cacheu

Bissau, Cais de Pidjiquiti (Barco de guerra Francês "LE BOURGUIGNON" 


segunda-feira, 22 de julho de 2013

P185 - NÃO TENHO 200.000 FRANCOS CFA (CERCA DE 300€) PARA A OPERAÇÃO!


Caríssimos amigos,
No Facebook vi esta msg com data de 20JUL2013 do nosso amigo Luís Carvalhido da Ponte, que regressou de mais uma visita à Guiné mais precisamente da região do CACHEU.
Convém lembrar que o Carvalhido da Ponte foi Furriel Enfermeiro na CART 3494 e também professor das crianças no Xime em 1972/74, é presidente da organização que deu origem à geminação de Viana do Castelo com a Vila de Cacheu, tendo aqui, ao longo de vários anos desenvolvido acção humanitária, nomeadamente a criação da maternidade existente para apoio à mulher Guineense.


Assim, para quem puder participar na ajuda à Mary, pode faze-lo da seguinte forma:

1º Transferir o que muito bem entenderdes para a conta da ACGB Nib: 0036 0056 9910 0155 9387 9
2º Logo-logo enviais para o endereço eletrónico acgb.geral@gmail.com uma mensagem identificando a transferência
SC


Cheguei ontem de Cacheu. Estava abafado o tempo. Eu vim também de semblante pesado.

Em 2000 conheci a Mary. Tinha 33 anos e 7 filhos. Publiquei alguns poemas sobre esta jovem da etnia Felupe, no meu penúltimo livro (Ora di djunta mon tchiga). Cinco anos depois, tinha 38 anos e 11 filhos. E continuava bonita ainda que um pouco desfolhada por tanta florescência. Dançava como eu nunca vira ninguém dançar. A batida ritmada dos pés descalços sobra a terra poeirenta, as contorções do corpo em rituais de sedução e a alegria dos movimentos eram tais que até as árvores pareciam ternurar-se para além das nuvens, nos ares de Fernão Capelo Gaivota, onde os sonhos se constroem.
Mais tarde, uma associação de mulheres nomeou-a sua Presidente e o seu país enviou-a até Espanha para aprender coisas necessárias ao seu mister. Via-a, em março deste ano, alegre e já um pouco europeizada. Entristeci-me um pouquito pois preferia que estivesse um pouco mais culta mas sempre africana. E talvez estivesse. Eu é que não contava com uma Mary diferente. Agora estava doente há uns dias. Doía-lhe o corpo. Doía-lhe a barriga. Levei-a a Canchungo, ao meu amigo médico Dr Koumba Iala Bispo. Que a atendeu de imediato. Que a assustou. Tem cancro do ovário e necessita de intervenção urgente. Os 9 filhos vivos e os netos também. Zé Luis! Como? Não tenho 200.000Francos CFa (cerca de 300€) para a operação, o internamento e os medicamentos. E mudou a conversa e perguntou-me pela Lai. E partiu e uma lágrima caiu, solitária, no chão contrito do alpendre do Centro de Recursos. E prometi-me contar a história. Quem sabe? Cinco euros daqui, 10 dali... Quem sabe?!
Um abraço.
 
Cavalhido da Ponte com a Mary

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

P 79 GEMINAÇÃO CACHEU COM VIANA DO CASTELO

Eduardo Campos
Amigo Sousa Castro,
Viana do Castelo é mesmo amigo do Cacheu... a saber!
Da minha passagem recente pela Guiné, passei pelo Cacheu.
O Cacheu está geminada com Viana do Castelo e o resultado que vi é bem visível pois tem uma casa onde encontrei uma
biblioteca, uma ludoteca e uma sala de informática com 6 computadores, tudo oferecido pela edilidade e empresas de Viana do Castelo.
O responsável é o director da Escola Secundária de Viana, que se encontrava presente nesse dia pois tinha tirado uma
semana de férias para ese efeito.
Fiquei a saber que a biblioteca tem uma afluência de aproximadamente de 800 leitores/mês.
A ludoteca é a melhor da Guiné.
Os computadores só funcionam durante a noite com energia cedida por uma empresa de peixe, pois não têm geradores suficientes.
Este problema (segundo o professor) está em vias de ser resolvido com a montagem de paineis fotovoltáicos que vão ser oferecidos por uma empresa de Viana do Castelo.
Entretanto fui informado da construção da maternidade e o ferro enviado de Portugal já tinha chegado.
No local cheirava um pouco a Viana do Castelo... em anexo fotos.

Um Abraço Amigo
Eduardo Campos


A Biblioteca em Cacheu - Guiné Bissau
Biblioteca
Postais de Viana do Castelo
Fotos de Eduardo Campos, direitos reservados

Nota do editor: O meu amigo Eduardo Campos, camarada de armas (TRMS) na Guiné, tive o prazer de conhecer na Tabanca de Matosinhos http://tabancapequenadematosinhos.blogspot.com/.
Aquando da sua visita à Guiné em Abril de 2010, teve a gentileza de me enviar algumas fotos relacionadas com alguns aspectos da cooperação entre Viana do Castelo e o Cacheu. 
A cidade de Cacheu está geminada com Viana do Castelo desde 1988 que, ao abrigo da Plataforma de Cooperação com a Guiné - Bissau surgiu o Projecto CCC "Centro de Cooperação de Cacheu" que consiste em concentrar esforços no sentido de ajudar o povo daquela cidade.

Coordenação da Plataforma:

Escola Secundária de Monserrate
Rua de Monserrate
4900-367 Viana do Castelo
Tel. 258 801 800 - Fax 258 801 803
E-mail: sosguine_bissau@hotmail.com ou Monserrate@mail.telepac.pt

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

P-78 Rotary Clube de Viana deixa obra feita na Guiné-Bissau

Rotary Clube de Viana deixa obra feita na Guiné-Bissau Escrito por Ivone Marques
Qui, 09 de Setembro de 2010 00:00

O Rotary Clube de Viana do Castelo acaba de cumprir mais uma etapa da missão que está a desenvolver na Guiné-bissau. Depois de ter sido contemplado com um subsídio de 321 mil dólares da Fundação Rotary Internacional, a missão vianense foi até à localidade de Cachéu onde foram apetrechadas salas de aula, uma maternidade e um centro de saúde e lançada uma rede de distribuição de água potável a toda a localidade, como explica um dos responsáveis desta missão, José Luís Carvalhido da Ponte.

José Luís Carvalhido, da Associação de Cooperação com a Guiné-Bissau que, com o apoio do Rotary de Viana do Castelo, está a desenvolver esta missão na Guiné-Bissau. A Maternidade de Cacheu já deverá estar concluída no final deste ano. Por agora foram já apetrechadas 20 salas de aula, a maternidade e um centro de saúde e levada água potável a toda a localidade. A missão deverá ficar totalmente concluída na primavera do próximo ano.

Com a devida vénia, notícia divulgada hoje pela Rádio Geice de Viana do Castelo

http://radiogeice.com/geicefm/

Nota: José Luís Carvalhido da Ponte, Ex. Furriel Enf. da  CART 3494