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segunda-feira, 30 de janeiro de 2023

P433 - EM COBUMBA 1973 (ZONA DO CANTANHEZ) NÃO HAVIA NADA, MONTAMOS UM QUARTEL DE RAÍZ, FOI UM INFERNO, PASSAMOS MUITO MAL

 Mensagem recebida com data de 29 de janeiro de 2023 através do Messenger de: António Gomes da Cruz  Sol. Condutor auto da CART 3493/BART 3873

 Vive na freguesia de Coura do concelho de Armamar distrito de Viseu


Guiné - CART 3493/BART 3873 - 22DEC71/ABR74
António Gomes da Cruz
Sol. Cond. Auto NM 154898/71
Mansambo, Cobumba e Bissau


António Gomes da Cruz
Estive na Guiné na CART 3493/BART 3873  Mansambo e Cobumba zona do Cantanhez), embarcamos no N/M NIASSA a 22 de Dezembro de 1971 e regressamos no início de Abril de 1974.

Fui muitas vezes ao Xime era o condutor Cruz. 

Alguns dos Condutores do Batalhão andei com eles no CICA 4 (Centro Instrução e Condução Auto nº. 4) em Coimbra, já não sei o nome deles, ia Bambadinca todas as semanas e a Bafatá buscar o correio ao aeroporto e outros serviços, o Natal de 1973 passamos na quinta do Amílcar Cabral que ficava entre Bambadinca e Bafatá chamava-se FA-MANDINGA, antes estavam lá os comandos africanos.

 



Estivemos em Mansambo 16 meses PORREIROS, depois fomos para Cobumba zona do Cantanhez, fomos montar um destacamento novo, não havia nada, tivemos que fazer abrigos, abrir valas, colocação de esteios em todo perímetro  com arame farpado, depois veio um gerador passado alguns meses, antes a luz nos abrigos era garrafas  da cerveja com petróleo, de dia havia vários sentinelas, de noite dois sentinelas de 20 em 20 metros, qualquer ruido disparar tiro a tiro, se o ruido fosse diferente disparar em rajada, nessa situação a malta corria para as valas.



Tínhamos minas entre o arame farpado, várias HK-21 (Metralhadora de uso geral), morteiros etc. Quando precisávamos de apoio de fogo o destacamento de Cufar ajudava com OBUS 14, foi terrível!...


Depois fomos para o Quartel dos Adidos em Bissau, onde fiz colunas a Farim e segurança ao Palácio do Governador da Guiné na altura era o General Bettencourt Rodrigues, embarcamos de avião em abril 74 com 27 meses e 13 dias.

Mal-empregado tempo. Fui muitas vezes ao Xitole, companhia do mesmo batalhão, estavam lá 2 colegas do meu concelho Armamar.

Um abraço.

António Gomes da Cruz

Freguesia de Coura, Armamar

Viseu

Sol. Condutor-auto NM 154898/71

Janeiro de 2023

Outros postes da CART 3493

CART 3494 & camaradas da Guiné: P289 - Acontecimentos que a memória conserva por: António E. J. Ferreira ex. 1º cabo condutor Auto da CART 3493 (cart3494guine.blogspot.com)

CART 3494 & camaradas da Guiné: P298 - O dia mais triste do meu tempo de Guiné, Por: Eduardo Ferreira - CART 3493 - 1972/74 (cart3494guine.blogspot.com)

CART 3494 & camaradas da Guiné: P426 - Crachás do BART 3873 [Simbologia] Por: CMDT da CART 3493 Cap. Milº Inf. - Manuel da Silva Ferreira da Cruz (cart3494guine.blogspot.com)

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

P298 - O dia mais triste do meu tempo de Guiné, Por: Eduardo Ferreira - CART 3493 - 1972/74


MSG de: António Eduardo Jerónimo Ferreira, ex. 1º cabo condutor auto da CART 3493 do BART 3873, Mansambo, Fámandinga, Cobumba e Bissau, 1972/74, com data de 27 de Janeiro de 2017 publicada também em "molianos" do qual é editor.


O dia mais triste do meu tempo de Guiné


Mansambo 1973
Quando “tropeçamos” no passado mesmo que tal tenha acontecido há já muito tempo a mente leva-nos a viver situações que podem ser boas ou más, mas não há como fugir. Foi o que aconteceu comigo há dias ao ler um dos postes publicado no blogue Luís Graça e camaradasda Guiné sobre a construção das instalações de Mansambo onde eu estive treze meses.
Cheguei aquele local uns dias mais tarde que a minha companhia, e no dia que os “velhinhos” nos deixaram fiz o meu primeiro serviço, acompanhado pela G3 que era para mim quase desconhecida, fui um dos que foram fazer segurança ao pessoal que andava a transportar a água para as nossas instalações, chuveiros, cozinha e abrigos. Eramos oito os homens da companhia
incluindo o motorista do unimog e o ajudante, mais os picadores que eram três. A distância entre as
Unimog 411 - Foto da: áreamilitar do Exército Português 
nossas instalações e fonte era de poucas centenas de metros mas pela manhã o trajeto era sempre picado para que o unimog 411 e acompanhantes pudessem passar em” segurança” não fosse estar por lá alguma mina colocada durante a noite.
Quando lá chegamos fomo-nos distribuindo para junto de algumas das árvores que lá existiam, só regressamos às instalações próximo da hora de almoço. Foi à sombra de uma de maior porte que me “instalei”. Enquanto lá estivemos não me lembro de ter falado com algum dos camaradas ali em serviço mas sei que o cérebro não parou de pensar, em quase tudo, só que em nada de bom.
António E. J. Ferreira, 1972
Ver os velhinhos partir com a alegria natural de quem conseguiu chegar ao fim da comissão e vai regressar a casa, e pensar no tempo que nos faltava para que também nós pudéssemos viver um dia assim… na altura, falava-se que seria vinte e dois meses depois foram quase vinte e sete. Preparação para a guerra na Metrópole eu não tive, apenas tinha utilizado a arma duas vezes onde disparei cinco tiros de uma vez e vinte de outra.
A minha recruta e a especialidade foi feita em apenas três meses, No Trem Auto, dos quais três semanas foram passadas no hospital, HMDIC em Lisboa, depois oito meses no RAP3 Figueira da Foz com a especialidade de monitor auto. De guerra e armas nada conhecia, daí a minha falta de preparação, tive que me habituar à situação que todos vivemos, mas fui sempre um fraco guerreiro. Era já perto de meio- dia quando regressamos da fonte, estava psicologicamente arrasado, foi então que antes do regresso me ocorreu uma frase que escrevi num papel que tinha comigo e que me acompanhou durante todo o tempo de comissão simplesmente dizia: tem calma, ainda és jovem e o tempo ade passar. Foram várias as vezes que li essa frase assim como outras que entretanto fui escrevendo. Algumas vezes ajudou mesmo… Mas aquele dia foi de todos o mais triste… ainda hoje está presente na minha mente como se fosse ontem. Mais tarde em Cobumba passei por momentos bastante mais difíceis, mas aí, a tristeza não raramente passou a dar lugar à raiva…

António EJ Ferreira.