Caríssimo Sousa de Castro.
Por nele ter participado e assumido a responsabilidade da
sua elaboração/divulgação, anexo o texto relacionado com o Encontro/Convívio da
CCAÇ 1439 (Enxalé, Porto Gole e Missirá; 1965/1967) realizado no passado dia 29
de Abril, na cidade das Caldas da Rainha, onde se cantaram os parabéns pela
passagem dos 50 Anos da chegada da Unidade formada no BII19, no Funchal.
Com um forte abraço de amizade.
Jorge Araújo.
MAI2017
GUINÉ
Companhia de Caçadores
1439 (1965-1967)
[Enxalé – Porto Gole –
Missirá]
ENCONTRO/CONVÍVIO
DOS CINQUENTA ANOS DA CHEGADA DA CCAÇ 1439 [FUNCHAL / LISBOA]
(Caldas
da Rainha, 29 de Abril de 2017)
- XXVI EDIÇÃO, COM A
PRESENÇA DOS PEL CAÇ NAT 52 E 54 -
1 – INTRODUÇÃO
O
colectivo de ex-combatentes da CCAÇ 1439 reuniu-se no passado sábado, 29 de
Abril, na cidade das Caldas da Rainha, reforçado com a habitual presença dos
quadros continentais pertencentes aos Pelotões de Caçadores Nativos n.ºs 52 e 54,
por terem, todos, calcorreado idênticos itinerários, em matas, trilhos e
bolanhas, durante a mesma época, no triângulo Enxalé, Porto Gole e Missirá.
Para além de ser já uma prática tradicional anual, o
Encontro/Convívio Nacional deste ano – XXVI Edição – tinha um significado muito
especial, pois estava associado às comemorações do «cinquentenário» do regresso
“a casa” da Unidade formada no Batalhão Independente de Infantaria 19 [BII19],
no Funchal, depois de cumprida a sua missão na Guiné (1965-1967).
 |
Foto 1 – (Funchal; 01.08.1965).
Jantar de despedida do contingente da CCAÇ 1439, ficando depois a aguardar pelo
N/M Niassa, para seguirem até Bissau.
A
Comissão Organizadora do evento esteve, este ano, a cargo do camarada João
Crisóstomo e da amiga Maria Helena Carvalho.
O
camarada João Crisóstomo, ex-alf mil da CCAÇ 1439 (“A Madeirense”), veio
expressamente de Nova Iorque, onde reside há mais de quatro décadas, com início
no ano de 1975. Do seu vasto currículo retirámos, com a devida vénia, as
seguintes actividades: em NY, durante os primeiros quatro anos (1975-1979),
exerceu a sua profissão como mordomo de Jacqueline Kennedy Onassis (1929-1994).
Depois, entre 1979-1982, como gerente proprietário do restaurante nova-iorquino
Cuisine du Coeur, e, finalmente, entre 1982-2015, como despenseiro de diversas
famílias da alta sociedade nova-iorquina.
Aí
abraçou diferentes causas com destaque para a defesa das gravuras de Foz Coa
com o “SAVE THE COA SITE MOVEMENT USA” (1995) e o lançamento de iniciativas em
defesa da independência de Timor-Leste através da LAMETA (1996-2002),
designação do “Movimento Luso-Americano para a autodeterminação de Timor-Leste”.
Na Guiné, durante a sua Comissão de Serviço, ao camarada
João Crisóstomo foi-lhe atribuída uma Cruz de Guerra de 4.ª classe.
Foto 2 – (Enxalé; 1965/1967). O
camarada João Crisóstomo na companhia de outros elementos da sua CCAÇ 1439,
todos eles atascados até à cintura, durante uma actividade operacional nas
bolanhas do Enxalé.
Quanto
à nossa amiga Maria Helena Carvalho, o seu envolvimento nesta organização dos
veteranos da CCAÇ 1439 não nasceu agora. Ele vem acontecendo desde há muitos
anos a esta parte, dando um grande contributo na concretização de cada projecto
anual, como tive a oportunidade de constatar neste Encontro.
Helena Carvalho, como gosta de ser tratada, nasceu e cresceu
no Enxalé (Guiné). Filha do empresário Amadeu Abrantes Pereira, proprietário de
uma destilaria de cana-de-açúcar existente naquela localidade, situada na
margem direita do rio Geba em frente ao Xime, e que fora abandonada em 1962 por
questões de segurança, Helena Carvalho nunca deixou de ter um carinho muito
especial pela sua terra de origem e, particularmente, a viver e a sentir o
ambiente militar dos ex-combatentes naquele território de forma peculiar e
muito especial.
Foto 3 –
(Enxalé; Agosto de 1989). Helena Carvalho, no local que a viu nascer, em
diálogo com elementos da população da Tabanca do Enxalé
|
Sobre a participação neste Encontro, que ocorreu fora da
minha CART 3494 (1971-1974; Xime, Enxalé, Mansambo), ela resulta de um convite
muito sentido feito pela nossa amiga Helena Carvalho depois de ter lido o meu texto
aqui publicado em 2014 [P221] e de ter visto as fotos tiradas às máquinas que
pertenceram ao seu pai.
 |
Foto 4 – (Enxalé; 21/22 de Julho de
1972). O Jorge Araújo junto a uma máquina da destilaria de cana-de-açúcar do
pai da Helena Carvalho, abandonada em 1962.
|
2 – O PROGRAMA SOCIAL
O programa social do Encontro
iniciou-se com a concentração a ter lugar no interior do Regimento de
Infantaria 5 [RI5], hoje Escola de Sargentos de Exército [ESE], em cujas
instalações seria concelebrada missa pelo senhor padre Vítor Melícias e pelo
senhor capelão da ESE padre Luís Manuel Morouço, com início pelas 11h00.
A cerimónia
litúrgica decorreu no Auditório 2.º Sargento José Paulo dos Santos, na qual
marcaram presença, para além dos grupos das unidades acima referidas, um outro da
16-ª Companhia de Comandos (Guiné; 1968/1970).
 |
Foto 5 – (ESE – 29.04.2017). Entrada
principal do Auditório 2.º Sargento José Paulo dos Santos, aonde, em 13 de
Novembro de 2015, foi descerrada um placa em sua memória. O camarada José Paulo
dos Santos perdeu a vida em combate na floresta de Catalabanza, em Angola, em
16 de Abril de 1963, onde perante uma granada de mão do inimigo que caiu na sua
zona de acção, lançou-se sobre o engenho explosivo, impedindo assim que a
detonação retirasse a vida aos subordinados que comandava.
|
Mais detalhes
sobre a vida e a morte do camarada José Paulo dos Santos podem ser consultados nos
seguintes endereços na net:
Finda a cerimónia religiosa, seguiu a
comitiva em cortejo automóvel até ao Restaurante «A Lareira», situado no Alto
do Nobre, na estrada em direcção à Foz do Arelho.
Aí o convívio foi reforçado com a
degustação dos diferentes alimentos colocados à disposição dos presentes,
combinados com alguns líquidos e muita conversa num itinerário de memórias de
mais de meio-século. Pelo meio foram-se gravando algumas imagens para mais
tarde recordar, principalmente as captadas pelas câmaras do amigo Álvaro
Carvalho, marido da Helena Carvalho, o repórter de serviço.
No final, a anteceder a distribuição de
lembranças a todos os presentes por parte da Comissão Organizadora, foi lido
por Helena Carvalho um poema alusivo ao evento da autoria do camarada Ruben S.
Dias (ex-alf da CART 3567, Mansabá – 1972/1974).
ERA UMA VEZ
Eram bolanhas, matas e picadas,
Tabancas com batuque de pilão.
Eram saídas, minas e
emboscadas,
Ataque ao quartel e a confusão.
Corriam para as valas, para os
abrigos,
Atrás dum baga-baga ou
embondeiro.
Ainda não foi desta, meu amigo!
Apalpavam o corpo… Estou inteiro!
Alguns caíram, ficaram nessa terra.
Meninos despojados do amanhã.
Não lhes disseram o porquê da guerra.
E, porque sem sentido, a morte é vã.
Adeus Mansoa, Mansabá, Farim,
Tabancas do Pilão e Chez Toi,
Adeus belas bajudas de Safim,
Cheche, Galomaro e Bafatá.
Mas a saudade ficará comigo.
Adeus amigos meus, adeus Guiné.
Adeus Samba Djaló, ó meu amigo.
Adeus ao pôr-do-sol no Enxalé.
29 de
Abril de 2017
(Ruben Dias)
3 – FOTOGALERIA.
 |
Foto 6 – (C. Rainha; 29.04.2017).
Espaço exterior do restaurante «A Lareira», onde se deu início à degustação das
“entradas”…
|
 |
Foto 7 – (C. Rainha; 29.04.2017). Eu
(Jorge Araújo) e os elementos da Comissão Organizadora do XXVI Encontro da CCAÇ
1439 – Maria Helena Carvalho e João Crisóstomo.
|
 |
Foto 8 – (C. Rainha; 29.04.2017). A
mesa da Comissão Organizadora e convidados. Da esq/dtª – Álvaro Carvalho,
Helena Carvalho, Jorge Araújo, Vilma Kracun (esposa do c. João Crisóstomo),
António Abreu, Francisco Antunes (piloto da FAP, BA12 e Cmdt da TAP) e Henrique
Matos (alf mil; 1.º Cmdt do Pel Caç Nat 52, Enxalé, 1966/1968).
|
 |
Foto 9 – (C. Rainha; 29.04.2017).
Concluído o almoço, novas e velhas histórias da Guiné vieram à conversa.
|
 |
Fotos 10 e 11 – (C. Rainha;
29.04.2017). Outras histórias partilhadas…
|
Fotos: 1 e 2 (João Crisóstomo);
3, 5, 9, 10 e 11 (Álvaro Carvalho); 4, 6, 7 e 8 (Jorge
Araújo).
Nota: O próximo Encontro da
CCAÇ 1439 (XXVII) terá lugar em 26 de Maio de 2018.
Foi óptimo ter participado
neste Encontro. Obrigado!
Com um forte abraço de
amizade.
Jorge Araújo.