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segunda-feira, 27 de março de 2023

P434 - [Efemérides] - ACONTECEU HÁ 51 ANOS – 23 DE MARÇO DE 1972 A 23 DE MARÇO DE 2023 - Guiné 1972/74 Empada e Aldeia Formosa Por: ANTERO SANTOS

 

GUINÉ- CCAÇ 3566 (Os metralhas de Empada) E CCAÇ 18 [Companhia Africana de etnia Fula]

 


ANTERO SANTOS

EX. Fur. Milº Minas e Armadilhas

ACONTECEU HÁ 51 ANOS –

23 DE MARÇO DE 1972 A 23 DE MARÇO DE 2023

Foi neste dia de há 51 anos que parti para a Guiné. Regressei no dia 24
de Junho de 1974, ao fim de vinte e sete meses.

Assentei praça no dia 15 de Abril de 1971 no RI 5 - Regimento de Infantaria 5, nas Caldas da Rainha. Finda a recruta, em Julho rumei ao CISMI - Centro de Instrução de Sargentos Milicianos de Infantaria, em Tavira para fazer a especialidade de Atirador. Acabada a especialidade fui colocado no BC 10 - Batalhão de Caçadores 10, em Chaves, tendo aqui chegado no dia 4 de Outubro. Estive em Chaves até ao dia 22 de Março de 1972 com excepção de um período de seis semanas em que estive no Batalhão de Engenharia, em Tancos, a fazer o Curso de Minas e Armadilhas. Formei Companhia no BC 10, em Chaves - a CCAÇ 3566 - Os Metralhas de Empada.

Nesse dia segui de avião para Bissau e no dia seguinte depois de uma noite passada no quartel da Intendência, segui para Bolama (numa Lancha de Desembarque Grande, LDG). Em Bolama estive cerca de um mês a fazer a IAO - Instrução de Aperfeiçoamento Operacional.

No dia 23 de Abril rumei a Empada e aqui estive até ao dia 4 de Janeiro de 1973, tendo durante este período estado mais um mês em Bolama para fazer o EEUA - Estágio de Enquadramento em Unidades Africanas.


No dia 4 de Janeiro de 1973 segui de Empada para Aldeia Formosa, hoje Quebo, (avioneta) e passei a fazer parte da CCAÇ 18, uma Companhia Africana constituída por militares de etnia Fula. Estive na CCAÇ 18 até à primeira semana de Junho de 74 e segui então de novo para Empada (avioneta) para levantar dois campos de minas que havia montado, um no cruzamento da mata de Cantora e outro em Caur de Cima, cerca de vinte e dois meses antes; procedi ao levantamento das minas, excepto de duas das montadas em Caur de Cima que haviam sido acionadas.

Por volta de 14 de Junho segui para Bissau (no barco "Formosa") ficando instalado em Illondé, perto da cidade, num pobre aquartelamento de tendas (o pior de todos os quartéis que conheci) para aguardar o regresso, marcada para o dia 23, mas que acabou por ser adiado para o dia seguinte. No dia 24 de Junho de 1974, dia de S. João, regressei à Metrópole.

A vida continua com a consciência de que fiz o que a Pátria me pediu.

MISSÃO CUMPRIDA.

Resta-me apenas acrescentar as sábias palavras do Padre António Vieira (6 de fevereiro de 1608, Lisboa - 18 de julho de 1697, Salvador, Bahia, Brasil):

„Se servistes à pátria, que vos foi ingrata, vós fizestes o que devíeis, ela o que costuma. “

in "Sermão da Terceira Quarta-Feira da Quaresma", na Capela Real, ano 1669; in: "Sermões", Tomo I, página 105.

...... Versão simples:

"Serviste a Pátria..., cumpriste o teu dever;

A Pátria não te agradeceu..., fez o que costuma fazer"

Antero Santos,

Março 2023 


VD. Poste 23 DE MARÇO DE 1972 - A PARTIDA – FOI HÁ QUARENTA E DOIS ANOS (Antero Santos ex. Fur. Milº Atirador/Minas e armadilhas - Guiné 72/74 CCAÇ 3566 Empada e CCAÇ 18 Aldeia Formosa)

 

domingo, 23 de março de 2014

P200 - 23 DE MARÇO DE 1972 - A PARTIDA – FOI HÁ QUARENTA E DOIS ANOS (Antero Santos ex. Fur. Milº Atirador/Minas e armadilhas - Guiné 72/74 CCAÇ 3566 Empada e CCAÇ 18 Aldeia Formosa)

Mensagem do nosso camarigo, Antero Francisco Carvalho dos Santos, residente na Vila de Avintes, ex. Fur. Milº atirador, minas e armadilhas, esteve na Guiné ao serviço do Estado Português desde Março72 a Junho de 1974, pertenceu à CCAÇ 3566, EMPADA - Março a Dezembro de 1972 e CCAÇ 18, ALDEIA FORMOSA - Janeiro 1973 a Junho de 1974.
SC


                             


Antero em Aldeia Formosa
No dia 20 de Fevereiro de 1972, no Batalhão de Caçadores 10, em Chaves, recebi a notícia de que havia sido mobilizado para a Guiné; iria fazer parte da CCAÇ 3566 – Companhia de Caçadores 3566, e tinha como destino a povoação de Empada. A Companhia adoptou o nome  “OS METRALHAS”. Foi nomeado comandante da Companhia, o Capitão Miliciano João Rocheta Rua.
No dia 22 de Março de 1972, por volta das onze horas da noite, em autocarros da Auto-Viação do Tâmega, a CCAÇ 3566 partiu de Chaves rumo a Lisboa. Chegamos a Lisboa, ao Aeroporto Militar de Figo Maduro, por volta das sete horas da manhã do dia 23 e às duas da tarde partimos para Bissau.
Depois de quatro horas de voo, chegamos a Bissau, ao Aeroporto de Bissalanca, às catorze horas locais. 
A primeira sensação que tive, ainda no avião, quando sobrevoava a cidade, era de que só se via vegetação. Depois de aterrar e quando saí do avião, senti um calor abrasador. Seguimos em camiões militares para o quartel do Batalhão de Intendência.

Depois de instalados no Batalhão de Intendência aproveitamos para visitar a cidade; ao fim da tarde regressamos ao quartel onde iríamos passar esta noite; no dia seguinte seguiríamos para Bolama; aproveitei para me deitar a fim de descansar um pouco e adormeci; em determinada altura sou acordado e olhando para o indivíduo que me acordou, pergunto:
“Então Rocha, ainda há tão pouco tempo foste para a Guiné e já cá estás de férias?”
Tratava-se do José Rocha, filho do Jorge Arouca, de Aldeia Nova, que era Furriel Miliciano no Batalhão de Serviço de Material e que sabia que eu chegava naquele dia. O meu corpo já estava na Guiné mas a minha mente ainda estava na Metrópole – confusão total dos meus neurónios.
O meu grupo de combate da CCAÇ 18 pronto para mais uma saída de dois dias
Ficamos esta noite em Bissau e no dia 24 cada um de nós recebeu duas rações de combate “tipo E20” para os dois dias seguintes (pequeno almoço, almoço e jantar) e, de novo em camiões, seguimos para o cais de Bolola, no Rio Geba, em Bissau onde chegamos às oito horas da manhã, hora para o embarque na LDG - Lancha de Desembarque Grande - de nome ALFANGE –– para a ilha de Bolama; o embarque acabou por acontecer somente às onzehoras e chegamos somente ao fim da tarde a Bolama, já que a viagem demorou cerca de sete horas. O atraso na hora de embarque não permitiu beneficiar da maré cheia e a viagem não pôde ser efectuada pelo canal, pelo que se teve contornar toda a Ilha de Bolama. Pelo canal, a viagem demoraria metade do tempo. Depois da chegada a Bolama, ficamos instalados no CIM – Centro de Instrução Militar – com a finalidade de fazer a IAO – (Instrução de Aperfeiçoamento Operacional). A IAO constava de actividades idênticas àquelas que iriam ser a realidade dos nossos dias quando estivéssemos no mato. Fiz parte do 4º grupo de combate, comandado pelo Alferes Magalhães (da Póvoa de Varzim) e de que faziam parte também os Furriéis Milicianos Miguel Souto (de Cervos, Boticas) e Horácio Ferreira (da Póvoa de Varzim). Durante este período, aconteceu o meu baptismo de fogo: a cidade de Bolama foi alvo de um ataque do inimigo. Neste ataque o IN lançou vários mísseis (foguetões de 122mm) mas não houve consequências para as NT porque todos os mísseis falharam o alvo.

Depois deste dia 23 de Março de 1972 seguiram-se longos nove meses divididos por Bolama e Empada; depois de frequentar um Estágio de Enquadramento em Unidades Africanas fui destacado para uma Companhia Africana - a 4 de Janeiro de 1973 segui para a CCAÇ 18, em Aldeia Formosa; foram os tempos mais difíceis - dezassete meses em Aldeia Formosa, numa Companhia Africana; Aqui soube verdadeiramente o que foi combater.
 Na primeira ou segunda semana de Junho/74 regressei a Empada para levantar dois campos de minas (um total de quarenta e quatro minas) que havia montado na mata de Cantora e em Caur de Cima, cerca de vinte e dois meses antes; procedi ao levantamento de quarenta e duas minas; infelizmente duas das montadas em Caur de Cima (povoação abandonada) haviam sido accionadas.
Regressei no dia 24 de Junho de 1974 depois de oitocentos e vinte e três dias na Guiné (com o intervalo de trinta dias de férias em Fevereiro/Março de 1973).
O regresso- 24 de Junho de 1974 - Aeroporto de Bissalanca - Bissau

Para além da experiência vivida e que apesar de tudo acabou por ser fantástica, dos louvores, da Medalha Comemorativa das Campanhas de África - Guiné 72/74, do “prémio anual” no valor de 150 euros/ano pelos 27 meses ao serviço da Pátria, tenho de “conviver” diariamente com o maldito stress pós-traumático de guerra. Mas a vida continua, com a consciência de que fiz o que a Pátria me pediu.
 “Defendeste a Pátria, cumpriste o teu dever; a Pátria foi ingrata, fez o que costuma fazer”. Padre António Vieira.

Antero Santos
A vermelho grosso as zonas que "palmilhei" à volta de Empada e à volta de Aldeia Formosa. O percurso para Buba era feito de Berliet - as célebres colunas de reabastecimento

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

P120 - COMBATENTES DE AVINTES NA “XXIV FESTA DA BROA EM AVINTES”


Maquete do monumento ao Combatente em Avintes
Com o obectivo de angariar fundos para a construção e edificação do monumento aos combatentes, a associação dos Combatentes de Avintes, participa com uma tendinha de petiscos na 24 Festa da Broa em Avintes, Vila Nova de Gaia. Estive lá!... Passei momentos excelentes. Uma palavra para todos os Combatentes de Avintes, que participaram nas guerras coloniais e não só, específicamente na guerra do Ultramar, pelo arrojado projecto que pretendem levar a cabo. Faço votos para que consigam edifica-lo muito brevemente. Os combatentes da Vila de Avintes, bem merecem.


Da esq. para direita: Manuel Monteiro, Antero Santos e A. Castro
Tive o privilégio de estar à conversa com o Antero Santos, ex. furriel miliciano que esteve na Guiné na CCAÇ 3566 - EMPADA de 23FEV72 a 04JAN73 e na CCAÇ 18 ALDEIA FORMOSA de 04JAN73 a 24JUN74 e o Manuel Monteiro, ex. Furriel Miliciano da 1ª companhia do BART 6523, Guiné - MADINA MANDINGA 1973/74, falamos, como não podia deixar de ser, sobre a Guiné, tinha de ser!. São responsáveis pela realização do projecto do monumento, foram de uma simpatia extrema, que é apanágio de todos aqueles que estiveram na guerra do Ultramar. O monumento será construído em cubos de granito, representando uma muralha com vários espaços vazios (10) que ficarão espalhados pelo chão representando com o nome de cada um dos soldados que tombaram na guerra colonial ao serviço da Pátria.