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sábado, 18 de abril de 2009

P32 - Ex. Comando Africano pede ajuda

Quartel das TRMS - Sta Luzia, Guiné 1972
Carlos Beifa, ex. comando africano da 2ª companhia, tem trocado alguns e-mails comigo para saber qual os direitos que tem direito por ter pertencido ao Exército Português.
Vamos tentar ajudar!... Os textos que me enviou estão publicados neste sítio conforme os originais.

ENVIEM PARA O ENDEREÇO, QUALQUER RESPOSTA EXCLARECEDORA SOBRE ESTE ASSUNTO,

SOUSA DE CASTRO 2009/04/18

Olá pessoal da tabanca, este nosso amigo, Carlos Beifa, pertenceu à 2ª companhia de comandos africanos na Guiné e precisa de ajuda. Alguém que tenha conhecimento para o informar qual os direitos que possa ter, mesmo continuando a viver na Guiné. Vou-lhe pedir que me mande por E-mail, todos os dados de militar, e o endereço actual para pedir ao Arquivo Geral do Exército a contagem do tempo de svc militar e depois ver o que se pode fazer.
Sem outro assunto, esperando que alguém possa esclarecer este nosso camarada.

Abraços do Sousa de Castro


De: azi carlos [aziaugusta@gmail.com]
Enviado: sábado, 18 de Abril de 2009 16:48
Para: sousadecastro@gmail.com
Assunto: posso sim explicar.

-2)- Eu sou da CCS que e Companhia de Comandos serviços,eu sou da segunda companhia de comandos africano o nosso comandante era Major Almeida Bruno a minha especialidade e mecânico auto, vou te enviar fotografia. o que eu queria saber e como e que eu vou ter os meus direito como a nacionalidade porque eu jurei a bandeira portuguesa eu pertenço a Portugal por exemplo podes me dizer que tipo de direitos que eu vou ter? amanha eu vou ter que escanear os meus fotos para situar melhor. e tudo obrigado por me teres respondido um abraço.
Carlos Beifa.



De: Sousa de Castro [mailto:sousadecastro@gmail.com]
Enviada: sexta-feira, 17 de Abril de 2009 17:48
Para: 'azi carlos'; EX. Combatentes Guiné 1963/74
Assunto: RE: Peço a sua ajuda de certeza?

Amigo Carlos, fico grato pelo teu e-mail que muito me sensibilizou. Não sei bem qual os direitos que te assistem uma vez que não tens residência em Portugal nem sei se tens Nacionalidade Portuguesa. Mesmo para nós que estamos cá, os direitos para os ex. combatentes não são muitos. Para quem está aposentado recebe um complemento especial de pensão que poderá ir até 180,00€ , conforme o risco de Guerra, por outro lado vou encaminhar o teu E-mail para a tertúlia de camaradas da Guiné luisgracaecamaradasdaguine@gmail.com no sentido de alguém poder dar informações mais precisas sobre os teus direitos. Estou certo que não ficarás sem a resposta mais adequada. Para além disso convido-te a visitar este endereço http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/ é um sítio onde poderás encontrar pessoal da tua companhia, contar as tuas histórias e até fazeres parte desta tabanca.
Diz-me qual foi o teu Batalhão e companhia, em que zona estives-te. Se possível manda para o endereço: luisgracaecamaradasdaguine@gmail.com uma foto da época, quando eras militar e outra actual.
Abraço amigo do Castro


De: azi carlos [mailto:aziaugusta@gmail.com]
Enviada: sexta-feira, 17 de Abril de 2009 14:38
Para: sousadecastro@gmail.com
Assunto: Peço a sua ajuda de certeza?

-1)- Ola companheiro da ultramar o Meu nome e Carlos Beifa nascido a 14 de Janeiro de 1949 na freguesia de Nhacra (GUINE) ex soldado ultramarina incorporado em 2 de Agosto de 1970. Eu peço ajuda agora mesmo porque preciso de receber os meus direitos,porque eu estava com medo havia varias perseguições aqui na Guiné eu sempre escondi, porque e difícil chamavam nos de traidores da pátria tenho famílias eu resolvi ser motorista só para conseguir sobreviver até agora estou mesmo cansado, não sei como resolver os meus problemas preciso de alguém que possa me ajudar a resolver este assunto agora preciso tratamento nem consigo ter o, quem vai poder ajudar havia muitas perseguição, humilhações, calunias que nem imaginas eu andei escondido mais sempre com o meu caderneta militar guardado e fotos também já andei embaixada eles disseram que tudo esta certo,mas é preciso esperar.o que eu quero e saber vias como andar para conseguir os meus direitos. obrigado por atenção por enquanto e tudo este email do meu filho AZI CARLOS BEIFA, também este e numero dele podes contactar lhe a qualquer momento se e possível. + 245 6618291. aguardo a sua resposta com alta estima

Carlos Beifa ex soldado ultramar da Guiné Portuguesa

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

P9: A ESCOLA DURANTE A LUTA DE LIBERTAÇÃO (1961-1974 )

PAIGC (Partido Independência Guiné e Cabo Verde)

Segundo a visão dos nacionalistas da guerra colonial na Guiné, a instituição de uma contra escola em zonas libertadas propiciava uma doutrinação anti - colonial. Criaram uma rede escolar na base de uma contra pedagogia. Nos primeiros anos foram recrutados professores sem critérios habituais em todas as regiões militares. Mais de metade destes professores não sabiam construir perfeitamente uma frase em português. A questão era simplesmente saber escrever, ler bem ou mal um texto, somar ou multiplicar, etc., pois havia uma famosa palavra de ordem do PAIGC que marcou os militantes quem sabe deve ensinar os que não sabem.
Mas quando se verificou que o crioulo suplantava o português e que a mediocridade ia por conseguinte desmoronar o próprio sistema de ensino, este partido - movimento de libertação promoveu acções de superação do pessoal docente em Conakry e Boé, por um pessoal forçado a ser pedagogo de circunstância, provavelmente para não ser incorporado no exército real de libertação. A extensão deste sistema de ensino de miséria deu origem à semelhante acção eufórica no espaço controlado pelo exército colonial: a administração portuguesa promoveu uma nova escola e uma campanha de reconstrução das aldeias danificadas pela guerra, e, simultaneamente, construía habitações estratégicas à volta ou perto das suas instalações militares.

Todo esse esforço servia para sensibilizar a comunidade internacional, a população da sua área de influência política e, por fim para conter o avanço da oposição armada e isola-la. Também na sequência da aplicação deste programa de contra propaganda, baptizado por Guiné Melhor para uma nova portugalidade, que se criou um centro de formação acelerada de professores de primária em Bolama (sul do país). Sem dúvida, a massificação do ensino em ambos os lados foi notável sucesso estatístico, em poucos anos a população escolar e o número de alfabetizados (militares e civis) aumentaram de tal forma que a qualidade foi absorvida por uma mediocridade espantosa.

DA INDEPENDÊNCIA AO RESTAURO DA ORDEM INSTITUCIONAL - (1974-2001).
Uma situação complicada tem marcado o país depois da evacuação das tropas coloniais e, por conseguinte a tomada do poder pelo PAIGC, foi o encontro de dois sistemas antagónicos que partilhavam o território nacional durante a luta de libertação nacional: por um lado, o sistema de ensino colonial; por outro, um sistema de ensino super politizado que vigorava no espaço controlado pelo PAIGC durante a luta de libertação nacional.
Ambos estavam em dissonância clara com as prioridades de desenvolvimento dos guineenses, de igual modo com os desafios do tempo.
A este caso juntaram-se outros:

1. A presença de três cortes de docentes: a primeira, vinda das regiões libertadas sem formação inicial convencional em ensino, tinha sérias dificuldades académicas; a segunda embora tivesse passado pela escola de formação de Bolama, transpirava na maioria um perfil duvidoso para o novo poder; a terceira, voluntária e moldada também no ex-espaço de influência colonial, incluía até alunos com ensino básico completo.

2. Os poucos formados em técnicas de ensino só conheciam os programas e os manuais da autoria de antigo regime político, e, haviam um clima de medo do novo regime, na época, era onda de fuzilamento de compatriotas acusados de estarem ao lado dos colonialistas no tempo da luta.

3. A inexistência de verdadeiros programas e manuais nas bagagens dos libertadores.

4. A censura política dos manuais coloniais: paginas arrancadas sem contrapartida didáctica

5. A introdução da sócio-erosiva disciplina conhecida pelo espantoso nome de Formação Militante um instrumento de detecção de correntes indesejáveis, de doutrinação e de captação. Entre os docentes desta disciplina e alunos excelentes, o regime recrutava informadores da sua polícia política, professores de história sem mínima formação, activistas políticos e directores de escolas, para além de muitas outras vantagens sociais.

Bem ou mal a maquina arrancou na engrenagem da contradição que tem prevalecido entre a realidade, a propaganda política e o programa de educação inadaptado. O estado, a despeito da persistência da crise económica, consagrava uma porção dos seus magros recursos à educação cujo orçamento votado aumentava cada ano. Realmente, regime foi forçado a comportar-se dessa maneira porque o povo, em cada acontecimento político importante, fora dos centros urbanos declarava que queria uma escola, um posto de saúde e ‘um armazém do povo. Nas suas respostas habituais, os representantes do partido-estado, para agradarem as populações das tabancas (aldeia) visitada, faziam declarações comprometedoras, foi assim que, sem estudos prealáveis, muitas escolas foram implantadas: a maioria era composta de barracas e muito longe das zonas mais populosas.

Outro paradoxo grosseiro é a persistência da morosidade, o salário de miséria acumulados, a sobreposição de estruturas, etc. A única dinâmica saliente é alternância entre gerações de medidas improdutivas e de inadequações sistemáticas, ambas concorrendo à porfia em detrimento do rigor e da qualidade.
JAILSON CUINO
Licenciado em História pela Universidade de Coimbra
DESS em Planificação e Gestão de Educação pelo Instituto Internacional de Planificação de Educação, Paris, França

Fonte: Agência Bissau
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6 de Novembro de 2007 – 19h25