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terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

P302 - Soube antecipadamente a minha especialidade e não entreguei as habilitações (...) Claro, seria atirador. Por: João Maria Pereira da Costa, ex. Fur. Milº Operações e Informações, BART 2857 (CCS)

MSG com data de, 17FEV2017 partilhada comigo no FACEBOOK, após alguma conversa achei interessante dar a conhecer neste espaço, como foi o início da vida militar deste nosso camarada, com a devida autorização do autor.
Devo referir que este nosso camarada é um dos fundadores e administrador do blogue: BART 2857 - GUINÉ 1968/70 constituído pelas CCS/Piche, CART 2438/Bajocunda, CART 2439/Canquelifá e CART 2440/Piche.



Boa tarde caro S. Castro.
Fui Furriel Miliciano. Soube antecipadamente a minha especialidade e não entreguei as habilitações, embora pressionado pelo Tenente comandante da minha Companhia de Instrução, amigo da família, que pretendia que fosse para Mafra para a especialidade. Claro seria atirador. Mas a vida tem subtilezas que não dominamos. Irás no final do texto compreender.

Em Outubro de 1967, fui incorporado no serviço militar, na recruta nas Caldas da Rainha, porque me cortaram o «regime de espera» pois frequentava a faculdade e pretendia terminar o curso. Nessa altura ouve uma visita do Américo Tomás à Universidade de Coimbra. O pessoal comportou-se mal e, daí, todos tiveram a minha sorte.

Estive de Janeiro a Março de 1968 em Tavira, na especialidade de Operações e Informações, integrada no Pelotão de Reconhecimento e Informação.
Daqui passei por Penafiel, Abril de 1968, onde tomei conhecimento que estava mobilizado. Poucos dias passados deram-nos ordem para apresentar em Lamego, nas Operações Especiais, a mim e a mais dois quadros, do Pel Rec.Info. que tinham estado comigo em Tavira. Igualmente foi o futuro alferes que viria a comandar o Pel. Rec. Info. Bart 2857.
Em Junho de 1968 terminado o curso fomos os 4 colocados no Porto no RI6, para dar aos recrutas a especialidade de Reconhecimento e Informação.
Fur. Milº Girão e Fur. Milº Pereira da Costa (Piche)
O tempo foi passando e continuávamos no Porto. Entretanto caíu da cadeira o doutor Salazar e os quartéis entraram de prevenção.

Chamados ao comandante perguntamos que tipo de armamento daríamos aos recrutas e sem ou com munições. Estes ficaram com Mausers, julgo descarregadas e todos os quadros do RI6 com armas pesadas.

O Batalhão já tinha ido para Viana do Castelo para o IPO. O embarque estava previsto para 10 de Novembro de 1968.
O tempo a aproximar-se e nós no Porto. Fomos ao comandante e lá nos deixou partirmos para Viana do Castelo. Aqui estivemos nem uma semana. No dia 9 de Novembro embarcamos para Lisboa de comboio. Esperava-nos o UIGE para dia 10 partirmos para a Guiné. Desembarcamos e ficamos em BRÁ. Uma bela noite entramos numa LDG e partimos para BAMBAMDINCA donde de imediato em coluna partimos para Piche. Fizemos a viajem directa.

Enquanto estive em Piche, fui integrado no Gabinete de Operações e Informações, chefiado por um capitão. Planeávamos as operações e do estudo das informações. Todas as semanas eram enviados plásticos com o desenho das Operações. Como a guerra piorava o gabinete foi completado por outro Capitão que só tratava das Informações e da reorganização dos aldeamentos, tanto de Piche como de outros destacamentos.
Fui várias vezes a Bissau `2.ª Repartição, sala onde estava a guerra toda com os mapas na parede. Uma das vezes fomos fazer queixa do 2.º Comandante, então o Comandante do Batalhão, que metia o bedelho e não percebendo nada de artilharia um dia planificou os alvos em cima das nossas tropas. Claro que tivemos que corrigir.

Estava proibido de sair do quartel nem me integrar em colunas porque tinham medo que fosse apanhado pelos turras e os segredos estavam na minha cabeça. Mas ainda saí a um destacamento verificar do andamento das obras e da Mesquita.
A partir daqui entramos no comentário que publiquei.
Um abraço e bom trabalho.
Sempre ao dispor para informações.
Pereira da Costa

Um abraço


quarta-feira, 25 de maio de 2016

P264 - A CANQUELIFÁ DA CCAÇ 3545 [1972-1974] E OS ACONTECIMENTOS DE JANEIRO DE 1974 - A MORTE DO RANGER PINTO SOARES [FUR OP ESP] - Por: Jorge Araújo


Camarada Sousa de Castro

Os meus melhores cumprimentos.

A pretexto da publicação do P16098 da Tabanca Grande, versando o tema relacionado com a actividade de guerrilha do PAIGC na região de Canquelifá no início de 1974, tomei a iniciativa de nele participar com mais algumas informações. Como tive de recorrer a citações extraídas de documentos oficiais, que na época eram confidenciais, algumas delas já publicadas no nosso Blogue, aqui tens, para o alinhamento possível, esse meu texto.

Obrigado.

Com um forte abraço de amizade.

Jorge Araújo.

Mai’2016
  1. INTRODUÇÃO
Na sequência do que li na última publicação relacionada com o PERINTREP 12/74 [P16098-LG], aqui trazido pelo camarada Nuno Rubim, Cor Art Ref, onde são relatados (alguns) factos e feitos da actividade operacional do PAIGC, com destaque para as suas acções bélicas sobre Canquelifá e territórios circunvolventes, no período de 17 a 24MAR1974, tomei a iniciativa de juntar outros subsídios para o aprofundamento da historiografia da guerra, no geral, e da CCAÇ 3545/BCAÇ 3883 (1972/1974), no particular.
Uma vez que não conheci aquela região, e o local mais próximo onde estive foi em Nova Lamego [duas horas!], não poderei acrescentar nada de importante quanto à logística e/ou à evolução da problemática militar naquele contexto, ainda que compreenda as dificuldades por que passaram os camaradas que viveram, conviveram e sobreviveram, durante os últimos quatro meses da sua comissão, naquele inferno de terra queimada, conforme se infere da observação das imagens já divulgadas no blogue, como é o exemplo seleccionado.


Notas do Editor:

Vd. Poste de 21 de Janeiro de 2012: https://cart3494guine.blogspot.pt/2012/01/p-139-situacao-militar-no-teatro-de.html