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terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

P 143 - OS ÚLTIMOS MILITARES PORTUGUESES A ABANDONAR A GUINÉ

MSG de Luís Vaz, filho do último CEM/CTIG Cor. Henrique Gonçalves Vaz) com data de: 21FEV2012

Caros Editores:

Conforme o prometido, segue em anexo finalmente, o meu artigo sobre "OS ÚLTIMOS MILITARES PORTUGUESES A RETIRAR DA GUINÉ (Dia 14 de Outubro de 1974)" -“RETIRADA FINAL DO TEATRO DE OPERAÇÕES  DA GUINÉ”
.
Para este artigo, além de consultar as notas pessoais do meu falecido pai, também entrevistei um primo meu, que era na altura marinheiro radio-telegrafista da "guarnição do Patrulha Lira (LFG Lira), com quem estive ainda na Guiné, mas que ficou lá até ao último dia, o dia 14 de Outubro de 1974, juntamente com muitos outros militares, um deles, o meu falecido pai, o último CEM/CTIG. Este meu primo, Manuel Aurélio de Araújo Beleza Ferraz, relatou-me na 1ª pessoa, as últimas horas  da retirada para o Navio UIGE, dos militares portugueses ainda presentes nesse dia em terra, para assegurarem a última cerimónia, o "Arrear da Bandeira Portuguesa", bem como me forneceu um conjunto de fotografias, que ilustram o "Artigo" e que poderão ser publicadas. Espero que não tenha "distorcido muito" estas últimas horas da nossa "Retirada Final" da Guiné, se o fiz, foi sem intenção. Por outro lado, peço desculpa não "elencar o nome" de todos aqueles militares que nesse mesmo dia, "deram o seu máximo" para não Manchar o Bom Nome da Nação, numa altura difícil da nossa longa história... se um de vós lá estava, então deixe aqui "o seu depoimento", pois assim enriquecerá este relato de mais um dos "episódios históricos da descolonização portuguesa".

Grande Abraço
Luís Gonçalves Vaz


(Dia 14 de Outubro de 1974)

“RETIRADA FINAL DO TEATRO DE OPERAÇÕES DA GUINÉ”

A ponte-cais em T, em Bissau, imagem tirada de bordo do navio Uíge,  onde se podem ver os últimos militares a aguardarem a vez de embarcarem. Na imagem são visíveis as viaturas GMC, Unimog,  Willys, viaturas do Exército características da época.  Ao fundo, a avenida marginal para o Pijiguiti, e o Forte da  Amura. Fotografia de ex-Alf. Médico, Alberto Lema Santos, BCaç 1933, 67/69  in: http://especialistasdaba12.blogspot.com. com a devida vénia

Os últimos Aquartelamentos a serem entregues ao PAIGC, foram o “Complexo militar de STª Luzia”, onde se encontrava o QG/CTIG (Quartel General do Comando Territorial Independente da Guiné), e o QG/CCFAG (Quartel General do Comando-chefe das Forças Armadas da Guiné) instalado no histórico Forte da Amura, que se localiza mesmo em frente à ponte-cais em Bissau (ver figura). A entrega destes dois últimos redutos das Forças Armadas Portuguesas na Guiné, foram  “negociados” em 11 de Outubro (apenas 3 dias antes da saída dos últimos militares portugueses deste território),  numa reunião  no Forte da  Amura com os comandantes do PAIGC, Gazela,  Bobo Keita e o comandante  Correia,  sob a coordenação do então CEM/CTIG (Chefe do Estado-Maior do CTIG) coronel Henrique Gonçalves Vaz.  Os “Planos  de Entrega destes Aquartelamentos”, foram realizados pelo Coronel CEM/CTIG, coronel Henrique G. Vaz com a colaboração do sr. Major Mourão, e entregues  ao Brigadeiro Fabião , no dia 10 de Outubro de 1974, um dia antes da reunião com os comandantes do PAIGC.  A entrega do “complexo militar de STª Luzia” foi efectuada no dia 13 de Outubro, pelas 15 horas, enquanto o Forte da Amura, o último “reduto militar português” a ser entregue, foi entregue apenas no dia 14 de Outubro, o dia previsto para a “retirada final”, e reservado para o embarque do que restava das tropas portuguesas na Guiné. Como tal foi concentrado aí na véspera da partida, o último contingente do Exército Português .

A lancha de fiscalização grande (LFG) Lira, atracada na ponte-cais,  poucos dias antes da “retirada final” em 14 de Outubro de 1974. (Fotografia do marinheiro radio-telegrafista, Manuel Beleza Ferraz)

O ex-marinheiro radiotelegrafista , Manuel Beleza
Ferraz, (da guarnição do Patrulha Lira), testemunha da
Missão“Retirada Final” da Guiné, em 14/10/1974
O que vos vou passar a relatar, será uma pequena narrativa, dos últimos momentos da nossa “retracção do dispositivo militar”, deste último reduto de militares portugueses, para os navios da Armada Portuguesa e para o navio Uíge (o navio Niassa já se encontrava ao largo de Bissau) , que se encontravam frente à Ponte-cais, mas a alguns metros do cais, com os motores ligados (pairavam todos os navios). Esta descrição foi-me feita pelo meu primo  e ex-marinheiro radiotelegrafista da Armada Portuguesa, Manuel Aurélio de Araújo Beleza Ferraz, que fazia parte da guarnição da LFG (Lancha de Fiscalização Grande) Lira, um dos navios que fez a segurança de rectaguarda, durante o embarque dos últimos militares portugueses na Guiné.
Foto actual;
Ex-marinheiro radiotelegrafista 812/70
Manuel Beleza Ferraz
No dia 14 de Outubro, decorreu a última cerimónia de “Arrear da Bandeira Portuguesa”, ao qual se seguiu o “Hastear de Bandeira da República da Guiné-Bissau”, como tal nesse mesmo momento, todo o que restava do contingente militar português, encontrava-se agora em território estrangeiro. Nessa cerimónia encontrar-se-iam o Governador (Brigadeiro Carlos Fabião), o Comandante Militar (brigadeiro Galvão de Figueiredo), o Chefe do Estado-Maior do CTIG (coronel Henrique Gonçalves Vaz), outros oficiais, alguns sargentos e praças. Os primeiros depois de assistirem ao embarque de todos os militares nos navios que se encontravam ao largo no estuário do Rio Geba, seguiram para o Aeroporto, onde mantínhamos ainda um dispositivo de segurança. Mal acabou a cerimónia referida anteriormente, e segundo testemunho do ex-marinheiro radiotelegrafista, Manuel Aurélio A. Beleza Ferraz, que se encontrava nesta altura na LFG LIRA, todas as guarnições dos nossos navios que se encontravam na zona, estavam por ordens superiores, em posição de combate (para qualquer eventualidade), estando todos os operacionais equipados com coletes salva-vidas, capacetes metálicos e as Bofors (peças de artilharia antiaéreas de 40 mm) sem capa e municiadas, prontas a realizar fogo de protecção à retirada das nossas tropas, que ainda se encontravam em terra. Segundo o ex-marinheiro radiotelegrafista, Manuel Beleza Ferraz, os navios que se encontravam a realizar a “segurança de rectaguarda” mais próxima, ás tropas que iriam retirar-se para os navios ao largo no Rio Geba, eram a LFG Órion e a LFG Lira. Encontravam-se também ao largo em missão de Segurança um patrulha (NRP Quanza) e o navio NRP Comandante Roberto Ivens, este último a comandar as operações navais desta missão de “retirada Final”.

Evacuação de pessoal civil de Jemberem ou de Gadamae (?), passagem dos civis de uma lancha de desembarque, para a LFG Lira, em pleno Rio Cacine, muito abaixo da “marca lira”. (Fotografia do ex-marinheiro radio-telegrafista, Manuel Beleza Ferraz)
Após o “Arrear da Bandeira Portuguesa”, as tropas portuguesas dos 3 Ramos das Forças Armadas, presentes na referida cerimónia, logo de seguida, foram transportadas em Zebros e LDM (lanchas de desembarque médias) para o Navio Uige, que os aguardava no meio do Rio Geba, a cerca de 400 metros afastados do cais, onde se encontrava já com as máquinas em pleno funcionamento (pairavam) por razões de segurança.

4 Lanchas de Fiscalização Grandes (LFG), uma pequena, e uma LDM na Ponte-Cais em Bissau, no ano de 1974, poucos dias antes da “retirada final” do dia 14 de Outubro do mesmo ano. É visível o navio Uige ao fundo, preparado para transportar os últimos militares portugueses da Guiné. (Fotografia do ex-marinheiro radio-telegrafista, Manuel Beleza Ferraz).
O ex-marinheiro radiotelegrafista, Manuel Beleza Ferraz, fonte destes testemunhos históricos, aqui relatados, informou-me ainda de que as ordens vindas do Comando Naval, com apenas 24 horas de antecedência, foram entregues em mão, aos Comandantes das duas LFG (Órion e Lira) e do patrulha Cuanza, presentes ao largo do cais, no caso do seu navio, o patrulha Lira, recebeu directamente o seu comandante, 1º Tenente Martins Soares. Como tal, os comandantes destes três navios  que constituiam nesse dia,  a “força naval” em frente ao cais de Bissau, receberam ordens expressas, “para se posicionarem em postos de combate”, com todas as peças Bofors de 40 mm, devidamente municiadas e preparadas para realizarem fogo, como apoio de rectaguarda á retirada das nossas tropas, de terra para os navios, nomeadamente o UIGE. Felizmente tudo correu bem, não sendo preciso fazer fogo nenhum, já que a retirada se desenrolou como o previsto, sem altercação de qualquer natureza. De seguida, no final dos transbordos, os Zebros e as lanchas (LDM) foram presas numa boia em frente ao cais (abandonadas), e imediatamente a “Flotilha portuguesa”, escoltou  o  navio Uige e o Niassa (este já navegava mais à frente) até águas internacionais, seguindo a maioria dos navios da Armada para Cabo-Verde, de onde alguns deles, partiriam pouco depois, em direcção a Angola.
As Tropas portuguesas na ponte-cais, em Bissau a prepararem-se para embarcar no Navio Uíge, com destino a Lisboa. Fotografia de: ex-Alf. Médico, Alberto Lema Santos, BCaç 1933, 67/69  in: http://especialistasdaba12.blogspot.com   com devida vénia

O marinheiro radiotelegrafista, Manuel Beleza Ferraz, ainda informou que a “flotilha” que rumou em direção a Cabo-verde, além dos navios já referidos (NRP Comandante Roberto Ivens, LFGs  Órion e Lira e patrulha Cuanza) faziam parte também as LDGs “Ariete”,“Alfange” e “Bombarda”,  tendo estes navios da Armada atracado em 20 de Outubro no porto de Mindelo na ilha de  S. Vicente, Cabo Verde.

A comitiva constituída pelo Governador (Brigadeiro Carlos Fabião), o Comandante Militar (brigadeiro Figueiredo), o Chefe do Estado-Maior do CTIG (coronel Henrique Gonçalves Vaz),  bem como alguns outros oficiais do Estado-Maior, sargentos e praças, depois de assistirem ao embarque de todos os militares nos navios, que se encontravam ao largo do estuário do Rio Geba, e assegurando-se que tudo tinha corrido sem problemas e de acordo com o previsto nos “Planos de Retirada”, elaborados pelo CTIG/CCFAG que nesta altura, se afirmava como o único Comando das Forças Armadas Portuguesas neste TO da Guiné, seguiram directamente para o Aeroporto de Bissalanca, onde mantínhamos ainda um dispositivo de segurança.

Elementos da guarnição do NRP Lira, em convívio na sala comum/refeitório. Foram estes os marinheiros que no dia 14 de Outubro de 1974, nos seus lugares de combate e outros, asseguraram a operacionalidade da NRP Lira, no que diz respeito ao apoio e segurança na evacuação do último contingente militar do território da Guiné. Estima-se que seriam algumas centenas de militares dos 3 Ramos das Forças Armadas Portuguesas. Neste grupo estavam representadas as várias especialidades do navio, nomeadamente, artilheiros, eletricistas, telegrafistas e manobras. Este navio, o NRP Lira, sob o comando do 1º Tenente Martins Soares, teve um papel importante na missão de “Retirada Final”, já que era o navio de apoio de rectaguarda que se encontrava mesmo em frente à Ponte-cais de Bissau, como tal o navio mais próximo do Forte da Amura. O marinheiro radio-telegrafista, Manuel Beleza Ferraz é o que está a olhar para o fotógrafo.
Às 23 horas do dia 14 de Outubro de 1974, estes militares serão os últimos a retirar da Guiné, nesse momento estiveram presentes alguns Comandantes do PAIGC, que quiseram despedir-se dos “seus antigos inimigos”, e assim foi o Fim da colonização da guiné com cerca de 500 anos. Mas antes, de finalizar este artigo, gostaria aqui de referir o árduo trabalho atribuído ao último CEM/CTIG, Coronel Henrique Manuel Gonçalves Vaz, já que foi o responsável, por “despacho escrito do Brigadeiro/ Governador”, Carlos Fabião, pela elaboração dos “Planos de Retirada do nosso Exército”, da “Carta sobre a Redução de Efectivos e Comissões Liquidatárias”, dos “Planos de entrega dos Aquartelamentos da Ilha de Bissau”,  do “Estudo da Comissão Liquidatária do QG/CTIG em Lisboa”,  das "Cargas dos aviões", entre outras responsabilidades .

Enfim o Brigadeiro Carlos Fabião, determinou que este oficial do Corpo do Estado Maior e Chefe do Estado-Maior do CTIG/CCFAG, coronel Henrique Gonçalves Vaz, se responsabilizasse por todos estes assuntos, como tal fica aqui a minha homenagem a ele, bem como a todos os oficiais, sargentos e praças, que sob o seu comado, o ajudaram a realizar essa importante tarefa, nomeadamente o sr. Tenente-coronel de Art.ª Joaquim José Esteves Virtuoso, o  sr. Major Mourão, o sr. Capitão Lomba, e outros oficiais, sargentos e praças, que colaboraram nesta última missão militar no TO da Guiné, a “Retirada Final”, a todos eles, a minha homenagem, o meu respeito e uma grande admiração, pois ficaram neste episódio da longa história portuguesa.
20 de Fevereiro de 2012
Luís Filipe Beleza Gonçalves Vaz (filho do último CEM/CTIG)



Nota do Autor: Um agradecimento especial ao meu primo e ex-marinheiro radiotelegrafista, Manuel Beleza Ferraz, marinheiro da guarnição de um dos últimos navios a abandonar as águas da Guiné, o Patrulha Lira, pois sem o seu testemunho, não poderia ter dado parte importante das informações, relatadas nesta minha pequena narrativa sobre a “retirada final da Guiné”. A ele o meu muito obrigado.

sábado, 21 de janeiro de 2012

P-139 Situação Militar no Teatro de Operações da Guiné no ano de 1974 (Parte III)

MSG de Luís G. Vaz com Data/Hora: 202244JAN12


Situação Militar no Teatro de Operações da Guiné no ano de 1974

Por: Luís Gonçalves Vaz  (filho do último Chefe do Estado Maior do CTIG, Coronel Henrique Gonçalves Vaz)


(Parte III)



DOSSIÊ SECRETO (ou talvez não)


Adaptação/transcrição de Alguns Excertos do; "Relatório da 2ª Repartição do QG do CTIG”, autenticado pelo Chefe da 2ª Repartição, o Major de Infantaria, Tito José Barroso Capela.

Bissorã - 20/10/1973 - Passagem de revista pelo general Bettencourt Rodrigues
(Fotos do capitão Carlos Oliveira - CCAÇ 13)
NOTA INTRODUTÓRIA de Luís Gonçalves Vaz :

Para quem não esteve na Guiné no ano de 1974, seguem as datas de alguns ataques do PAIGC, logo no início desse ano. ..."Este foi mais um ano de guerra, e nada fácil, e foi logo no início desse ano, no mês de Janeiro,  que se realizou a  a 1ª Operação planeada pelo General Bettencourt Rodrigues, seu Estado Maior e Estado-Maior do CTIG e demais ramos das Forças Armadas, segundo nota do último chefe do Estado-Maior do CTIG, Coronel de Cavalaria, Henrique Gonçalves Vaz, publicada anteriormente neste Blog..."

General José Manuel de Bethencourt Conceição Rodrigues
 Em 29 de Setembro de 1973 assume em Bissau, os cargos de governador e CCFA da Guiné
(fotografia retirada de: http://ultramar.terraweb.biz/index.htm)
3 de Janeiro de 1974 – Ataque do PAIGC a Canquelifá, na fronteira da Guiné com o Senegal, com intenso fogo de morteiros e granadas, durante mais de dez horas. Sob coordenação de Nino Vieira, comandante da Frente Leste do PAIGC.

3 de Janeiro de 1974 – Ataque do PAIGC ao destacamento de Copá, na Guiné, durante duas horas.

3 de Janeiro de 1974 – Ataque do PAIGC ao destacamento de Buruntuma, na Guiné.

4 de Janeiro de 1974 – Ataque do PAIGC ao destacamento de Piche, na Guiné.

Guiné,  Zona Leste > Região de Gabu > Piche > CCAÇ3546 (Piche e Camajabá, 1972 / 1974)  Destacamento da Ponte Caium

6 de Janeiro de 1974 – Novo ataque do PAIGC a Canquelifá, Norte da Guiné, com intenso fogo de foguetões, durante três horas.

6 de Janeiro de 1974 – Novo ataque do PAIGC a Buruntuma, na Guiné, durante cinquenta minutos.

7 de Janeiro de 1974 – Uma força portuguesa do recrutamento local interceptou uma coluna do PAIGC em Canquelifá, causando-lhe pesadas baixas. (segundo notas pessoais do Coronel CEM, Henrique Gonçalves Vaz), foram mortos em combate, 6 Cubanos e mais 6 Africanos do IN. Neste combate morreu um militar das N.T, o  Ranger:LUÍS FILIPE PINTO SOARES (Furriel Miliciano de Operações Especiais) Companhia de Caçadores 3545.

7 de Janeiro de 1974 – Emboscada do PAIGC a uma coluna militar portuguesa na estrada Bajocunda-Copá, causando dois mortos e 19 feridos.

7 de Janeiro de 1974 – Disparos de mísseis do PAIGC contra dois aviões Fiat em Bedanda, Guiné.

7 de Janeiro de 1974 – Ataque do PAIGC ao destacamento de Copá, na Guiné.

21 de Janeiro de 1974 - Acção do PAIGC na cidade de Bissau, com lançamento de engenhos explosivos contra autocarros da Força Aérea, seguidos, uma semana depois, de dois outros engenhos do mesmo tipo num café da mesma cidade, frequentado por militares portugueses.

14 de Fevereiro  de 1974  - Carta do Movimento dos Capitães da Guiné sobre a situação geral e a necessidade de ser passar à acção contra o regime.

  22 de Fevereiro de 1974   - Rebentamento de uma carga explosiva no Quartel-General do Exército de Bissau, tendo ficado feridos  o segundo-comandante e o Chefe do Estado-Maior  (este apenas com pequenas escoriações), acção  reivindicada pelas Brigadas Revolucionárias.

22 de Fevereiro  de 1974  - Publicação do livro de António de Spínola, Portugal e o Futuro.

  15 de Março de 1974   - Demissão de Costa Gomes e António de Spínola dos cargos de chefe e vice-chefe do Estado Maior General das Forças Armadas.
 
16 de Março de 1974   - Pronunciamento do RI 5, das Caldas da Rainha, primeira tentativa de golpe militar do movimento dos oficiais das Forças Armadas, que conduz à prisão de cerca de 200 homens.

31 de Março de 1974   - Violento ataque do PAIGC à guarnição militar portuguesa de Bedanda, com utilização de viaturas blindadas. (...)



Fuzileiros, desembarcando de um bote pneumático Zebro III, na Guiné (fotografia da esquerda). O pequeno mas robusto Alouette III foi um dos cavalos de batalha das operações em África (fotografia da direita). In: http://forumarmada.no.sapo.pt/docs/FA-Marverde/marverde1.html

(...) No seguimento desta atitude (ver fim da Parte I), o SG do PAIGC determinou a 31 de Maio, face às MANOBRAS que classificou de “ DILATÓRIAS” da Delegação de Lisboa, o reinício das operações de Guerrilha como forma de “pressão”, com a finalidade e provocar cedências da parte portuguesa.
   Tal ordem seria no entanto anulada na manhã de 2 de Junho, após a chegada a CONAKRY da Delegação do PAIGC, vinda de LONDRES. Poucos dias passados, verificava-se a interrupção da guerrilha, em todo o Teatro de Operações da Guiné, o que originaria um “Cessar-Fogo” de facto a partir d o início de Junho.
    Continuaram no entanto a ser detectados alguns engenhos explosivos, de implantação antiga, nas semanas seguintes.

13/6/1974 - Bissorã- Cabá Santiago ao meio, à sua esquerda o comandante do PAIGC da zona de Maqué, Joaquim Tó, que veio até Bissorã com um grande grupo de guerrilheiros.

   O estado de “Tréguas” que passou a vigorar no território, a  consequente paragem da actividade operacional e o prosseguimento de conversações oficiais entre o Governo Português e o PAIGC a 13 de Junho, possibilitou às FARP a concretização de uma manobra original, abrangendo todo o teatro operacional, que modificou rápida e profundamente a situação militar anteriormente existente na nossa Província Ultramarina da Guiné. O desenvolvimento daquela manobra traduziu-se em duas categorias de acções:

         •    _ as que visaram o contacto intensivo com a população de todas as Etnias e com as nossas forças a diversos níveis, levado a efeito localmente pelos elementos de todos os Grupos das FARP, em especial, os Comissários Políticos (esta acção foi importantíssima na captação da população e desmotivação das Nossas Forças para qualquer atitude de força!).
        
         •    As que consistiram numa constante movimentação de Grupos das FARP no interior do TO, em acompanhamento da actividade anterior e evidentes manifestações de força, as quais paralelamente foram aproveitadas para executar uma remodelação do “Dispositivo do PAIGC”, que conduziu à introdução no Território da Província Ultramarina, de Forças do antecedente sedeadas nas Repúblicas do Senegal e da Guiné.


Aliás, as “Tréguas” vigentes não impediam que o PAIGC continuasse em estado de “Prontidão” com vista ao recomeço da guerrilha, para o que a Direcção do Partido continuava a expedir ordens. 
   
Assim em 29 de Junho, o SG/PAIGC determinava novamente que continuassem a ser preparadas novas operações ofensivas contra os Aquartelamentos das Nossas Tropas até aos primeiros dias de Julho de 1974, as quais somente seriam desencadeadas à ordem, obviamente se as diligências diplomáticas que tinham vindo a ser efectuadas após a Reunião ARGEL (13 de Junho), não conduzissem aos objectivos preconizados  pelo Partido.
      
De toda esta preparação bélica, parecia correcto deduzir-se na altura (Junho/Julho de 1974), que apesar das garantias de cessação de hostilidades apresentadas, sem excepção, por todos os dirigentes locais das FARP, nos numerosos e generalizados encontros que tinham vindo a ser efectuados com os Comandantes das Unidades das Nossas Forças em todo o TO, o PAIGC não punha de lado a hipótese de recurso à continuação da guerrilha como forma de pressão para abreviar a solução política do conflito que satisfizesse todas as suas exigências e desbloqueasse  as dificuldades encontradas nas primeiras conversações de ARGEL (13 de Junho).

(…) algumas ameaças de recomeço das operações, no caso de determinadas situações ou procedimentos que estavam em projecto, considerados inconvenientes pelo PAIGC, não fossem anulados, nomeadamente a realização de um “REFERENDUM” ou Congresso do Povo para que a População da Guiné se pronunciasse sobre a Independência e a prevista vinda do GENERAL SPÍNOLA a Bissau que , por esse motivo, foram canceladas.



LFG (Lancha de Fiscalização Grande) Orion, da classe Argos, num rio da Guiné
                    In: http://forumarmada.no.sapo.pt/docs/FA-Marverde/marverde1.html
De referir também que a data de 2 de Julho, expressa na ordem do SG/PAIGC citada anteriormente, esteve na origem de interpretações incorrectas da mesma, por parte de alguns comandos locais das FARP, de que resultara atitudes que fizeram perigar igualmente o clima de tréguas existentes…
   
Assim aquela data limite esteve na origem do “ULTIMATUM” enviado à Guarnição de BORUNTUMA pelo Comando da Frente Leste, o qual ameaçou bombardeá-la com todos os meios disponíveis se o Aquartelamento não fosse desocupado no dia seguinte e as nossas tropas não recolhessem a PICHE, sede do respectivo Batalhão.
   
Este facto dava-se quando acabava de ser aprovada superiormente a 1ª Fase do Plano de Retracção do dispositivo das Nossas Tropas, do qual fazia parte a saída da Companhia de Caçadores de BORUNTUMA, pelo que foi ordenada pelo Comandante-Chefe, a recolha daquela guarnição a PICHE, simultaneamente com a Retirada das Unidades de CANQUELIFÁ, DUNANE, PONTE CAIUM e CAMAJABÁ, todas da Zona fronteiriça Leste. Ao mesmo tempo foram encetadas diligências imediatas, dirigidas pessoalmente no local pelo próprio Comandante-Chefe acompanhado pelos representantes do PAIGC, nessa altura já em Bissau, para aclaramento da situação e das razões da brusca atitude do Comando da Frente Leste.




O representante de Nino Vieira, Manuel Ndinga prestando o seu depoimento na cerimónia da transição da soberania nacional na Guiné.
( fotografia do acervo pessoal de Eduardo José Magalhães Ribeiro,  Fur Mil Op Esp/RANGER da CCS do BCAÇ 4612/74, Cumeré/Mansoa/Brá – 1974)
 As diligências realizadas não impediram que se verificassem, durante todo o mês de Julho de 1974, noutras áreas da Frente Leste, novas acções  de “pressão” por parte das forças locais, com vista à desativação imediata de alguns aquartelamentos das nossas tropas, nomeadamente MADINA MANDINGA, DARA, PIRADA e BAJOCUNDA, que revestiram a forma de “ultimatum” nas que não foram aceites.

Constatava-se assim que, as directivas emanadas da Direcção do PAIGC, resultantes de acordos estabelecidos, não foram escrupulosamente acatados localmente por determinados grupos de Frente Leste ou sofreram demoras na sua difusão oportuna a todos os escalões.

A atitude inconveniente daqueles grupos, visando a ocupação de aquartelamentos, poderia ser em parte explicada pelo facto de, serem novos na área (...). Parece no entanto poder concluir-se que o problema de fundo era o de continuarem a delinear-se  dentro do PAIGC duas tendências, uma mais dura que expressão principalmente no Leste e outra mais conciliatória e favorável a uma normal transferência de poderes, que foi seguida no SUL. (...)

CONTINUA ….



Vd. Post. desta série I e II:
http://cart3494guine.blogspot.com/2012/01/9-136-situacao-militar-no-teatro-de.html
http://cart3494guine.blogspot.com/2012/01/p-138-situacao-militar-no-teatro-de.html

domingo, 11 de dezembro de 2011

P 133 - Últimos Meses do último Chefe do Estado-Maior do CTIG / Guiné (1973/74) - Apontamentos biográficos: Agosto 1974: CCAÇ 21 toma o Quartel em Bambadinca e exige 300 mil escudos por homem para entregar a arma


Nota introdutória: MSG trocadas sobre apontamentos biográficos entre Luís Vaz,(filho do último Chefe do Estado Maior do CTIG, Coronel Henrique Gonçalves Vaz) Sousa de Castro, tertúliano da Tabanca Grande, "luisgracaecamaradasdaguine" e Luís Graça, editor da Tabanca Grande "luisgracaecamaradasdaguine"


De: Luís Vaz [mailto:luisbelvaz@gmail.com]
Enviada: domingo, 11 de Dezembro de 2011 01:14
Para: Sousa de Castro
Assunto: SECRETO ou para Publicar? "Últimos Meses do último Chefe do Estado-Maior do CTIG / Guiné (1973/74)" por: Luís Gonçalves Vaz

Caro Sousa de Castro;

Como deve estar de fim-de-semana e não me pode responder, envio-lhe na mesma "meu o Artigo" de que lhe falei,


"Últimos Meses do último Chefe do Estado-Maior do CTIG / Guiné (1973/74)"


 Leia-o com cuidado por favor, e dê a ler ao EDITOR CHEFE, e em sintonia… decidam, ou não publicam ou publicam, já que nas notas pessoais, retiradas das Agendas pessoais do meu falecido pai, e não censuradas por mim!!!, falam um pouco de alguns casos de indisciplina, mas foi o que se passou (poderão ferir susceptibilidades...)! Com mais ou menos "Dignidade", o FIM do Império Português teve episódios menos felizes!… A DECISÃO É VOSSA, antigos Combatentes e "Mentores destes Blogs", como tal aceito qualquer que for a vossa decisão, inclusive a sua publicação mas , retirarem algumas Notas, se assim o entenderem.

 Abraço e BOM TRABALHO e BOM Fim-de-semana:

 Luís Beleza Gonçalves Vaz
(filho do Coronel Henrique Gonçalves Vaz)



No dia 11 de Dezembro de 2011 12:39, Sousa de Castro <sousadecastro@gmail.com> escreveu:

Caros amigos e camaradas,

Envio msg de extrema importância, que me foi endereçada pelo filho (Luís Vaz) do Coronel Henrique Vaz, último chefe do Estado Maior do CTIG.

Deixa ao nosso critério de a publicar ou não, gostaria da v/opinião PT
Abraço,
Sousa de Castro

E a resposta do Luís Graça não se fez esperar: domingo 11-12-2011 13:10

Sousa de Castro e Luis Vaz:
As minhas melhores saudações param os dois. Muito obrigado pela confiança que em mim depositam, em mim e neste blogue que é de todos. Acabei de ler, na vertical, as notas pessoais do Cor Henrique Vaz. Julgo que são preciosas e publicáveis...É um bom serviço que o Luís presta à memória do pai e dos demais ex-combatentes no CTIG. Este período foi doloroso para todos nós. Mas a sua gestão também foi inteligente e corajosa. Temos que saber todos, através do testemunho de atores como o pai do Luís, a importância e a delicadeza da missão... Vou publicar, mas antes vou apresentar o Luís à Tabanca Grande. Ele merece estar entre nós. Ele e a memória do seu pai. Um bom fim de semana.
Luis Graça




Últimos Meses do último Chefe do Estado-Maior do CTIG / Guiné  (1973/74)

Por: Luís Beleza Gonçalves Vaz
(filho do Coronel Henrique Gonçalves Vaz)


Coronel do CEM Henrique Gonçalves Vaz (Chefe do Estado-Maior do CTIG)

Artª4    NOMEAÇÃO DE PESSOAL PARA O ULTRAMAR:

“…Que, segundo a nota nº 015372 Pº 102.020 de 09MAI73 da RO/DSP/ME, por despacho de 18ABRIL de 1973,  foi nomeado para servir no CTIG, por ESCOLHA, nos termos da alínea a) do nº1 do artº 20º do Dec. Lei 49107 de 1969, o Exmº Coronel do CEM HENRIQUE MANUEL GONÇALVES VAZ, Comandante deste Regimento de Cavalaria nº 6, para substituição do Exmº Coronel do CEM  JOSÉ GONÇALVES DE MATOS DUQUE, nas Funções de Chefe do Estado-Maior do CTIG …”
(In:  O S. nº119 de 21/05/1973 do Regimento de Cavalaria nº6) 




(Alguns excertos dos registos pessoais do Coronel do CEM,  Henrique Manuel Gonçalves Vaz, no ano de 1974, no Teatro de Operações da Guiné Portuguesa)


Bissau, 6 de Janeiro de 1974

"...Às 16h 15m, houve uma reunião de análise operacional na Sala de Operações do C. C. (Comando Chefe). Decorreu bem. Foi a 1ª Operação planeada pelo nosso General (Bettencourt Rodrigues), seu Estado Maior e Estado-Maior do CTIG e demais ramos das Forças Armadas ………… e nossa análise. No final, o General Comandante-chefe recordou-a com emoção!..."

Coronel Henrique Gonçalves Vaz (Chefe do Estado-Maior do CTIG)


Coronel Henrique Vaz, ao lado esquerdo do general Bethencourt Rodrigues numa cerimónia oficial em Bissau, no ano de 1973.
 Bissau, 7de Janeiro de 1974
"... Soubemos hoje á noite, que em Canquelifá, foram mortos em combate, 6 Cubanos e mais 6 Africanos do INI (inimigo). Uma equipa Fotográfica do Batalhão Fotocine, seguiu de madrugada para lá, a fim de obter imagens. ..."


Coronel Henrique Gonçalves Vaz(Chefe do Estado-Maior do CTIG)








Nota: Nesse combate morreu um militar das N.T, o  Ranger:LUÍS FILIPE PINTO SOARES (Furriel Miliciano de Operações Especiais) Companhia de Caçadores 3545


O Coronel Henrique Vaz, Chefe do Estado-maior, comandando exercícios com fogos reais, na zona oeste da Guiné (Pelundo- 1973).
Bissau, 28 de Janeiro de 1974

"... Visita a Bambadinca, voamos num Dornier 28 dos TAGP. Regressamos depois do almoço. De tarde visitou-se o Bat. de Engenharia e o Bat. de Serviços de Material na ... . Em seguida Briefing no C. C. (Comando Chefe). ..."
Coronel Henrique Gonçalves Vaz
(Chefe do Estado-Maior do CTIG)

Bissau, 1 de Fevereiro de 1974

"... Às 07h30m estava no Q. G. a preparar os despachos dos dois Brigadeiros. Às 19h50m, estava a sair do Quartel General. ..."

Coronel Henrique Gonçalves Vaz
(Chefe do Estado-Maior do CTIG)

Bissau, 6 de Fevereiro de 1974

"... Em visita particular, vem ao Q. G. o General Câmara Pina, antigo CEME. Foi recebido na Sala de Operações... . No final conversou no gabinete do Comandante do CTIG. ..."
Coronel Henrique Gonçalves Vaz
(Chefe do Estado-Maior do CTIG)
Bissau, 22 de Fevereiro de 1974
"... Cerca das 19h e 10 m quando me encontrava na gabinete do brigadeiro Comandante Militar (Banazol), com este e com o Brigadeiro 2º Comandante (Figueiredo), rebentou um explosivo colocado na casa de banho que a destruiu, assim como algumas das dependências contíguas. A forte deslocação do ar, rebentou a porta e os vidros que foram projectados em frente, onde se encontrava o Brigadeiro 2º Comandante, de pé, e que caiu na direcção onde eu me encontrava sentado. O Brigadeiro Comandante Militar sentado na minha frente ainda sofreu. O 2º Comandante foi levado para o Hospital de Bissau, visto sangrar bastante de uma ferida na parte posterior da cabeça. Eu tive leves arranhões, de que me tratei no posto de saúde da C.C.S. (Comando da Companhia de Serviços). Estavam também presentes, no Gabinete Central, o Major Ferreira da Costa e o Tenente Abrantes. Também presentes nos respectivos gabinetes, a minha ordenança (Ernesto), o Sambu J., 1º cabo e ordenança do 2º comandante e o Jaló (Djaló) meu condutor, estava também no meu gabinete. 
      Ninguém ficou ferido gravemente. Foi um verdadeiro milagre! ..."
Coronel Henrique Gonçalves Vaz(Chefe do Estado-Maior do CTIG)
Bissau, 2 de Abril de 1974
“…Visita do Brigadeiro Sales Grade (Director da Arma de Transmissões) e jantar ás 20h30…”
“… Às 08h14m levantamos voo, em avião do TAGP para a Aldeia Formosa, com o nosso Brigadeiro Comandante, o Tenente.-Coronel Maia e Costa, Cmdt do Bat. Eng., o Major Marques, oficial de operações do Batalhão de Engenharia, o Tenente Abrantes, adjunto do Nosso Brigadeiro e eu. Chegamos e o Tenente.-Coronel Ramalheira, Cmdt de Batalhão e o 2º Cmdt, Major Lopes, fizeram um Briefing, rápido …e o oficial de operações do Batalhão de Engenharia também explicou …  e depois de darmos uma volta ao aquartelamento, fomos pela estrada com uma escolta. …Passamos por Mampatá … faltavam 4 km para ligar á estrada que vem de Buba. Correu uma equipa com …. e vieram com eles dirigidos pelo Alferes Campos: Verdadeiro espírito de missão, entusiasmo e eficiência. Estivemos em 2 Pedreiras… De regresso paramos em Manpatá (Saltinho, no extremo sul do território) e vi a árvore que dá o nome à Povoação. Regressamos às 12h 00 e não aterramos em Buba. …”

Coronel Henrique Gonçalves Vaz(Chefe do Estado-Maior do CTIG)

Visita a uma unidade com o Comandante-Chefe, General Bettencourt Rodrigues (1973)
Vendo-se em 1º plano, da esq. para drt.: Cor. Henrique Vaz, GEN. Bettencourt Rodrigues e Brig. Banazol
Bissau, 3 de Agosto de 1974
"... Estamos de prevenção, pois hoje é o Aniversário do Massacre do Pigiguiti. Tropas Europeias ... nas Unidades. ..."
Coronel Henrique Gonçalves Vaz(Chefe do Estado-Maior do CTIG)

Bissau, 12 de Agosto de 1974

"...Reunião exploratória, dirigida pelo Comandante Militar com novas orientações do planeamento pela 4ª Repartição. ..."

Coronel Henrique Gonçalves Vaz(Chefe do Estado-Maior do CTIG)

Bissau, 16 de Agosto de 1974
... Este foi um dia tremendo de trabalho e emocionante com as notícias de Bambadinca, em que a Companhia. de Caçadores nº 21 a tomar conta do aquartelamento e a exigirem 300 contos por homem, para entregarem a arma e passarem à disponibilidade! Foi para lá o Governador Brigadeiro Fabião e ao fim da tarde foi recebida a notícia de que tudo estava resolvido. ..."

Coronel Henrique Gonçalves Vaz(Chefe do Estado-Maior do CTIG)
Bissau, 20 de Agosto de 1974

"... Despediram-se o Major Barreto Fernandes e o Tenente Abrantes, respectivamente, chefe da Secção de M.M. e Adjunto do Brig. Comandante. Desde 17 que oficialmente se constitui o Q. G. unificado para o C. C. (Comando Chefe) e CTIG . Publicado em Ordem de Serviço do Comando Chefe.
Soube-se hoje após o almoço que irá vigorar o esquema:
- Totalidade de pessoal (-6000) evacuado até 20 de Setembro de 1974 ……
- Restantes até Dezembro (?)
- Entretanto vai-se “evacuando” o material  ..."

Coronel Henrique Gonçalves Vaz(Chefe do Estado-Maior do CTIG)

Bissau, 22 de Agosto de 1974

"... História do Batalhão de Cavalaria nº 8320 do Tenente-Coronel Ferreira da Cunha, que se pôs a andar do CUMERÉ, depois da 3ª refeição, em direcção a Bissau, a pé, sob chuva inclemente. Minha actuação ..."
Coronel Henrique Gonçalves Vaz(Chefe do Estado-Maior do CTIG)
Bissau, 23 de Agosto de 1974

"... Durante o dia, as "resistências" do Batalhão indisciplinado vieram ao de cima ... e não teve remédio (o Comandante Militar) senão ....  ceder! fazendo embarcar o pessoal amanhã à tarde! Eu não desisti e chamei sempre  à atenção para a gravidade da situação. ..."

"... Reuni com a comissão que veio de Lisboa sobre os “Planos de Retirada”: Hipótese A e B. Mandei  fazer a lista uma a uma para...."
Coronel Henrique Gonçalves Vaz(Chefe do Estado-Maior do CTIG)

Cor. Henrique Vaz, em Nova Lamego com o Brg. Banazol, perante um desfile de um pelotão de Milícia, no âmbito do encerramento da instrução. Guiné - Setembro 1973
Bissau, 24 de Agosto de 1974
"... O UIGE com o Batalhão do Cunha, o "famigerado" Batalhão de Cavalaria nº8320 de Bula, partiu a princípio da madrugada para Lisboa. Estive atento no Cais a vê-los partir! Disseram-me que até hastearam uma bandeira vermelha com a foice e o martelo!..."
Coronel Henrique Gonçalves Vaz(Chefe do Estado-Maior do CTIG)

Bissau, 26 de Agosto de 1974

"... Hoje à tarde, soube-se que sairíamos da Guiné até 31 de Outubro de 74 e em 10 de Setembro será proclamada a Independência da Guiné! FIM de uma triste aventura, muito Inglória a que nos levaram os...."
Coronel Henrique Gonçalves Vaz(Chefe do Estado-Maior do CTIG)
Bissau, 30 de Agosto de 1974

"... Reunião no Palácio do Governador às 18 00 h, de acordo com os acontecimentos na Metrópole, de apoio ao General Costa Gomes e repúdio das manobras reaccionárias ..."
Coronel Henrique Gonçalves Vaz(Chefe do Estado-Maior do CTIG)

Bissau, 9 de Setembro de 1974
 
“… Estive até às 20 00h no meu gabinete com o Tenente-Coronel Virtuoso (?) e o Capitão (S)Lomba, a finalizarmos o “Estudo da Comissão Liquidatária do QG/CTIG em Lisboa” e dos elementos que ficam em Bissau de 30 de Setembro a 31 de Outubro. …”

Coronel Henrique Gonçalves Vaz(Chefe do Estado-Maior do CTIG

Bissau, 21 de Setembro de 1974

"... Acabei o célebre trabalho de saber quantos militares estão em Bissau até 31 de Outubro. Mérito mais que o desejado. ..."
 
Coronel Henrique Gonçalves Vaz(Chefe do Estado-Maior do CTIG)
Bissau, 23 de Setembro de 1974
"... Tive muito que fazer hoje! consegui fazer a “Carta sobre a Redução de Efectivos e Comissões Liquidatárias”. Às 20h 30m fomos ao Aeroporto receber o Ministro da Coordenação. interterritorial. (António Almeida Santos) ..."

Coronel Henrique Gonçalves Vaz(Chefe do Estado-Maior do CTIG)

Cor. Henrique Vaz com Maj. Aragão, em visita a uma Tabanca - Guiné, 1974
Bissau, 3 de Outubro de 1974

"... Quando regressava a casa, cerca das 23h 30m, ao cruzar-me, em Sª Luzia com o Lemos, soube por este, que o  Brigadeiro Fabião tinha sido escolhido por maioria para Chefe de Estado-maior do Exército. ..."
Coronel Henrique Gonçalves Vaz(Chefe do Estado-Maior do CTIG)

Bissau, 4 de Outubro de 1974

"...Soubemos hoje que o nosso regresso se efectuaria a 15 deste mês! Novos planos, novas missões e novos aspectos  de vários problemas a encarar! ..."

“… O Morgado soube que estava indicado para C.E.M. (Chefe do Estado-Maior) da Região Militar de Évora. Reagiu logo e o Brigadeiro Figueiredo mandou fazerconsiderando-o indispensável na Comissão Liquidatária em Lisboa. …”

Coronel Henrique Gonçalves Vaz(Chefe do Estado-Maior do CTIG)

Bissau, 5 de Outubro de 1974

"... Dia de trabalho derivado da antecipação da nossa saída em 15 deste mês (pois passou para 14 de Outubro) ...
Coronel Henrique Gonçalves Vaz(Chefe do Estado-Maior do CTIG)
Bissau, 5 de Outubro de 1974

"... Trabalhei no Quartel General de manhã e de tarde. Só  amanhã  saberemos se virão os dois navios, Uige e Niassa ou só o primeiro! ..."

Coronel Henrique Gonçalves Vaz(Chefe do Estado-Maior do CTIG)
Bissau, 9 de Outubro de 1974

"... Fui convidado pelo Comodoro Ricou para ir às 19h 00 a casa do Comodoro Almeida D`Eça, festejarmos “as suas primaveras”. Estiveram os Comandos da Marinha, o Brigadeiro Fabião e o Big. Figueiredo, o Coronel M. Lopes, Majores Capela e Mourão e ..."
"... Tenho andado muito ocupado com a organização das "Cargas dos aviões", pois por despacho escrito do nosso Brigadeiro, determinou que eu me responsabilizasse pelo assunto. Tenho assim trabalhado muito nestes últimos dias, o que me tem dado satisfação ..."

Coronel Henrique Gonçalves Vaz
(Chefe do Estado-Maior do CTIG)
Bissau, 10 de Outubro de 1974

"...  
Ao fim do dia o Major Mourão veio perguntar-me se tenho pronto o “Plano de Entrega dos Aquartelamentos” para o levar ao Brigadeiro Fabião ..."

“… Fui ao Q.G. “fazer” os últimos avisos”. Ao fim da tarde um dos dois aviões TAM de 13, por proposta da F. A (Força Aérea Portuguesa), passou para 12 !!! ÀS 14h00m iniciei a organização apressada das malas, que …”

“… Às 16h 30m vieram visitar-me a casa, o Dr. Silva B. e mais um pessoal do PAIGC, acompanhados pelo Major Aragão. Recebi-os com atenciosa referência. …”

Coronel Henrique Gonçalves Vaz(Chefe do Estado-Maior do CTIG)

Bissau, 11 de Outubro de 1974

"... Tivemos às 15H00, na Amura uma reunião com os comandantes do PAIGC, comandante Gazela, comandante  BOBO KEITA  e o comandante   ... (... do próprio) Correia,  sobre a entrega dos quartéis de Sta Luzia e outros. ...""... Fomos jantar ao Palácio, julgo que todos ou a maioria dos oficiais do Quadro Permanente presentes na Guiné. Jantar volante, simpático e descontraído, num ambiente alegre e ... . Anedotas contadas pelo Coronel Lemos e pelo Major Lemos Alves. ..."

 Coronel Henrique Gonçalves Vaz(Chefe do Estado-Maior do CTIG)

NOTA:
Comandante BOBO KEITA,
Fez parte de todas as delegações do PAIGC que negociaram o reconhecimento da independência da Guiné-Bissau, depois do 25 de Abril.  Morreu em Lisboa em Janeiro de 2009.

Comandante GAZELA
Cabral de Almada, conhecido por "Comandante Gazela" (na nota do coronel Henrique Vaz só o refere como GAZELA)


Sobre os “Planos de Evacuação da Guiné” (Abril/Outubro de 1974)
“…Noutro documento, sem data, que surge aparentemente anexo a este “Plano de Evacuação” são listadas um total de 77 unidades. O extenso documento inclui várias páginas com uma grelha onde estão listadas, da esquerda para a direita o nome da unidade, o trajecto (localidade onde está, percurso e destino, Bissau), e outros pormenores, como data de saída da localidade, chegada a Bissau, aquartelamento, partida para Lisboa, etc. etc. Este segundo documento tem, no final, o nome do Comdt Militar, Brigadeiro Galvão de Figueiredo, mas não está assinado por este. Está, sim, autenticado pelo Chefe de Estado-Maior, Henrique Manuel Gonçalves Vaz, Coronel do CEM. … “
Paulo Reis (Jornalista) in:


Hastear da bandeira da Guiné-Bissau em Canjadude em 20 de Agosto de 1974.
(Foto de  João Carvalho – 1974 – com a devida vénia)
Nota: Peço desculpa, se ao transcrever algumas  notas pessoais do meu falecido pai, Coronel Henrique Gonçalves Vaz ,troquei ou alterei o nome de algum militar português, interveniente nestes últimos meses, no Teatro de Operações da Guiné, pois foi sem intenção e devido à dificuldade de ler, algumas passagens nos seus registos pessoais .

                                            Luís Gonçalves Vaz 
(filho do último Chefe e Estado-Maior do CTIG, Coronel Henrique Gonçalves Vaz)



Biografia do Coronel Henrique Manuel Gonçalves Vaz (fase da Guiné)
          Em 1973 é nomeado (Escolhido segundo a Ordem de Serviço nº119 de 21/05/1973 do Regimento de Cavalaria nº6) para servir novamente no Ultramar e embarca em Lisboa, em 7 de Julho, com destino desta vez para o C.T.I.G. (Comando territorial independente da Guiné), onde é colocado como Chefe do Estado Maior, e sob o comando do General Spínola, posteriormente do General Bettencourt Rodrigues.  Esta missão, numa altura de grandes ofensivas do inimigo de então, o P.A.I.G.C., é levada até ao 25 de Abril, com alguns incidentes, sempre ultrapassados com muito “Mérito Profissional”, nomeadamente a “estadas forçadas” em aquartelamentos no teatro de operações, devido a  ataques do inimigo (flagelações) a essas  pequenas unidades militares na altura em que o Coronel Vaz as visitava como Chefe do Estado-Maior, bem como a sobrevivência à explosão de uma bomba (22/02/1974) que colocaram no Q.G. (Quartel General), tendo-lhe causado apenas pequenas escoriações.


Coronel Henrique Vaz e o Brigadeiro Banazol (Comandante do C.T.I.G),
durante uma cerimónia em Chão Felupe ( Guiné – 1973 ).



A partir desta data (25 de Abril), e como um dos militares (do Corpo do Estado-Maior) mais graduados1 do Exército Português, neste teatro de operações, leva outra missão até ao seu términos, a de em colaboração com as restantes autoridades civis e militares, entregar paulatinamente, os territórios até então sob a administração portuguesa, ao P.A.I.G.C. . Também terá simultaneamente de acantonar e desmobilizar algumas das tropas portuguesas africanas e de implementar o regresso de milhares de soldados portugueses ao Continente. Só regressará a Lisboa no dia 14 de Outubro de 1974, cerca de seis meses após a Revolução de 25 de Abril. Esta missão só será terminada na Comissão Liquidatária em Lisboa., onde permanecerá até Dez. de 1976.
1 - O Comodoro Almeida Brandão desempenhou as funções de comandante-chefe interino , o tenente-coronel (graduado em Brigadeiro) Carlos Fabião as de delegado da Junta de Salvação Nacional e de representante do Governo Português na Província da Guiné e o Brigadeiro Galvão de Figueiredo de Comandante Militar do CTIG.