Caros Editores:
Conforme o prometido, segue em anexo finalmente, o meu artigo sobre "OS ÚLTIMOS MILITARES PORTUGUESES A RETIRAR DA GUINÉ (Dia 14 de Outubro de 1974)" -“RETIRADA FINAL DO TEATRO DE OPERAÇÕES DA GUINÉ”.
Para este artigo, além de consultar as notas pessoais do meu falecido pai, também entrevistei um primo meu, que era na altura marinheiro radio-telegrafista da "guarnição do Patrulha Lira (LFG Lira), com quem estive ainda na Guiné, mas que ficou lá até ao último dia, o dia 14 de Outubro de 1974, juntamente com muitos outros militares, um deles, o meu falecido pai, o último CEM/CTIG. Este meu primo, Manuel Aurélio de Araújo Beleza Ferraz, relatou-me na 1ª pessoa, as últimas horas da retirada para o Navio UIGE, dos militares portugueses ainda presentes nesse dia em terra, para assegurarem a última cerimónia, o "Arrear da Bandeira Portuguesa", bem como me forneceu um conjunto de fotografias, que ilustram o "Artigo" e que poderão ser publicadas. Espero que não tenha "distorcido muito" estas últimas horas da nossa "Retirada Final" da Guiné, se o fiz, foi sem intenção. Por outro lado, peço desculpa não "elencar o nome" de todos aqueles militares que nesse mesmo dia, "deram o seu máximo" para não Manchar o Bom Nome da Nação, numa altura difícil da nossa longa história... se um de vós lá estava, então deixe aqui "o seu depoimento", pois assim enriquecerá este relato de mais um dos "episódios históricos da descolonização portuguesa".
Grande Abraço
Luís Gonçalves Vaz
Conforme o prometido, segue em anexo finalmente, o meu artigo sobre "OS ÚLTIMOS MILITARES PORTUGUESES A RETIRAR DA GUINÉ (Dia 14 de Outubro de 1974)" -“RETIRADA FINAL DO TEATRO DE OPERAÇÕES DA GUINÉ”.
Para este artigo, além de consultar as notas pessoais do meu falecido pai, também entrevistei um primo meu, que era na altura marinheiro radio-telegrafista da "guarnição do Patrulha Lira (LFG Lira), com quem estive ainda na Guiné, mas que ficou lá até ao último dia, o dia 14 de Outubro de 1974, juntamente com muitos outros militares, um deles, o meu falecido pai, o último CEM/CTIG. Este meu primo, Manuel Aurélio de Araújo Beleza Ferraz, relatou-me na 1ª pessoa, as últimas horas da retirada para o Navio UIGE, dos militares portugueses ainda presentes nesse dia em terra, para assegurarem a última cerimónia, o "Arrear da Bandeira Portuguesa", bem como me forneceu um conjunto de fotografias, que ilustram o "Artigo" e que poderão ser publicadas. Espero que não tenha "distorcido muito" estas últimas horas da nossa "Retirada Final" da Guiné, se o fiz, foi sem intenção. Por outro lado, peço desculpa não "elencar o nome" de todos aqueles militares que nesse mesmo dia, "deram o seu máximo" para não Manchar o Bom Nome da Nação, numa altura difícil da nossa longa história... se um de vós lá estava, então deixe aqui "o seu depoimento", pois assim enriquecerá este relato de mais um dos "episódios históricos da descolonização portuguesa".
Grande Abraço
Luís Gonçalves Vaz
(Dia 14 de Outubro de
1974)
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| A ponte-cais em T, em Bissau, imagem tirada de bordo do navio Uíge, onde se podem ver os últimos militares a aguardarem a vez de embarcarem. Na imagem são visíveis as viaturas GMC, Unimog, Willys, viaturas do Exército características da época. Ao fundo, a avenida marginal para o Pijiguiti, e o Forte da Amura. Fotografia de ex-Alf. Médico, Alberto Lema Santos, BCaç 1933, 67/69 in: http://especialistasdaba12.blogspot.com. com a devida vénia |
Os últimos Aquartelamentos a serem entregues ao PAIGC, foram o
“Complexo militar de STª Luzia”, onde se encontrava o QG/CTIG (Quartel General
do Comando Territorial Independente da Guiné), e o QG/CCFAG (Quartel General do
Comando-chefe das Forças Armadas da Guiné) instalado no histórico Forte da
Amura, que se localiza mesmo em frente à ponte-cais em Bissau (ver figura). A
entrega destes dois últimos redutos das Forças Armadas Portuguesas na Guiné,
foram “negociados” em 11 de Outubro (apenas
3 dias antes da saída dos últimos militares portugueses deste território), numa reunião no Forte da
Amura com os comandantes do PAIGC, Gazela, Bobo Keita e o
comandante Correia, sob a coordenação do então CEM/CTIG (Chefe do
Estado-Maior do CTIG) coronel Henrique Gonçalves Vaz. Os “Planos de Entrega destes Aquartelamentos”, foram
realizados pelo Coronel CEM/CTIG, coronel Henrique G. Vaz com a colaboração do
sr. Major Mourão, e entregues ao Brigadeiro Fabião , no dia 10 de Outubro de
1974, um dia antes da reunião com os comandantes do PAIGC. A entrega do “complexo militar de STª Luzia”
foi efectuada no dia 13 de Outubro, pelas 15 horas, enquanto o Forte da Amura,
o último “reduto militar português” a ser entregue, foi entregue apenas no dia
14 de Outubro, o dia previsto para a “retirada final”, e reservado para o embarque
do que restava das tropas portuguesas na Guiné. Como tal foi concentrado aí na
véspera da partida, o último contingente do Exército Português .
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A lancha de fiscalização grande (LFG) Lira, atracada na
ponte-cais, poucos dias antes da
“retirada final” em 14 de Outubro de 1974. (Fotografia do marinheiro radio-telegrafista,
Manuel Beleza Ferraz)
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O ex-marinheiro radiotelegrafista , Manuel Beleza
Ferraz, (da guarnição do Patrulha Lira), testemunha da Missão“Retirada Final” da Guiné, em 14/10/1974 |
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Foto actual;
Manuel Beleza FerrazEx-marinheiro radiotelegrafista 812/70 |
Após o “Arrear
da Bandeira Portuguesa”, as tropas portuguesas dos 3 Ramos das Forças Armadas,
presentes na referida cerimónia, logo de seguida, foram transportadas em Zebros
e LDM (lanchas de desembarque médias) para o Navio Uige, que os aguardava no
meio do Rio Geba, a cerca de 400 metros afastados do cais, onde se encontrava
já com as máquinas em pleno funcionamento (pairavam) por razões de segurança.
O ex-marinheiro radiotelegrafista,
Manuel Beleza Ferraz, fonte destes testemunhos históricos, aqui relatados,
informou-me ainda de que as ordens vindas do Comando Naval, com apenas 24 horas
de antecedência, foram entregues em mão, aos Comandantes das duas LFG (Órion e
Lira) e do patrulha Cuanza, presentes ao largo do cais, no caso do seu navio, o
patrulha Lira, recebeu directamente o seu comandante, 1º Tenente Martins
Soares. Como tal, os comandantes destes três navios que constituiam nesse dia, a “força naval” em frente ao cais de Bissau,
receberam ordens expressas, “para se posicionarem em postos de combate”, com
todas as peças Bofors de 40 mm, devidamente municiadas e preparadas para
realizarem fogo, como apoio de rectaguarda á retirada das nossas tropas, de
terra para os navios, nomeadamente o UIGE. Felizmente tudo correu bem, não
sendo preciso fazer fogo nenhum, já que a retirada se desenrolou como o
previsto, sem altercação de qualquer natureza. De seguida, no final dos
transbordos, os Zebros e as lanchas (LDM) foram presas numa boia em frente ao
cais (abandonadas), e imediatamente a “Flotilha portuguesa”, escoltou o navio
Uige e o Niassa (este já navegava mais à frente) até águas internacionais,
seguindo a maioria dos navios da Armada para Cabo-Verde, de onde alguns deles,
partiriam pouco depois, em direcção a Angola.
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| As Tropas portuguesas na ponte-cais, em Bissau a prepararem-se para embarcar no Navio Uíge, com destino a Lisboa. Fotografia de: ex-Alf. Médico, Alberto Lema Santos, BCaç 1933, 67/69 in: http://especialistasdaba12.blogspot.com com devida vénia |
O marinheiro radiotelegrafista, Manuel Beleza Ferraz, ainda informou que a “flotilha” que rumou em direção a Cabo-verde, além dos navios já referidos (NRP Comandante Roberto Ivens, LFGs Órion e Lira e patrulha Cuanza) faziam parte também as LDGs “Ariete”,“Alfange” e “Bombarda”, tendo estes navios da Armada atracado em 20 de Outubro no porto de Mindelo na ilha de S. Vicente, Cabo Verde.
A comitiva constituída pelo Governador (Brigadeiro Carlos Fabião), o Comandante Militar (brigadeiro Figueiredo), o Chefe do Estado-Maior do CTIG (coronel Henrique Gonçalves Vaz), bem como alguns outros oficiais do Estado-Maior, sargentos e praças, depois de assistirem ao embarque de todos os militares nos navios, que se encontravam ao largo do estuário do Rio Geba, e assegurando-se que tudo tinha corrido sem problemas e de acordo com o previsto nos “Planos de Retirada”, elaborados pelo CTIG/CCFAG que nesta altura, se afirmava como o único Comando das Forças Armadas Portuguesas neste TO da Guiné, seguiram directamente para o Aeroporto de Bissalanca, onde mantínhamos ainda um dispositivo de segurança.
Às 23 horas
do dia 14 de Outubro de 1974, estes militares serão os últimos a retirar da
Guiné, nesse momento estiveram presentes alguns Comandantes do PAIGC, que
quiseram despedir-se dos “seus antigos inimigos”, e assim foi o Fim da
colonização da guiné com cerca de 500 anos. Mas antes, de finalizar este artigo,
gostaria aqui de referir o árduo trabalho atribuído ao último CEM/CTIG, Coronel
Henrique Manuel Gonçalves Vaz, já que foi o responsável, por “despacho
escrito do Brigadeiro/ Governador”, Carlos Fabião, pela elaboração dos
“Planos de Retirada do nosso Exército”, da “Carta sobre a Redução de Efectivos
e Comissões Liquidatárias”, dos “Planos de entrega dos Aquartelamentos da Ilha
de Bissau”, do “Estudo da Comissão Liquidatária do QG/CTIG em Lisboa”, das "Cargas
dos aviões", entre outras responsabilidades .
Enfim o Brigadeiro Carlos Fabião, determinou que este oficial do Corpo do Estado Maior e Chefe do Estado-Maior do CTIG/CCFAG, coronel Henrique Gonçalves Vaz, se responsabilizasse por todos estes assuntos, como tal fica aqui a minha homenagem a ele, bem como a todos os oficiais, sargentos e praças, que sob o seu comado, o ajudaram a realizar essa importante tarefa, nomeadamente o sr. Tenente-coronel de Art.ª Joaquim José Esteves Virtuoso, o sr. Major Mourão, o sr. Capitão Lomba, e outros oficiais, sargentos e praças, que colaboraram nesta última missão militar no TO da Guiné, a “Retirada Final”, a todos eles, a minha homenagem, o meu respeito e uma grande admiração, pois ficaram neste episódio da longa história portuguesa.
Enfim o Brigadeiro Carlos Fabião, determinou que este oficial do Corpo do Estado Maior e Chefe do Estado-Maior do CTIG/CCFAG, coronel Henrique Gonçalves Vaz, se responsabilizasse por todos estes assuntos, como tal fica aqui a minha homenagem a ele, bem como a todos os oficiais, sargentos e praças, que sob o seu comado, o ajudaram a realizar essa importante tarefa, nomeadamente o sr. Tenente-coronel de Art.ª Joaquim José Esteves Virtuoso, o sr. Major Mourão, o sr. Capitão Lomba, e outros oficiais, sargentos e praças, que colaboraram nesta última missão militar no TO da Guiné, a “Retirada Final”, a todos eles, a minha homenagem, o meu respeito e uma grande admiração, pois ficaram neste episódio da longa história portuguesa.
20 de Fevereiro de 2012
Luís Filipe Beleza Gonçalves Vaz (filho do último CEM/CTIG)

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