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quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

P-135 Imagens do Relatório da 2ª Rep/QG do CTIG Bissau, assinado pelo chefe da 2ª Repartição, Maj. Infª - Tito José Barroso Capela

Msg de Luís Gonçalves Vaz (filho do último CEM do CTIG Coronel Henrique Gonçalves Vaz) com data de 19-01-2012 15:02,
Para: Luís Graça; Sousa de Castro
Assunto: Imagens do Relatório 2ªRep QG Bissau


Caro Luís Graça, caro Sousa de Castro:

Envio-vos algumas imagens do Relatório "Polémico" (para alguns é claro!), conforme o Luís me pediu.
O Relatório tem 74 páginas, datado de 28 de Fevereiro de 1975 (data da sua publicação), não está numerado (exemplar para o CEM?), mas é um original pelo aspecto, e está assinado pelo Major de Infantaria, Tito José Barroso Capela. E como podem ver, o carimbo de "SECRETO", está a vermelho, logo deve ser um exemplar original....

Abraço

-- Luís Beleza Vaz
Luís Vaz na pista na Ilha de Bubaque 1974


- Recorde-se: 


 Luís Beleza Gonçalves Vaz, viveu na guerra colonial em Bissau com seus pais quando ainda menino, frequentava em 1974 o liceu Honório Barreto. Hoje, é professor de Matemática e Ciências da Natureza numa escola  na zona de Braga, com formação académica em Biologia e Geologia. A Guerra dele foi na EPC (Escola Prática de Cavalaria) em Santarém, frequentou o 2º Curso de Milicianos do ano de 1983, onde passou 18 longos meses como um operacional!..










Vd post. http://cart3494guine.blogspot.com/2011/12/p132-descolonizacao-portuguesa-painel.html de 10DEC2011

domingo, 15 de janeiro de 2012

P1 - 25 de Abril de 1974 na Guiné, na perspectiva do filho do último Chefe do Estado Maior do CTIG, Coronel Henrique Gonçalves Vaz


Mensagem de Luís Gonçalves Vaz (filho do último Chefe do Estado Maior do CTIG, Coronel Henrique Gonçalves Vaz com data de, 13JAN2012 

O dia a seguir, à revolução dos "cravos" (25 de Abril de 1974), vivido na Guiné, na perspectiva de Luís Gonçalves Vaz, então com 13 anos de idade.



História no Ultramar com Luís Gonçalves Vaz 



Local: Guiné-Bissau

Data: 26 e 27 de Abril de 1974

Luís Gonçalves Vaz, Bissau 1974 (13 anos)
Na Guiné o 25 de Abril “só chegou” no dia seguinte, pois só na manhã do dia 26  é que se iniciaram as ações dos oficiais do MFA, nomeadamente os onze oficiais que se dirigiram ao Gabinete do General Comandante-Chefe (General Bettencourt Rodrigues) e exigiram a sua demissão e o regresso a Lisboa.  O meu falecido pai, Coronel Henrique Gonçalves Vaz, Chefe do Estado-Maior do CTIG, teve conhecimento durante a noite de 25 para 26 de Abril, pois na madrugada recebeu pelo seu telefone “civil” (não o militar!), a notícia de que na Metrópole decorria um “Golpe de Estado” para derrubar o sistema político de então (sei que foi um oficial da sua confiança que lhe ligou aqui da Metrópole). Logo de manhã dirigiu-se para a reunião do costume, com o General Comandante-Chefe no Palácio do Governador. Quando lá chega vê o edifício cercado por tropas especiais e deparou-se com a “destituição” de Bettencourt Rodrigues. É claro que o coronel Henrique Vaz, não pertencia ao MFA, mas isso não o impediu de se insurgir contra alguns “modos um pouco rudes” (em sua opinião é claro) com que estariam a conduzir o processo de destituição (ou prisão?) do Comandante-Chefe, e ofereceu-se para o acompanhar ao avião que o conduziria de regresso a Lisboa, via Cabo-Verde.

O General Bettencourt Rodrigues despediu-se com um abraço do meu pai, e agradeceu-lhe o “respeito” demonstrado, apesar de saber que o meu falecido pai, iria continuar a ocupar o seu posto no Teatro de Operações da Guiné. É claro que a situação não era para brincadeiras e tudo podia acontecer nas próximas horas, e como o Coronel Henrique Gonçalves Vaz era um militar íntegro, patriota e com espírito de missão (não afeto ao anterior regime), foi imediatamente convidado para continuar como CEM do CTIG, tendo aceitado e só regressou definitivamente a Portugal, no último voo de militares portugueses, pelas 23 horas do dia 14 de Outubro de 1974, acompanhando o Brigadeiro Carlos Fabião, na altura já indigitado para CEMGFA.

Antigo Liceu Honório Barreto em Bissau, hoje Liceu Nacional Kwame N' Krumah "
                 (Fonte: Blogue Liceu Nacional Kwame N' Krumah)

Esses mesmos oficiais do MFA,  solicitaram ao Comandante Marítimo, Comodoro Almeida Brandão, que assumisse as funções de Comandante-Chefe interino das Forças Armadas na Guiné-Bissau. As primeiras medidas tomadas pelo MFA na Guiné, foram a “detenção dos agentes da PIDE” e a “libertação dos prisioneiros políticos”.  Como tal, no dia seguinte, 27 de Abril, surgiram pela cidade de Bissau várias manifestações lideradas por esses presos, uma delas cercou e tentou invadir o meu Liceu, o Liceu Honório Barreto. Ainda me lembro como se fosse hoje, um funcionário do Liceu, um homem de grande estatura, e de origem Cabo-verdiana, pegou numa grande tranca e afugentou vários manifestantes (deu resultado!), tendo de seguida fechado a porta principal.

Nas salas do andar inferior, que davam para o jardim, tivemos de fechar as persianas, pois haviam muitos manifestantes que nos diziam aos berros, com paus e catanas; “Tuga na ba p`Bó Terra”… é claro que eu achei muita piada na altura, pois nunca temi pela minha segurança, já que tinha colegas com 16 anos ou mais (alguns vinham do interior da Guiné para estudar em Bissau) que sempre me fizeram estar à vontade.
O Clube militar em Sª Luzia, visto de minha casa. Nesta avenida formavam-se algumas colunas militares, que seguiam para o mato, e durante um ano vi a formação de muitas, em que diversos furriéis e alferes milicianos revelavam “alguma emoção”… Lembro-me muito bem como se fosse hoje, e marcaram-me para sempre.

Foto de:   António Teixeira* (ex-Alf Mil da CCAÇ 3459/BCAÇ 3863 - Teixeira Pinto, e CCAÇ 6 - Bedanda; 1971/73

Fugi do Liceu com esse grupo de colegas mais velhos (eu tinha apenas 13 anos e frequentava o antigo 3º ano do Liceu), em direção à base militar de Santa Luzia, onde vivia com a minha família (a casa do Chefe do Estado-Maior do CTIG, era aquela mesmo em frente do Clube militar, na outra ponta da avenida). 

Pelo caminho assisti ao episódio do "Cerco da PIDE”, onde me lembro muito bem de ver a ação de grande eficiência, de dois pelotões de Para-quedistas…… lembro-me muito bem..... Estive bem ao lado, daqueles Para-quedistas que estabeleceram logo de imediato um "Perímetro de Segurança". E se bem me lembro, deveria ser o único "branco" a assistir à manifestação. Houve tiros e tudo. Depois fui pelas Tabancas até Sª Luzia, sempre acompanhado pelos meus colegas Guineenses, que me protegeram e não permitiram que me acontecesse mal algum, só me deixaram após me entregarem aos elementos da PM, que faziam a segurança à entrada da Base Militar de Sª Luzia (a entrada estava barrada com rolos de arame farpado).
Guiné – Bissau, Pós-25 de Abril de 1974 - Manifestações populares de regozijo mas também de contestação: na primeira foto, um manifestante empunha um cartaz onde se lê: "Abaixo a D.G.S." ; na segunda foto, um dos manifestantes exibe um improvisado autocolante nas costas, onde se lê: "Viva o General António Spínola! Viva o Povo da Guiné!". Fotos: © José Casimiro Carvalho

Foto de: ex. fur. Ranger Casimiro Carvalho

 Quando cheguei a casa, soube que o meu pai tinha ido com uma pequena coluna militar buscar ao Liceu Honório Barreto, os meus dois irmãos, tendo aproveitado para trazer em segurança, algumas professoras e outros alunos, quase todos familiares de militares. Não me ralhou por eu ter vindo pelo meio de Bissau, entre as manifestações, com colegas africanos.

Segundo um interveniente nessa missão, o 1º Cabo Para-quedista nº 551/73, Carlos Alberto dos Santos de Matos, relata como esta operação militar se teria passado,  no site http://associacao-pq-alentejo.webnode.com.pt/noticias/ ,“…O objectivo era conter uma manifestação popular em frente ao quartel da PIDE/DGS e retirar os elementos da PIDE em segurança e transportá-los para local seguro, para posteriormente regressarem a Portugal com a finalidade de serem julgados por um Tribunal. Fiz parte integrante de um pelotão de Pára-quedistas que esteve a manter segurança no exterior do edifício, juntamente com outros elementos do Exército e Marinha. O outro pelotão de Pára-quedistas entrou no edifício da PIDE, os quais não ofereceram resistência à detenção. Os manifestantes bastante exaltados, no exterior, aos milhares, gritavam “morte à PIDE e aos colonialistas”. A cada instante que passava, a multidão apertava mais o cerco em volta do edifício e nós recuávamos mais um pouco. A operação que a princípio se afigurava simples estava a piorar a cada momento e já se notava algum nervosismo nos nossos militares. Entretanto recebemos ordem para efectuar disparos para intimidar os manifestantes. O tiroteio de algumas dezenas de militares, durou apenas alguns segundos, durante os quais os manifestantes se puseram em fuga. Os que caíram, durante a confusão eram pisados pelos companheiros. Houve um silêncio constrangedor durante algum tempo. Na poeira do chão ficaram alguns feridos, não pelas nossas armas, mas por terem sido atropelados pelos colegas manifestantes. …” 

Em suma, afinal eu estive no Teatro de Operações da Guiné, no meio de uma operação militar, com tiros e tudo, mas felizmente sem mortos ou feridos. É um facto que esta é uma das muitas “experiências de vida”, que me marcaram muito, entre outras que vivi na Guiné.


Braga, 13 de Janeiro de 2012


Luís Gonçalves Vaz





domingo, 11 de dezembro de 2011

P 133 - Últimos Meses do último Chefe do Estado-Maior do CTIG / Guiné (1973/74) - Apontamentos biográficos: Agosto 1974: CCAÇ 21 toma o Quartel em Bambadinca e exige 300 mil escudos por homem para entregar a arma


Nota introdutória: MSG trocadas sobre apontamentos biográficos entre Luís Vaz,(filho do último Chefe do Estado Maior do CTIG, Coronel Henrique Gonçalves Vaz) Sousa de Castro, tertúliano da Tabanca Grande, "luisgracaecamaradasdaguine" e Luís Graça, editor da Tabanca Grande "luisgracaecamaradasdaguine"


De: Luís Vaz [mailto:luisbelvaz@gmail.com]
Enviada: domingo, 11 de Dezembro de 2011 01:14
Para: Sousa de Castro
Assunto: SECRETO ou para Publicar? "Últimos Meses do último Chefe do Estado-Maior do CTIG / Guiné (1973/74)" por: Luís Gonçalves Vaz

Caro Sousa de Castro;

Como deve estar de fim-de-semana e não me pode responder, envio-lhe na mesma "meu o Artigo" de que lhe falei,


"Últimos Meses do último Chefe do Estado-Maior do CTIG / Guiné (1973/74)"


 Leia-o com cuidado por favor, e dê a ler ao EDITOR CHEFE, e em sintonia… decidam, ou não publicam ou publicam, já que nas notas pessoais, retiradas das Agendas pessoais do meu falecido pai, e não censuradas por mim!!!, falam um pouco de alguns casos de indisciplina, mas foi o que se passou (poderão ferir susceptibilidades...)! Com mais ou menos "Dignidade", o FIM do Império Português teve episódios menos felizes!… A DECISÃO É VOSSA, antigos Combatentes e "Mentores destes Blogs", como tal aceito qualquer que for a vossa decisão, inclusive a sua publicação mas , retirarem algumas Notas, se assim o entenderem.

 Abraço e BOM TRABALHO e BOM Fim-de-semana:

 Luís Beleza Gonçalves Vaz
(filho do Coronel Henrique Gonçalves Vaz)



No dia 11 de Dezembro de 2011 12:39, Sousa de Castro <sousadecastro@gmail.com> escreveu:

Caros amigos e camaradas,

Envio msg de extrema importância, que me foi endereçada pelo filho (Luís Vaz) do Coronel Henrique Vaz, último chefe do Estado Maior do CTIG.

Deixa ao nosso critério de a publicar ou não, gostaria da v/opinião PT
Abraço,
Sousa de Castro

E a resposta do Luís Graça não se fez esperar: domingo 11-12-2011 13:10

Sousa de Castro e Luis Vaz:
As minhas melhores saudações param os dois. Muito obrigado pela confiança que em mim depositam, em mim e neste blogue que é de todos. Acabei de ler, na vertical, as notas pessoais do Cor Henrique Vaz. Julgo que são preciosas e publicáveis...É um bom serviço que o Luís presta à memória do pai e dos demais ex-combatentes no CTIG. Este período foi doloroso para todos nós. Mas a sua gestão também foi inteligente e corajosa. Temos que saber todos, através do testemunho de atores como o pai do Luís, a importância e a delicadeza da missão... Vou publicar, mas antes vou apresentar o Luís à Tabanca Grande. Ele merece estar entre nós. Ele e a memória do seu pai. Um bom fim de semana.
Luis Graça




Últimos Meses do último Chefe do Estado-Maior do CTIG / Guiné  (1973/74)

Por: Luís Beleza Gonçalves Vaz
(filho do Coronel Henrique Gonçalves Vaz)


Coronel do CEM Henrique Gonçalves Vaz (Chefe do Estado-Maior do CTIG)

Artª4    NOMEAÇÃO DE PESSOAL PARA O ULTRAMAR:

“…Que, segundo a nota nº 015372 Pº 102.020 de 09MAI73 da RO/DSP/ME, por despacho de 18ABRIL de 1973,  foi nomeado para servir no CTIG, por ESCOLHA, nos termos da alínea a) do nº1 do artº 20º do Dec. Lei 49107 de 1969, o Exmº Coronel do CEM HENRIQUE MANUEL GONÇALVES VAZ, Comandante deste Regimento de Cavalaria nº 6, para substituição do Exmº Coronel do CEM  JOSÉ GONÇALVES DE MATOS DUQUE, nas Funções de Chefe do Estado-Maior do CTIG …”
(In:  O S. nº119 de 21/05/1973 do Regimento de Cavalaria nº6) 




(Alguns excertos dos registos pessoais do Coronel do CEM,  Henrique Manuel Gonçalves Vaz, no ano de 1974, no Teatro de Operações da Guiné Portuguesa)


Bissau, 6 de Janeiro de 1974

"...Às 16h 15m, houve uma reunião de análise operacional na Sala de Operações do C. C. (Comando Chefe). Decorreu bem. Foi a 1ª Operação planeada pelo nosso General (Bettencourt Rodrigues), seu Estado Maior e Estado-Maior do CTIG e demais ramos das Forças Armadas ………… e nossa análise. No final, o General Comandante-chefe recordou-a com emoção!..."

Coronel Henrique Gonçalves Vaz (Chefe do Estado-Maior do CTIG)


Coronel Henrique Vaz, ao lado esquerdo do general Bethencourt Rodrigues numa cerimónia oficial em Bissau, no ano de 1973.
 Bissau, 7de Janeiro de 1974
"... Soubemos hoje á noite, que em Canquelifá, foram mortos em combate, 6 Cubanos e mais 6 Africanos do INI (inimigo). Uma equipa Fotográfica do Batalhão Fotocine, seguiu de madrugada para lá, a fim de obter imagens. ..."


Coronel Henrique Gonçalves Vaz(Chefe do Estado-Maior do CTIG)








Nota: Nesse combate morreu um militar das N.T, o  Ranger:LUÍS FILIPE PINTO SOARES (Furriel Miliciano de Operações Especiais) Companhia de Caçadores 3545


O Coronel Henrique Vaz, Chefe do Estado-maior, comandando exercícios com fogos reais, na zona oeste da Guiné (Pelundo- 1973).
Bissau, 28 de Janeiro de 1974

"... Visita a Bambadinca, voamos num Dornier 28 dos TAGP. Regressamos depois do almoço. De tarde visitou-se o Bat. de Engenharia e o Bat. de Serviços de Material na ... . Em seguida Briefing no C. C. (Comando Chefe). ..."
Coronel Henrique Gonçalves Vaz
(Chefe do Estado-Maior do CTIG)

Bissau, 1 de Fevereiro de 1974

"... Às 07h30m estava no Q. G. a preparar os despachos dos dois Brigadeiros. Às 19h50m, estava a sair do Quartel General. ..."

Coronel Henrique Gonçalves Vaz
(Chefe do Estado-Maior do CTIG)

Bissau, 6 de Fevereiro de 1974

"... Em visita particular, vem ao Q. G. o General Câmara Pina, antigo CEME. Foi recebido na Sala de Operações... . No final conversou no gabinete do Comandante do CTIG. ..."
Coronel Henrique Gonçalves Vaz
(Chefe do Estado-Maior do CTIG)
Bissau, 22 de Fevereiro de 1974
"... Cerca das 19h e 10 m quando me encontrava na gabinete do brigadeiro Comandante Militar (Banazol), com este e com o Brigadeiro 2º Comandante (Figueiredo), rebentou um explosivo colocado na casa de banho que a destruiu, assim como algumas das dependências contíguas. A forte deslocação do ar, rebentou a porta e os vidros que foram projectados em frente, onde se encontrava o Brigadeiro 2º Comandante, de pé, e que caiu na direcção onde eu me encontrava sentado. O Brigadeiro Comandante Militar sentado na minha frente ainda sofreu. O 2º Comandante foi levado para o Hospital de Bissau, visto sangrar bastante de uma ferida na parte posterior da cabeça. Eu tive leves arranhões, de que me tratei no posto de saúde da C.C.S. (Comando da Companhia de Serviços). Estavam também presentes, no Gabinete Central, o Major Ferreira da Costa e o Tenente Abrantes. Também presentes nos respectivos gabinetes, a minha ordenança (Ernesto), o Sambu J., 1º cabo e ordenança do 2º comandante e o Jaló (Djaló) meu condutor, estava também no meu gabinete. 
      Ninguém ficou ferido gravemente. Foi um verdadeiro milagre! ..."
Coronel Henrique Gonçalves Vaz(Chefe do Estado-Maior do CTIG)
Bissau, 2 de Abril de 1974
“…Visita do Brigadeiro Sales Grade (Director da Arma de Transmissões) e jantar ás 20h30…”
“… Às 08h14m levantamos voo, em avião do TAGP para a Aldeia Formosa, com o nosso Brigadeiro Comandante, o Tenente.-Coronel Maia e Costa, Cmdt do Bat. Eng., o Major Marques, oficial de operações do Batalhão de Engenharia, o Tenente Abrantes, adjunto do Nosso Brigadeiro e eu. Chegamos e o Tenente.-Coronel Ramalheira, Cmdt de Batalhão e o 2º Cmdt, Major Lopes, fizeram um Briefing, rápido …e o oficial de operações do Batalhão de Engenharia também explicou …  e depois de darmos uma volta ao aquartelamento, fomos pela estrada com uma escolta. …Passamos por Mampatá … faltavam 4 km para ligar á estrada que vem de Buba. Correu uma equipa com …. e vieram com eles dirigidos pelo Alferes Campos: Verdadeiro espírito de missão, entusiasmo e eficiência. Estivemos em 2 Pedreiras… De regresso paramos em Manpatá (Saltinho, no extremo sul do território) e vi a árvore que dá o nome à Povoação. Regressamos às 12h 00 e não aterramos em Buba. …”

Coronel Henrique Gonçalves Vaz(Chefe do Estado-Maior do CTIG)

Visita a uma unidade com o Comandante-Chefe, General Bettencourt Rodrigues (1973)
Vendo-se em 1º plano, da esq. para drt.: Cor. Henrique Vaz, GEN. Bettencourt Rodrigues e Brig. Banazol
Bissau, 3 de Agosto de 1974
"... Estamos de prevenção, pois hoje é o Aniversário do Massacre do Pigiguiti. Tropas Europeias ... nas Unidades. ..."
Coronel Henrique Gonçalves Vaz(Chefe do Estado-Maior do CTIG)

Bissau, 12 de Agosto de 1974

"...Reunião exploratória, dirigida pelo Comandante Militar com novas orientações do planeamento pela 4ª Repartição. ..."

Coronel Henrique Gonçalves Vaz(Chefe do Estado-Maior do CTIG)

Bissau, 16 de Agosto de 1974
... Este foi um dia tremendo de trabalho e emocionante com as notícias de Bambadinca, em que a Companhia. de Caçadores nº 21 a tomar conta do aquartelamento e a exigirem 300 contos por homem, para entregarem a arma e passarem à disponibilidade! Foi para lá o Governador Brigadeiro Fabião e ao fim da tarde foi recebida a notícia de que tudo estava resolvido. ..."

Coronel Henrique Gonçalves Vaz(Chefe do Estado-Maior do CTIG)
Bissau, 20 de Agosto de 1974

"... Despediram-se o Major Barreto Fernandes e o Tenente Abrantes, respectivamente, chefe da Secção de M.M. e Adjunto do Brig. Comandante. Desde 17 que oficialmente se constitui o Q. G. unificado para o C. C. (Comando Chefe) e CTIG . Publicado em Ordem de Serviço do Comando Chefe.
Soube-se hoje após o almoço que irá vigorar o esquema:
- Totalidade de pessoal (-6000) evacuado até 20 de Setembro de 1974 ……
- Restantes até Dezembro (?)
- Entretanto vai-se “evacuando” o material  ..."

Coronel Henrique Gonçalves Vaz(Chefe do Estado-Maior do CTIG)

Bissau, 22 de Agosto de 1974

"... História do Batalhão de Cavalaria nº 8320 do Tenente-Coronel Ferreira da Cunha, que se pôs a andar do CUMERÉ, depois da 3ª refeição, em direcção a Bissau, a pé, sob chuva inclemente. Minha actuação ..."
Coronel Henrique Gonçalves Vaz(Chefe do Estado-Maior do CTIG)
Bissau, 23 de Agosto de 1974

"... Durante o dia, as "resistências" do Batalhão indisciplinado vieram ao de cima ... e não teve remédio (o Comandante Militar) senão ....  ceder! fazendo embarcar o pessoal amanhã à tarde! Eu não desisti e chamei sempre  à atenção para a gravidade da situação. ..."

"... Reuni com a comissão que veio de Lisboa sobre os “Planos de Retirada”: Hipótese A e B. Mandei  fazer a lista uma a uma para...."
Coronel Henrique Gonçalves Vaz(Chefe do Estado-Maior do CTIG)

Cor. Henrique Vaz, em Nova Lamego com o Brg. Banazol, perante um desfile de um pelotão de Milícia, no âmbito do encerramento da instrução. Guiné - Setembro 1973
Bissau, 24 de Agosto de 1974
"... O UIGE com o Batalhão do Cunha, o "famigerado" Batalhão de Cavalaria nº8320 de Bula, partiu a princípio da madrugada para Lisboa. Estive atento no Cais a vê-los partir! Disseram-me que até hastearam uma bandeira vermelha com a foice e o martelo!..."
Coronel Henrique Gonçalves Vaz(Chefe do Estado-Maior do CTIG)

Bissau, 26 de Agosto de 1974

"... Hoje à tarde, soube-se que sairíamos da Guiné até 31 de Outubro de 74 e em 10 de Setembro será proclamada a Independência da Guiné! FIM de uma triste aventura, muito Inglória a que nos levaram os...."
Coronel Henrique Gonçalves Vaz(Chefe do Estado-Maior do CTIG)
Bissau, 30 de Agosto de 1974

"... Reunião no Palácio do Governador às 18 00 h, de acordo com os acontecimentos na Metrópole, de apoio ao General Costa Gomes e repúdio das manobras reaccionárias ..."
Coronel Henrique Gonçalves Vaz(Chefe do Estado-Maior do CTIG)

Bissau, 9 de Setembro de 1974
 
“… Estive até às 20 00h no meu gabinete com o Tenente-Coronel Virtuoso (?) e o Capitão (S)Lomba, a finalizarmos o “Estudo da Comissão Liquidatária do QG/CTIG em Lisboa” e dos elementos que ficam em Bissau de 30 de Setembro a 31 de Outubro. …”

Coronel Henrique Gonçalves Vaz(Chefe do Estado-Maior do CTIG

Bissau, 21 de Setembro de 1974

"... Acabei o célebre trabalho de saber quantos militares estão em Bissau até 31 de Outubro. Mérito mais que o desejado. ..."
 
Coronel Henrique Gonçalves Vaz(Chefe do Estado-Maior do CTIG)
Bissau, 23 de Setembro de 1974
"... Tive muito que fazer hoje! consegui fazer a “Carta sobre a Redução de Efectivos e Comissões Liquidatárias”. Às 20h 30m fomos ao Aeroporto receber o Ministro da Coordenação. interterritorial. (António Almeida Santos) ..."

Coronel Henrique Gonçalves Vaz(Chefe do Estado-Maior do CTIG)

Cor. Henrique Vaz com Maj. Aragão, em visita a uma Tabanca - Guiné, 1974
Bissau, 3 de Outubro de 1974

"... Quando regressava a casa, cerca das 23h 30m, ao cruzar-me, em Sª Luzia com o Lemos, soube por este, que o  Brigadeiro Fabião tinha sido escolhido por maioria para Chefe de Estado-maior do Exército. ..."
Coronel Henrique Gonçalves Vaz(Chefe do Estado-Maior do CTIG)

Bissau, 4 de Outubro de 1974

"...Soubemos hoje que o nosso regresso se efectuaria a 15 deste mês! Novos planos, novas missões e novos aspectos  de vários problemas a encarar! ..."

“… O Morgado soube que estava indicado para C.E.M. (Chefe do Estado-Maior) da Região Militar de Évora. Reagiu logo e o Brigadeiro Figueiredo mandou fazerconsiderando-o indispensável na Comissão Liquidatária em Lisboa. …”

Coronel Henrique Gonçalves Vaz(Chefe do Estado-Maior do CTIG)

Bissau, 5 de Outubro de 1974

"... Dia de trabalho derivado da antecipação da nossa saída em 15 deste mês (pois passou para 14 de Outubro) ...
Coronel Henrique Gonçalves Vaz(Chefe do Estado-Maior do CTIG)
Bissau, 5 de Outubro de 1974

"... Trabalhei no Quartel General de manhã e de tarde. Só  amanhã  saberemos se virão os dois navios, Uige e Niassa ou só o primeiro! ..."

Coronel Henrique Gonçalves Vaz(Chefe do Estado-Maior do CTIG)
Bissau, 9 de Outubro de 1974

"... Fui convidado pelo Comodoro Ricou para ir às 19h 00 a casa do Comodoro Almeida D`Eça, festejarmos “as suas primaveras”. Estiveram os Comandos da Marinha, o Brigadeiro Fabião e o Big. Figueiredo, o Coronel M. Lopes, Majores Capela e Mourão e ..."
"... Tenho andado muito ocupado com a organização das "Cargas dos aviões", pois por despacho escrito do nosso Brigadeiro, determinou que eu me responsabilizasse pelo assunto. Tenho assim trabalhado muito nestes últimos dias, o que me tem dado satisfação ..."

Coronel Henrique Gonçalves Vaz
(Chefe do Estado-Maior do CTIG)
Bissau, 10 de Outubro de 1974

"...  
Ao fim do dia o Major Mourão veio perguntar-me se tenho pronto o “Plano de Entrega dos Aquartelamentos” para o levar ao Brigadeiro Fabião ..."

“… Fui ao Q.G. “fazer” os últimos avisos”. Ao fim da tarde um dos dois aviões TAM de 13, por proposta da F. A (Força Aérea Portuguesa), passou para 12 !!! ÀS 14h00m iniciei a organização apressada das malas, que …”

“… Às 16h 30m vieram visitar-me a casa, o Dr. Silva B. e mais um pessoal do PAIGC, acompanhados pelo Major Aragão. Recebi-os com atenciosa referência. …”

Coronel Henrique Gonçalves Vaz(Chefe do Estado-Maior do CTIG)

Bissau, 11 de Outubro de 1974

"... Tivemos às 15H00, na Amura uma reunião com os comandantes do PAIGC, comandante Gazela, comandante  BOBO KEITA  e o comandante   ... (... do próprio) Correia,  sobre a entrega dos quartéis de Sta Luzia e outros. ...""... Fomos jantar ao Palácio, julgo que todos ou a maioria dos oficiais do Quadro Permanente presentes na Guiné. Jantar volante, simpático e descontraído, num ambiente alegre e ... . Anedotas contadas pelo Coronel Lemos e pelo Major Lemos Alves. ..."

 Coronel Henrique Gonçalves Vaz(Chefe do Estado-Maior do CTIG)

NOTA:
Comandante BOBO KEITA,
Fez parte de todas as delegações do PAIGC que negociaram o reconhecimento da independência da Guiné-Bissau, depois do 25 de Abril.  Morreu em Lisboa em Janeiro de 2009.

Comandante GAZELA
Cabral de Almada, conhecido por "Comandante Gazela" (na nota do coronel Henrique Vaz só o refere como GAZELA)


Sobre os “Planos de Evacuação da Guiné” (Abril/Outubro de 1974)
“…Noutro documento, sem data, que surge aparentemente anexo a este “Plano de Evacuação” são listadas um total de 77 unidades. O extenso documento inclui várias páginas com uma grelha onde estão listadas, da esquerda para a direita o nome da unidade, o trajecto (localidade onde está, percurso e destino, Bissau), e outros pormenores, como data de saída da localidade, chegada a Bissau, aquartelamento, partida para Lisboa, etc. etc. Este segundo documento tem, no final, o nome do Comdt Militar, Brigadeiro Galvão de Figueiredo, mas não está assinado por este. Está, sim, autenticado pelo Chefe de Estado-Maior, Henrique Manuel Gonçalves Vaz, Coronel do CEM. … “
Paulo Reis (Jornalista) in:


Hastear da bandeira da Guiné-Bissau em Canjadude em 20 de Agosto de 1974.
(Foto de  João Carvalho – 1974 – com a devida vénia)
Nota: Peço desculpa, se ao transcrever algumas  notas pessoais do meu falecido pai, Coronel Henrique Gonçalves Vaz ,troquei ou alterei o nome de algum militar português, interveniente nestes últimos meses, no Teatro de Operações da Guiné, pois foi sem intenção e devido à dificuldade de ler, algumas passagens nos seus registos pessoais .

                                            Luís Gonçalves Vaz 
(filho do último Chefe e Estado-Maior do CTIG, Coronel Henrique Gonçalves Vaz)



Biografia do Coronel Henrique Manuel Gonçalves Vaz (fase da Guiné)
          Em 1973 é nomeado (Escolhido segundo a Ordem de Serviço nº119 de 21/05/1973 do Regimento de Cavalaria nº6) para servir novamente no Ultramar e embarca em Lisboa, em 7 de Julho, com destino desta vez para o C.T.I.G. (Comando territorial independente da Guiné), onde é colocado como Chefe do Estado Maior, e sob o comando do General Spínola, posteriormente do General Bettencourt Rodrigues.  Esta missão, numa altura de grandes ofensivas do inimigo de então, o P.A.I.G.C., é levada até ao 25 de Abril, com alguns incidentes, sempre ultrapassados com muito “Mérito Profissional”, nomeadamente a “estadas forçadas” em aquartelamentos no teatro de operações, devido a  ataques do inimigo (flagelações) a essas  pequenas unidades militares na altura em que o Coronel Vaz as visitava como Chefe do Estado-Maior, bem como a sobrevivência à explosão de uma bomba (22/02/1974) que colocaram no Q.G. (Quartel General), tendo-lhe causado apenas pequenas escoriações.


Coronel Henrique Vaz e o Brigadeiro Banazol (Comandante do C.T.I.G),
durante uma cerimónia em Chão Felupe ( Guiné – 1973 ).



A partir desta data (25 de Abril), e como um dos militares (do Corpo do Estado-Maior) mais graduados1 do Exército Português, neste teatro de operações, leva outra missão até ao seu términos, a de em colaboração com as restantes autoridades civis e militares, entregar paulatinamente, os territórios até então sob a administração portuguesa, ao P.A.I.G.C. . Também terá simultaneamente de acantonar e desmobilizar algumas das tropas portuguesas africanas e de implementar o regresso de milhares de soldados portugueses ao Continente. Só regressará a Lisboa no dia 14 de Outubro de 1974, cerca de seis meses após a Revolução de 25 de Abril. Esta missão só será terminada na Comissão Liquidatária em Lisboa., onde permanecerá até Dez. de 1976.
1 - O Comodoro Almeida Brandão desempenhou as funções de comandante-chefe interino , o tenente-coronel (graduado em Brigadeiro) Carlos Fabião as de delegado da Junta de Salvação Nacional e de representante do Governo Português na Província da Guiné e o Brigadeiro Galvão de Figueiredo de Comandante Militar do CTIG.