Mensagem de António Marques Lopes, Coronel de Infantaria na reforma, ex. Alf. Mil./At Inf. CART 1690 - Guiné 1967/69 - Cantacunda, Banjara, Geba e Barrô.
Foto: Wikipedia, direitos reservados
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| Nasc.12SET1924 - Morte 20JAN1973 |
CART 3494 - Sub-Sector do Xime, transferida em Março/73 para Mansambo. Faz parte do BART 3873, o qual renderia no Sector L1 o BART 2917. Composto pelas unidades da CCS - Sub-Sector de Bambadinca, CART 3492 - Sub-Sector do Xitole e CART 3493 - Sub-Sector de Mansambo, transferida em 01ABR73 para Cobumba, ficando operacionalmente subordinada ao COP 4. Unidade mobilizadora: Regimento de Artilharia Pesada 2 (RAP 2) Vila Nova de Gaia. Embarque 22DEC71 N/M "NIASSA", Regresso 03ABR74 (via aérea)
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| Nasc.12SET1924 - Morte 20JAN1973 |
| Alf. Milº A. Marques Lopes |
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| Cor DFA A. Marques Lopes, 31OUT2007 |

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Quadro
estatístico do autor - Fonte: http://ultramar.terraweb.biz/Convivios_Imagens/BCAV790/BCAv790_osmortos.pdf, (com a devida vénia).
Quanto ao caso do José
Augusto Teixeira Mourão, desconhecem-se, igualmente, os antecedentes que o
levaram a desertar do exército português, a que se adicionam todos os elementos
relacionados com o seu currículo militar [a não ser que o nosso camarada José
Martins nos possa ajudar neste âmbito].
No entanto, a primeira referência de que há registo sobre José
Augusto data de junho de 1966 e foi relatada pelo médico cubano Domingo Diaz
Delgado no primeiro fragmento da sua entrevista [P268].
Recuperamos essa passagem: […] Lilica Boal [Maria da Luz “Lilica”
Boal] levou-me a sua casa [em Dacar], aonde permaneci três ou quatro dias até
que me
dão a conhecer [Junho de 1966] um desertor do exército português, de nome José
Augusto [José Augusto Teixeira Mourão], e apresentam-me como admirador do
Movimento e que queria participar na guerrilha contra o seu governo. A este ex-militar deram-lhe numerosos detalhes e dizem-lhe
que sou cubano. Desde aquele momento não fiquei tranquilo e pedi que me
mudassem de casa, pois não confiava naquele homem. Mudam-me para outra moradia,
onde fiquei mais um dia. […] O principal trabalho em Sará [base], durante esses
meses [Julho a Dezembro de 1966], foi a extração de dentes. Tenho um caderno
onde registei a quantidade de pessoas que tratei, incluindo o português
desertor [José Augusto] que me apresentaram em Dacar, que depois se confirmou
tratar-se de um agente da Inteligência portuguesa. Esse homem permaneceu preso
no Norte da Guiné, convivendo connosco nesse acampamento.
Creio que podemos validar, com elevada margem
de segurança, que a imagem acima está relacionada com a base de Sará [1966], aonde
se vê um cidadão branco, [militar português?] vestido “à civil”, com barba de
duas semanas, calçando ténis, e ao seu lado é possível identificar a perna
esquerda de um outro corpo, cuja situação deveria ser igual à sua. Daí
considerá-los como sendo o José Augusto e o Armando Ribeiro, fazendo fé nas referências
produzidas nos vários documentos a seguir identificados.
2.1 – Em 31
de Agosto de 1967: Reunião com os desertores portugueses
Por decisão de Amílcar Cabral foi realizada, na
data em título, uma reunião com os dois desertores portugueses, onde foram
abordados os seguintes pontos [resumo]:
1.
– Desculpa-se de só
agora os ter podido ouvir.
2.
– Fala do significado
da deserção. Refere os cuidados que nós [PAIGC] devemos ter também com os
desertores. Referiu o caso de um desertor que levado até Dacar fugiu e hoje se
encontra em Bissau [será o caso do David Costa?]. Apesar da nossa boa vontade,
dos nossos princípios de humanidade, do nosso bom coração, temos de estar
vigilantes. Refere os casos de tentativa de fuga, de um deles lá dentro [?] e
de outro, de fuga em Dacar, onde se juntou. Diz ainda que os Relatórios mostram
contradições nas suas afirmações.
- Mourão (José
Augusto) – Chegou a Dacar. Esteve três dias preso. Liberto, foi para o Lar [Ziguinchor?!]. Dois dias depois foi beber uma cerveja com um
camarada nosso (Joaquim), numa taberna de um tal Lima (que é Pide). Este
pediu-lhe para o ajudar no seu trabalho. Mais tarde conheceu um tal Germano
Monteiro (Pide) que o levou à freira. Conversaram na embaixada e fizeram-lhe
perguntas. As suas respostas eram comunicadas ao telefone ao embaixador da Suíça.
Depois comunicam com a Lilica que, segundo afirma, lhe disse que se quisesse ir
para Lisboa esta lhe obteria os papéis [documentos oficiais].
- Amílcar – Esclarece
que Lisboa começa mesmo em Dacar com qualquer Pide. Esta pode matar em sua casa
o desertor, pode fazer desaparecer o corpo e enviá-lo para Lisboa. Pode também
liquidá-lo mesmo na Embaixada ou obrigá-lo à força a sair para Lisboa.
- Lilica Boal –
esclarece que é falso o que diz e o que se passou foi o seguinte: afirmou-lhe
que se quisesse ir para Lisboa o liquidariam.
Nota: O texto acima corresponde à transcrição
da página 1, abaixo reproduzida.
- Fala Armando [Ribeiro] (desertor) – Conta que foi
com dois camaradas nossos longe do Sará [base] para ir beber e que se embebedou.
Voltou à base e começou a falar sozinho. Depois, porque estava a dizer coisas
sem nexo, um camarada criticou-o pelo que disse. O José Augusto começou a
provocá-lo e depois jogaram à pancada. Em consequência disso, aborrecido, saiu
da base à noite e depois encontrou um grupo de guerrilheiros que o conduziu à
base. Ia às vezes caçar, mesmo sozinho. Outra vez afastou-se para uma Tabanca,
tendo depois sido acusado de tentativa de fuga.
- Pergunta de Fidelis (a José Augusto) – Porque
mostrou a figura de Amílcar e de outros responsáveis do Partido a um
desconhecido que estava numa taberna, cerca da C.R.P. [Casa de Reclusão do
Partido?].
- José Augusto – Explicou a coisa.
- Amílcar – Diz que se tratará o problema da melhor
maneira possível. Damos-vos comida, tratamo-los bem, damos-lhes dinheiro. Devem
ter toda a confiança. Irão conversar com os camaradas Fidelis, Araújo, Vasco e
talvez Armando [Ramos]. Diz que podem comunicar com a família.
- PRESENTES – Amílcar Cabral, Aristides Pereira,
Vasco Cabral, José Araújo, Fidelis Almada, Armando Ramos, Joseph Turpin, Nino
Vieira e Lilica Boal.
Nota: O texto acima
corresponde à transcrição da página 2, abaixo reproduzida.
Citação:
(1967), "Reunião com os desertores
portugueses", CasaComum.org, Disponível HTTP: http://hdl.handle.net/11002/fms_dc_41297
(2016-11-20)
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Citação:
(1967), Sem Título, CasaComum.org, Disponível HTTP: http://hdl.handle.net/11002/fms_dc_35016
(2016-11-20)
Instituição:
Fundação Mário Soares
Pasta: 04606.045.134
Assunto: Solicita autorização junto
das autoridades de Conakry para enviar dois desertores do exército português
para Argel.
Remetente: Amílcar Cabral,
Secretário-Geral do PAIGC.
Destinatário: Ministro das Forças
Armadas e do Serviço Cívico, Conakry
Data: Terça, 5 de Setembro de 1967
Observações: Documento incluído no
dossier intitulado Cartas e textos dactilografados enviados por Amílcar Cabral
1960-1967
Fundo: DAC – Documentos Amílcar
Cabral
Tipo Documental: Correspondência
Para
além do escrutínio aos documentos supra, nada mais relevante foi encontrado,
pelo que continuará incógnito o que terá acontecido, a partir de 5 de Setembro
de 1967, na vida de cada um dos nossos dois camaradas, a não ser que,
entretanto, surjam novos desenvolvimentos.
Vamos
acreditar que tal possa acontecer.
Obrigado
pela atenção.
Um
forte abraço de amizade com votos de muita saúde.
Jorge
Araújo.
25NOV2016.
Vd. Posts: Por António Manuel Marques Lopes, ex. Alf. Milº da CART 1690, actualmente, Coronel DFA na situação de reforma: 18FEV2011 - http://cart3494guine.blogspot.pt/2011/02/p93-op-inquietar-i-e-inquietar-ii.html 21FEV2011 - http://cart3494guine.blogspot.pt/2011/02/p94-rtp-2-artigo-37.html
11MAI2015 - CART 1690 GEBA 1967 - Mortos em Sinchã Jobel
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