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domingo, 20 de janeiro de 2019

P362 - Faz hoje (20JAN2019) 46 anos que Amílcar Cabral, Presidente do PAIGC, foi assassinado em Conacri numa acção planeada pela PIDE/DGS


Mensagem de António Marques Lopes, Coronel de Infantaria na reforma, ex. Alf. Mil./At Inf. CART 1690 - Guiné 1967/69 - Cantacunda, Banjara, Geba e Barrô.




Foto: Wikipedia, direitos reservados



Nasc.12SET1924 - Morte 20JAN1973

20 DE JANEIRO DE 1973
Amílcar Cabral, dirigente e fundador do PAIGC, é assassinado em Conacri numa acção planeada pela PIDE-DGS

Dalila Cabrita Mateus diz no seu livro “A PIDE/DGS na Guerra Colonial, 1961-1974” que «O assassínio de dirigentes foi um tipo de operações levado a cabo pela PIDE/DGS. No entanto, constituía um assunto delicado». E refere que o elemento dessa polícia incumbido de dar andamento ao plano para a liquidação de Amílcar Cabral escreveu à margem do processo: «Comuniquei particularmente ao chefe da Delegação que este assunto não pode ser objecto de correspondência oficial. Ou não se dizem ou não se fazem». Refere, por isso, que não é possível encontrar relatórios da PIDE sobre a liquidação de Amílcar Cabral, até porque, citando José Pedro Castanheira, in “Quem mandou Matar Amílcar Cabral”, o inspector adjunto Alberto Matos Rodrigues recomendou que «Em trabalhos desses, não se deixam provas».E houve vários planos, assevera esta investigadora dos Arquivos da PIDE existentes na Torre do Tombo.

O primeiro terá sido em 1967, o do inspector Miguel António Cardoso, então chefe da delegação da PIDE na Guiné, que mandou vir de Conacri um antigo combatente para que, conhecedor dos locais por onde Cabral costumava passar nessa cidade, o matasse a tiro ou com granadas apreendidas aos guerrilheiros. Só que, azar, esse homem foi preso pela tropa portuguesa e deixou de valer. Mandou vir de Conacri mais dois elementos para o mesmo objectivo, mas, entretanto, foi substituído. O novo chefe da delegação achou que um deles era bêbedo e que o outro não tinha estofo e a operação foi abandonada.


Em 1969 houve outra tentativa, esta planeada pela Aginter Press, uma encapotada agência de informações sedeada em Portugal mas que, efectivamente, se dedicava ao recrutamento de mercenários. Tinha ligações com a PIDE e com a Legião Portuguesa desde 1966. Teve a colaboração da Secretaria de Estado da Informação e Turismo, do Ministério dos Negócios Estrangeiros e da Casa de Portugal em Paris, e participavam um diplomata senegalês, oposicionistas a Sékou Touré e elementos da FLING. O orçamento era superior a quatro mil contos, e o prémio em caso de êxito mil contos. Foi a Operação Chèvre. Se não deu ou não foi avante, a investigadora não precisa.

Veio, depois, a Operação Mar Verde, em Novembro de 1970, planeada e comandada por Alpoim Calvão, com o apoio de Spínola e de Marcelo Caetano. No livro de António Luís Marinho, “Operação Mar Verde, Um Documento para a História”, vêm as missões atribuídas a cada um dos grupos participantes na operação. Por exemplo, uma das do comandante Benjamim Lopes de Abreu era “a eliminação física do Presidente da República da Guiné Ahmed Sékou Touré” (documento 11). A ninguém foi explicitamente atribuída a missão da “eliminação física de Amílcar Cabral”. No entanto, ao 1º Ten. FZE Raul Eugénio Dias da Cunha e Silva tinha como missão: “Ataque e destruição de elementos e instalações do PAIGC em Conacry II: …41-Secretariado e habitação de Amílcar Cabral; 42-Casa de Aristides Pereira e Propaganda”. E diz ele, no seu relatório, que “decidi atacar primeiro e rapidamente os objectivos considerados de primeira importância: 41 e 42…”. Não é credível que a eliminação de Amílcar Cabral não fosse também um dos objectivos. Dalila Mateus narra que foi lançada sobre a casa de Amílcar Cabral uma chuva de obuses, tendo um deles acertado em cheio no quarto ao lado daquele onde dormia a mulher de Cabral, que teve de sair com os filhos pelas traseiras da casa. Numa casa ao lado ficaram gravemente feridos um casal jugoslavo e uma filha, uma outra filha deles morreu com um estilhaço na cabeça. E refere que Alpoim Calvão disse ao Público de 21 de Maio de 1991 que se Cabral estivesse em Conacri teria sido seguramente eliminado.
Em 1971 foi a delegação da PIDE em Cabo Verde que mobilizou mil contos para contratar um cabo-verdiano residente em Monróvia, na Libéria, e com anteriores ligações a Cabral e Agostinho Neto. Era para, com mais seis indivíduos, assassinar Amílcar Cabral e destruir um depósito de material de guerra em Conacri. Não resultou.

Mas a PIDE andava também atenta às divisões dentro do PAIGC.
Em Junho de 1967 teriam armadilhado a casa de Cabral em Koundaré e teriam sido enviadas cartas para Catió, Cabedu, Farim, Mansoa e Bula com o intuito de não serem acatadas as ordens de Amílcar Cabral. Os conjurados foram presos e fuzilados. E a PIDE afirma ter ouvido, na altura, que Nino Vieira encarou com simpatia “o movimento conspirativo do Boé”. Também em Setembro desse ano parece ter havido um atentado contra o Secretário-geral do PAIGC. Foi também o ano, constou em Dezembro, do descontentamento dos mandingas pelas baixas sofridas em combate e pelo facto de os cabo-verdeanos serem poucos a combater.
Em Janeiro de 1968 foi assinalado novo movimento de revolta e, nesse ano, as notícias das divisões no PAIGC levaram a PIDE a tomar nota e, como consta numa das pastas dos Arquivos da PIDE, “Em face desta notícia foi considerado superiormente que se devia procurar, por todos os meios, se necessário mesmo financeiros, explorar estas divergências”.

Em Março de 1972 é o próprio Cabral que apresenta um plano, segundo ele de Spínola e dos colonialistas portugueses, com o objectivo de decapitar a direcção do PAIGC. Primeiramente com a infiltração de antigos e novos membros do Partido para gerarem a divisão na base do racismo, tribalismo, diferenças de religião e virando guineenses contra cabo-verdianos. Após isso seria a criação de uma direcção paralela para entrar em contacto com os dirigentes dos países vizinhos tentando obter o seu apoio contra a verdadeira direcção, particularmente contra o Secretário-geral. A fase seguinte seria: o assassinato do Secretário-geral e todos os dirigentes fiéis à linha do partido; mudança da designação do partido e paragem da luta; e, finalmente, entrar em contacto com o governo português para obterem a autonomia interna e a criação do “Estado da Guiné” fazendo parte da comunidade portuguesa. Spínola teria prometido postos importantes aos executantes deste plano. E não há dúvidas que eram os princípios defendidos por António de Spínola.
E foi no dia 20 de Janeiro de 1973, às 23 horas que um grupo chefiado por Inocêncio Cani prendeu Cabral e a mulher. Face à resistência deste Cani atingiu-o com um tiro no fígado, tendo depois ordenado a um seu acompanhante que lhe desse uma rajada, que o atingiu na cabeça e o matou. Um grupo chefiado por Mamadu N’Djai prendeu Aristides Pereira, meteu-o numa vedeta do PAIGC e rumou para Bissau. Um outro grupo, chefiado por João Tomás Cabral, assalta a prisão do PAIGC e liberta Mário Mamadou Touré e Aristides Barbosa, que eram os cabecilhas do golpe.

Foram cerca de uma centena os golpistas. Depois de tomarem conta das instalações do partido e terem prendido cabo-verdianos e mestiços guineenses, foram recebidos por Sékou Touré na madrugada seguinte, mas o presidente da Guiné não lhes deu cobertura mandou-os prender, deu ordens ao exército que submetesse o PAIGC e pediu a navios soviéticos que estavam nas suas águas que recuperassem a vedeta onde ia Aristides Pereira, o que aconteceu.
A maioria não tinha ligações à PIDE, nem o Inocêncio Cani, tendo sido arrastados pelo descontentamento contra a direcção do partido e contra os cabo-verdianos. Mas alguns dos principais conjurados tinham:
- Mário Mamadou Touré (conhecido por Momu) era um antigo preso do Tarrafal; o chefe da delegação da PIDE na Guiné Alberto Matos Rodrigues arranjou-lhe emprego e protegeu-o, afirmando mesmo que esta “Foi uma operação planeada e meteram-no lá” (diz José Pedro Castanheira, na obra atrás referida);
- Aristides Barbosa confessou que, após sair do Tarrafal, foi contactado por um agente da polícia de nome Gonçalves (na altura, havia na Guiné vários agentes de apelido Gonçalves) para trabalhar para a PIDE e que aceitou, pedindo “uma licença para táxi”; disse também que foi recebido por Spínola antes de sair de Bissau;
- João Tomás Cabral, que tinha sido comissário político, tinha correspondência com um informador de Pirada e com o elemento da PIDE em Buruntuma, o agente de 1ª classe Orlindo Martins Jorge Vicente; a sua acção era mentalizar os combatentes para que entregassem as armas porque o PAIGC não conseguiria ganhar a guerra;
- Valentino Cabral Mangana, comandante de Marinha (como Inocêncio Cani), propagandeava que Portugal daria a independência aos negros da Guiné desde que o PAIGC fosse extinto e os cabo-verdianos afastados, pois queria conservar Cabo Verde como uma base de grande importância estratégica para si e os seus aliados.
Claro que houve uma conspiração no interior do PAIGC para pôr termo à hegemonia dos cabo-verdianos. Mas é também evidente que a PIDE teve um papel importante na instigação do golpe. E não actuava à rédea solta. Não me parece que Alpoim Calvão tenha razão quando diz, no seu livro “De Conakry ao M.D.L.P.”, “…a verdade é que não havia a mínima lógica para que as autoridades portuguesas desejassem, em 1973, o assassinato de Amílcar Cabral”. E traz em defesa desta ideia as negociações segundo ele planeadas entre Spínola e Amílcar Cabral para a resolução política da situação na Guiné. Mas esquece-se de dizer que Marcelo Caetano já dissera a Spínola – é o próprio Marcelo que conta nas suas Memórias – que negociar na Guiné nem pensar, antes a derrota militar. E conta Otelo Saraiva de Carvalho, em “Alvorada em Abril”, que o inspector Fragoso Alas (grande amigo de Spínola, até constando que foi esta amizade que fez com que os pides fossem libertados após o 25 de Abril…) lhe terá dito que “os tipos tinham ido longe demais, porque a missão era só raptar e conseguir trazer Amílcar Cabral para Bissau como refém”.





terça-feira, 29 de novembro de 2016

P292 - Operação "INVISÍVEL" 19 de Dezembro de 1967 - Força executante; CART 1742 e CART 1690. Devido a tal, tive que abandonar o corpo do alferes Miliciano Fernandes e retirar.


Documento criado em 2003,  recebido em 2007


Autor: 
António Manuel Marques Lopes, Coronel DFA na situação de reforma.
 (ex Alf. Milº da Cart 1690 - Geba) 
                 
 22. OP. "INVISÍVEL" 19DEC67

              SITUAÇÃO PARTICULAR


Em face das acções realizadas sabe-se que o IN actua no regulado de MANSO MINE onde possui a base de SINCHA JOBEL.

MISSÃO

Executar uma batida nesta região tentando desalojar o IN.


FORCA EXECUTANTE


a) CMDT:- Cap. Mil. Art. Carlos Manuel Ferreira
b) MEIOS;- DEST. "A" - CART. 1742 a 02 GR. COMB.
DEST. "B" – CART 1690 a 02 GR. COMB. ref. c/ 1 PEL.110/C.MIL 3


  


DESENROLAR DA ACÇÃO

Em 1822H00DEC67 (18 Dezembro de 1967, 22,00 horas) as forças intervenientes saíram auto transportadas de GEBA em direcção a SARE GANA, progredindo em seguida apeadamente em direcção a GANHAGINA, que atingiram em 190400DEC67.
Não se pôde efectuar a cambança da bolanha nessa altura, em virtude do guia não conhecer o caminho, para atingir a bolanha pelo que as forças intervenientes se instalaram, montando a devida segurança. Pelas 06H00 as forças intervenientes iniciaram novamente a progressão à bolanha, que atingiram pelas 07H50 hora a que se iniciou a cambança da mesma. 

Nesta altura foram avistados elementos IN em cima de árvores, pelo que se tomaram as devidas medidas de segurança para a travessia da mesma. A cambança terminou às 08H50 iniciando-se em seguida a progressão à base de patrulhas. Cerca das 11H50 fez-se um alto, devido novamente ao guia se ter perdido e precisar de se orientar; Foi destacada 01 Secção reforçada comandada pelo Furriel Miliciano Pombeiro para fazer a protecção ao guia, enquanto a restante força interveniente montava segurança no local de estacionamento.

Às 12H45 iniciou-se novamente a progressão à base de patrulhas que foi atingida às 15H52. Nesta altura ouviram-se vozes de elementos IN, o que levou as forças intervenientes a supor que o IN se encontrava instalado naquele local. Devido a este facto a missão foi alterada e estabeleceu-se que o Dest. B faria o assalto ao objectivo enquanto o Dest. A. faria a detenção do IN. Para o assalto ao acampamento IN o Dest. B nomeou 01 GR. GOMB., o 2º. GR. COMB. faria a protecção ao 1.º» e serviria de reserva.

Estabeleceu-se também o ponto de reunião das forças intervenientes. Quando o 1.º. GR. COMB. comandado por mim (Alf. Milº Marques Lopes) e pelo Alferes Miliciano Lourenço, progredia em direcção do acampamento IN, foi emboscado e surpreendido  por um súbito desencadear de intenso e nutrido fogo IN. Tentou anular-se o mesmo reagindo as NT fortemente.

Como o 1°. GR. COMB. fosse o que nessa altura se encontrasse mais submetido ao fogo IN, veio o 2º. GR. COMB, comandado pelo Alferes Miliciano Fernandes em auxílio do primeiro, mas o mesmo foi atacado pela rectaguarda e, portanto, não pode proteger a retirada do primeiro. Começou também nessa altura o IN a fazer fogo com o MORT. 82, com que abateu o alferes miliciano Fernandes.

Verifiquei que nessa altura já o Dest. B tinha as seguintes baixas: Alferes Miliciano Fernandes, 1º. Cabo Sousa da CART 1742 e que estava a fazer fogo com a ML MG-42, soldado Metropolitano Fragata e um soldado milícia que não consegui identificar além de vários feridos. Procurei trazer o alferes miliciano Fernandes para a rectaguarda e quando o puxava pelos pés, fui surpreendido por um grupo IN, que corriam em direcção aos furriéis milicianos Marcelo e Vaz e em minha direcção gritando que nos iriam apanhar vivos».

Note-se que neste grupo IN avistei elementos brancos os quais usavam o cabelo bastante compridos (a cobrir as orelhas) facto também confirmado pelos já citados furriéis milicianos. Devido a tal, tive que abandonar o corpo do alferes Miliciano Fernandes e retirar.

Quando retirava em direcção ao ponto de reunião, encontrei uma secção da CART 1742, e 4 soldados da minha Companhia (CART 1690) que me informaram ser impossível entrar em contacto com a CART 1742, enviei 5 soldados desta última Companhia a fim de averiguar tal impossibilidade, enquanto se montava a segurança com os restantes elementos.

Logo após esses 5 Soldados regressarem informando-me que a CART 1742 já retirara». Devido a tal e uma vez que o IN já nos estava a envolver, iniciei a retirada em direcção à bolanha. Durante a retirada fomos constantemente perseguidos pelo IN que disparava incessantemente rajadas de armas automáticas ligeiras e metralhadora pesada, além de encontrarmos diversos elementos IN já instalados ao longo do caminho que conduzia à bolanha e que fez com que este grupo tivesse que atravessar a bolanha num local diferente do que inicialmente estava previsto, e que batiam o caminho por onde nos deslocávamos.

Quando atravessamos a bolanha o IN bateu a mesma com granadas de morteiro 82 (algumas das granadas estavam equipadas com espoleta de tempos), rajadas de armas pesadas, ligeiras e rocketadas, tendo o mesmo entrado na bolanha em nossa perseguição, e ainda após concluída a travessia depararam-se-nos alguns elementos IN instalados deste lado da bolanha.

Conseguimos, no entanto, fazer a travessia da mesma e iniciarmos a progressão em direcção a SARE GANÁ, que atingimos às 21H00. Chegamos a SARE GANA, verifiquei que a CART 1742 já aí se encontrava e que faltavam 16 elementos da minha Companhia e 1 elemento da CART 1742.

RESULTADOS OBTIDOS

  Baixas sofridas pelo IN: Mortos confirmados 14

  Numerosas baixas prováveis.

FOTOGALERIA:

Fotos de: António Manuel Marques Lopes, CORONEL DFA








Nota; reflexão explicativa:


Alf. Milº A. Marques Lopes
O Alferes Fernandes, aqui referido (de seu nome Fernando da Costa Fernandes) foi o meu primeiro substituto no comando do meu grupo de combate, depois de eu ser ferido. Foi, depois de ter ficado em Jobel, substituído pelo Alferes Carlos Alberto Trindade Peixoto, o Aznavour, como lhe chamávamos, por gostar de cantar “à Aznavour”, que morreu também em combate em 8 de Setembro de 1968. 

O soldado Fragata (Manuel Fragata Francisco), um alentejano de Aljustrel, do meu grupo de combate, ficou nesta operação. Mas a história toda foi-me contada pelo Luís Cabral (o primeiro presidente da Guiné-Bissau): ficou furado por vários estilhaços de uma rocketada e foi levado, em maca, pelos guerrilheiros desde a mata do Oio até a um hospital de Ziguinchor, na Casamança, Senegal. 

Não foi fácil, como se calcula. Aí, em Ziguinchor, foi tratado pelo Dr. Pádua, um desertor português. Depois desse tratamento foi repatriado pela Cruz Vermelha internacional e foi para o Anexo do HMP, na Rua Artilharia Um, em Lisboa. Diz o Luís Cabral que, com a simplicidade própria daqueles nossos soldados, o Fragata, ao apanhar o avião de regresso, disse: “Obrigado. Graças ao nosso partido – REFERIA-SE AO PAIGC! -, Posso voltar para casa). Infelizmente, o Manuel Fragata Francisco, passado pouco tempo após a saída do Anexo, morreu num desastre de motorizada na sua terra.

Cor DFA A. Marques Lopes, 31OUT2007
Depois desta operação, aquela zona foi considerada ZLIFA (Zona Livre de Intervenção da Força Aérea), isto é, só os T6 e os Fiat é que passaram a voar para lá e despejarem toneladas de napalm sobre a floresta de grandes poilões que rodeavam a clareira de Sinchã Jobel. Sem grande efeito prático, pois as bombas rebentavam no cimo das copas das árvores, deixando praticamente intactas as partes no solo. Terá sido destruída anos mais tarde, mas, segundo sei, mudaram-se para dois quilómetros mais a norte, para o lado de Banjara. 
A táctica da guerrilha era essa, naturalmente. Em 1998, o comandante Gazela, o chefe operacional da zona de Sinchã Jobel, confidenciou-me que, naquele dia 24 de Junho de 1967, eles não se aperceberam que eu tinha ficado na bolanha. Só o souberam dois dias depois, quando o Suleiman Baldé, chefe das milícias de Sare Madina, lhes disse que me tinha emprestado uma bicicleta. Este Suleiman Baldé, embora nas milícias, era do PAIGC e acabou por ser morto mais tarde pelas NT. 

Quando ´consegui sair de Sinchã Jobel, no dia 25, cheguei a essa tabanca de Sare Madina e foi, de facto, o Suleiman Baldé que me emprestou uma bicicleta. E foi de bicicleta que cheguei à sede da companhia, em Geba. Preparavam-se já para enviar para Bissau o meu "desaparecimento em combate". Fui chamado, depois, ao Comando do Agrupamento.

Preocupações deles: o major de operações a primeira coisa que me perguntou é se eu tinha trazido a G3... O tenente-coronel comandante do Agrupamento, Hélio Felgas, mostrou-se preocupado porque eu "tinha passado 24 horas no campo do inimigo"... Que os pariu! Disse-lhes eu. Teve de sorrir e disse-me: "Você, agora, tem aí história para contar num livro...". Não sei quando, mas pode ter a certeza que o farei.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

P291 - David Ferreira de Jesus Costa [David Costa], soldado da CART 1660 (1967/1968), aquartelada em Mansoa, que em 17 de maio de 1967 foi aprisionado na mata circunvolvente ao quartel por grupo de guerrilheiros, e o de Manuel Fragata Francisco [Manuel Fragata], soldado da CART 1690 (1967/1969), sediada em Geba, que ao ficar ferido em combate na “Op Invisível”, realizada em 19 de Dezembro de 1967, na mata do Oio, não lhe permitiu retirar-se do local por ausência de mobilidade própria, sendo igualmente aprisionado. Em ambos os casos os militares portugueses foram levados para a base [Lar/Hospital] de Ziguinchor.

Mais uma vez a publicação de fragmentos relacionadas com as entrevistas dadas pelos médicos cubanos que estiveram na Guiné, entre 1966 e 1969, permitiu-nos abrir outras “janelas” da investigação, alargando não só os nossos conhecimentos, como recuperando outras memórias de cada um dos lados do combate.
Estão neste caso duas deserções de militares metropolitanos do exército português [NT], chegados a Bissau em Abril de 1965, e que decidiram atravessar a fronteira na região Norte (Senegal), apresentando-se, cada um em tempo diferente, ao PAIGC.
É neste contexto que nasce mais este pequeno contributo à causa da Historiografia da Guerra do Ultramar.
Com um forte abraço de amizade. 
Jorge Araújo.

NOV’2016.

FRAGMENTO ANTERIOR COM DATA DE: 21 DE Novembro DE 2016:

GUINÉ
Jorge Alves Araújo, ex-Furriel Mil. Op. Esp./RANGER, CART 3494
(Xime-Mansambo, 1972/1974)
GUINÉ: (D)O OUTRO LADO DO COMBATE
AMÍLCAR CABRAL E OS DESERTORES PORTUGUESES
- OS CASOS DE ARMANDO RIBEIRO E JOSÉ AUGUSTO MOURÃO -

1.   – INTRODUÇÃO
Na elaboração da anterior narrativa [P288], a terceira relacionada com a entrevista ao médico-cirurgião Virgílio Camacho Duverger (1934-2003), foram incluídas referências a casos de deserção de militares das NT, nomeadamente o dr. Mário Moutinho de Pádua, considerado o primeiro oficial desertor da história da Guerra do Ultramar, ocorrida em Outubro de 1961, em Angola [Alf. Mil. Médico do BCAÇ 88].
Decorridos seis anos após essa sua tomada de decisão, o dr. Mário Pádua acabaria por integrar uma equipa de clínicos cubanos em missão de apoio ao PAIGC, primeiro no Hospital Militar, em Boké, na Guiné-Conacri, durante os meses de julho e agosto de 1967, fixando-se depois no Hospital de Ziguinchor, no Senegal.
Referiram-se, ainda, os casos de David Ferreira de Jesus Costa [David Costa], soldado da CART 1660 (1967/1968), aquartelada em Mansoa, que em 17 de maio de 1967 foi aprisionado na mata circunvolvente ao quartel por grupo de guerrilheiros, e o de Manuel Fragata Francisco [Manuel Fragata], soldado da CART 1690 (1967/1969), sediada em Geba, que ao ficar ferido em combate na “Op Invisível”, realizada em 19 de Dezembro de 1967, na mata do Oio, não lhe permitiu retirar-se do local por ausência de mobilidade própria, sendo igualmente aprisionado. Em ambos os casos os militares portugueses foram levados para a base [Lar/Hospital] de Ziguinchor.
Por lapso, associei o nome de David Costa ao de Daniel Alves [militar identificado com dupla deserção] e que fora noticiada por Amílcar Cabral [1924-1973] em nota, por si manuscrita, enviada aos seus camaradas no início de Janeiro de 1969 [P16722].
Da pesquisa realizada para encontrar alguma referência acerca do caso do Daniel Alves, fugido de Dacar no final do ano de 1968, tendo por fonte privilegiada a «Casa Comum – Fundação Mário Soares», ela não produziu qualquer resultado. Porém, tive acesso a outros documentos relacionados com o tema “deserções”, pelo que decidi partilhá-los convosco, elaborando, por ordem cronológica de acontecimentos, mais esta pequena narrativa.
2.   – OS CASOS DE ARMANDO CORREIA RIBEIRO, DA CCAV 789, E DE JOSÉ AUGUSTO TEIXEIRA MOURÃO [Unidade desconhecida]
A referência a estes dois militares metropolitanos que decidiram desertar de unidades do exército português em missão no CTIG foi encontrada em documento, sem data, manuscrito por Amílcar Cabral e que abaixo reproduzimos. Os nomes referidos são:
1.    - Armando Correia Ribeiro, n.º mecanográfico 1919/64, da CCAV 789, com 24 anos de idade, natural de Coimbra, e chegado a Bissau a 28 de abril de 1965.
2.    - José Augusto Teixeira Mourão, n.º mecanográfico 3426/64, unidade militar desconhecida, com 23 anos de idade, natural do Porto, e chegado a Bissau a 6 de abril de 1965. 

Citação:
(s.d.), "Informações relativas a dois militares do exército português", CasaComum.org, Disponível HTTP:http://hdl.handle.net/11002/fms_dc_41210 (2016-11-20)
Instituição:
Fundação Mário Soares
Pasta: 07058.016.013
Título: Informações relativas a dois militares do exército português
Assunto: Informações relativas a dois militares do exército português: Armando Correia Ribeiro e José Augusto Teixeira Mourão.
Data: s.d.
Observações: Documento incluído no dossier intitulado Manuscritos de Amílcar Cabral 1961-1963
Fundo: DAC – Documentos Amílcar Cabral
Tipo Documental: Documentos
Uma vez que não existe no espólio do nosso blogue qualquer elemento historiográfico da CCAV 789, tendente a ajudar-nos a entender as razões ou as motivações que estiveram na origem da deserção do Armando Correia Ribeiro, avançámos para a elaboração do quadro de baixas em combate verificadas nesta unidade durante a sua comissão, com relevância para as respectivas datas
De referir que a CCAV 789, a terceira unidade operacional do BCAV 790 [instalado em Bula], chegou a Bissau a 23 de Abril de 1965 e o regresso à Metrópole verificou-se a 8 de Fevereiro de 1967. As duas viagens foram realizadas a bordo do N/M Uíge. A CCAV 789 esteve aquartelada em Teixeira Pinto e Binar.

Quadro estatístico do autor - Fonte: http://ultramar.terraweb.biz/Convivios_Imagens/BCAV790/BCAv790_osmortos.pdf, (com a devida vénia).
Quanto ao caso do José Augusto Teixeira Mourão, desconhecem-se, igualmente, os antecedentes que o levaram a desertar do exército português, a que se adicionam todos os elementos relacionados com o seu currículo militar [a não ser que o nosso camarada José Martins nos possa ajudar neste âmbito].
No entanto, a primeira referência de que há registo sobre José Augusto data de junho de 1966 e foi relatada pelo médico cubano Domingo Diaz Delgado no primeiro fragmento da sua entrevista [P268].
Recuperamos essa passagem: […] Lilica Boal [Maria da Luz “Lilica” Boal] levou-me a sua casa [em Dacar], aonde permaneci três ou quatro dias até que me dão a conhecer [Junho de 1966] um desertor do exército português, de nome José Augusto [José Augusto Teixeira Mourão], e apresentam-me como admirador do Movimento e que queria participar na guerrilha contra o seu governo. A este ex-militar deram-lhe numerosos detalhes e dizem-lhe que sou cubano. Desde aquele momento não fiquei tranquilo e pedi que me mudassem de casa, pois não confiava naquele homem. Mudam-me para outra moradia, onde fiquei mais um dia. […] O principal trabalho em Sará [base], durante esses meses [Julho a Dezembro de 1966], foi a extração de dentes. Tenho um caderno onde registei a quantidade de pessoas que tratei, incluindo o português desertor [José Augusto] que me apresentaram em Dacar, que depois se confirmou tratar-se de um agente da Inteligência portuguesa. Esse homem permaneceu preso no Norte da Guiné, convivendo connosco nesse acampamento.
Citação:
(1963-1973), "Guerrilheiros do PAIGC, base no interior da Guiné", CasaComum.org, Disponível HTTP: http://hdl.handle.net/11002/fms_dc_43576 (2016-11-20).
Creio que podemos validar, com elevada margem de segurança, que a imagem acima está relacionada com a base de Sará [1966], aonde se vê um cidadão branco, [militar português?] vestido “à civil”, com barba de duas semanas, calçando ténis, e ao seu lado é possível identificar a perna esquerda de um outro corpo, cuja situação deveria ser igual à sua. Daí considerá-los como sendo o José Augusto e o Armando Ribeiro, fazendo fé nas referências produzidas nos vários documentos a seguir identificados.


2.1 – Em 31 de Agosto de 1967: Reunião com os desertores portugueses
Por decisão de Amílcar Cabral foi realizada, na data em título, uma reunião com os dois desertores portugueses, onde foram abordados os seguintes pontos [resumo]:
1.    – Desculpa-se de só agora os ter podido ouvir.
2.    – Fala do significado da deserção. Refere os cuidados que nós [PAIGC] devemos ter também com os desertores. Referiu o caso de um desertor que levado até Dacar fugiu e hoje se encontra em Bissau [será o caso do David Costa?]. Apesar da nossa boa vontade, dos nossos princípios de humanidade, do nosso bom coração, temos de estar vigilantes. Refere os casos de tentativa de fuga, de um deles lá dentro [?] e de outro, de fuga em Dacar, onde se juntou. Diz ainda que os Relatórios mostram contradições nas suas afirmações.
- Mourão (José Augusto) – Chegou a Dacar. Esteve três dias preso. Liberto, foi para o Lar [Ziguinchor?!]. Dois dias depois foi beber uma cerveja com um camarada nosso (Joaquim), numa taberna de um tal Lima (que é Pide). Este pediu-lhe para o ajudar no seu trabalho. Mais tarde conheceu um tal Germano Monteiro (Pide) que o levou à freira. Conversaram na embaixada e fizeram-lhe perguntas. As suas respostas eram comunicadas ao telefone ao embaixador da Suíça. Depois comunicam com a Lilica que, segundo afirma, lhe disse que se quisesse ir para Lisboa esta lhe obteria os papéis [documentos oficiais].
- Amílcar – Esclarece que Lisboa começa mesmo em Dacar com qualquer Pide. Esta pode matar em sua casa o desertor, pode fazer desaparecer o corpo e enviá-lo para Lisboa. Pode também liquidá-lo mesmo na Embaixada ou obrigá-lo à força a sair para Lisboa.
- Lilica Boal – esclarece que é falso o que diz e o que se passou foi o seguinte: afirmou-lhe que se quisesse ir para Lisboa o liquidariam.
Nota: O texto acima corresponde à transcrição da página 1, abaixo reproduzida.
 - Fala Armando [Ribeiro] (desertor) – Conta que foi com dois camaradas nossos longe do Sará [base] para ir beber e que se embebedou. Voltou à base e começou a falar sozinho. Depois, porque estava a dizer coisas sem nexo, um camarada criticou-o pelo que disse. O José Augusto começou a provocá-lo e depois jogaram à pancada. Em consequência disso, aborrecido, saiu da base à noite e depois encontrou um grupo de guerrilheiros que o conduziu à base. Ia às vezes caçar, mesmo sozinho. Outra vez afastou-se para uma Tabanca, tendo depois sido acusado de tentativa de fuga.
- Pergunta de Fidelis (a José Augusto) – Porque mostrou a figura de Amílcar e de outros responsáveis do Partido a um desconhecido que estava numa taberna, cerca da C.R.P. [Casa de Reclusão do Partido?].
- José Augusto – Explicou a coisa.
- Amílcar – Diz que se tratará o problema da melhor maneira possível. Damos-vos comida, tratamo-los bem, damos-lhes dinheiro. Devem ter toda a confiança. Irão conversar com os camaradas Fidelis, Araújo, Vasco e talvez Armando [Ramos]. Diz que podem comunicar com a família.
- PRESENTES – Amílcar Cabral, Aristides Pereira, Vasco Cabral, José Araújo, Fidelis Almada, Armando Ramos, Joseph Turpin, Nino Vieira e Lilica Boal.
Nota: O texto acima corresponde à transcrição da página 2, abaixo reproduzida.

Citação:

(1967), "Reunião com os desertores portugueses", CasaComum.org, Disponível HTTP: http://hdl.handle.net/11002/fms_dc_41297 (2016-11-20)
Instituição:
Fundação Mário Soares
Pasta: 07072.125.007
Título: Reunião com desertores portugueses
Assunto: Apontamentos da reunião com os desertores portugueses. Presentes: Amílcar Cabral, Aristides Pereira, Vasco Cabral, José Araújo, Fidelis Cabral de Almada, Armando Ramos, Joseph Turpin, Nino Vieira e Lilica Boal.
Data: Quinta, 31 de Agosto de 1967
Observações: Documento incluído no dossier intitulado Relatórios VI 1962-1971.
Fundo: DAC – Documentos Amílcar Cabral
Tipo Documental: Documentos



2.2 – Em 5 de Setembro de 1967: Pedido de autorização ao Ministro das Forças Armadas da República da Guiné para envio dos dois desertores do exército português para Argel
Cinco dias após realizada a reunião com os dois desertores portugueses – Armando Ribeiro e José Augusto Mourão – Amílcar Cabral, procurando resolver o problema conforme prometera, solicita, em carta enviada ao Ministro das Forças Armadas da República da Guiné-Conacri [General Lansana Diané (1920-1985)], autorização para o envio daqueles militares para Argel.
Com tradução do francês, eis a sua transcrição na íntegra.
Conacri, 5 de Setembro de 1967
Senhor Ministro das Forças Armadas e do Serviço Cívico
Conacri
Senhor Ministro e caro companheiro de luta.
Depois de termos desencadeado a nossa luta armada de libertação nacional, vários militares portugueses e africanos desertaram das fileiras das tropas coloniais para se juntarem às nossas forças, abandonando, assim, a guerra colonial. A maioria dos desertores portugueses, dos quais obtivemos o melhor acolhimento, juntaram-se com a nossa ajuda aos movimentos antifascistas de Portugal, após terem passado pela República da Guiné. Outros passaram através do Senegal.
Dois militares portugueses, n.º 1919/64, Armando Correia Ribeiro, e n.º 3426/64, José A. [Augusto] Teixeira Mourão, que desertaram das tropas coloniais no Norte do país, foram transferidos para o Sul, encontrando-se presentemente em Conacri. Sujeitos às medidas de segurança necessárias, estes desertores forneceram-nos uma série de informações que considerámos interessantes.
Como os anteriores, gostaríamos de os enviar para a Argélia para inclusão num dos movimentos antifascistas portugueses mais representativo, com o qual temos boas relações.
É por isso que tenho a honra de lhe solicitar nos conceda, por favor, as autorizações necessárias às suas viagens para Argel.
Aceite, Senhor Ministro e caro companheiro de luta, a expressão dos nossos sentimentos de elevada e fraternal consideração.
P’ Bureau Político do P.A.I.G.C.
Amílcar Cabral
Secretário-Geral
Citação:

(1967), Sem Título, CasaComum.org, Disponível HTTP: http://hdl.handle.net/11002/fms_dc_35016 (2016-11-20)
Instituição:
Fundação Mário Soares
Pasta: 04606.045.134
Assunto: Solicita autorização junto das autoridades de Conakry para enviar dois desertores do exército português para Argel.
Remetente: Amílcar Cabral, Secretário-Geral do PAIGC.
Destinatário: Ministro das Forças Armadas e do Serviço Cívico, Conakry
Data: Terça, 5 de Setembro de 1967
Observações: Documento incluído no dossier intitulado Cartas e textos dactilografados enviados por Amílcar Cabral 1960-1967
Fundo: DAC – Documentos Amílcar Cabral
Tipo Documental: Correspondência
Para além do escrutínio aos documentos supra, nada mais relevante foi encontrado, pelo que continuará incógnito o que terá acontecido, a partir de 5 de Setembro de 1967, na vida de cada um dos nossos dois camaradas, a não ser que, entretanto, surjam novos desenvolvimentos.
Vamos acreditar que tal possa acontecer.

Obrigado pela atenção.
Um forte abraço de amizade com votos de muita saúde.
Jorge Araújo.
25NOV2016.

Vd. Posts: Por António Manuel Marques Lopes, ex. Alf. Milº  da CART 1690, actualmente, Coronel DFA na situação de reforma: 

18FEV2011 - http://cart3494guine.blogspot.pt/2011/02/p93-op-inquietar-i-e-inquietar-ii.html

21FEV2011 - http://cart3494guine.blogspot.pt/2011/02/p94-rtp-2-artigo-37.html