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quinta-feira, 12 de novembro de 2009

P44 - Os mortos da Companhia de Artilharia 3494





Foto de: Humberto Reis, cartógrafo-mor do blogue: "Luís Graça & Camaradas da Guiné" http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/

Do site "Guerra do Ultramar" http://ultramar.terraweb.biz/Convivios_Imagens/CART3494/CART3494_osmortos.pdf
info: LC123278 - Guiné 1971/74

Aparece um documento, onde, e ao contrário do que muita gente pensa, não foram 4 camaradas mortos ou desaparecidos e acidentados, conforme as circunstâncias, mas sim! 8 homens ligados todos à CART 3494/BART3873

Sendo eles:

MANUEL DA ROCHA BENTO
Freg. (naturalidade): Galveias
Concelho: Ponte de Sor.
Posto: Furriel Miliciano
Un. OP: CART3494/BART3873
Data: 22-04-1972
Local de sepultura: Galveias (morto em combate)

ABRAÃO MOREIRA ROSA
Freg (naturalidade): Aguçadoura
Concelho: PÓVOA DE VARZIM
Posto: Soldado
Un. OP: CART3494/BART3873
data: 10-08-1972
Local Sepultura: não reconhecida (morto/desaparecido)

JOSÉ MARIA DA SILVA E SOUSA
Freg. (naturalidade) Trofa Velha - Bougado (Santiago)
Posto: Soldado
Un. OP: CART3494/BART3873
Data: 10-08-1972
Local Sepultura: Bambadinca

sepultura em Bambadinca do José M. S. Sousa
[Agosto 1972]
Foto de: ex. 1º cabo auto -
Abílio Soares Rodrigues




Estado em que está a sepultura do J. Sousa, em Bambadinca, do filme "A Dor Adormecida" exibido na RTP em 20 de Setembro de 2006



MANUEL SALGADO ANTUNES
Naturalidade: Quimbres, São Silvestre
Concelho: COIMBRA
Posto: Soldado
Un. OP: CART3494/BART3873
Data: 10-08-1972
Local de Spultura: não reconhecida (morto/desaparecido)

MUSSA CANDÉ
Freg. (naturalidade): Darsalame - Xitole
Concelho: Bafatá
Posto: Soldado Milícia
Un. OP: Pelotão de Milícias 308/CART3494
Data_ 11-07-1973
Local de Sepultura: Mansambo

MUFAMARÁ SANÉ
Freg. (naturalidade): Cambana - Bambadinca
Un. OP: Pelotão de Milícias 309/CART3494
Data_ 07-03-1972
Local de Sepultura: Não conhecida

DICOR EMBALÓ
Freg. (naturalidade): Aliu Zai - Bambadinca
Concelho: Bafatá
Posto: Soldado Milícia:
Un. OP: pelotão de Milícias 309/CART3494
Data: 19-07-1972
Local de Sepultura: não reconhecida

BLAQUE NANAU
freg. (naturalidade) Calacunda - Porto Gole
Concelho: Mansoa
Posto: soldado milícia
Un. OP: pelotão de Milícia 310/CART3494
Local de Sepultura: Enxalé
Local sepultura: não conhecida

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

P43 - COMPARAÇÂO da G3 e AK47 (Kalashnikov) por: Mário Dias ex. Sargento Comando - Guiné 1963/66

MSG de: Afonso M. F. Sousa [afonso.sousa@netvisao.pt] com data de Novembro de 2009, com um tema de autoria do Sargento-comando Mário Dias que prestou serviço na Guiné em 1965/66 "Comparação da nossa espingarda G3 e a HK47 do PAIGC. 
Nota: fotos do autor retiradas do  http://blogueforanadaevaotres.blogspot.pt/ com a devida vénia.


Texto de Mário Dias:


JUN2006
1965
Na Guerra do Ultramar, a espingarda automática dos portugueses era a alemã G3, enquanto que a espingarda dos nossos opositores era a russa AK47 (*).

(*) também conhecida por “Kalashnikov” (nome do seu inventor, um oficial russo)
É muito vulgar e frequente tecerem-se comentários depreciativos à espingarda G3, quando comparada à AK47. Em minha opinião, nada mais errado. Analisemos, à luz das características de cada uma e da sua utilização prática, os prós e contras verificados durante a guerra em que estivemos empenhados em África:


Comprimento: G3 - 1020mm; AK47 - 870mm
Peso com o carregador municiado: G3 - 5,010Kg; AK 47 – 4,8Kg
Capacidade dos carregadores: G3 – 20 cartuchos; AK47 – 30 cartuchos
Alcance máximo: G3 – 4.000m; AK47 – 1.000m
Alcance eficaz (distância em que pode pôr um homem fora de combate se for atingido):
G3 – 1.700m; AK47 – 600m
Alcance prático: G3 – 400m; AK 47 – 400m


Passemos então a comparar.


No comprimento e peso a AK47 leva alguma vantagem. A capacidade dos carregadores, mais 10 cartuchos na AK47 que na G3, será realmente uma vantagem?


Se, por um lado, temos mais tiros para dar sem mudar o carregador, por outro lado esse mesmo facto leva-nos facilmente, por uma questão psicológica, a desperdiçar munições. E todos sabemos como o desperdício de munições era vulgar da nossa parte apesar de os carregadores da G3 serem de 20 cartuchos.


O usual era, infelizmente, “despejar à balda” sem saber para onde nem contra que alvo. Sem pretender criticar a maneira de actuar de cada um perante situações concretas, eu, durante todas as acções de combate em que participei ao longo de 4 comissões, o máximo que gastei foi um carregador e meio (cerca de 30 cartuchos). Por tal facto, em minha opinião, a dotação e capacidade dos carregadores da G3 é mais que suficiente, além de que os próprios carregadores são mais maneirinhos e fáceis de transportar que os compridos e curvos carregadores da AK47.


Também quanto ao poder balístico, a G3 leva vantagem pois, embora na guerra em matas e florestas seja difícil visar alvos para além dos 100/200 metros, tem maior potência de impacto e perfuração sendo a propagação da onda sonora da explosão do cartucho muito mais potente na G3, o que traz uma maior confiança a quem dispara e muito mais medo a quem é visado. A G3 a disparar impõe muito mais respeito.


Porém, os principais motivos que me levam a preferir a G3 à AK47 (creio que a fama desta última é mais uma questão de moda) são as que a seguir vou referir ilustradas, dentro das possibilidades, com gravuras:
"G3"

"AK 47"



Deixem-me, então, começar a vender o meu peixe em louvor da G3. Todos sabemos a importância do silêncio e da rapidez de reacção numa guerra de guerrilha e de como o primeiro a disparar leva vantagem.

Normalmente o combatente numa situação de contacto possível em qualquer lado e a qualquer momento leva geralmente a arma com um cartucho introduzido na câmara e em posição de segurança. Eu e o meu grupo tínhamos bala na câmara e arma em posição de fogo desde a saída à porta de armas do aquartelamento até ao regresso e nunca houve um único disparo acidental. Mas, partindo do princípio que nem todos teriam o treino necessário para assim procederem, a arma iria então com bala na câmara e na posição de segurança.

Quando dois combatentes se confrontam, o mais rápido e silencioso tem mais possibilidades de êxito e, nesse aspecto, a G3 tem uma enorme vantagem sobre a AK47. Talvez poucos se tivessem dado conta dos pequenos pormenores que muitas vezes são a diferença entre a vida e a morte.

Um caso concreto:

Vou por um trilho no meio do mato e surge-me de repente um guerrilheiro. Levo a arma em segurança e tenho rapidamente de a colocar em posição de fogo. Do outro lado o guerrilheiro terá de fazer o mesmo. Em qual das armas esta operação é mais rápida e fácil? Sem dúvida alguma na G3.

Se olharmos para as gravuras observamos que na G3, levando a arma em posição de combate, à altura da anca com a mão direita segurando o punho dedo no guarda mato pronto a deslizar para o gatilho, utilizando o polegar sem tirar a mão do punho com toda a facilidade e de forma silenciosa passo a patilha de segurança para a posição de fogo e disparo.

E o portador de AK47? Sendo a alavanca de comutação de tiro do lado direito da arma e longe do alcance da mão terá que, das duas uma: ou larga a mão do punho para assim alcançar a alavanca de segurança ou então tem que ir com a mão esquerda efectuar essa manobra. Em qualquer das soluções, quando a tiver concluído já o operador da G3 terá disparado sobre ele.

Suponhamos agora que o homem da G3 vê um guerrilheiro e não é por este detectado. A passagem da posição de segurança à posição de fogo, além de rápida, é silenciosa pois a patilha de segurança é leve a não faz qualquer ruído ao ser manobrada. O guerrilheiro não se apercebe de qualquer ruído suspeito e mais facilmente será surpreendido. Ao contrário, um guerrilheiro que me veja sem que eu o veja a ele e tenha que colocar a sua AK47 em posição de fogo para me atingir, de imediato me alerta para a sua presença pois a alavanca de segurança dá muitos estalidos ao ser accionada. Assim, não é tão fácil a um portador de AK47 surpreender alguém a curta distância.

Outro caso concreto:

Todos certamente estaremos recordados de quantos vezes era necessário combinar o fogo com o movimento nas manobras de reacção a emboscadas ou na passagem de pontos sensíveis. Nessas ocasiões, em que fazíamos pequenos lanços em corrida para rapidamente atingirmos um abrigo para o qual nos teríamos de lançar de forma a ficarmos automaticamente em posição de podermos fazer fogo (a chamada queda na máscara), a G3, devido à sua configuração era de grande ajuda pois, não tendo partes muito salientes em relação ao punho por onde a segurávamos, (o carregador está ao mesmo nível) permitia que de imediato disparássemos com relativa eficácia.

E a AK47? Reparem bem naquele carregador tão comprido e saliente do corpo da arma. Como fazer manobra idêntica? Impossível. Mesmo colocando a arma com o carregador paralelo ao solo para facilitar a “aterragem”, isso faz com que tenhamos que perder tempo a corrigir a posição de forma a estarmos aptos a disparar. E em combate cada segundo é a diferença entre a vida e a morte.

Um defeito geralmente apontado à G3 é que encravava facilmente com areias e em condições adversas.

Quero aqui referir que ao longo dos muitos anos da minha vida militar, tanto em combate como em instrução ou nas carreiras de tiro, tive diversas armas G3 distribuídas e nunca nenhuma se encravou. A G3 possui de facto um ponto sensível que poderá impedir o seu funcionamento se não for tomado em conta. Trata-se da câmara de explosão, onde fica introduzido o cartucho para o disparo, que tem uns sulcos longitudinais (6 salvo erro)* destinados a facilitar a extracção do invólucro. Acontece que se esses sulcos não estiverem limpos e livres de terra ou resíduos de pólvora não se dá a extracção porque o invólucro fica como que colado às paredes da câmara. Se houver o cuidado em manter esses sulcos sempre livres de corpos estranhos nunca a G3 encravará. Outra coisa que poderá levar a um mau funcionamento é as munições estarem sujas ou com incrustações de calcário ou verdete.

Nós tínhamos por hábito, como forma de prevenir este inconveniente, untarmos as mãos com óleo de limpeza de armamento, para esfregarmos as munições na altura de as introduzirmos nos carregadores. E resultou sempre bem.

São pequenos pormenores que deveriam ter sido ensinados na recruta mas, pelos vistos, nem sempre havia essa preocupação bem como muitas outras que foram, a meu ver, causa de algumas (muitas) mortes desnecessárias.

CONCLUSÃO

Depois de passados tantos anos sobre a guerra, continuo fã incondicional da G3. Se voltasse ao passado e as situações se repetissem, novamente preferia a G3 à HK47.
__________
Mário Dias

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

-P42 - CART 1746 1967/69 Bissorá, Ponta do Inglês e Xime

O Manuel Vieira Moreia foi 1º cabo mecânico auto, esteve em Bissorá, Xime e Ponta do Inglês, entre 1967/69 onde escreveu a 'canção da fome' pertenceu à CART 1746, encontrou-me no blogue http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/ e temos trocado algumas mensagens. Reside na zona de ÁGUEDA. Portanto temos aqui o nosso "avozinho".
Convém referir que a Ponta do Inglês antes de pertencer ao PAIGC (Partido Africano Independência Guiné e Cabo Verde), foi destacamento nosso, supostamente, a partir do ano 1965, tendo sido abandonado pelas nossas tropas em Novembro de 1968.


CANÇÃO DA FOME

Estamos num destacamento,
A favor de sol e vento,
Na Ponta do Inglês .
Não julguem que é enorme
Mas passamos muita fome,
Aos poucos de cada vez.

A melhor refeição
Que nos aquece o coração,
É de manhã o café;
Pão nunca comi pior
Nem café com mau sabor
Na Província da GUINÉ.

Ao almoço atum a rir
E um pouco de piri-piri,
Misturado com Bianda,
E sardinha p´ró jantar
E uma pinga acompanhar
Sempre com a velha manga.

Falando agora na luz
Que de noite nos conduz
As vistas par' ó capim:
Se o gasóleo não vem depressa,
Temos Turras à cabeça,
Não sei que será de mim.

Quando o nosso coração bole,
Passamos tardes ao Sol
Junto ao Rio, a esperar
De cerveja p'ra beber
E batatas p'ra comer
Que na lancha hão-de chegar.

A fome que aqui se passa
Não é bem p'ra nossa raça,
Isto não é brincadeira
E com isto eu termino
E desde já me assino

...MANUEL VIEIRA MOREIRA.



Ponta do Inglês 1967




XIME 1968

Junto ao "OBUS 10,5"
Tabanca do XIME 1968
Manuel Vieira no XIME 1968

P 41 - A classificação das mensagens (TRMS)


TRMS

Chave de Morse
Bom! Vou tentar resumir o significado do 
grau de procedência e a classificação das mensagens (MSG)
Há quatro tipos de grau de procedência e grau de segurança, ou seja:

Grau de procedência:
 Relâmpago (ZULU)
Imediato (OSCAR)
Urgente (PAPA) 
Rotina (ROMEO)



- Relâmpago (Z): quer dizer que uma msg deste tipo ao ser apresentada para expedição ultrapassa todas as outras que estiverem à frente. Interrompem a transmissão de uma outra msg de grau inferior.
- Imediato (O): Serão transmitidas antes das msg urgentes.
- Urgente (P): Serão transmitidas antes das de Rotina.
- Rotina (R) é uma msg que pode ser transmitida até no dia seguinte ao dia da recepção.



Grau de Segurança
Emissor/Receptor: AN-GRC-9
Quanto ao grau de segurança, temos dois tipos: Mensagens não classificadas e mensagens classificadas, estas divididas em quatro tipos de classificação:
- Muito secreto
- Secreto
- Confidencial
- Reservado
O grau de segurança a atribuir às mensagens é da exclusiva responsabilidade do remetente e a única consequência dessa classificação para as transmissões reside em a mensagem ser ou não ser transformada em linguagem secreta (codificada).
Espero ter contribuído de alguma forma para o significado de alguns procedimentos sobre transmissões.

Na guerra colonial na Guiné o meio mais usual para comunicar era transmissão em grafia (código morse) ou fonia (falado). Não havia outra forma senão esta, para além da comunicação escrita.
Sousa de Castro no seu posto de trabalho


Sousa de Castro ex. 1º cabo radiotelegrafista

P-40 - PERCURSO DE AMÍLCAR CABRAL ATÉ À FUNDAÇÃO DO "PAIGC"

GAZETA DO RACIONALISMO CRISTÃO



Amílcar Lopes Cabral

(Presidente Astral da Filial Avenida da Holanda do Racionalismo Cristão, São Vicente, Cabo Verde)
Amílcar Lopes Cabral nasceu em 12 de setembro de 1924 em Bafatá, na Guiné, filho de Juvenal Lopes Cabral e de Iva Pinhel Évora.

Aos 12 anos de idade junta-se ao pai, que nessa altura já havia regressado a Cabo Verde, e efetua os seus estudos primários na Rua Serpa Pinto, na Praia. Seguidamente inscreve-se em São Vicente no liceu Infante D. Henrique onde termina os estudos liceais em 1944, classificado como o melhor aluno. Ainda na sua juventude, Cabral evidenciava já uma especial avidez pela percepção do mundo que o rodeava, fato que se espelhava nos seus dotes de poeta e de escritor. Os seus sentimentos nacionalistas eram vistos com reprovação pelas autoridades coloniais.



O jovem Amílcar

A casa onde viveu em Santa Catarina

Em 1945, Cabral é um dos primeiros jovens das colónias portuguesas a ser contemplado com uma bolsa para frequentar os estabelecimentos de ensino superior em Portugal e matricula-se no Instituto Superior de Agronomia em Lisboa. A vida de estudante constituiu uma oportunidade para aprofundar o seu sentimento progressista anti-colonial, participando activamente nas actividades estudantis clandestinas que se desenvolviam à volta da Casa dos Estudantes do Império e da Casa de África; foi aí que veio a conhecer Marcelino dos Santos, Vasco Cabral, Agostinho Neto, Eduardo Mondlane e outros estudantes que viriam a ser futuros líderes dos movimentos de libertação.

Estando de férias em Cabo Verde, em 1949, Cabral participa na Rádio-Clube elaborando um conjunto de programas de índole cultural que logo são interditados pelas autoridades, devido à sua mensagem nacionalista que era bem acolhida sobretudo no seio dos jovens.

Regressando a Lisboa para continuar os estudos, Cabral retoma as suas actividades políticas, com os estudantes africanos, não obstante a vigilância cerrada e as ameaças cada vez mais insinuantes da polícia política portuguesa, a PIDE (Polícia Internacional e de Defesa do Estado).

Em 1952 Cabral terminou o curso e casou-se com Maria Helena Atalaide Vilhena Rodrigues.

Cabral, estudante

Com colegas de curso em Portugal

No início de 1953 Cabral é colocado como engenheiro agrónomo na Guiné-Bissau, para trabalhar na estação agrária experimental de Pessubé. Ele aproveita-se então da sua actividade profissional para percorrer a Guiné de ponta a ponta e adquirir um bom conhecimento do terreno bem como da constituição social das suas populações; é Cabral quem realiza o primeiro recenseamento agrícola dessa colónia portuguesa.

Depois de ter militado durante cerca de um ano no MING (Movimento de Libertação Nacional da Guiné), Amílcar Cabral decide fundar o PAIGC (Partido Africano da Independência da Guiné e Cabo Verde), a 19 de Setembro de 1956.

Um ano mais tarde, Amílcar Cabral foi trabalhar em Angola e aí participou também na criação do MPLA (Movimento Popular de Libertação de Angola) em Luanda, tendo desenvolvido uma intensa actividade na mobilização de jovens angolanos para a luta contra a dominação colonial.

Em Dezembro de 1957, Cabral viaja para Paris onde se encontra com Marcelino dos Santos, da FRELIMO (Frente de Libertação de Moçambique), e com Lúcio Lara, Mário de Andrade e Viriato da Cruz, do MPLA. Juntos resolvem então realizar a primeira reunião de concertação entre os movimentos de libertação das colónias portuguesas, na qual decidem cooperar em actividades conjuntas no campo internacional e criar em Lisboa um centro que coordenaria as acções entre esses movimentos. Na sequência dessa reunião, Cabral ao regressar de Paris passa por Lisboa onde mobiliza os estudantes nacionalistas africanos para criarem o MAC (Movimento Anti Colonialista), primeira organização clandestina formada em Portugal por estudantes oriundos das colónias portuguesas.

Cabral desenvolve nessa altura uma série de contctos visando buscar apoios externos para a luta contra a dominação colonial.

Depois do massacre de Pidjiguiti realizado em Bissau pelas forças coloniais de repressão, a 3 de Agosto de 1959, ele resolve regressar à Guiné-Bissau onde reúne a direcção do PAIGC para analisar a situação da luta no país. Fica então decidido que o PAIGC deveria dar atenção prioritária à mobilização das populações rurais, com vista à preparação de condições para a passagem à luta armada, já que a repressão colonial havia demonstrado não admitir nenhuma veleidade de contestação legal ao sistema.

Em 1960, Cabral decide fugir com os seus companheiros para a Guiné-Conakry onde passaria a ficar instalada a sede do PAIGC. A partir desse país ele trabalha ativamente nos preparativos para o reforço do PAIGC e o arranque da luta armada de libertação nacional.

Em Abril de 1960, em Casablanca, ele participa na criação da Conferência das Organizações Nacionalistas das colónias Portuguesas - CONCP.

Durante cerca de três anos Amílcar Cabral desenvolve uma intensa actividade de mobilização das populações no interior da Guiné, ao mesmo tempo que, no campo internacional desenvolve contactos para a obtenção dos apoios indispensáveis para a passagem a uma nova fase de luta.

A 23 de Janeiro de 1963 inicia-se a luta armada na Guiné-Bissau.

Revelando-se um homem de grande capacidade intelectual e dotado de uma firme convicção na luta pela liberdade e a justiça social, Amílcar Cabral dedicou todos os seus esforços em prol da independência dos povos da Guiné e de Cabo Verde. De forma genial ele conseguiu conjugar os sucessos que se iam alcançando no terreno da luta militar na Guiné e no da luta política clandestina em Cabo Verde, com o desenvolvimento de uma acção diplomática que ele pessoalmente conduziu da forma mais eficaz.

Vários acontecimentos cruciais durante os anos da luta de libertação nacional constituem hoje datas marcantes da história de Cabo Verde cuja ocorrência se deve fundamentalmente à acção incansável de Amílcar Cabral. De entre eles podemos destacar:

• a elaboração em 1965 das "Palavras de Ordem" do PAIGC destinadas aos combatentes;
• o juramento de fidelidade realizado a 15 de Janeiro de 1967, pelo primeiro grupo de 30 cabo-verdianos que receberam formação militar, com vista à preparação para a luta em Cabo Verde;
• a realização do Seminário de Quadros do PAIGC, em 1969;
• o reconhecimento do PAIGC pelas mais altas instâncias internacionais;
• o encontro do Papa em Roma, com os dirigentes dos movimentos de libertação das colónias portuguesas, em 1972;
• a preparação da independência da Guiné-Bissau.

Devido ao sucesso inquestionável que a sua acção vinha conseguindo, fazendo com que o sistema colonial português se sentisse cada vez mais desesperado no plano interno e mais isolado no plano internacional, Amílcar Cabral foi barbaramente assassinado a 20 de Janeiro de 1973, por agentes a soldo do colonialismo.
FONTE:

Http://www.racionalismo-cristao.org.br/gazeta/biograf/amilcar-lopes-cabral.html

Com a devida vénia!...

P-39 O NÚMERO DE EFECTIVOS DO PAIGC (Partido Africano independência Guiné e Cabo Verde)


De acordo com o livro Guerra Colonial: Angola, Guiné, Moçambique (Lisboa: Diário de Notícias, s/d), da autoria de Aniceto Afonso e Carlos de Matos Gomes, e com base em estimativa do comando militar português, em 1971, os efectivos do PAIGC empenhados na luta pela independência eram assim constituídos:

Efectivos por unidade:

- bigrupo: 38/44 unidades
- bigrupo reforçado: 70 unidades
- grupo de artilharia: 50 unidades
- grupo de canhões/morteiros: 23 unidades
- grupo de foguetões/antiaéreos: 16 unidades

Efectivos por regiões:

Inter-Região Norte:

- Frente S. Domingos/Sambuiá: 630 unidades
- Frente CanchungoBiambe: 760 unidades
- Frente Morés/Nhacra: 680 unidades
- Frente Bafatá/Gabu Norte: 730 unidades

Inter-Região Sul:

- Frente Bafatá/Gabu Sul: 200 unidades
- Frente Bafatá/Xitole: 160 unidades
- Frente Buba/ Quitafine: 1230 unidades
- Frente do Quínara: 560 unidades
- Frente de Catió: 370 unidades.

Além destes efectivos, que totalizavam 5500 elementos para o Exército Popular, há que acrescentar cerca de 2000 milícias, 900 a 1000 em cada inter-região [Ou seja, o PAIGC não teria mais do que 7500 homens em armas].

O PAIGC, atendendo à taxa de natalidade e mortalidade existente, podia aumentar os seus efectivos em cerca de 5000 combatentes, valendo-se somente das populações controladas.

Sousa de Castro