Total visualizações de páginas, desde Maio 2008 (Fonte: Blogger)

Mostrar mensagens com a etiqueta luís graça e camaradas da guiné. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta luís graça e camaradas da guiné. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

P167 - No Xime também havia crianças felizes



CCAÇ12 1969/71
1. Ao visitar o Blogue da «Tabanca Grande» reencontro duas mensagens com data de Maio 2005, do José Carlos Mussá Biai, que curiosamente foi no nosso tempo em que estivemos no Xime (1972), um menino que frequentava a escola que era ministrada pelo nosso amigo Ex. Fur. Milº Enf. José Luís Carvalhido da Ponte (mésinho) que transcrevo com a devida vénia;

2. O José Carlos vive em Portugal, é eng. Florestal, exerce funções no Instituto Geográfico Português. Por outro lado, gostaria de saber se o J. Carlos Biai alguma vez reencontrou ou contactou o seu Prof. Carvalhido da Ponte;

SC

Ricardo Teixeira com os meninos no Xime
3.  Msg de Ricardo Teixeira da CART 3494 (Bazuqueiro) com data de 06JAN2013, que tendo lido este post. se lembrou de uma foto tirada com os meninos do Xime que andavam na escola, quiçá estará também o nosso José Carlos Mussá Biai;

Amigo Castro,
Eu li no nosso blogue um comentário, que Jose Carlos Mussá Biai, era natural do Xime. E que foi
Aluno do nosso furriel  (mézinho) nos anos 1972.Teria 10,11 anos quando nós estava-os no Xime.
Aqui vai uma foto que eu tirei em frente à escola do Xime com os alunos desse tempo.
Nunca se sabe se ele está aqui nesta foto.
Se isso for verdade, são dois a ficar contentes: (ele e eu).
Um abraço deste amigo,
Ricardo Teixeira

4. O nosso amigo Ricardo Teixeira, é natural de Leomil, concelho de Moimenta da Beira, é imigrante em França, na Localidade de SALON DE PROVENCE.


XIME 1972
09 Maio 2005
Guiné 69/71 - XV: No Xime também havia crianças felizes (1) 
1. Recebi na sexta-feira passada, dia 6 de Maio, uma mensagem que me comoveu e que, ao mesmo tempo, me deixou orgulhoso enquanto tuga. Passo a transcrevê-la:

"Dr. Luís Graça

"Desculpe-me roubar o seu precioso tempo, mas tomei a liberdade de lhe enviar este e-mail, porque estive a ler o seu blogue e vi que você cumpriu o serviço militar na minha terra, Xime, e logo nas companhias que marcaram a minha infância, CART 2715 e CART 3494. Isso porque há alguém que me ficou na memória para sempre por ter sido meu professor na única escola que lá havia, a PEM (Posto Escolar Militar) nº 14, e de nos ter feito crianças felizes. Essa pessoa é de Viana de Castelo, era furriel [miliciano] enfermeiro, de nome José Luís Carvalhido da Ponte.

Gostava de falar mais consigo, caso tenha tempo e disponibilidade para me aturar.
Os meus cumprimentos, José Carlos Mussá Biai."


José C. Mussá Biai 
Engº Florestal
Instituto Geográfico Português (IGP)
Departamento de Conservação Cadastral (DCC)
Tel. 213819600 Ext. 310
Fax. 213819693

2. Eis a minha resposta, com data de hoje:

"José Carlos: Só hoje de manhã li a sua mensagem. Deixe-me confessar-lhe que me comoveu mas ao mesmo tempo também me deixou uma pontinha de orgulho. Você não é dos guinéus que diabolizam os tugas (o termo depreciativo que, como deve estar lembrado, era utilizado pelos guineenses, em geral, para se referirem aos portugueses que ocupavam a vossa terra). Penso que esse tempo, em que as coisas eram vistas a branco e preto, já passou. O tempo dos ressentimentos já passou. As histórias e as estórias são sempre muito mais compridas e complicadas do que o tempo que a gente tem para as escrever e contar… Além disso, o meu país e o meu povo estão reconciliados um com o outro, e também com a Guiné e com os guineenses, os quais de resto continuam a ter um lugar especial no nosso coração de tugas.

"Dito isto, eu fico muito orgulhoso por saber que você era um menino do Xime, no meu tempo de furriel miliciano da CCAÇ 12 (Maio de 1969-Março de 1971), e que foi um outro furriel miliciano, enfermeiro, José Luís Carvalhido da Ponte, tuga, minhoto de Viana do Castelo, que o ajudou a aprender a língua de Camões, e que fez de si uma criança feliz. De si e de outras crianças do Xime. A sua mensagem revela uma grande sensibilidade humana, além da gratidão por um homem que, nas horas vagas da guerra, ensinava os meninos da Guiné.

"Claro que eu terei tempo e muito gosto em falar consigo, e daí deixar-lhe os meus contactos. O mais simples é indicar-me o seu número de telefone. Procurei contactá-lo rapidamente. E, se mo permitir, vou pôr o seu nome e o seu endereço de e-mail na minha lista de contactos de pessoas que, por uma razão ou outra, estão ligadas ao triângulo Xime-Bambadinca-Xitole no tempo da guerra colonial. Veja a minha página sobre os Subsídios para a História da Gerra Clonial> Guiné.

"Devo esclarecê-lo que eu não pertenci à CART 2715 nem à CART 3494. Sou mais velho do que os elementos destas companhias. Mas metade da minha comissão passei-o em contacto frequente com a CART 2715 que estava sedeada no Xime. Os camaradas da CART 3494 (que chegou ao Xime por volta de Janeiro de 1972) já não os conheci, mas eles continuaram a trabalhar com a CCAÇ 12 (que era formada por praças africanas, oriundas do chão fula, e em especial dos regulados de Xime, Corubal, Badora e Cossé; todos eles eram fulas ou futafulas, à excepção de um mancanhe, que era natural de Bissau; havia ainda dois mandingas).

"Vou pô-lo em contacto com duas pessoas desse tempo:

(i) o Sousa de Castro (o ex-1º cabo radiotelegrafista Castro, que pertencia à CART 3494, e que curiosamente também é natural de Viana do Castelo, ou vive e trabalha lá);

(ii) o David J. Guimarães, ex-furriel miliciano da CART 2716, aquartelada no Xitole, e do mesmo batalhão da CART 2715, o BART 2917). O seu professor primário, José Luís Carvalhido da Ponte, deve ter pertencido à CART 2715 ou à CART 3494 (que, por sua vez, estava integrada no BART 3873).

"Presumo que o José Carlos queira encontrar, contactar ou obter o contacto do seu mestre de escola. Talvez estes dois nossos amigos o possam ajudar. Eu, pessoalmente, não conheço nem me lembro desse furriel miliciano enfermeiro. Um ciber-abraço. LG."

3. Fiquei hoje a saber, pelo endereço de e-mail e por uma pesquisa rápida na Net, que o José Carlos Mussa Biai trabalha no Intituto Geográfico Português e é co-autor de um ou mais trabalhos de investigação na área de engenharia florestal onde se formou, relacionados com o seu país de origem.



10 Maio 2005
Guiné 69/71 - XVI: No Xime também havia crianças felizes (2) 
Tabanca do Xime 1972
1. Acabei de falar com o José Carlos Mussá Biai: nasceu em 1963, no Xime, e era menino no tempo em que por lá passaram a CART 2715 e a CART 3494. Era menino no tempo em que eu estive no Sector L1 da Zona leste, correspondente ao triângulo Xime-Bambadinca-Xitole.

Sei que, até ao fim da guerra, ele, a família e os vizinhos da sua tabanca sofreram muitos ataques. Uma família inteira, perto da sua morança, morreu. A sua infância não foi fácil. A vida também não foi fácil para a população civil, de etnia mandinga, que ficou no Xime.

2. Em contrapartida, também houve algumas coisas boas. Por exemplo, o furriel miliciano enfermeiro  José Luís Carvalhido da Ponte, natural de Viana do Castelo, foi alguém especial na sua vida e na vida dos outros meninos do Xime. Foi seu professor primário na única escola que lá havia, a PEM (Posto Escolar Militar) nº 14. O Mussá Biai também teve como professor, depois da CART 3494 ter ido para Mansambo, o furriel Osório, da CCAÇ 12, que dava aulas no Posto Escolar Militar nº 14, juntamente com a esposa.

Em suma, o menino Mussá Biai fez a sua instrução primária debaixo de fogo. Um dos seus irmãos, o Braima, era guia e picador das NT. Tal como o Seco Camarà que morreu ingloriamente na Operação Abencerragem Candente, no dia 6 de Novembro de 1970, perto da Ponta do Inglês, no regulado Xime. O seu corpo foi resgatado por mim e pelos meus homens. Os restos humanos do mandinga Seco Camará, guia e picador das NT, morto à roquetada, foram transportados pelos meus soldados, fulas, para a sua tabanca do Xime. O José Carlos, embora menino, de sete anos, lembra-se perfeitamente deste trágico episódio em que os tugas do Xime tiveram cinco mortos, além do Seco Camarà.

O seu pai, um homem grande mandinga do Xime, era o líder religioso da comunidade muçulmana local. A família teve problemas depois da independência devida à colaboração com as NT. Depois dos tugas sairem, o José Carlos foi para Bissau fazer o liceu. Tinham-lhe prometido uma bolsa, se trabalhasse dois anos como professor para as novas autoridades da Guiné-Bissau. Ficou cinco anos como professor, até decidir partir para Lisboa e lutar pela obtenção de uma bolsa de estudo. Conseguiu uma, da Fundação Gulbenkian. Matriculou-se no Instituto Superior de Agronomia. Hoje é formado em engenharia florestal. Trabalha e vive em Portugal. Mas nunca mais voltou a encontrar os seus professores do Xime. E é seu desejo fazê-lo.

Moral da estória: O José Carlos é um exemplo de tenacidade, coragem, determinação e nobreza que honra qualquer ser humano. Que nos honra a nós e ao povo da Guiné-Bissau a ele que pertence.

3. Ontem, 9 de Maio de 2005, o Mussá Biai deve ter tido uma agradável surpresa. O Sousa de Castro, que esteve no Xime nessa altura, escreveu-lhe, depois de saber a sua estória através de mim. E deu-lhe notícias do seu professor primário! Aqui vai o teor da sua mensagem:

"Como estas coisas são!... Como este mundo é pequeno!... Quero dizer ao Zé Carlos que eu, António Castro, de Viana do Castelo, fui 1º cabo radiotelegrafista da CART 3494 (Fantasmas do Xime), conheço perfeitamente o ex-Furriel enfermeiro, dou-me muito bem com ele. Curiosamente ele irá talvez em Junho ou Julho à Guiné ao abrigo da Plataforma de Cooperação com a Guiné-Bissau, mais precisamente ao Cacheu que está geminado com Viana do Castelo desde 1988.

"Informo também o Zé Carlos qual o endereço e telefone para o poder contactar. O nome correcto é:

José Luís Carvalhido da Ponte
Rua Moinho Vidro, 89
Viana do Castelo
4900-753 MEADELA".

O que dizer mais? Que esta história não acaba aqui, mesmo acabando bem. Um dia destes almoçamos juntos e vamos continuar a contar estórias sobre o Xime e os meninos da guerra que às vezes até conseguiam ser felizes.


 # posted by Luís Graça @ 21:45

Vd. poste de 07JAN2013:Luís Graça & camaradas da Guiné
Luís Graça camaradas da Guiné, [No Xime também havia crianças felizes]



quarta-feira, 8 de junho de 2011

P109 - (convívios) VI Encontro/Convívio da Tabanca Grande, 04JUN2011 (Luís Graça & Camaradas da Guiné)

MANGA DE RONCO
Foi com enorme alegria  que se apresentaram em Monte Real, no Palace Hotel, no dia 04 de Junho de 2011, para participarem no VI encontro dos camaradas da Guiné ". Foram 126, os convivas entre homens e senhoras. Houve muita alegria, muita animação, muitas estórias e a promessa de estarem presentes no próximo ano. É neste ambiente, que os ex. combatentes da guerra do Ultramar, neste caso em especial, da Guiné, gostam de se manifestarem, é uma amizade que perdura ao longo dos tempos. Na guerra para além de muitas privações; companheiros mortos, muitos camaradas feridos!... e deficientes, ficou sempre uma grande amizade, ficou a vontade de ano após ano provocar estes encontros fraternos.

Parabéns a todos, especialmente para a comissão organizadora, Carlos Vinhal, Mexia Alves e Luís Graça.
SC

Comissão oraganizadora, da esq para a direita: Carlos Vinhal, Mexia Alves e Luís Graça

Para conhecimento de todos/as... Com um especial agradecimento ao Manuel Resende (que fez esta excelente cobertura fotográfica do nosso VI Encontro). Um Alfa Bravo,
Luís Graça

Recebeu um convite para ver o álbum de fotografias de Manuel Resende:Camaradas da Guiné - Monte Real 2011

Mensagem de Manuel Resende:

caso queiram podem usar este link para que todos possam ver.
Se tiver problemas ao visualizar esta mensagem de e-mail, copie e cole o seguinte no seu browser:
https://picasaweb.google.com/lh/sredir?uname=manuel.resende8&target=ALBUM&id=5614827693962634689&authkey=Gv1sRgCNHms8SKpv7OWA&feat=email

segunda-feira, 28 de junho de 2010

P- 73 5º Encontro Nacional, ex. combatentes na Guiné "Tertúlia Luís graça e camaradas da Guiné" 26JUN2010

Decorreu com grande brilho no dia 26/06/2010 em Monte Real no Palace Hotel Monte Real o V encontro Nacional da tertúlia de ex. combatentes na Guiné do blogue "Luís Graça e camaradas da Guiné" http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/ Festa com muita animação conforme se demonstra através de algumas fotos e vídeos alojados no Youtube, nos canais "anmasoca" e  "Nhabijões"

Momento de o ex. Alferes Acácio Correia da CART 3494 Xime e Mansambo, mostrar os seus dotes para o canto e música, bem acompanhado pelo David Guimarães e Vacas de Carvalho

http://www.youtube.com/watch?v=WR5dZ_El6eU

http://www.youtube.com/watch?v=rY4LRqolyDA

A CART 3494 esteve muito bem representada no V encontro em Monte Real  dos ex. combatentes da Guiné da tertúlia "Luís Graça e camaradas da Guiné" . Vejam o vídeo!

http://www.youtube.com/user/Nhabijoes#p/a/u/0/0gBnW0ysvjw

V Encontro Nacional de ex. combatentes na Guiné, no Palace Monte Real no dia 26/06/2010

 
"CMDT" Luís Graça, dando as boas vindas aos Tertulianos

Sousa de Castro exibindo o Emissor/Receptor "AVP-1" utilizado na guerra colonial

 
Algumas senhoras que fazem sempre questão de nos honrarem com sua presença 

 
Sousa de Castro com a sua senhora



As senhoras do Sousa de Castro

 
 
CART 3494 bem representada!... Da esquerda para a direita: Ex. Fur Mil.. Jorge Alves Araújo, Cap. António Pereira da Costa, (actualmente Coronel), Ex. Alf. Mil. Acácio Dias Correia, Ex. Fur. Mil. António de Sousa Bonito e Ex. 1º cabo radiotelegrafista, António Manuel Sousa de Castro
(foto do Luís Graça com a devida vénia)

 
O CMDT da CART 3494 António Pereira da Costa com sua esposa à conversa com o Ex. Alf. Ranger Mexia Alves da CART 3492, organizador do V encontro Nacional coadjuvado pelo competentíssimos Carlos Vinhal e Miguel Pessoa

Ex. 1º cabo TRMS, Eduardo Campos, simulando uma transmissão


CMDT da tertúlia, Luís Graça apanhado a fotografar

 Sousa de Castro e Eduardo Campos (Ex. TRMS)
(foto do Luís Graça com a devida vénia)

sábado, 23 de janeiro de 2010

P-48: Parabéns a você - O segredo do Sousa de Castro, um velhinho da Tabanca Grande (Luís Graça)

Um agradecimento muito especial não só ao editor do blogue: "Luís Graça & Camaradas da Guiné", mas também a todos aqueles que de algum modo quiseram partilhar comigo, com suas mensagens no dia do meu aniversário, o que me deixou muito sensibilizado.

Bem hajam

Sousa de Castro

Transcrição do blogue: http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/ com a devida vénia.


1. Minhoto, 59 anos, casado com a Maria Conceição Fernandes Dias, pai de três filhos (só a mais nova, de 24, é que ainda está em casa), residente em Vila Frio, Viana do Castelo, reformado, 47 anos de vida activa...

Começou aos 11 (onze!!!) , mal acabada a 4ª classe, a trabalhar como ajudante de marceneiro, fez a tropa, casou durante a tropa, foi 1º Cabo radiotelegrafista na CART 3494 BART 3873 (Guiné, Zona Leste, Sector L1 > Xime e Mansambo, 1972/74) , ingressou nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, e por lá ficou 33 anos... É Sagitário, bom rapaz, altruísta, amigo do seu amigo... Gosta de fazer amigos e está em força nas redes sociais...



É o Sousa de Castro, António Manuel Sousa de Castro, o nosso tertuliano nº 2 (julgo que exequo com o Humberto Reis)...Acabei de lhe telefonar (963 673 628), a dar-lhe os parabéns. Ainda não é SEXA mas anda a treinar...

Está de boa saúde e está a gozar a sua reforma. Disse-me que para o ano quer ir de novo ao nosso Encontro Anual. Transmiti-lhe os cumprimentos da malta toda do blogue. Ficou feliz pela surpresa... Ao fim destes anos todos, ainda tem dificuldade em tratar-me por tu... Lembrei-lhe que ele foi o causador deste macaréu todo, que se chama agora blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné...


2. Mas vejamos como se apresenta na blogosfera:

(i) Nasceu em Caminha em 15/12/1950;

(ii) Reside em Vila Fria, concelho de Viana do Castelo.

(iii) Participou na guerra colonial na Guiné, pertenceu à CART 3494 (Companhia de Artilharia) do BART 3873 (Batalhão de Artilharia)na zona leste, no Xime e Mansambo. Embarcou em 27/01/1972 nos TAM (transporte aéreo militar) com o posto de 1º. cabo radiotelegrafista, regressou por ter terminado a comissão de serviço em 03/04/1974 nos TAM.

(iv) Trabalhou nos Estaleiros Navais de Viana do Castelo, SA. onde exerceu funções de Técnico Fabril no sector das Docas.

E-mail: sousadecastro@gmail.com

Segue 11 blogues (incluindo o nosso, Luís Graça & Camaradas da Guiné) e mantém o seu próprio blogue: CART 3494 - Guiné


O último poste é de 5 de Dezembro de 2009 > P45 - Apresentação da 3ª edição do livro “A retirada de Guilege” do Coronel Coutinho e Lima ... Ficámos a saber que o Coutinho e Lima é natural de... Vila Fria, Viana do Castelo. (Ei-lo aqui, na foto à direita, com o Sousa de Castro)

(..) No dia 05/12/2009, na Junta de Freguesia de Vila Fria, concelho de Viana do Castelo, que patrocinou a apresentação da terceira edição do livro 'A Retirada de Guilege', do Coronel, Coutinho e Lima (...)



O presidente de Junta, para além de agradecer a presença de várias pessoas, enalteceu o facto, como sendo muito importante, de um Vilafriense ter escolhido a sua terra Natal para apresentação do seu livro. O Coronel começou por dissecar e explicar a razão (com o auxilio de mapas), que o levou a tomar a decisão estratégica de retirar de Guilege, foi ovacionado pelos presentes, tendo respondido a várias questões e dúvidas, levantadas por alguns assistentes.


Curiosamente estiveram alguns ex-combatentes que passaram por Guilege e Gadamael Porto, nomeadamente um homem que veio propositadamente de Lamego dar um abraço ao seu comandante e que afirmou que aquela (retirada) foi a melhor opção que podia ter tomado. Segundo ele, a situação na altura era insustentável. Se assim não fosse, poderiam perder-se muitas vidas humanas.

No final foi oferecido um verde de honra, aí vários ex-combatentes reviveram os tempos idos da Guiné. Sousa de Castro. (...)

4. O Sousa de Castro foi o primeiro a aparecer, por email, em 19 de Abril de 2005... Por mão dele vieram outros camaradas nomeadamente nortenhos...Como eu costumo lembrar, depois do Sousa de Castro, "vieram mais cinco"... O David Guimarães, o A. Marques Lopes, o Humberto Reis, etc. foram alguns dos primeiros, a seguir ao Sousa de Castro, a atabancar, no nosso blogue... Se a antiguidade fosse um posto, entre nós, eles os quatro já hoje seriam generais de muitas estrelas... São velhinhos, são senadopres da nossa Tabanca Grande (ou tertúlia, como dizíamos na época).

Do Sousa de Castro recebi um primeiro mail, em 19d e Abril de 2005, que rezava assim [vd. poste de 20 de Abril de 2005 > Guiné 69/71 - V: Convívio de antigos camaradas de armas de Bambadinca (Luís Graça):

"Foi gratificante para mim encontrar algumas estórias sobre a guerra colonial, mais concretamente sobre a Guiné. Curiosamente eu também estive na Guiné em Jameiro de 1972 a Abril de 1974, no Xime [e depois em Mansambo]. O meu Batalhão estava em Bambadinca, BART 3873 (CCS), com a CART 3494 no Xime, a CART 3493 em Mansambo e a CART 3492 no Xitole.

"No meu tempo o Xime continuava muito complicado. Como descreve no seu blogue, nas estórias de um tuga [vd. 25 de Abril de 2004 > Guiné 69/71 - I: Excertos do diário de um tuga (Luís Graça)], continuamos com esta terra na cabeça, nunca mais nos sai e eu continuo buscando algo sobre aquele tempo passado relacionado com a guerra. Tenho reenviado a sua estória para colegas que estiveram na Guiné e é uma forma de dizermos que estamos vivos. Bem haja. Cumprimentos, Sousa de Castro".

Do nosso aniversariante, em jeito de homenagem, quero deixar aqui uma história, que seria também um segredo... se não tivesse sido já contada na I Série do Blogue [bd. poste de 22 de Abril de 2005 > Guiné 69/71 - VI: Memórias do Xime, do Rio Geba e do Mato Cão (Luís Graça / Sousa de Castro ). Aproveito também lhe dizer que já arranjei um capelão para a nossa Tabanca Grande... De qualquer modo, obrigado pelos seus bons ofícios... António: E que tenhas um dia feliz junto da tua família e amigos! (LG).


(...) Memórias da Guiné. Xime (1972-1974), por Sousa de Castro


"Xime. CART 3494. 10 de Agosto de 1972.

"A companhia nesse dia recebeu instruções para fazer um patrulhamento através do rio Geba em lanchas e depois entrar no mato e seguir para Mato Cão. Tínhamos lembrado ao Major de Operações que a hora que ele, major, determinara para sair, não seria ideal, já que dentro de pouco tempo passaria o Macaréu(1).

"Mesmo assim ele entendeu que haveria tempo de sair antes de passar o Macaréu. Os pelotões envolvidos nesse patrulhamento não tiveram outra alternativa senão obedecer. Os soldados, pela experiência adquirida, sabiam que uma desgraça iria acontecer. Dá-se então aquilo que todos esperavam, e que não se podia evitar: são apanhados pelo Macaréu.

A embarcação virou e então cada qual tentou desenrascar-se como pôde do perigo de morrer afogado. Muitos não sabiam nadar. Depois com todo peso de armamento que transportavam, para além da farda que envergavam, viram-se e desejaram-se para se safarem, mas nem todos o conseguiram. Assim desapareceram três camaradas, Sol. Abraão Moreira Rosa da Póvoa de Varzim, casado, com uma filha, Sol. Manuel Salgado Antunes, solteiro da Freguesia de S. Silvestre - Coimbra e o Sol. José Maria da Silva e Sousa, solteiro de S. Tiago de Bougado - Santo Tirso.


De imediato procedeu-se a buscas no sentido de os encontrar, apareceu no dia seguinte só o corpo do malogrado José Maria da Silva e Sousa sendo os outros dois sido dados como desaparecidos. O féretro seguiu para Bambadinca onde foi sepultado. (Foto da sepultura ao lado)

"Normalmente a companhia fazia diariamente segurança à estrada que ligava o Xime a Bambadinca. Era necessário ir buscar o pelotão que fazia essa mesma segurança. Eu era radiotelegrafista, não podia sair do quartel, mas vendo o estado muito abatido devido ao cansaço em que os transmissões de infantaria se encontravam, peguei no transmissor AVP-1 e na G-3, ofereci-me como voluntário e fui juntamente com o pelotão buscar o pessoal que fazia a segurança à dita estrada.


"Era de noite, então dá-se aquilo que eu não previa. Uma vez no local para agrupar o pessoal que fazia segurança da estrada, vi-me envolvido numa situação para mim única. Começa um forte tiroteio. Supondo ter sentido algo a mexer, eu, ao saltar da viatura, sem querer fiz um disparo, com pessoal na linha da frente. Fiquei preocupadíssimo, poderia ter atingido algum camarada meu, o que não aconteceu felizmente.

"Ao vir para o quartel, antes de entrar, o Furriel Carda, que era de Ponte de Sor (era quem comandava o pelotão que foi buscar a segurança no qual eu estava integrado) mandou parar as viaturas e disse: 'Alguém que está na minha viatura disparou um tiro. Quero saber quem foi. Ninguém quer dizer? É fácil. Cheira-se a arma de cada um e descobre-se já'.

"Como havia um alferes periquito, e a maior parte da malta pensando ter sido ele quem deu o tiro, acharam por bem que o melhor seria esquecer e ir embora para o quartel. Será que esse alferes também fez algum disparo? Ainda hoje estou na dúvida.

"Domingo 27 de Setembro 1998. Sousa de Castro". (...)


Vd poste completo : Aqui