Total visualizações de páginas, desde Maio 2008 (Fonte: Blogger)

terça-feira, 31 de março de 2009

P30: XXIV convívio CART 3494


Os organizadores do evento: da esquerda para direita - Almeida, Anadia e Licínio.

COMPANHIA DE ARTILHARIA 3494
Guiné 1971/1974
Dia 13 de Junho realiza-se o 24º Convívio na zona de AVEIRO.
Em data próxima, divulgarei os detalhes do programa.
Castro


Contactos: Almeida 234 781 442/ 964 198 204 - Anadia 234 741 206 – Licínio 231 582 239

domingo, 22 de março de 2009

P29: SITUAÇÃO DE RISCO ELEVADO - CART 3494 ( Xime, 10 de Agosto de 1972)


Campa em Bambadinca do José Maria da Silva Sousa
Foto do arquivo do 1º. cabo condutor auto - Abílio Soares Rodrigues

XIME 1972

CART 3494: 10-08-1972. A companhia neste dia recebeu instruções para uma operação no MATO-CÂO através do rio Geba em lanchas e depois entrar no mato e seguir então para MATO-CÃO. O Major de Operações, achou que teria tempo em levar a cabo a operação antes de passar o "MACARÉU". Segundo testemunhos, tinha sido avisado por quem conhecia as marés naquele rio, que seria muito arriscado sair. (Macaréu, Sm. Sublevação brusca das águas, que produz em certos estuários no momento da cheia e que progride rapidamente para as nascentes sob forma violenta, capaz de fazer estragos em pequenas embarcações). Mesmo assim, entendeu, que haveria ainda tempo de passar o rio, antes da chegada do Macaréu. Os pelotões envolvidos nesse patrulhamento não tiveram outra alternativa senão obedecer. Os soldados pela experiência adquirida sabiam que uma desgraça poderia acontecer e dá-se aquilo que todos esperavam, não se pôde evitar, são apanhados pelo Macaréu.

A embarcação virou, e então, cada qual tenta desenrascar-se como pôde do perigo de morrerem afogados, muitos não sabiam nadar, depois com todo peso de armamento que transportavam, para além da farda que envergavam, viram-se e desejaram para se safarem, mas nem todos o conseguiram, assim, desapareceram três camaradas. Um deles apareceu no dia seguinte. Foi o Soldado, José Maria da Silva Sousa, residia em Trofa Velha - Bougado (Santiago) concelho da Trofa , foi sepultado em Bambadinca, conforme foto anexa, Manuel Salgado Antunes, casado, natural de Quimbres, S. Silvestre -  Coimbra  e o terceiro Abraão Moreira Rosa, natural da Aguçadoura, Póvoa de Varzim os dois últimos não mais apareceram. O pessoal da companhia desdobraram-se em esforços tentando encontrar os que desapareceram, mas em vão.

Sousa de Castro
2006-09-26

Ved. Post.: http://cart3494guine.blogspot.com/2009/02/fotografia-da-campa-do-nosso-camarada.html

 Recebi mensagem, datada de 27MAI2011 do ex. Maj Art. Henrique A. B. Jales Moreira (Chefe da SECOPINFO do BART 3873) hajalesmoreira@gmail.com com a seguinte informação:



Caro Sousa de Castro:

Sobre os mortos e desaparecidos no desastre do Rio Geba :
1 - Estão perfeitamente identificados ao nossos Soldados mortos por afogamento no Rio Geba em 10 de Agosto de 1072. São :


O Soldado ABRAÃO MOREIRA ROSA ;
É natural de QUIMBRES - S. SILVESTRE - COIMBRA.
Não deixou descendentes. Os Pais já faleceram ;
Reconhecemos um irmão e uma sobrinha.
À Rua aonde moram, foi dado o nome do nosso Soldado falecido.


Dos Soldados MANUEL SALGADO ANTUNES natural da Póvoa de Varzim e
JOSÉ MANUEL da SILVA e SOUSA natural de Santo Tirso,
não conhecemos as moradas e os laços familiares.
Seria uma grande ajuda descobrirmos essas ligações.
2 - Os 3 ou 4 DESAPARECIDOS, não constam da História da Unidade.
Não sei nada sobre os seus nomes.
Estou à sua disposição para quaisquer informações ou colaborações de que necessite.
Receba um abraço do
Jales Moreira.


- Recebi de imediato resposta, com toda razão que lhe assiste, do ex. Fur Mil. Art. António Espadinha Carda da CART 3494.
SC

Amigo Sousa e Castro em primeiro lugar um grande abraço e espero estar contigo no próximo dia 11 .


Vamos então ao assunto que me leva a escrever-te este mail sobre o afogamento dos nossos camaradas de armas no rio geba em primeiro lugar foram três e não quatro os desaparecidos por outro nunca podem ser três sepulturas mas sim só uma pois dois dos falecidos infelizmente nunca apareceram. só apareceu o corpo do Sousa que foi sepultado em Bambadinca

sem mais um grande abraço

E para desfazer algumas duvidas as dúvidas, transcrevo mensagem do ex. 1º cabo cozinheiro João Machado, dando assim por encerrado esta confusão. vd.Post 44
SC

Meus amigos vamos por isto a limpo no que diz respeito aos nossos camaradas mortos no rio Geba no dia 10-08-1972 (sim mortos! Não desaparecidos como se diz)

Ex. Sol . atir. nº. 1404495/71 Manuel Salgado Antunes desconheço a naturalidade.

Ao ex. sol . atir. Nº. 139899/71 Abraão Moreira Rosa era natural da freguesia de Aguçadoura do concelho da Póvoa de Varzim, e tem família viva inclusivé (esposa, embora casada novamente) E não de Quimbres. S. Silvestre. Coimbra  como o Sr. Jales Moreira diz.


Quanto ao ex. sol . atir . nº. 149913/71 José Maria da Silva e Sousa, era natural da TROFA - STO.TIRSO e tem familiares vivos , ver contactos.
IRMÃ:  MARIA ADALTIVA DA SILVA E SOUSA, NATURAL DE ALVARELOS STO. TIRSO, COM RESIDÊNCIA EM SANTIAGO DE BOUGADO, AV. TROFA VELHA -TROFA

SOBRINHA: OLGA (CONTACTO TELF. 252108879/252102260 TM 914341921 se a quiserem contactar, podem dizer que quem deu o contacto foi o ex. 1º cabo coz. da CART 3494, JOÃO MACHADO da PÓVOA DE VARZIM que a mesma deu-me a liberdade de o fazer.


OBS.: ESTES CONTACTOS JÁ FORAM DADOS POR MIM AO CAMARADA MANUEL DUARTE RIBEIRO DA CCS (companhia comandos e serviços) do BART 3873  PARA FORNECER A ALGUÉM!...

João Machado

Nova msg desta vez do ex. Fur Mil. António de Sousa Bonito que vem desfazer todas e quaisquer dúvidas na questão da naturalidade dos nossos camaradas da CART 3494 que ficaram no Rio Geba, Guiné em 10AGO1972.

Amigo S.Castro

Para tranquilizar certas vozes e com toda a certeza informo:

O soldado Manuel Salgado Antunes era natural de Quimbres/ S. Silvestre / Coimbra

Quando vim á " Metrópole " em Julho de 1972 visitei , juntamente com o 1ª Sargento Carlos Simões, os pais na residência
acima referida.
Inclusivamente a mãe mandou-lhe uma garrafa de Vinho do Porto que lhe entreguei ( finais de Julho )
Já tive oportunidade de falar com o irmão mais novo do Manel onde recordámos a tragédia.
Espero que,definitivamente, o assunto esteja esclarecido

António Bonito, ex Fur. Mil. Inf. CART 3494

P28: Os Emissores/Receptores (TRMS) que se usava na CART 3494 em 1972/74


emissor/receptor "AN/GRC 9"
Emissor/Receptor - AN/GRC-9

É um emissor/receptor que permite comunicações em fonia, grafia contínua (cw) e grafia modulado (mcw) com uma potência de saída de 7/15W. 
- Tipo de emissor de amplitude modulada controlado por oscilador piloto ou por cristal.

Bandas de frequência: 2 a 12 Mc/s em 3 bandas.
Banda 1 - 6,6 a 12 Mc/s.
Banda 2 - 3,6 a 6,6 Mc/s.
Banda 3 - 2 a 3,6 Mc/s.

Pode-se utilizar três tipos de antena: Antena tubular Vertical constituída por 5 secções atarraxadas umas nas outras, constituindo um mastro de 4,75 m. com alcance médio de 30Km. 
Chave de morse

Antena filar Horizontal, constituída por duas secções separadas, por um fio de cobre nu de 32,78m de comprimento, e seccionada por meio de 8 isoladores de porcelana. Essas secções podem, ser postas em contacto por meio de ficha macho-fêmea. Tem um alcance médio de 60 Km. Deste modo a antena pode ser ajustada conforme as frequências pretendidas, abrindo ou fechando as fichas indicado numa tabela existente. 
E por fim a antena "Dipolo" constituída por linha de 50 a 72 Ohms. Esta antena consegue um alcance médio de 100Km.

- Alimentação: Por baterias de 6, 12 ou 24 volts com a unidade de alimentação de vibrador PE-237 ou de conversor DY-88, ou por gerador manual GN-58.



Emissor/Receptor - TR-28 (Racal)


"TR-28" (RACAL)

É transistorizado, alimentado por bateria incorporada, projectado para funcionar em modulação de frequência.

O TR-28 é um emissor com pré-sintonia por cristal tendo normalmente 24 canais prèsintonizados. Pode ser adaptável a posto móvel ou fixo. Quando posto móvel o mesmo é transportado às costas (saco de lona) utilizando a antena vertical ou tipo secção. Quando posto fixo pode utilizar a antena dipolo, com um alcance que pode chegar aos 400 klms,  a antena vertical com alcance médio de 30 kms e a antena de fita.

Tem uma potência de saída máxima de 25W. Gama de frequência: 1,6 a 8 MHZ. 

Funciona em Fonia e Grafia.
Era este tipo de emissor usado pelos TRMS de Infantaria, em todas as actividades operacionais que as companhias teriam de desenvolver.

Emissor/Receptor - AVP-1 (Banana)

E/R AVP-1
É um equipamento VHF de 47/57 Mhz, com frequência modulada (FM) utilizado como micro-telefone de 300 mw de potência de saída, transistorizado com 6 canais.
O emissor/receptor AVP-1 utiliza na alimentação uma pilha recarregável PS-28-A


Por fim, apareceu em 1973, o "STORNO" um novo emissor/receptor VHF para ser usado como micro-telefone com uma qualidade muito boa. Dizia-se na época que vinha o substituir o vélhinho "E/R AVP-1".


Sousa de Castro
Sousa de Castro, operando no AN/GRC-9 em grafia, ABR72 - Xime, Guiné
Equipa das TRMS da CART 3494: Da esq. para drtª: sol. radiot. A. Ramos, sol. radiot. Rogério Silva (fal. 16JUN2002), 1º cabo radiot. A. Castro, 1º cabo cripto "Pinóquio", Fur. Milº trms Luis Domingues, 1ºcabo cripto Luis Romão, sol. TRMS Inf.Augusto Meireles, sol. TRMS Inf. Mário Marinho, sol TRMS Inf. José Tojal e sol. TRMS Inf. José Vicente 
Posto de rádio no Xime, 1972
Mansambo, MAR1974 com TR-28 (Racal)


sábado, 21 de março de 2009

P26 - Dois Homens da CART 3494, foram distinguidos com o Prémio do Governador

Dois soldados da CART 3494 distinguidos com o prémio do Governador

Homens da Cart 3494 distinguidos com o prémio do Governador a gozar férias na Metrópole pela valentia demonstrada quando o grupo de combate foi emboscado do qual resultou um morto (Furriel Bento) 07 feridos graves e 12 ligeiros.
Foram eles: O soldado, Manuel de Sousa Monteiro, da Freguesia da Batalha, distrito de Leiria e o 1º. cabo, Manuel Amorim do Alto da Freguesia de Terroso concelho da Póvoa de Varzim.


Dizia assim o relatório:


ABRIL:
- Em 220600ABR72 grupo IN emboscou a segurança da PTA COLI (01 GRCOMB da CART 3494). As NT e Artilharia do XIME pôs o IN em fuga.
Sofremos 01 morto (Furriel), 07 feridos graves e 12 ligeiros.

P25: MEU PERCURSO MILITAR

Xime/Guiné em 1972



Em Junho de 1970  fui à inspecção Militar, em Viana do Castelo de que resultou o apuramento para todo serviço Militar.

Em 4 de Maio de 1971, assentei praça no RI 8 (Regimento de Infantaria nº. 8) em Braga.
Fiz a recruta, tem a ver entre outras coisas, aprender como utilizar a arma que me foi distribuída. Essa arma chama-se “G3” (Espingarda automática) com uma duração de dois meses. No princípio de Julho 1971 fui fazer a especialidade de transmissões de engenharia com uma duração de seis meses no RTm (Regimento de Transmissões) no Porto. Um curso de uma tecnologia de comunicação muito boa para a época, consistia na transmissão de mensagens em grafia, por código morse para além de, ao mesmo tempo aprender a comunicar em fonia.

Este curso englobava para além da componente código morse, teríamos de ter conhecimentos de electricidade, material de rádio, procedimentos de segurança sobre transmissões e conhecer sobretudo muitos códigos.

Devo dizer que fui um militar extremoso quer na conduta como pessoa, como ser aplicado em todas as matérias. Obtive uma média geral do curso 17,25 valores que me deu a categoria de TE (Telegrafista Especial). Fui promovido ao posto de 1º Cabo em Dezembro de 1971. Também em Dezembro de 1971 fui mobilizado para servir comissão de serviço na Guerra Colonial na Guiné.

Formamos o BART 3873 (Batalhão de Artilharia 3873, composto pelas CART 3492, CART 3493 e CART 3494 (da qual fazia parte) no RAP 2 (Regimento de Artilharia Pesada 2) em Vila Nova de Gaia.

Embarquei em Lisboa nos TAM (Transportes Aéreos Militares) em 26 de Janeiro de 1972 e regressei em 3 de Abril de 1974. Foram 26 meses na guerra, passei por muitas privações, muita falta de tudo, a água sempre de má qualidade, a alimentação muito fraca e pouca quantidade, comia-se muitas vezes bianda (arroz) e ás vezes mal cozinhado, sofremos muitos ataques ao Quartel e emboscadas. Tivemos 4 mortos. Um considerado em combate, dois desaparecidos e outro por acidente. Muitos feridos ligeiros e alguns de muita gravidade ao ponto de terem sido evacuados para a Metrópole (Portugal).
Tive sempre bom relacionamento com todos os meus camaradas e todos os meus superiores. Fiz boas amizades ao ponto de promovermos todos os anos encontros para conviver e falarmos por aquilo que passamos, os bons e maus momentos, porque como em tudo na vida também tivemos momentos inesquecíveis. Apesar de tudo acho que na tropa aprendemos a ser homens com H grande, somos obrigados a amadurecer muito depressa, mas mesmo assim, nunca dei por mal empregue o 36 meses de tropa que lá passei 26 dos quais na Guiné.

segunda-feira, 16 de março de 2009

P24: O ASPECTO HUMANO DA GUINÉ





Guiné - Xime 1972: O Sousa de Castro no seu posto de trabalho, operando o Rádio AN-GRC 9.
"O AN-GRC 9" foi o rádio com que operei durante mais tempo. Utilizamos também o "Racal" (TR - 28) para além do "AVP-1" © Sousa de Castro (2005)
Alguns dados curiosos retirados da monografia da Guiné editados em 1971 pelo Estado-Maior do Exército com o título MISSÃO NA GUINÉ . Composto e impresso nas Oficinas Gráficas da SPEME. Os sublinhados são extraídos do blogue Luís Graça & Camaradas da Guiné que agradeço. Sousa de Castro
   O Rádio AN-GRC-9. Foto gentilmente disponibilizada pelo nosso camarada Afonso M. F. Sousa, que vive actualmente em Maceda, Ovar, ex-Furriel Miliciano de Transmissões da CART 2412; esteve na região do Cacheu (Bigene, Binta, Guidage e Barro), entre Agosto de 1968 e Maio de 1970.
             ASPECTO HUMANO População A população da Guiné era, segundo o censo de 1960, de 544.184 habitantes o que representava um aumento de 33.407 habitantes em relação ao censo de 1950. É característica na Província a diversidade étnica dos seus habitantes (3). Não falando já dos não autóctones – brancos, mestiços, cabo-verdianos e libaneses, na sua grande maioria – num total aproximado de 15.000, a população autóctone (nativa) guineense apresenta uma grande variedade de tipos, correspondentes a diferentes grupos étnicos (tribos), entre as quais as principais são: - Balantas (quantitativo referido a 1962 – 150 000). Habitam entre os rios Geba e Cacheu, com uma ramificação importante na região de Catió-Bedanda, no Sul da Província. Dotados de boa condição física, são trabalhadores, valentes, enérgicos, com grande força de vontade e viva inteligência. Bons agricultores, vão buscar à terra, principalmente às regiões alagadas («bolanhas»), os meios de subsistência de que necessitam. Alimentam-se de arroz, azeite de palma, milho e mandioca; apreciam muito a carne, o peixe e os mariscos. O gado bovino que possuem destinam-no às cerimónias de sacrifício dos ritos que acompanham os funerais («choros»). Condenam o celibato. Extremamente supersticiosos, acreditam na transfiguração da alma, atribuindo à feitiçaria todas as suas desgraças.
    Praticam o roubo, em especial de gado, com a consciência de um acto não criminoso, mas sim revelador da perícia própria da tribo. São animistas. - Fulas (Fulas-Forros e Fulas-Pretos) (120 000). Povoam o Nordeste da Guiné, a região do Gabu, Bafatá e Forreá. Os primeiros fulas a entrar na Província foram os fulas-forros, que subjugaram e escravizaram grande número de mandingas, a quem designaram por fulas-pretos. De um modo geral, são hospitaleiros, considerando mesmo a hospitalidade como um dever sagrado. Apesar da influência que o islamismo tem entre eles, praticam também o animismo. Dedicam-se ao cultivo do arroz, sem grande entusiasmo, milho e amendoim e à pesca, à linha ou por envenenamento das águas. Do gado que criam, considerando como um sinal de prestígio apenas aproveitam o leite para sua alimentação. - Futa-Fulas (10 000). Povoam grande parte da região do Boé. Nos futa-fulas, originários do Futa Djalon, donde lhes veio o nome, não existe unidade de tipo, apresentando as mais diversas características, e, normalmente, a face marcada pr dupla incisão vertical que faz lembrar o n.º 11. Consideram-se, em tudo, superiores aos restantes fulas. De elevada estatura, argutos e inteligentes, dedicam-se à agricultura, à criação de gado e ao comércio ambulante. Alimentam-se de arroz, de «fundo» (tipo de cereal semelhante à alpista) e de toda a variedade de frutos. Comem carne, com excepção da do porco, e não bebem vinho por a sua religião (o islamismo) o não permitir. São polígamos, embora predominem os casamentos com uma só mulher. São islamizados. - Manjacos (65 000). Habitam a região compreendida entre o rio Cacheu e a ria de Mansoa e as ilhas de Jeta e de Pecixe. São curiosos, astutos, dedicados, hospitaleiros, com perfeita compreensão dos princípios morais e de justiça, preocupando-se em adquirir hábitos civilizados. Têm certa tendência para o comércio e aptidão para as tarefas marítimas. Dedicam-se ao cultivo do arroz, exploração de palmares, pesca e extracção do sal. São animistas. - Mandingas (60 000). Habitam na região de Farim, Óio, Bafatá e Gabú. São sóbrios, inteligentes, observadores, aguerridos, alegres e comunicativos. Com preceitos morais que os colocam acima das outras tribos, admitem o regime de castas (nobres, ferreiros – com uma importância muito especial -, ourives, sapateiros, etc.). As profissões passam obrigatoriamente de pais para filhos e os casamentos só se realizam entre membros de famílias de nobres, ferreiros, ourives, sapateiros, etc. Dedicam-se à cultura do milho, mas comercialmente o produto mais importante é a mancarra. O islamismo não fez desaparecer entre eles as práticas animistas. - Papéis (40 000). Povoam a ilha de Bissau. São aguerridos, enérgicos, decididos, desconfiados e nadas expansivos. Tal como os manjacos, têm certa aptidão para as práticas marítimas. Alimentam-se de arroz, mandioca, batata-doce, milho, «fundo» e peixe seco. Dedicam-se à agricultura (arroz mancarra, em especial) e ao trabalho de carregador nos centros urbanos. São animistas. - Beafadas (13 500). Habitam a região de Quinara. Embora robustos, são indolentes por natureza. Progressivamente islamizados, mantêm-se, ainda, agarrados às práticas animistas. - Brames (Mancanhas) 12 500. Vivem nos regulados do Có e Bula, na ilha de Bissau, na ilha de Bolama e na região continental fronteira a esta ultima ilha. Têm grandes afinidades com os mandingas e fulas, de quem descendem por cruzamento. São inteligentes e assimilam com facilidade os usos e costumes dos europeus. Consideram como delitos de somenos importância, quando não mesmo louváveis, o falso testemunho, as ofensas corporais, o estupro, a violação e o adultério. Veneram o «Irã». Dedicam-se, sobretudo, à cultura do milho e da mancarra. - Bijagós (12 500). Povoam o arquipélago de Bijagós. São tímidos, belicosos e desconfiados. Vivendo constantemente no mar, são excelentes marinheiros. Em questões de namoro e de casamento, a escolha é feita pela mulher, que os bijagós têm na conta de um ser superior. São hábeis artistas na escultura da madeira e dedicam-se à pesca e à extracção do sal. - Felupes (6000). Habitam na região de Varela e Susana. São fortes e ágeis, praticantes entusiastas do exercício físico. Bons atiradores de azagaia e flechas, cujas pontas envenenam, dedicam-se à caça. São animistas. Consideram falta muito grave a união da mulher felupe com um nativo de tribo diferente (4). - Baiotes (5500). Habitam ao norte do rio Cacheu, no extremo ocidental da Província. Têm grandes afinidades com os felupes, pois constituem com eles o grupo étnico dos diolas. A diferençá-los apenas existe um dialecto diferente e a sua distribuição geográfica. São animistas. - Nalus (5500). Habitam as regiões do Tombali e de Cacine. São pouco robustos e de estatura média. Muito individualistas, recusam-se a manter relações com as tribos vizinhas. Têm um conceito perfeito da justiça. Encontram-se em grande parte islamizados. - Sossos (2000). Constituem um ramo dos mandingas. São islamizados e têm grandes afinidades com as populações fronteiriças. Todos os grupos étnicos da Guiné praticam a poligamia, embora existam em maior percentagem lares monógamos. O maior número de lares monógamos encontra-se nos Felupes, Cassangas e Futa-Fulas, que atingem uma percentagem superior a 70%. As menores percentagens de lares monógamos encontram-se entre os Beafadas e os Mandingas. A poligamia praticada incide na bigamia. São insignificantes as percentagens de lares com mais de 4 esposas. Entre as tribos guineenses existem para cima de 20 línguas e dialectos diferentes. Introduzido pelos primeiros colonos e aceite facilmente pelos nativos, fala-se também o crioulo, que não é mais que uma mistura de palavras portuguesas (algumas muito antigas) e palavras das línguas e dialectos locais. O crioulo permite aos nativos entenderem-se entre si. O povoamento da Guiné é muito irregular, verificando-se serem regiões do litoral e as regiões vizinhas de Farim e Bafatá (os dois principais centros de comunicação da Província) as mais habitadas, e as do Boé e do sueste do Óio as menos habitadas.
    SC
    luisgracaecamaradasdaguine@gmail.com