Total visualizações de páginas, desde Maio 2008 (Fonte: Blogger)

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

P335 - BUBA E OS SEUS PELOTÕES DE MORTEIROS 81 - UM ESPALDÃO COM HISTÓRIA -

  Mensagem de Jorge Alves Araújo, com data de: 05/02/2018

Caríssimo Camarada Sousa de Castro,

Os meus melhores cumprimentos.

O presente texto retoma o tema abordado nos últimos postes, desta vez para apresentar um cronograma dos pelotões de morteiros 81 que passaram pelo aquartelamento de Buba durante o período compreendido entre 1964 e 1974., e, quem sabe, descobrir a data/época da construção do «espaldão» que serviu de mote às narrativas anteriores.

Com um forte abraço de amizade.

Jorge Araújo. 



BUBA E OS SEUS PELOTÕES DE MORTEIROS 81

NO PERÍODO ENTRE 1964 E 1974

- UM ESPALDÃO COM HISTÓRIA -
Citação:
(1963-1973), "Ponto de tiro de morteiros, do pelotão de morteiros 2139 [2138], do exército português.", Casa Comum.org, Disponível HTTP: http://hdl.handle.net/11002/fms _dc_44169 (2017-1-20)
Jorge Alves Araújo, ex-Furriel Mil. Op. Esp./RANGER, CART 3494

(Xime-Mansambo, 1972/1974)





Foto 2. LDG no rio Grande de Buba, com maré cheia (período 1968/71 – BCAÇ 2892). Foto do ex-alf. Joaquim Rodrigues, in: http://guine6871.blogspot.pt/ (com a devida vénia).
Será que a foto foi tirada do espaldão? E os bidões velhos da/na imagem, será que foram substituídos pelos do espaldão da “nossa” foto inicial?
Foto 3. Buba, Dezembro de 1968. Aprendendo a trabalhar com o morteiro 81 (elementos do Pel Mort 1242, 1967/69). Foto do camarada grã-tabanqueiro Francisco Gomes, 1.º Cabo Escriturário da CCS/BCAÇ 2834 (Buba, Aldeia Formosa, Guileje, Cacine, Gadamael (1968/69), com a devida vénia. In: http://inforgom.pt/guine6869/?p=400

Foto 4. Rio Grande de Buba (período 1968/71 – BCAÇ 2892). Foto do ex-alf. Joaquim Rodrigues, in: http://guine6871.blogspot.pt/ (com a devida vénia).
Será que o espaldão está situado na parte de trás da casa ao centro da imagem?
Foto 5. Espaldão de morteiro 81, junto ao arame farpado (o mesmo da foto 2), virado para o rio, ao tempo do Pel Mort 2138 (Buba, 1969/71). Foto de Fernando Oliveira [P18231-LG].

Quanto ao período em que ocorreu a construção do espaldão, consideramos apenas duas hipóteses:

- Ou foi construído durante a permanência do Pel Mort 1242 (1967/69) ou foi nos períodos anteriores ao tempo do Pel Mort 1086 (1966/67) ou do Pel Mort 979 (1964/66), dos quais nada sabemos.

Obrigado pela atenção.

Com forte abraço de amizade,

Jorge Araújo.
5FEV2018.
Vd. último poste da série: 

- Carlos Menezes ex. combatente da CCAÇ 2616 BUBA 1969/71, deixou um comentário relativamente ao poste, no facebook com três fotos, que transcrevo com a devida vénia.
(...) Estive em Buba de Nov69 a Set71 na CCAÇ 2616 e possuo estas fotos. Creio que existiam dois morteiros 81, um junto ao rio e outro perto da pista de aviação.
 Carlos Menezes
 Buba
Buba


terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

P334 - - "OS FRACASSOS ASSUMIDOS PELO PAIGC" ATAQUE A BUBA EM 12 DE OUTUBRO DE 1969 (AO TEMPO DA CCAÇ 2382 E DO PEL MORT 2138)



MSG com data de, 30JAN2018 por: 


Jorge Alves Araújo, ex-Furriel Mil. Op. Esp./RANGER, CART 3494
(Xime-Mansambo, 1972/1974)

Caríssimo Camarada Sousa de Castro,

Os meus melhores cumprimentos.

Depois de ter encontrado resposta à dúvida suscitada por uma foto de um espaldão de morteiro 81 localizada no Arquivo Amílcar Cabral, a que chamámos «Espaldão com História», eis que, por via dessa investigação, foi possível elaborar mais esta narrativa tendo por fonte privilegiada um relatório elaborado pelos principais responsáveis pelo ataque do PAIGC a Buba, em 12 de Outubro de 1969.

Com um forte abraço de amizade,

Jorge Araújo.


Citação: (1963-1973), "Ponto de tiro de morteiros, do pelotão de morteiros 2139, do exército português.", CasaComum.org, Disponível HTTP:http://casacomum.net/cc/visualizador?pasta=05360.000.325


GUINÉ: (D)O OUTRO LADO DO COMBATE
ATAQUE A BUBA EM 12 DE OUTUBRO DE 1969
(AO TEMPO DA CCAÇ 2382 E DO PEL MORT 2138)
- OS FRACASSOS ASSUMIDOS PELO PAIGC -


1.   - INTRODUÇÃO
Como tive a oportunidade de referir na anterior narrativa sobre este tema, uma foto de um “espaldão de morteiro” localizada na Casa Comum - Fundação Mário Soares - na pasta: 05360.000.325, com o título/assunto: “Ponto de tiro de morteiros, do pelotão de morteiros 2138, do exército português… estrutura militar portuguesa à beira de um rio [?]: ponto de tiro de morteiros, do pelotão de morteiros 2138”, deu lugar a uma nova investigação, tendo duas questões de partida: 1. - como chegou ela (foto do espaldão) às mãos da guerrilha e/ou aos arquivos de Amílcar Cabral (1924-1973); 2. - em que aquartelamento das NT teria ele sido construído?
Quanto à primeira questão, creio ser difícil, quase impossível, obter uma resposta fiável, a não ser que o seu autor tomasse a iniciativa de se identificar. Quanto à segunda, foram várias e imediatas as respostas, dando-nos conta tratar-se do «Espaldão do morteiro 81» colocado na embocadura do rio Grande de Buba, junto ao arame farpado do Aquartelamento de Buba.
Para além da preciosa ajuda dos nossos camaradas tertulianos que por lá passaram, destaco aqui o contributo do Fernando Oliveira (Brasinha) do Pel Mort 2138, que fez o favor de nos mandar algumas fotos desse local… com história, e que muito agradecemos. Para que conste, apresentaremos abaixo duas fotos desse espaldão, a primeira, talvez de 1973 ou princípios de 1974 [?] (a do arquivo de fotos de Amílcar Cabral), a segunda do tempo do Pel Mort 2138 (1969/1971), do baú de memórias do camarada “Brasinha”.  

Posição do espaldão do morteiro 81, na embocadura do rio Grande de Buba [P18231]






Efectivos:
Dispunhamos para a operação dos seguintes efectivos:
Artilharia
- 9 canhões sem recuo B-10, com 90 obuses;
- 9 morteiros 82, com 180 obuses;
- 2 peças GRAD, com 7 foguetes;
Infantaria
- 5 bi-grupos para o assalto ao quartel;
- 3 bi-grupos para isolar Buba dos visinhos;
- 1 bi-grupo para a segurança da artilharia;
Defesa anti-aérea
- 12 DCK

Desenvolvimento da acção:
A operação devia ter início no dia 12 de Outubro [1969] às 17 horas, mas devido a atrasos na instalação dos canhões, só foi possível iniciá-la às 17h30.
Os canhões efectuariam tiro directo a uma distância de 1.200 metros; os morteiros 82 e GRAD estavam em ligação telefónica com o posto de observação, situado a 800 metros do quartel. A posição dos morteiros estava a 2.200 metros e a das peças de GRAD a 3.950 metros do quartel.
Primeiro abriram fogo os canhões B-10, que falharam completamente, tendo apenas dois obuses atingido o quartel. O inimigo respondeu com um nutrido fogo de morteiros [Pel Mort 2138], canhões [2.º Pelotão/BAC], metrelhadoras e armas ligeiras [CCAÇ 2382 + Pel Milícia], concentrando sobre o posto de observação (possivelmente já descoberto por ele), sobre a posição do fogo dos canhões e sobre o itinerário percorrido pela linha telefónica; como resultado da explosão dos obuses o fio telefónico foi cortado em 7 [sete] lugares diferentes, ficando a ligação interrompida.   


Além disso, unidades inimigas de infantaria cruzaram o rio, pondo sob a ameaça de liquidação do posto de observação, os canhões, em retirada, e os morteiros.
Conclusão:
Nestas condições, abortou a acção da artilharia, que teve que se retirar, sempre debaixo do fogo das armas pesadas do inimigo.
Como não actuou a artilharia, tampouco actuou a infantaria.
Tivemos duas baixas na operação: dois feridos, um dos quais veio a falecer mais tarde. Além disso, temos a lamentar a morte de um camarada de infantaria, por acidente.


Fonte: Casa Comum – Fundação Mário Soares.
Pasta: 07073.128.011. Título: Relatório das operações militares na Frente Sul. Assunto: Relatório das operações militares do PAIGC contra Buba, Bedanda, Bolama, Cacine, Cabedu, Empada, Mato Farroba, Cufar. Utilização dos foguetes. Algumas impressões sobre a utilização da arma especial (GRAD) na Frente Sul durante os meses de Outubro e Novembro de 1969. Data: c. Novembro de 1969. Observações: Doc. incluído no dossier intitulado Relatórios 1965-1969. [Guileje]. Fundo: DAC - Documentos Amílcar Cabral. Tipo Documental: Documentos.
Em jeito de conclusão, podemos dizer que os dois relatórios se complementam, pela adição dos detalhes particulares observados em cada um dos lados do combate.

Obrigado pela atenção.
Com forte abraço de amizade,
Jorge Araújo.
22JAN2018.