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segunda-feira, 14 de outubro de 2019

P382 - A COMPANHIA DE CAÇADORES 508 [CCAÇ 508] - (1963-1965) E A MORTE DO SEU CMDT CAP INF FRANCISCO MEIRELLES EM 03JUN1965 NA PONTA VARELA [V (e última) PARTE] Por: Jorge Araújo

Mensagem de Jorge Araújo com data de: 25SET2019


Para concluir o dossier relacionado com algumas das memórias da CCAÇ 508, nas quais se incluem a morte do seu CMDT Capitão Francisco Meirelles, ocorrida na Ponta Varela (Xime), anexo a V (e última) Parte.

Com um grande abraço e votos de boa saúde.

Jorge Araújo. 



GUINÉ
Jorge Alves Araújo, ex-Furriel Mil. Op. Esp./RANGER, CART 3494
(Xime-Mansambo, 1972/1974)
A COMPANHIA DE CAÇADORES 508 [CCAÇ 508] - (1963-1965) E A MORTE DO SEU CMDT CAP INF FRANCISCO MEIRELLES EM 03JUN1965 NA PONTA VARELA
- A ÚNICA BAIXA EM COMBATE DE UM CAPITÃO NO XIME -




V (e última) PARTE
1.   - INTRODUÇÃO
Para concluir o tema que deu título a este projecto, e que foi apresentado ao longo dos últimos quatro fragmentos - P378, P379, P380 e P381 - eis o quinto, e último, no qual se respeitam as mesmas questões de partida. No primeiro demos a conhecer o que foi
possível recuperar da história da CCAÇ 508, identificando factos, feitos e consequências da sua vasta e importante missão operacional desenvolvida ao longo dos dois anos da sua presença no CTIG (1963-1965), entre 20Jul63 e 07Ago65, e dos dez locais diferentes onde a mesma teve lugar.
Para além dos documentos consultados e das informações orais transmitidas, via telefone, por alguns dos elementos desta Unidade, contámos com o precioso recurso do álbum do condutor auto rodas da “508”, Cândido Paredes, actualmente a residir em Ponte de Lima, do qual apresentaremos abaixo mais algumas imagens, e a quem nos cumpre agradecer.
No segundo, por ter encontrado num alfarrabista de São João da Madeira, numa feliz coincidência, um livro sobre a vida e a morte do Capitão Francisco Xavier Pinheiro Torres de Meirelles (1938-1965), esta ocorrida no Xime, em 3 de Junho de 1965, 5.ª feira, local mítico e muito familiar durante a minha presença na Guiné e do contingente da minha CART 3494 (1972-1974), e que fora elaborado em sua memória pela sua família e que, segundo creio, foi editado no âmbito do primeiro aniversário da sua morte.
Daí que, neste último fragmento, recuperaremos algumas das diferentes missões do Capitão Francisco Meirelles, e da sua CCAÇ 508, durante os seus últimos três meses, desde a chegada a Bambadinca, em Março de 1965, até ao fatídico dia da sua morte. Seguir-se-ão as descrições de alguns factos e dos ambientes que os envolveram, que tiveram como corolário a atribuição do seu nome à toponímia da Cidade do Porto. A origem dessa decisão teve por contexto a reunião ordinária da Câmara Municipal do Porto, realizada em 20 de Julho de 1965, onde foi aprovada por unanimidade, em cerimónia pública, a proposta dirigida à Comissão de Toponímia de dar o nome do Capitão Meirelles a uma das ruas ou praças da Foz do Douro. 
2.   - SUBSÍDIOS HISTÓRICOS DA COMPANHIA DE CAÇADORES 508 =
BISSORÃ - BARRO - BIGENE - OLOSSATO - BISSAU - QUINHAMEL - BAMBADINCA - GALOMARO - PONTA DO INGLÊS E XIME (1963-1965)
Foto 2 – Bissorã (1964) - Grupo de militares da CCAÇ 508. [Foto do álbum de Cândido Paredes, com a devida vénia] in: http://lugardoreal.com/imaxe/candido-paredes-e-camaradas-5


Foto 1 – Bissorã (1964) - Grupo de militares da CCAÇ 508. [Foto do álbum de Cândido Paredes, com a devida vénia] in: http://lugardoreal.com/imaxe/candido-paredes-e-camaradas-6


2.1 – SÍNTESE DOS PRIMEIROS DEZOITO MESES
Quadro cronológico da presença da CCAÇ 508 por localidades

A CCAÇ 508 chega a Bissau a 20Jul1963, sábado, a bordo do cargueiro “SOFALA”, sob o comando, interino, do Alferes Augusto Teixeira Cardoso, onde se juntou o Cap Mil Inf João Henriques de Almeida, o seu 1.º Cmdt. Cinco meses após o início do conflito armado na região de Tite, a CCAÇ 508 assumiu a responsabilidade do subsector de Bissorã, então criado, com GrComb destacados em Barro, até 23Dez63, e Bigene, até 26Dez63, ficando integrada no dispositivo e manobra do BCAÇ 507 e, após remodelação daqueles sectores, no BCAÇ 512. Em 26Dez63, passou a ter um GrComb destacado em Olossato.
Em meados de Julho de 1964, chega a esta Companhia Independente o Capitão Francisco Xavier Pinheiro Torres de Meirelles [1938-02-21/1965-06-03], em rendição do anterior Cmdt, Capitão João Almeida. Em 04Set64, 6.ª feira, já então na dependência do BART 645, e depois da chegada da CART 566, a CCAÇ 508 foi substituída no subsector de Bissorã pela CART 643, do antecedente ali colocada em reforço, tendo seguido para o sector de Bissau, a fim de se integrar no dispositivo de segurança e protecção das instalações e das populações da área, com um GrComb destacado em Quinhamel, ficando na dependência do BCAÇ 600.
No início de Março de 1965, com dezoito meses já contabilizados no tempo da sua comissão ultramarina, a Companhia do Capitão Francisco Meirelles foi de novo transferida para uma zona operacional.
2.2 – SÍNTESE OPERACIONAL DO CAPITÃO MEIRELES DURANTE OS SEUS ÚLTIMOS TRÊS MESES
Recebida a ordem para uma nova actividade operacional, agora no Leste, a CCAÇ 508 deslocou-se em 07 e 23Mar65, por grupos, para Bambadinca, por troca com a CCAÇ 526, onde aí ficou instalado o Comando da Companhia, assumindo este a responsabilidade do respectivo subsector, com grupos de combate destacados em Xime e Galomaro e ficando integrada no dispositivo e manobra do BCAÇ 697, sediado em Fá Mandinga, sob o comando do TCor Mário Serra Dias da Costa Campos.
Porém, antes da sua chegada a Bambadinca, cujo sector passou a designar-se por «Sector L1» a partir de 11Jan65, o BCAÇ 697, para desenvolver a intensa actividade operacional, recorria às subunidades do sector e a outras que lhe eram atribuídas como reforço, pois era constituída somente por Comando e CCS.
Uma das primeiras acções planeadas pelo BCAÇ 697, do início de 1965, tinha por objectivo a ocupação seguida da instalação de um aquartelamento na Ponta do Inglês. Essa missão, baptizada de «Operação Farol», foi agendada para os dias 19 e 20Jan65, envolvendo forças da CCAÇ 526, CCAV 678 e Pel AMetr “Daimler” 809, onde, depois, ficou instalada a Companhia de Cavalaria para, a partir de 16Abr65, data em que foi criado o subsector do Xime, ficar reduzida a nível de grupo de combate.
Durante o decorrer desta operação, as NT foram emboscadas, no primeiro dia, pelos guerrilheiros do PAIGC, tendo este sofrido algumas baixas não estimadas e onde foi capturado algum material de guerra, nomeadamente granadas de mão e de RPG. No dia seguinte, forças da CCAÇ 526 e CCAV 678, durante a sua actividade de segurança à distância e por efeito de um reconhecimento na área da Ponta do Inglês-Buruntoni, destruíram um acampamento IN com 15 casas a cerca de 600 mts a sul da antiga tabanca da Ponta do Inglês, tendo capturado mais munições diversas, onde foram encontrados alguns abrigos no lado sul da Ponta do Inglês-Xime, no local da emboscada do dia anterior, onde foram destruídas mais duas casas, a leste da Ponta do Inglês.  
Em 16Abr65, com a criação do novo subsector do Xime, a CCAÇ 508 seria substituída em Bambadinca pela CCAV 678 (que se encontrava na Ponta do Inglês), deslocando-se, então, para o Xime, onde assumiu a responsabilidade deste subsector, com GrComb destacados em Ponta do Inglês e Galomaro.
Em 20Abr65, quatro dias após a instalação do GrComb da CCAÇ 508 na Ponta do Inglês, um GrComb de Paraquedistas (CCP 121), durante a «Operação Coelho» na zona de Galo Corubal, destruiu 12 casas, abateu um guerrilheiro e fez dois prisioneiros. Forças da CCAÇ 510, vindas do Xitole, destruíram várias casas na região de Silibalde e apreenderam granadas de mão ofensivas e defensivas.
Uma semana depois, em 03Jun65, na estrada Xime-Ponta do Inglês, na região de Ponta Varela, a CCAÇ 508 tem mais quatro baixas em combate, sendo uma a do seu Cmdt, o Capitão Francisco Meirelles, por efeito do rebentamento de uma mina “bailarina”.
Foto 3 – (Xime; 03JUN65). Estrada Xime-Ponta do Inglês. Início da operação onde se encontrava o Cap Meirelles [foto gentilmente cedida pelo Cor Morais da Silva].

Foto 4 – (Xime; 03JUN65). Forças da CCaç 508 na zona de Ponta Varela, onde se encontrava o Cap Meirelles [foto gentilmente cedida pelo Cor Morais da Silva].
Recordam-se alguns antecedentes que marcaram este fatídico dia 03Jun65, 5.ª feira.
O Capitão Francisco Meirelles fora incumbido de mostrar a uma equipa de enviados especiais da RTP à Guiné – Afonso Silva (operador) e Luís Miranda (realizador) – como se fazia a detecção de minas, muito frequentes naquela zona [Xime-Ponta Varela], pois em menos de três meses tinham sido levantadas mais de 40. Perto do meio-dia, a umas centenas de metros da tabanca de Ponta Varela, rebentou repentinamente uma mina (“bailarina”) dando origem à morte do capitão Francisco Meirelles e de mais três militares da CCAÇ 508. Os operadores da RTP, que ficaram ilesos, começaram a filmar a cena poucos momentos após a explosão, havendo um documentário fotográfico da operação e das consequências do rebentamento. Parte dessa reportagem filmada foi transmitida pela RTP em 16 de Setembro desse ano, como, aliás, já foi referido em narrativas anteriores.
Na madrugada de 04Jun65, os corpos foram levados para Bafatá, onde ficaram sepultados o 1.º cabo [José Maria dos Santos Corbacho] e os soldados [Domingos João de Oliveira Cardoso e Braima Turé], e onde um avião foi buscar o corpo do Capitão Meirelles.
Trazido para Bissau, ficou depositado na capela militar de Santa Luzia. No dia seguinte, pelas 10 horas, houve missa de corpo presente, celebrada pelo Tenente-Capelão Padre Nazário, finda a qual o cortejo fúnebre dirigiu-se para a capelinha do cemitério onde o caixão permaneceu até ser removido para a Metrópole. Aqui chegou no vapor «Manuel Alfredo» na madrugada de 18Jul65, precisamente quando se perfazia um ano depois da partida para a Guiné (Op. Cit. pp10-11).
3.   - O CAPITÃO FRANCISCO MEIRELLES TEM O SEU NOME NA TOPONÍMIA DA CIDADE DO PORTO, NA ZONA DA FOZ DO DOURO
Após a chegada do seu corpo a Lisboa, o Governador Militar de Lisboa, General Amadeu Buceta Martins quis tributar uma derradeira homenagem a quem foi seu dedicadíssimo ajudante e ordenou que lhe fossem prestadas honras fúnebres, nas quais se dignou tomar parte, assim como o Brigadeiro Couceiro Neto, 2.º Comandante do Governo Militar de Lisboa. Até à 1 hora da madrugada do dia 19, hora em que partiu para o Porto, houve turnos compostos por um oficial, um sargento e quatro praças. Antes, havia sido celebrada missa, às 14 horas, pelo capelão Padre José Maria Braula Reis (1922-), mandada dizer pela Direcção da Arma de Infantaria, e às 19 horas missa celebrada pelo Ver. Padre Júlio Marinho S. J., a pedido da família.
À uma da manhã seguiu, então, o corpo do Capitão Meirelles num armão do Exército, cedido pelo Quartel-General de Lisboa, em direcção ao Porto, onde na Igreja paroquial da Foz do Douro houve missa de corpo presente celebrada pelo Padre Fernando Leite S. J. que já presidira ao seu casamento. Lançou a absolvição final o pároco da Freguesia, Padre Manuel Dias da Costa, que também presidira à sua Profissão de Fé e que pronunciou algumas comovidas palavras ao ver na sua Igreja Paroquial, antes de baixar à sepultura, quem, tantas vezes e tão devotamente, a frequentava.
Tanto na Igreja, como no cemitério, estavam alguns milhares de pessoas, algumas em representação oficial de entidades públicas e privadas, e, entre elas, muitas das mais destacadas figuras da vida intelectual, social, militar e política da cidade.
À porta do cemitério do Prado do Repouso, situado na zona oriental da cidade do Porto (foto 5; ao lado), uma companhia de atiradores deu as salvas do estilo e outra companhia prestou a guarda de honra. E juntos ao jazigo de seus Bisavós, ficou finalmente sepultado. […]
No dia 20 de Julho de 1965, a Câmara Municipal do Porto, na sua reunião ordinária, aprovou por unanimidade as intervenções que, a propósito do falecimento do Capitão Francisco Meirelles, foram proferidas respectivamente pela vereadora Senhora Dona Maria José Novais e pelo Senhor Presidente da Câmara.
Nesta sessão pública e no uso da palavra, a vereadora enalteceu a memória do saudoso e heroico Capitão Francisco Meirelles, por motivo da chegada do seu corpo à Cidade do Porto e dos ofícios fúnebres, traduzidos numa grandiosa manifestação de dor a que comovidos todos assistiram na Igreja paroquial de S. João Baptista da Foz do Douro, associando-se a autarquia à dor daquela família. Ao lembrar o Soldado Desconhecido, fez também questão de recordar com viva emoção, todos quantos deram a vida para dignificar a farda, a Pátria e a Família.
Acrescentando: “Hoje, pelo contrário, vamos relembrar todos os nossos Heróis, num oficial distinto, que viveu junto de nós [desde 1939, quando veio viver com os seus pais para o
Largo de Cadouços, 37], que é portanto muito nosso, e de quem guardamos profunda saudade. O Alferes Francisco Xavier de Meirelles, serviu exemplarmente em Angola, durante dois anos, [com início logo após os acontecimentos de Fevereiro de 1961. Seguiu no primeiro avião com reforços da sua 66.ª Companhia que, depois, foi a 5.ª de Caçadores Especiais do Regimento de Infantaria de Luanda. Depois de tomar parte na sua missão em Luanda e subúrbios foi enviado para Malanje, onde na zona algodoeira houvera um levantamento e onde a sua Companhia ficou adstrita ao Batalhão comandado pelo então Major Camilo Augusto de Miranda Rebocho Vaz (1920-1998). A 15Mar61 foi a sua Companhia retirada inesperadamente de Malanje e enviada para os Dembos, onde se tinham verificado actos de terrorismo. Durante alguns dias a coluna progrediu por Caxito, Quicabo, Nambuangongo e mais além. Instalado, depois, no Caxito o comando da Companhia, foi o seu pelotão destacado para a defesa de algumas localidades, onde esteve com intermitências, como sejam, Úcua, Mabubas, Tabi e Lifune, e mandado auxiliar a defesa de Ambriz, quando do grande ataque a essa povoação. Finda a comissão, regressou no vapor “UÍGE”, tendo chegado a Lisboa em 29 de Março de 1963].
Foi promovido a tenente em 1 de Dezembro de 1962, sendo colocado, após o seu regresso ao Continente, na Região de Tomar. Promovido a capitão em 16 de Junho de 1964 foi novamente mobilizado, desta vez para a Guiné, para onde partiu com outros camaradas a 17 Julho de 1964, no barco de carga «António Carlos».
Continuou a vereadora: “Partiu, deixando sua mulher e dois filhinhos de tenra idade [dois rapazes; um nascido em Abril/1963, o outro em Junho/1964]. Foi nessas longínquas paragens, que soube morrer aos vinte e sete anos, depois de ter sido um magnífico exemplo das mais nobres virtudes morais e cristãs, a ponto de generosamente sacrificar o amor da própria família, que sempre subordinou aos altos interesses da Nação. […] Estas palavras são um apelo à Nação; um apelo a todos nós; para que respeitando tanto sacrifício saibamos honrar e merecer os nossos queridos mortos vivendo com dignidade o momento que passa”.
Partindo dos considerandos supra, a vereadora apresentou uma proposta/pedido dirigido ao Presidente da Câmara solicitando “que a digna Comissão de Toponímia, promovesse no sentido de dar o nome do heroico Capitão Francisco Xavier Pinheiro Torres de Meirelles a uma das ruas ou praças da Foz do Douro, para que ficasse a perpetuar a lembrança dos seus actos de valentia”.
A proposta foi aprovada por unanimidade, passando o «Largo de Cadouços» a chamar-se, a partir de 1966, «Largo do Capitão Pinheiro Torres de Meirelles», conforme se dá conta nas duas imagens abaixo.
Fotos 5 e 6 - Largo do Capitão Pinheiro Torres de Meirelles, Foz do Douro (Porto), em Mar’2019, antigo Largo do Cadouços. (Foto de Virgílio Teixeira, publicada no P19597-LG, com a devida vénia).
F  I  M
Fontes consultadas:
Ø  Estado-Maior do Exército; Comissão para o Estudo das Campanhas de África (1961-1974). Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África; 6.º Volume; Aspectos da Actividade Operacional; Tomo II; Guiné; Livro I; 1.ª edição, Lisboa (2014); p195.
Ø  Capitão Francisco Xavier Pinheiro Torres Meirelles (s/d). Braga, Editora Pax.
Ø  Outras: as referidas em cada caso.

Termino, agradecendo a atenção dispensada.
Com um forte abraço de amizade e votos de muita saúde.
Jorge Araújo.
25SET2019.

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

P381 - A ÚNICA BAIXA EM COMBATE DE UM CAPITÃO NO XIME, A MORTE DO SEU CMDT CAP INF FRANCISCO MEIRELLES EM 03JUN1965 NA PONTA VARELA [PARTE IV]

MSG com data de 21AGO2019


No alinhamento das anteriores narrativas, anexo a PARTE IV da investigação relacionada com a historiografia da CCAÇ 508 (1963/1965), com a continuação do desenvolvimento das principais causas e factos que estiveram na origem da morte do seu Cmdt - o Capitão Francisco Meirelles - em 03Jun1965, na Ponta Varela (Xime). Boas férias. Com um grande abraço e votos de boa saúde.


Jorge Araújo. 

GUINÉ

Jorge Alves Araújo, ex-Furriel Mil. Op. Esp./RANGER, CART 3494
(Xime-Mansambo, 1972/1974)

A COMPANHIA DE CAÇADORES 508 [CCAÇ 508] - (1963-1965) E A MORTE DO SEU CMDT CAP INF FRANCISCO MEIRELLES EM 03JUN1965 NA PONTA VARELA
- A ÚNICA BAIXA EM COMBATE DE UM CAPITÃO NO XIME -
PARTE IV
1.   - INTRODUÇÃO
A presente narrativa, a penúltima relacionada com tema em título, utiliza a mesma metodologia das anteriores – P378, P379 e P380 – onde os diferentes elementos historiográficos, de hoje, se encontram divididos em dois pontos principais.
No primeiro ponto, recuperaram-se mais algumas imagens da história colectiva da Companhia de Caçadores 508 [CCAÇ 508], com recurso ao álbum de Cândido Paredes, condutor auto rodas dessa Unidade, actualmente a residir em Ponte de Lima. No âmbito da actividade operacional, destacaremos, também, algumas missões desenvolvidas nos últimos cinco meses da sua presença no CTIG (1963-1965), na sequência da transferência, em Março de 1965, para o subsector de Bambadinca, para integrar o dispositivo e manobra do BCAÇ 697, então sediado em Fá Mandinga, sob o comando do Tenente-Coronel Mário Serra Dias da Costa Campos, região que passou a ser designada, a partir de 11 de Janeiro de 1965, por «Sector L1».
No segundo ponto, continuaremos a citar o que de mais relevante retirámos das páginas do livro elaborado em memória do capitão Francisco Xavier Pinheiro Torres Meirelles (1938-1965) pela sua família. Neste contexto, como alternativa às dificuldades (em entender a actual política de gestão do audiovisual da nossa “Estação Pública”) no acesso às imagens captadas na Ponta Varela (Xime) pelos enviados especiais da RTP, Afonso Silva (operador) e Luís Miranda (realizador), naquela fatídica manhã de 03 de Junho de 1965, local da morte em combate do capitão Francisco Meirelles, e transmitidas por aquele canal televisivo em 16 de Setembro desse ano, optámos por recuperar uma entrevista radiofónica gravada umas semanas antes, em Bambadinca, pela Emissora Nacional, durante uma operação de patrulhamento sob o comando do Capitão Meirelles.
2.  - SUBSÍDIOS HISTÓRICOS DA COMPANHIA DE CAÇADORES 508 =
BISSORÃ - BARRO - BIGENE - OLOSSATO - BISSAU - QUINHAMEL - BAMBADINCA - GALOMARO - PONTA DO INGLÊS E XIME (1963-1965)
Foto 1 – Bissorã (1964) - Grupo de militares da CCAÇ 508. [Foto do álbum de Cândido Paredes, com a devida vénia] in: http://lugardoreal.com/imaxe/candido-paredes-e-camaradas-14

2.1 – SÍNTESE DOS PRIMEIROS DEZOITO MESES
A CCAÇ 508 chegou a Bissau em 20 de Julho de 1963, sábado, a bordo do cargueiro “SOFALA”, sob o comando, interino, do Alferes Augusto Teixeira Cardoso, onde se juntou o Cap Mil Inf João Henriques de Almeida (?-2007), aquele que seria o seu 1.º Cmdt
Cinco meses após o início do conflito armado na região de Tite, a CCAÇ 508 assumiu a responsabilidade do subsector de Bissorã, então criado, com grupos de combate destacados em Barro, até 23Dez63, e Bigene, até 26Dez63, ficando integrada no dispositivo e manobra do BCAÇ 507, sob o comando do TCor Hélio Esteves Felgas, e, após remodelação daqueles sectores, no BCAÇ 512, sob o comando do TCor António Figueiredo Cardoso. Em 26Dez63, passou a ter um GrComb destacado em Olossato.
Em 11Ago63, dez dias após ter iniciado a sua actividade operacional, tem a sua primeira baixa, por acidente com arma de fogo. Em 12Fev64, com seis meses de comissão, a CCAÇ 508 regista mais duas baixas, estas em combate, em Maqué (Região do Óio), na sequência da sua intensa actividade operacional.

Entretanto, em Julho de 1964, chega a esta Unidade Independente, mobilizada pelo RI7, de Leiria, o Cap Francisco Xavier Pinheiro Torres de Meirelles [1938-02-21/1965-06-03], em rendição do anterior Cmdt, Cap João Almeida. Em 04Set64, já então na dependência do BART 645, sob o comando do TCor António Sobral. Depois da chegada da CART 566, a CCAÇ 508 foi substituída no subsector de Bissorã pela CART 643, do antecedente ali colocada em reforço, tendo seguido para o sector de Bissau, a fim de se integrar no dispositivo de segurança e protecção das instalações e das populações da área, com um GrComb destacado em Quinhamel, ficando na dependência do BCAÇ 600.
Foto 2 – Bissau (1964) - Grupo de militares da CCAÇ 508 junto ao monumento “esforço da raça”. [Foto do álbum de Cândido Paredes, com a devida vénia] in: http://lugardoreal.com/imaxe/candido-paredes-e-camaradas-23

Em 15Nov64, a CCAÇ 508 regista a quarta baixa, com a morte, por afogamento no Rio Geba, em Bafatá, de um soldado. Em 08Fev65, outra baixa, a quinta, desta vez provocada pelo levantamento de uma mina em Jabadá.
Porém, no início de Março de 1965, com dezoito meses já contabilizados na “fita do tempo” da sua comissão ultramarina, a Companhia do Capitão Meirelles é informada da sua transferência (a última) para uma zona operacional.
2.2 – SÍNTESE OPERACIONAL DOS ÚLTIMOS CINCO MESES
Em 07 e 23Mar65, por troca com a CCAÇ 526, a CCAÇ 508 deslocou-se, por fracções para Bambadinca, onde ficou instalado o Comando da Companhia, assumindo a responsabilidade do respectivo subsector, com grupos de combate destacados em Xime e Galomaro e ficando integrada no dispositivo e manobra do BCAÇ 697, sediado em Fá Mandinga, sob o comando do TCor Mário Serra Dias da Costa Campos.
Antes da sua chegada ao Leste, cujo sector passou a designar-se por «Sector L1» a partir de 11Jan65, o BCAÇ 697, para desenvolver a intensa actividade operacional, corolário da planificação, comando e controlo das diversas acções, como eram as missões de patrulhamento de reconhecimento e de recuperação das populações da região, recorria às subunidades do sector e a outras que lhe eram atribuídas como reforço, pois era constituída somente por Comando e CCS.
Uma das primeiras acções planeadas pelo BCAÇ 697, do início de 1965, tinha por objectivo a ocupação seguida da instalação de um aquartelamento na Ponta do Inglês (Mata do Fiofioli). Essa missão, baptizada de «Operação Farol», foi agendada para os dias 19 e 20Jan, envolvendo forças da CCAÇ 526, CCAV 678 e Pel AMetr “Daimler” 809, onde, depois, ficou instalada a Companhia de Cavalaria para, a partir de 16Abr65, data em que foi criado o subsector do Xime, ficar reduzida a nível de grupo de combate.
Durante o decorrer desta operação, as NT foram emboscadas, no primeiro dia, pelos guerrilheiros do PAIGC, tendo este sofrido algumas baixas não estimadas e onde foi capturado algum material e guerra, nomeadamente granadas de mão e de RPG. No dia seguinte, forças da CCAÇ 526 e CCAV 678, durante a sua actividade de segurança à distância e por efeito de um reconhecimento na área da Ponta do Inglês-Buruntoni, destruíram um acampamento IN com 15 casas a cerca de 600 mts a sul da antiga tabanca da Ponta do Inglês, tendo capturado mais munições diversas, onde foram encontrados alguns abrigos no lado sul da Ponta do Inglês-Xime, no local da emboscada do dia anterior, onde foram destruídas mais duas casas, a leste da Ponta do Inglês.  
Com a criação do novo subsector do Xime, a CCAÇ 508 seria substituída em Bambadinca pela CCAV 678 (que se encontrava na Ponta do Inglês), deslocando-se, então, para o Xime, onde assumiu a responsabilidade deste subsector, com grupos de combate destacados em Ponta do Inglês e Galomaro.
Em 20Abr65, quatro dias após a instalação do GrComb da CCAÇ 508 na Ponta do Inglês, um GrComb de Paraquedistas (CCP 121), durante a «Operação Coelho» na zona de Galo Corubal, destruiu 12 casas, abateu um guerrilheiro e fez dois prisioneiros. Forças da CCAÇ 510, vindas do Xitole, destruíram várias casas na região de Silibalde e apreenderam granadas de mão ofensivas e defensivas.
Em 27Mai65, a CCAÇ 508 regista a sexta baixa, com a morte em combate, no Xime, de um soldado condutor.
Uma semana depois, em 03Jun65, na estrada Xime-Ponta do Inglês, na região da Ponta Varela, a CCAÇ 508 tem mais quatro baixas em combate, sendo uma a do seu Cmdt, o Capitão Francisco Meirelles, por efeito do rebentamento de uma mina “bailarina” [P-III].
Foto 3 – Ponta Varela (Xime), 03JUN1965. Momentos após a explosão que vitimou o Cap Francisco Meirelles, o 1.º Cb José Corbacho, o Sold Domingos Cardoso e o Caç Nat Braima Turé, todos da CCAÇ 508 [foto gentilmente cedida pelo Cor Morais da Silva].

Foto 4 – Ponta Varela (Xime), 03JUN1965. Momentos após a explosão que vitimou quatro camaradas da CCAÇ 508, entre eles o Cap. Francisco Meirelles [foto gentilmente cedida pelo Cor Morais da Silva].

Em 06Ago65, após a chegada da CCAÇ 1439 para treino operacional, a CCAÇ 508 foi rendida no subsector do Xime por forças da CCAV 678, recolhendo imediatamente a Bissau, a fim de efectuar o embarque de regresso ao Continente, após dois anos de comissão, onde contabilizou uma dezena de baixas.
A viagem de regresso iniciou-se a 07Ago65, sábado, a bordo do vapor «Alfredo da Silva», com a chegada ao cais de Alcântara, Lisboa, a ter lugar sete dias depois.
3.  - A ACTIVIDADE OPERACIONAL DO CAP FRANCISCO MEIRELLES E DA SUA UNIDADE ANTES DA SUA MORTE EM 03JUN1965
Fazendo parte do dispositivo e manobra do BCAÇ 697, estavam atribuídas à CCAÇ 508 todas as missões emanadas do comando do «Sector L1», nomeadamente: patrulhamentos de reconhecimento, contactos com as populações da região e o competente enquadramento dos grupos de milícias em regime de auto-defesa.
Neste âmbito, recupero um fragmento publicado no livro do Capitão Meirelles (pp 35-37), extraído de um artigo escrito por Amândio César (1921-1987), que fora lido, na íntegra, aos microfones da Emissora Nacional e que, posteriormente, foi publicado no «Diário do Norte» de 19 de Outubro de 1965.
 Este texto está, ainda, plasmado no livro, «Guiné, 1965: Contra-ataque», Braga, Editora Pax, Colecção: Metrópole e Ultramar, de que é autor Amândio César, cuja capa se reproduz abaixo.
O texto tem por título: «Em Bambadinca – Uma tabanca em auto-defesa».
[…]
Foi na companhia do Capitão Torres de Meirelles que visitei uma tabanca em auto-defesa, uma das muitas tabancas onde a população civil, devidamente preparada pela nossa tropa
faz frente aos eventuais ataques dos salteadores, a soldo de potências estrangeiras inimigas. Segui no «jeep» do Capitão Torres de Meirelles e, desta nossa visita, ficou-me a recordação das fotografias que tirámos, uma das quais neste mesmo «jeep», exactamente quando saímos da Tabanca de Amedalai, a caminho de Bambadinca para o salto ao aeroporto [Bafatá].
A tabanca estava devidamente guardada e vigiada, sem que nós nos apercebêssemos do facto. Os seus moradores surgiam diante de nós, como por encanto, trazendo as suas espingardas, o seu armamento, nos seus trajos característicos. Era a autêntica guerra patriótica, sentida e vivida pela população pacífica que as eventualidades do destino tinham transformado em guerreiros valentes e intimoratos. Percorremos toda a tabanca, entrámos nas casas dos seus naturais, praticámos o seu viver do dia-a-dia. O Comandante Cyrne de Castro conseguiu uma bela tábua, onde, em marabu, se ministrava os ensinamentos do Corão. (…) As fotos chegaram-me às mãos, mandadas a 30 de Maio [de 1965], da Guiné. Dias depois o Capitão Torres de Meirelles encontrava a morte; foi a sua última recordação…”.
Foto 5 - Amedalai (Abr1965) – Da esquerda para a direita: Amândio César, Administrador Augusto Cabrita, Cmdt Cyrne de Castro, Cap Francisco Meirelles (ao volante) e Alf Ferreira [op.cit. p.38, com a devida vénia].
Foto 6 - Amedalai (13Set73) - Aldeamento de A/D de Amedalai (oito anos depois da foto acima), onde estava instalado o PMil 241, na sequência de um ataque com RPG e armas automáticas. Para além do estado em que ficou a Daimler do PRecD 8681, nada mais houve a registar. Nessa ocasião encontrava-me com a minha secção (+) no Destacamento da Ponte do Rio Udunduma, pelo que ainda guardo na memória esta ocorrência 

Outro fragmento a merecer relevância neste contexto, reporta-se a uma entrevista dada em Bambadinca pelo Capitão Meirelles ao locutor Fernando Garcia (1926-2015) e transmitida pela Emissora Nacional, depois de ser pública a notícia da sua morte.
Assim, em 8 de Junho de 1965 [vai fazer cinquenta e quatro anos], a Emissora Nacional transmitiu essa reportagem radiofónica na qual se incluía a entrevista acima referida, obtida na Guiné com o Capitão Meirelles, onde aquele locutor [FG] a fez preceder de algumas palavras evocativas da sua memória.
Eis as primeiras palavras: “A Emissora Nacional vai transmitir hoje mais uma reportagem realizada na província ultramarina da Guiné, onde os soldados portugueses estão a levar a cabo uma obra a todos os títulos notável.” (…)
Segue-se a transcrição da entrevista:
Introdução: - “De Bambadinca fala a reportagem da Emissora Nacional. Em Bambadinca está instalada uma unidade militar. Bambadinca quer dizer em mandinga – Cova do Lagarto – talvez até devido ao facto de neste lugar existirem bastantes lagartos. Neste momento vai partir uma operação de patrulha, operação de rotina que se regista frequentemente, cremos que diariamente, ou até mais do que uma vez por dia. Em qualquer caso nós vamos conversar com o Capitão Torres de Meirelles [CM], encarregado do comando desta coluna militar.
FG – Ora, quer falar-nos desta operação de patrulhamento e dizer-nos como é que ela se costuma processar?
CM – Esta operação de patrulhamento, como disse, é absolutamente de rotina. Executa-se várias vezes por dia, tanto com tropas de linha, caçadores europeus, como com tropa nativa, caçadores nativos. Todos os dias e várias vezes ao dia todo o terreno da nossa região é batido por patrulhamentos de reconhecimento, mantendo assim as populações debaixo de um estado de segurança e de alerta.
FG – Quer dizer, portanto, que para além do facto de procurar desfeitear o inimigo, onde quer que ele surja, compete também a esta unidade e a estas colunas de patrulhamento vigiar as populações e velar pela sua segurança?
CM – Exactamente, se bem que a população dentro desta área, que é muito grande, está em regime de auto-defesa. O pessoal das tabancas defende-se a si próprio, isto é, está armado e defende-se a si próprio.
FG – Quer dizer, portanto, que há muita confiança em toda a população?
CM – Absoluta, absoluta.
FG – Se assim não fosse não seriam entregues armas para eles se defenderem no caso de qualquer ataque inimigo.
CM – Exactamente.
FG – Agora, uma vez que vamos partir, agradecemos estes esclarecimentos e voltaremos a contactar consigo ou no meio desta operação ou até depois da missão terminada.
CM – De acordo.
……
FG - Terminou já esta operação de patrulha de uma coluna militar. De novo em Bambadinca vamos procurar registar agora a opinião final do Capitão Meirelles, que comandou esta coluna militar. Entretanto, nada de novo. Missão cumprida e nada de especial surgiu nesta operação de patrulha. Durante o caminho, conforme o Capitão Meirelles já nos havia confiado à partida, encontrámos vários elementos civis armados, pois eles próprios fazem a vigilância e patrulhamento desta região. Depois de termos visitado o lugar de Amedalai, saímos, tomámos de novo a estrada [de terra batida] e regressámos ao aquartelamento de Bambadinca. A coluna militar continua a entrar no aquartelamento. Mais alguns veículos dirigem-se para o local onde nos encontramos. Num desses veículos veio o Capitão Meirelles que comandou esta operação. Ele acaba de chegar. Vários outros carros seguem-no e nós vamos trocar impressões com ele.
FG – Capitão Meirelles: gostaríamos, agora, que depois de terminada esta operação de patrulha nos confiasse o que se passou, muito embora tivéssemos tomado parte dela.
CM – Ora bem, nós fomos daqui, como viram, a Amedalai. Esta estrada tem tabancas perto e portanto tem pessoal armado e está mais ou menos defendida. O único cuidado que há a ter é com o problema das minas que podem ser instaladas na estrada. Para isso levamos equipas de batedores bastante expeditos com aqueles utensílios que viram e que se parecem com os engaços da Metrópole. Vão picando a estrada toda e vão vendo se há alguma coisa. Aqui nesta zona já foram caçadas bastantes minas, bastantes, mesmo, e nunca rebentou nenhuma.
FG – Ah! Nunca rebentou nenhuma?
CM – Não. Nunca rebentou nenhuma. Foram todas detectadas.
FG – Hoje, porém, nesta operação não foi encontrada qualquer mina?
CM – Não. Não foi encontrada mina nenhuma. De resto é natural, pois logo de manhãzinha cedo veio um grupo de pesquisadores que percorreu estra estrada em que nós seguimos, em sentido inverso e fez a pesquisa das minas. Esse grupo é de nativos, caçadores nativos   FG – Quer dizer, portanto, que se tivesse havido minas já eles as tinham detectado?
CM – Sim, já as tinham detectado e nós íamos lá levantá-las.
FG – Não lhe parece que é um caso de certo modo singular o facto de haver várias minas espalhadas por uma estrada e todas elas serem detectadas até hoje?
CM – É. Revela uma eficácia bastante grande do grupo de pesquisadores e também bastante sorte, pois para isso nestes casos é preciso sorte. É preciso sorte para encontrar as minas, pois às vezes podem não se encontrar.
Também foram entrevistados na mesma reportagem: o Senhor Tenente-Coronel Mário Campos, Cmdt do BCAÇ 697; o regedor de Badorá, Mamadu Sanhá e o soldado fula Samba Valdé. (op.cit, pp. 27-29)
Termina, dizendo:
De Bambadinca falou a reportagem da Emissora Nacional em serviço na Província da Guiné com as Forças Armadas Portuguesas. Ouviram «Missão de Soberania», reportagem pelas Forças Armadas em serviço da Província Ultramarina da Guiné em colaboração com a Defesa Nacional – Serviço de Informação Pública”.
Continua…
Fontes consultadas:
Ø  Estado-Maior do Exército; Comissão para o Estudo das Campanhas de África (1961-1974). Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África; 6.º Volume; Aspectos da Actividade Operacional; Tomo II; Guiné; Livro I; 1.ª edição, Lisboa (2014); p195.
Ø  Estado-Maior do Exército; Comissão para o Estudo das Campanhas de África (1961-1974). Resenha Histórico-Militar das Campanhas de África; 7.º Volume; Fichas das Unidades; Tomo II; Guiné; 1.ª edição, Lisboa (2002); p321.
Ø  Capitão Francisco Xavier Pinheiro Torres Meirelles (s/d). Braga. Editora Pax.
Ø  Outras: as referidas em cada caso.

Termino, agradecendo a atenção dispensada.
Com um forte abraço de amizade e votos de muita saúde.
Jorge Araújo.
21AGO2019.