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sexta-feira, 17 de abril de 2026

P459 -A viagem até Bissau durou nove horas, uma travessia longa, silenciosa, feita de pensamentos que ninguém ousava partilhar. A meio do percurso fizemos uma paragem de cerca de uma hora na Ilha do Sal, em Cabo Verde Por: Sousa de Castro

 


Memórias da ida para a Guerra da Guiné
integrado na CART 3494/BART 3873

 António Castro, ex. 1º Cabo Radiotelegrafista

(Guiné, 27 de janeiro de1972 a 03 de abril 1974)


A Mobilização

Xime 1972
Após concluir a formação da especialidade de radiotelegrafista no Rtm (Porto),
localizado em Arca d'Água, com duração de 4 meses, entre 04 de julho e 06 de novembro de 1971, com a classificação de 17,25 valores, radiotelegrafista (TE), permaneci no mesmo quartel até à data da mobilização, que ocorreu a 14 de dezembro, data em que tive de me apresentar em Vila Nova de Gaia no RAP-2 (Regimento de Artilharia Pesada 2). Ali encontrei os meus camaradas da CART 3494/BART 3873 já mobilizados, que partiriam no dia seguinte para Lisboa por via férrea a fim de embarcarem no N/M Niassa com destino à Guiné. Eu teria de gozar ainda os 10 dias de licença que obrigatoriamente tínhamos direito antes do embarque.

Nota curiosa: Sabia que, tendo em conta a minha classificação seria automaticamente promovido a 1º cabo, mas, não houve cerimónia nem me deram as respetivas divisas, fui para a Guiné sem as mesmas, muito embora o meu bilhete de identidade constasse como 1º cabo radiotelegrafista, assim para não ter problemas com a Polícia Militar, em Bissau comprei as divisas. Foi através da caderneta militar que fiquei a saber que a data da minha promoção ocorreu no dia 07NOV1971. O mais caricato desta situação, foi que no espolio pediram-me um par de divisas que não me tinham sido entregues.




 - O Embarque

O dia 27 de janeiro de 1972 marcou a fronteira entre o que eu era e o que viria a ser. Embarquei por via aérea num avião dos TAM (transporte aéreo militar) DC‑6 em Lisboa com a inquietação de quem parte para o desconhecido. O avião levantou voo pesado, como se carregasse não só homens, mas também os medos que cada um escondia no fundo do peito.

Douglas DC6 dos Transportes Aéreos Militares (TAM) Créditos: Página dos Especialistas do AB4 e Luís Graça & Camaradas da Guiné

A viagem até Bissau durou nove horas, uma travessia longa, silenciosa, feita de pensamentos que ninguém ousava partilhar. A meio do percurso fizemos uma paragem de cerca de uma hora na Ilha do Sal, em Cabo Verde. Aquela escala breve, entre o céu e o mar, parecia suspender o tempo — como se fosse o último momento de respiração antes do mergulho definitivo na guerra.

Foi naquele lugar seco e brilhante que escrevi e enviei o meu primeiro postal à minha esposa. Ela não sabia a data do meu embarque, porque eu preferi não lha dizer para não a preocupar. 

«As despedidas tinham sido feitas em 25 de dezembro de 1971, na estação de Barroselas, quando tive de me apresentar no quartel RAP-2, em Vila Nova de Gaia, depois dos dez dias de licença antes do embarque. 

Por indicação superior, voltei a casa para passar o Natal com a família e regressar no dia seguinte. Depois de me apresentar no quartel, alguns dias mais tarde, recebo ordem para me apresentar no Depósito Geral de Adidos, em Lisboa, onde os militares recebiam a guia de marcha antes de seguirem para o Ultramar. 

Lá, passados uns dias entregaram-me a respetiva guia para embarcar para a Guiné, no dia 26 de janeiro, por avião. No entanto, quando já estávamos prontos para partir, tivemos de desembarcar por causa de uma avaria mecânica, regressando ao DGA para voltar no dia seguinte.»  

Depois da escala, voltámos a levantar voo. O DC‑6 avançou sobre o Atlântico como se nos empurrasse para um destino inevitável. Quando finalmente aterrámos em Bissau, o ar quente e húmido recebeu-me como um aviso silencioso: a partir daqui, és outro.

Levaram-me para o quartel dos adidos, em Brá, passados um dia ou dois fui apresentar-me no Agrupamento de transmissões em Santa Luzia.

Bissau, 1972 - 1º sarg. Caldas em 1º plano, eu, de costas

Durante o mês em que permaneci em Bissau, tive a sorte de ser acolhido na casa
de um conterrâneo do 1.º Sargento, Manuel da Silva Caldas e da sua família. Ele, chefe do STM — “Serviço de Telecomunicações Militares” — no agrupamento TRMS do Quartel de Santa Luzia, abriu-me a porta como se eu fosse um filho que regressava de longe. Aquele lar improvisado, tão distante do meu, deu‑me um chão firme num momento em que tudo era novo. A mesa partilhada, as conversas, a rotina possível — tudo isso ajudou a suavizar o peso da guerra que se aproximava.

 - O Estágio no Quartel de Santa Luzia em Bissau

Fiquei um mês em Bissau, frequentei estágio de radiotelegrafista. Era um tempo de adaptação, mas também de disciplina. Passava horas a fio a praticar grafia, o velho morse que se tornaria a minha segunda respiração. O som seco dos pontos e traços marcava o ritmo dos dias, como se cada mensagem fosse um pequeno exercício de sobrevivência.


Bissau 1972 - Agrupamento das TRMS

Ali aprendi não apenas a transmitir — aprendi a ouvir. A distinguir interferências, a reconhecer padrões, a perceber quando uma mensagem vinha limpa ou quando escondia urgência. E, acima de tudo, aprendi os procedimentos de segurança: como manter silêncio rádio, como evitar que uma falha minha colocasse homens em risco.

A fonia também fazia parte do treino, mas era a grafia que exigia mais de mim. A fonia era rápida; o morse era preciso. E na Guiné, a precisão salvava vidas.

 - A Ida para o Xime

Em 3 março de 1972, segui para o mato por via aérea a partir do aeroporto de Bissalanca, (hoje, aeroporto internacional Osvaldo Vieira). O avião era um Dakota, daqueles que tremiam como se carregassem memórias de todas as guerras anteriores. Aterrámos em Bafatá, e dali seguimos em coluna auto, com paragem em Bambadinca, onde o cheiro a poeira e gasóleo parecia anunciar que o interior da Guiné tinha regras próprias

Dakota no AM43 – Camaxilo – Crédito: CLUBE DE ESPECIALISTAS DO AB4

O destino final era o Xime, onde a minha companhia CART 3494 estava aquartelado. E o Xime não era apenas um aquartelamento — era um teste diário à resistência de cada homem.

Ali, entre o Geba castanho e a mata cerrada, aprendi que o silêncio nunca era silêncio. Havia sempre um rumor, um estalar, um pressentimento. E quando a noite caía, caía mesmo — pesada, espessa, cheia de sombras que pareciam mover-se sozinhas.

O posto de Transmissões, era num local sem segurança, sempre que eramos flagelados tínhamos de procurar um abrigo próximo. Operava em grafia (código morse) com o emissor receptor AN/GRC-9 e em fonia com o AVP-1 conhecido por banana e o TR-28 (racal). Eu pertencia às Transmissões de Engenharia, e o meu trabalho era feito num posto fixo, dentro do aquartelamento. Não participava nas operações. Essas cabiam aos TRMS de infantaria, que saíam com o Racal (TR‑28) e com o AVP‑1, acompanhando os grupos de combate nas picadas, nas emboscadas, nos reconhecimentos.

O meu mundo era outro. Eu ficava no coração das comunicações, onde a guerra chegava em forma de sons metálicos, interferências, códigos e urgências. Fazia escuta permanente e transmitia quando era preciso — e era preciso muitas vezes. Era ali, naquele posto fixo, que mantinha vivas as ligações com Bambadinca, Mansambo, Enxalé e Xitole. Era ali que recebia pedidos, alertas, relatórios, mensagens codificadas. E era dali que partiam as comunicações que podiam decidir se uma operação avançava, recuava ou pedia evacuação. A guerra, para mim, não era a picada. Era o som seco do morse, a tensão da escuta, o silêncio que precedia uma mensagem urgente, a responsabilidade de não falhar. E, no fim, era a certeza de que, mesmo sem sair do aquartelamento, eu estava ligado a todos os que lá fora arriscavam a vida.

Xime 1972 - junto ao posto de TRMS com o meu amigo Ramos à esq., apontador de morteiro 81 mm, fal. em 22/11/2012 vítima de doença súbita

Para além de numerosos contactos com o inimigo no terreno em operações, emboscadas etc., no aquartelamento fomos muitas vezes flagelados (17) com armas pesadas e ligeiras, nomeadamente: AK 47 (Kalashnikov) canhão s/recuo, morteiro 82 mm, RPG – 7, RPG – 2 e Foguetões.

1972 – À minha esq. Op Cripto Cândido (Pinóquio) com armas apreendidas ao IN


O Regresso

A guerra molda-nos sem pedir licença. E, quando chegou o dia 3 de abril de 1974, o dia do regresso, senti que deixava para trás uma parte de mim que nunca mais recuperaria.

Regressei por via aérea num Boeing 707, como tinha chegado. Partimos do aeroporto de Bissalanca, hoje, (Osvaldo Vieira), em Bissau, às 13 horas locais, 15 horas na Metrópole, e aterrámos no aeroporto de Figo Maduro, em Lisboa, por volta das 18h45. Nesse mesmo local, entregámos toda a farda militar que nos havia sido distribuída.

Boeing 707 da Força Aérea Portuguesa

Créditos: Página dos Especialistas do AB4 e Luís Graça & Camaradas da Guiné

Embora tivesse bilhete do Exército para a viagem de comboio, aceitei, a convite de um furriel, fazer a viagem de táxi de Lisboa até casa, juntamente com três furriéis: Domingues, Dias e Carvalhido da Ponte. Tinha apenas 200$00, que um camarada me emprestara e que eu julgava suficientes para pagar a minha parte da viagem. No entanto, fizemos uma paragem para jantar, creio que em Rio Maior, e o dinheiro deixou de chegar. Mais tarde, em Coimbra, parámos para tomar café, pago por um dos furriéis. A viagem prosseguiu, sempre com a preocupação de como resolver a situação.

O Dias e o Domingues ficaram no Porto, e eu e o Carvalhido da Ponte continuámos até às nossas casas. Ao chegar, disse-lhe que iria pedir dinheiro aos meus pais para lhe pagar, ao que ele respondeu: “Depois encontramo-nos em Viana do Castelo e resolvemos isso.” Foi um grande alívio. 

Acabámos por nos encontrar e saldar a dívida, bem como devolver os 200$00 emprestados por Dionísio Dantas Fernandes, ajudante de cozinheiro.

Mas o homem que regressou não era o mesmo que partira. Tinham passado 26 meses e 7 dias na guerra da Guiné.


Ao chegar a casa


A 9 dias de assentar praça no RI-8 em Braga, a minha casa em fundo

Naquela altura da minha chegada a casa, em Barroselas, concelho de Viana do Castelo, no dia 4 de abril de 1974, antes de bater à porta, olhei à minha volta e senti tudo muito estranho. Dei comigo a pensar: ainda há pouco estava na Guiné… tinham passado apenas umas horas e agora já estava em casa.

Bati à porta, mais ou menos pelas três da manhã, ou coisa parecida. De dentro, ouvi a voz do meu pai:

— Quem é?

Respondi:

— Não é ninguém!

Imediatamente, me surpreendeu aquela efusividade da minha esposa com o filho de 20 meses que não conhecia pessoalmente, dos meus Pais e minha irmã, a dizerem:

— É o Tono, é o Tono! (António)

E pronto: foram abraços, alegria, emoção… E eu sem jeito nenhum, sem saber o que dizer.

Logo pela manhã, fui dar uma volta pela zona. Voltei a sentir-me estranho, com vergonha de entrar nos cafés, de enfrentar as pessoas e de ter de responder a tantas perguntas que, para mim, não faziam sentido. Custava-me dar respostas.

Hoje, tantos anos depois, sei que a CART 3494 não foi apenas uma unidade militar. Foi uma família improvisada, forjada no calor, na lama, no perigo e na necessidade absoluta de confiar uns nos outros.

E cada vez que nos juntamos — em cada convívio, em cada abraço, em cada história repetida — é como se o rádio voltasse a ganhar vida, e a ligação entre nós se mantivesse tão forte como naquele tempo.

Porque, no fundo, a guerra passa, mas os homens que a viveram nunca se perdem uns dos outros.

António Castro,

ex. 1º cabo radiotelegrafista da CART 3494

07ABR2026



quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

MSG 456 - BOAS FESTAS AO COLETIVO DA CART 3494, Jorge Araújo ex. Fur. Milº Ranger

 

Caríssimo Camarada Sousa de Castro.

 Bom dia desde "as arábias".

 Mantendo a tradição envio, para os devidos efeitos, o meu postal de BOAS FESTAS (de há 53 anos) dirigido ao colectivo da CART 3494, e respectivas famílias, desejando a todos um SANTO NATAL e um melhor ANO de 2026, com muita saúde e algum patacão.

Com um forte abraço de amizade.

Jorge Araújo.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2025

MSG 455 - Natal 2025: Na guerra construindo a paz! CART 3494 - Próspero Ano Novo

 



Mensagem de Natal para os camaradas da 
CART 3494/BART 3873 🎄

Guiné - Embarque a 22 dezembro 1971 regresso a 3 abril 1974 

XIME, ENXALÉ E MANSAMBO


Neste Natal, que o espírito de união, coragem e fraternidade que sempre nos guiou na CART 3494 continue a iluminar os nossos caminhos. Sob o nosso lema — "Na guerra, construindo a paz" — celebramos não só as memórias que nos unem, mas também o compromisso de manter viva a nossa camaradagem.

Que esta época festiva traga paz aos corações, saúde às famílias e força para continuarmos juntos, como sempre estivemos.


📅 Próximo convívio: Será realizado na zona de Oliveira do Hospital, no dia 6 de junho de 2026

Para mais informações, contacta o camarada José do Espírito Santo Vicente pelo número 913 070 993

Um forte abraço a todos os irmãos de armas. Boas Festas e um Ano Novo cheio de esperança e reencontros! 🎁✨

Sousa de Castro

Natal 2024:BOAS FESTAS NATALÍCIAS PARA O COLETIVO DA CART 3494/BART3873, GUINÉ DEC71/ABR1974 - XIME, ENXALÉ E MANSAMBO

terça-feira, 22 de abril de 2025

MSG 452 - 38.º Encontro / Convívio da Companhia de Artilharia 3494 do Batalhão de Artilharia 3873 em: Montemor O Velho

 

38.º Encontro / Convívio da Companhia de Artilharia 3494 do Batalhão de Artilharia 3873

«NA GUERRA CONSTRUINDO A PAZ».

Serviu Portugal na Província Ultramarina da Guiné,

no período de 28 de Dezembro de 1971 a 03 de Abril de 1973

DATA DA REALIZAÇÃO DO EVENTO: 07 de Junho de 2025

HORA DE INICIO: 10H00

LOCAL DO EVENTO: "Quinta do Taipal", Montemor-o-Velho (Largo Quinta do Taipal, n.º 4

3140-254 Montemor-o-Velho

GPS: 40.1739, -8.68739 "Quinta do Taipal" 

DISTRITO DO EVENTO: Coimbra

INSCRIÇÃO (TELEFONE, E-MAIL OU OUTRO CONTACTO): António Bonito

963 529 764 - 233 920 441 - antonio.bonito@sapo.pt

NOME DO RESPONSÁVEL PELO EVENTO: António Bonito

TEXTO DO EVENTO: Caros Companheiros d'armas,

Está em marcha a realização do 38.º encontro / convívio da CART 3494.

Dia 03 de abril de 2025 é o dia de aniversário da nossa chegada da Guiné, toda a malta foi à sua vidinha, faz 51 anos, passaram muito rápido.

A concentração dos mobilizados começou a15 de novembro de 1971 e terminou a 27 do mesmo mês no Regimento de Artilharia Pesada n.º 2 em Vila Nova de Gaia.

Depois da viagem no dia 21 para Lisboa por caminho de ferro, embarcou para a Guiné em 22 de dezembro de 1971 a bordo do navio N/M «NIASSA». Foram 27 meses e 12 dias de comissão.

Assim, vamo-nos juntar para comemorar essa data no dia 07 de Junho de 2025 num grande encontro/convívio em Montemor-o-Velho que o ex. Fur. Mil.º Inf.ª Bonito está a preparar, apelamos a uma grande participação, é fundamental que assim seja, para homenagear também todos aqueles que de uma forma ou outra deixaram a vida terrena, já são 42 camaradas que temos conhecimento, mas, devem ser mais!.

CONCENTRAÇÃO NO CASTELO DE MONTEMOR-O-VELHO.

 

Coordenadas GPS: 40°10'33.89"N

                                   8°40'57.57"W

Ementa

 

Entradas nas mesas

-Sopa de legumes e Sopa da Pedra

-Bacalhau c/ broa e legumes

-Medalhão com brócolos

Sobremesa

 Mini Pastel, Fruta laminada

 Bolo aniversário da Companhia

 Bebidas: tinto ou branco – cerveja, sumos, champanhe, etc.


Lista de inscrições

- 1) Abel Maia Pinho Campos - Oliveira de Azemeis (2)

- 2) Abílio Soares Rodrigues - Estarreja (Não)

- 3) Acácio Dias Correia - Linda A Velha (Não)

- 4) Adelino Alves Pereira - Joane (Não)

- 5) Alberto D'Aparecida Couto - Aldreu, Barcelos (Não)

- 6) Alcides de Sá Pinto Castro - São João de Ver (Não)

- 7) Alcindo Joaquim Pereira da Silva - Matosinhos (1)

- 8) António Augusto Jesus dos Santos - Lavradio (Não)

- 9) António de Sousa Bonito - Carapinheira FIG (1)

- 10) António Espadinha Carda - Ponte de Sor (2)

- 11) António Gomes de Azevedo - Fermedo (2)

- 12) António Joaquim Serradas Pereira - Leiria (2)

- 13) António José Pereira da Costa - Men Martins (Não)

- 14) António Júlio Peixoto - Arcozelo (2)

- 15) António Manuel Sousa de Castro - Viana do Castelo (2)

- 16) Armandino Carvalho dos Santos - Champigni Sur Marne, França (2)

- 17) Armando Alves Dias - Espinho (3)

- 18) Carlos de Sousa Simões - Carapinheira (1)

- 19) Carlos Duarte Teixeira - Tondela (4+2)

- 20) Celestino da Cunha Rodrigues - Barbudo, Vila Verde (Fal. Junho 2024)

- 21) Dionisio Dantas Fernandes - Vila Franca - Viana do Castelo (Não)

- 22) Fernando Loureiro de Sousa - Ilhavo (Não)

- 23) Fernando Manuel da Silva - Mirandela (problema saúde)

- 24) Fernando Martins Teixeira - Maia (1)

- 25) Francisco Adolfo Pereira Ribeiro - Ronfe (2)

- 26) Francisco Costa Ferreira Inocêncio - Santo Estêvão de Briteiros (1)

- 27) Francisco da Costa Pereira - Pataias (2)

- 28) Gregório Caetano dos Santos  Batalha (2)

- 29) João António David Godinho - Ponte de Sor (2)

- 30) João Domingos de Sousa Machado - Travassos, Póvoa de Lanhoso (3)

- 31) João Ruivo Fernandes - Oeiras (2)

- 32) Joaquim da Silva Oliveira - Tondela (1)

- 33) Joaquim Manuel Lino Monteiro - Paços de Ferreira (1)

- 34) Joaquim Moreira de Sousa - Vila Garcia, Amarante (4)

- 35) Joaquim Olimpo Milheiro Volta e Silva - Lourosa (problema familiar)

- 36) Jorge Alves Araújo - Almada (está em Singapura)

- 37) Jorge Manuel Marques da Costa - V. N. de Gaia (4)

- 38) José do Espírito Santo Vicente - Nogueira do Cravo OHP (2)

- 39) José Emilio Lima Tojal - Portimão (Não)

- 40) José Fernando da Cruz Moreira - Aveiro (1)

- 41) José Luíz Carvalhido da Ponte - Meadela, Viana do Castelo (Não)

- 42) José Martins Mendes - Arouca (6+2 crianças)

- 43) José do Nascimento Ramos - Mêda (Não)

- 44) Luciano José Marcelino de Jesus - Cascais (2)

- 45) Lúcio Damiano Monteiro da Silva - Moreira de Cónegos (1)

- 46) Luís Coutinho Domingues - Rio Tinto, Porto (1)

- 47) Luis Fernando Pereira Romão - Faro (Não)

- 48) Manuel Amorim do Alto - Terroso - Póvoa de Varzim (3)

- 49) Manuel Dias Jeremias - Maia - Porto (1)

- 50) Manuel Filipe Lourenço Lino - Lisboa (1)

- 51) Manuel Gonçalves da Costa - Rio Mau - Vila do Conde (1)

- 52) Manuel Guedes Ferreira - São João OVR (2)

- 53) Manuel Henrique Moreira Martins - Lordelo PRD (À espera de ser operado)

- 54) Manuel de Medeiros - Porto (Não)

- 55) Manuel Pedrosa Alves do Couto - Esmoriz (2)

- 56) Mauricio Viegas - Oeiras (3)

- 57) Nelson Marques Cardoso - Dade, Viseu (Não)

- 58) Vasco Alfredo de Matos Miranda - Gafanha da Nazaré (2)

- 59) Adriano Neto (CART 3521) (2)

- 60) Ex. Fur. Brito (2)

TOTAL: 81 adultos + 4 crianças

Convívio anterior aqui:  RESCALDO DO 37º CONVÍVIO DA CART 3494 REALIZADO NO QUARTEL DA SERRA DO PILAR (EX. RAP-2) VILA NOVA DE GAIA


 ??)

terça-feira, 1 de abril de 2025

MSG 451 - (Convívios) 38º convívio CART 3494/BART 3873 em Montemor O Velho na "QUINTA DO TAIPAL" NO DIA 07 DE JUNHO DE 2025

Caros companheiros d'armas,

Está em marcha a realização do 38º encontro/convívio da CART 3494. 

Dia 03 de abril de 2025 é o dia de aniversário da nossa chegada da Guiné, toda a malta foi à sua vidinha, faz 51 anos, passaram muito rápido, - A concentração dos mobilizados começou a15 de novembro de 1971 e terminou a 27 do mesmo mês  no Regimento de Artilharia Pesada nº. 2 em Vila Nova de Gaia. 
Depois da viagem no dia 21 para Lisboa por caminho de ferro, embarcou para a Guiné em 22 de dezembro de 1971 a bordo do navio N/M «NIASSA». Foram 27 meses e 12 dias de comissão. 
Assim, vamo-nos juntar para comemorar essa data no dia 07 de junho de 2025 num grande encontro/convívio em Montemor O Velho que o ex. Fur. Milº Infª Bonito está a preparar, apelamos a uma grande participação, é fundamental que assim seja, para homenagear também todos aqueles que de uma forma ou outra deixaram a vida terrena, já são 41 camaradas que temos conhecimento, mas, devem ser mais!...

Daremos mais informações sempre que se justifique.


11 setembro 2023 Vermoim - Famalicão

Castelo de Montemor O Velho - Junho 2022

Contacta por E-mail, Telefone, mensagem para os seguintes endereços:

António de Sousa Bonito - 963 529 764 E-mail: antonio.bonito@sapo.pt 

GPS: 40.1739, -8.68739 "Quinta do Taipal" 

Largo Quinta do Taipal 4

3140-254 Montemor O Velho





segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

P450 - IMAGENS DAS NOSSAS VIDAS NA GUINÉ (1971-1974) - A CART 3494 NO XIME PARA RENDER A CART 2715 [Parte 3] Por: Jorge Araujo, ex. Fur. Mlº Ranger CART 3494

MSG do nosso camarigo ex. Fur. Milº Ranger da CART 3494 com data de 22FEV2025

Caríssimo camarada Sousa de Castro

Bom dia.

 Agora na Tabanca do Pragal, regressei ao "baú de memórias" do CTIG recuperando a série "Imagens das nossas vidas ...", tendo concluído a PARTE III - Fev/Mar.1972, que anexo, para os devidos efeitos.

Com um forte abraço de amizade e votos de um óptimo fim-de-semana.

Jorge Araújo. 



 Guiné > Região de Bafatá > Sector L1 (Bambadinca) > Xime > Mansambo > Xitole > localidades onde ficaram estacionadas as subunidades do BART 3873, respectivamente CART 3494, CART 3493 e CART 3492 (infografia acima).

Acrescentaram-se as subunidades do BCAÇ 3872 > CCAÇ 3489, em Cancolim; CCAÇ 3490, no Saltinho e CCAÇ 3491, em Dulombi.



IMAGENS DAS NOSSAS VIDAS NA GUINÉ (1971-1974)


PARTE III

A CART 3494

NO XIME PARA RENDER A CART 2715

► Continuação do P436 (II) (3.5.2023)

1.   – INTRODUÇÃO

Após um interregno superior a um ano, motivado por questões de saúde relacionadas com distúrbios na visão, que me levaram ao bloco operatório, retomamos a série “Imagens das nossas vidas na Guiné (1971-1974)”, com recurso ao álbum do nosso camarada furriel Luciano de Jesus, organizado ao longo dos mais de vinte e sete meses da sua permanência no CTIG, e que fez questão de me oferecer uma cópia, para partilha no blogue.

Com estas imagens carregadas de demasiadas histórias e de outras tantas emoções e sentimentos, onde todas/todos se situam a uma distância temporal superior a meio-século, procura-se também recuperar a história da nossa vida militar, enquanto milicianos, contribuindo deste modo para uma crescente evolução do puzzle de memórias da nossa juventude na guerra da Guiné (1971-1974).

Na Parte I (P435 - 6.4.2023), “Em Bolama para o I.A.O.”, historiamos o itinerário náutico desde Lisboa a Bissau e, depois, a estadia na Ilha de Bolama, no C.I.M., para se concluir o processo de instrução global para a “guerra de guerrilha”, denominado de I.A.O.

Na Parte II (P436 - 3.5.2023), “De Bolama ao Cais do Xime em LDG”, divulgamos o contexto relativo à viagem efectuada a bordo de uma LDG, em 27 de Janeiro de 1972, 5.ª feira, desde Bolama até ao Xime, local já reservado para a CART 3494 cumprir a sua missão ultramarina.

Nesta viagem de “CRUZEIRO NO GEBA” - a primeira, pois outras haveriam de ser feitas ao longo da


comissão - para além do contingente da CART 3494, seguiam as restantes unidades de quadricula do BART 3873, comandado pelo Cor Art António Tiago Martins (1919-1992), cuja CCS e Comando tinham como destino Bambadinca (a sede), a CART 3492, o Xitole, e a CART 3493, Mansambo (ver infografia acima).

Tendo por objectivo geral efectuar a sobreposição e render a CART 2715, do BART 2917, em final de período operacional visando o seu regresso à Metrópole, foram realizadas diferentes actividades até 15 de Março de 1972, delas fazendo parte algumas operações.

2.   – PRINCIPAIS ACTIVIDADES OPERACIONAIS NA SOBREPOSIÇÃO - (Mata do Fiofioli)

► - Operação «Periquito Raivoso» = em 10 e 11FEV72

● Forças da CART 3492 e CART 2716, com patrulhamento às áreas de Satecuta e Galo-Corubal.

● Forças da CART 3494 e CART 2715, com patrulhamento á Ponta do Inglês - Ponta Varela - Poidon. O 1.º Agrupamento (E, F) destruiu 16 palhotas e apreendeu 1 granada de RPG; o 2.º Agrupamento (A, B) sofreu uma flagelação da margem esquerda do Rio Buruntuma sem consequências e capturou 1 granada de RPG. Nas zonas do Rio Bissari e Rio Samba Uriel, forças da CART 3493 formam o 3.º Agrupamento (C, D). Em Bambadinca, 1 Avioneta DO, armada, assegurava o apoio aéreo.

► - Operação «Trampolim Mágico» = de 24 a 26FEV72

● Forças da CART 3492, com 4 Gr Comb reforçada com 1 Gr Comb da CCAÇ 3489 e outro da CCAÇ 3490, integrando o agrupamento «LARANJA»; 4 Gr Comb da CART 3493 

reforçada por 2 Gr Comb da CCAÇ 3491, integrando o agrupamento «CASTANHO», desembarcaram conjuntamente na presença de Sua Excelência o Governador e Comandante-Chefe, após batimento de zona pela Artilharia da LDG e

da FAP.

● Paralelamente aqueles agrupamentos atravessam as regiões da Ponta Luís Dias e Tabacuta. Actuaram em apoio, o agrupamento «AZUL» (CART 3494 mais 2 Gr Comb da CCAÇ 12), agrupamento «AMARELO» (GEMIL’s 309 e 310); agrupamento «PRETO» (CCAÇ 3490); agrupamento «VERDE» (CCP 123); 1 parelha de FIAT’s de BISSAU, 1 parelha de T-6, 2 Helicópteros e 1 Heli-Canhão (Bambadinca).

● Foram recolhidos 32 elementos da população, apreendida documentação e material de secundária importância e destruídas várias tabancas. As NT sofreram 10 evacuados por cansaço, insolação e desidratação (vidé HU, pp 61 e 62).

Sobre esta operação ver também:

Mata do Fiofioli >1972 > Zona de mato denso onde estavam diversas palhotas que serviam de refúgio a elementos do PAIGC e população que os apoiava e que foram destruídas pela nossa passagem.  (Foto de Luís Dias, ex-alf mil, CCAÇ 3491, Dulombi, 1971/74 (imagem repetida no P16396)

► - Operação «Desfile Festivo» = em 14 e 15MAR72

● Executada por 3 Gr Comb da CCAÇ 12; 1 Gr Comb da CART 3494; 1 Gr Comb (+) da CART 2715; 1 Gr Comb da CART 3493; PEL CAÇ NAT 52 (-); PEL CAÇ NAT 54; GEMIL’s 309 e 310; PEL’s MIL 241, 242, 243, nas regiões de Bambadinca, Mato Cão, Enxalé, Xime, Ponta Coli e Mansambo.


O fur. António Bonito, do 2.º Gr Combate preparado para a operação


3.   – EM 14.MAR.72 - RENDIÇÃO DA CART 2715 PELA CART 3494

♦ - Concluído o processo de sobreposição e substituição da CART 2715, a CART 3494 assumiu na plenitude o controlo do subsector do Xime, desenvolvendo a actividade operacional integrada no dispositivo e manobra do BART 3873, sediado em Bambadinca, através da realização de operações, patrulhamentos, emboscadas, protecção e segurança do itinerário rodoviário Xime-Bambadinca-Xime, bem como garantir a total protecção das populações mais próximas, incluindo a assistência médica (enfermagem) e a redução da iliteracia dos jovens.

4.   – DESTACAMENTO DO ENXALÉ – 2.º Grupo de Combate

♦ - De acordo com a responsabilidade operacional do seu subsector, foi nomeado um Gr Comb para o Destacamento do Enxalé, situado na margem direita do Rio Geba, em frente ao Xime. Essa decisão recaiu no 2.º Gr Comb, comandado pelo alf José Henrique Fernandes Araújo (?-2012), de Arco de Valdevez, e dos furriéis: Luciano de Jesus, de Cascais; António Bonito, da Carapinheira e Benjamim Dias, do Porto. 

Foto 1 - Março’1972 > quarteto de comando do 2.º Gr Comb da CART 3494. Da esqª/drª – fur Luciano de Jesus; alf José Araújo; fur Benjamim Dias e fur António Bonito.

FOTOGALERIA DO ENXALÉ - 1972

Em função dos objectivos desta série, foram selecionadas as primeiras oito imagens do álbum do camarada Luciano de Jesus:

Foto 3 – Mulheres da população pilando o arroz.



Foto 6 – Espaldar da bazuca, vala de segurança e instalações de pernoita

Foto 7 – Parede de bidons de proteção das habitações (neste caso a da enfermaria).

Foto 8 – Parede de bidons de protecção das habitações (exemplo). 

Continua … 

Terminamos agradecendo a atenção dispensada.

Com um forte abraço de amizade e votos de muita saúde.

Jorge Araújo e Luciano de Jesus

22FEV2025