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segunda-feira, 22 de abril de 2024

P441 - Nota de Óbito: Faleceu camarada d'armas da CART 3494 José Mano Sebastião (21/04/2024)

 

Nota de óbito: 

No passado dia 21 de Abril de 2024 faleceu em Santa Cruz do Bispo – Coimbra, José Mano Sebastião, morador que foi na Rua da Liberdade, 73, 1º - Aviais.

(Informação do ex. Fur.Milº António Sousa Bonito)

Serviu o Estado Português na guerra da Guiné, nomeadamente, no Xime, Enxalé e Mansambo, integrado na CART 3494/BART 3873, embarcou a 22 de dezembro de 1971 e regressou a 03 de abril de 1974.

É o 39º camarada d’armas que nos deixa.

Mas ficam as memórias para consolar os corações, e a esperança de que quem partiu está agora em um lugar melhor.

Em meu nome pessoal e da grande família da CART 3494, envio muita energia positiva e força para sua esposa e toda sua família, para que consigam superar esta terrível perda. Que a alma de quem partiu descanse em paz!

 

Participou em vários convívios, nomeadamente no 24º encontro, em Santa Catarina de Vagos, conforme as fotos documentam.

No dia 13 de junho de 2009 no 24º encontro convívio em Santa Catarina de Vagos com sua esposa


Aqui o saudoso ex. 1º cabo morteiro 81mm, Manuel da Cruz Ramos falecido em 22/11/2012 com o seu camarada José Mano Sebastião que agora nos deixou.

Sousa de Castro,

22/04/2024

Vd. Poste anterior da série: Amândio Martins Domingues, soldado da CART 3494 faleceu no dia 16/11/2022 com 72 anos de idade, em Lombo Meão, freguesia do Concelho de Vagos

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

P440 - "O Forno de Cacheu" São 06h30m estou em Cacheu. Esta noite consegui dormir porque, malgrado o medo das mosquitas anopheles, abri a janela e o ar muito fresco da noite foi arrefecendo o quarto.

 Texto transcrito do Facebook de José Luis Carvalhido da Ponte, com a devida vénia!

 


José Luís Carvalhido da Ponte ex. Furriel Milº Enf. da Cart 3494/BART 3873, sediado no Xime e mais tarde em Mansambo – Guiné, dezembro 1971 a 03 de abril 1974.
Foi professor e diretor da Escola Secundária de Monserrate, Viana do Castelo. Tem vários trabalhos publicados aqui: http://bivam.pt/autor/jose-luis-carvalhido-da-ponte/
http://bivam.esmonserrate.org/clr/autores/AutorBibliografia.asp?codAutor=25 
José Carvalhido da Ponte da Associação de Cooperação com a Guiné Bissau com o apoio do Rotary Clube de Viana do Castelo, é responsável pelo trabalho desenvolvido no Cacheu, cidade geminada com Viana do Castelo.

Muito dedicado à causa humanitária na Guiné, para onde se desloca regularmente no sentido de contribuir para o bem-estar daquele povo, nomeadamente na área da saúde.

CACHEU

O Forno de Cacheu

São 06h30m estou em Cacheu. Esta noite consegui dormir porque, malgrado o medo das mosquitas anopheles, abri a janela e o ar muito fresco da noite foi arrefecendo o quarto.

Saio para comprar pão. Subo a poeirenta Rua de Viana do Castelo e perguntam-me Kuma ke bu mansi?. É uma mindjer garandi i kumpridu que me cumprimenta enquanto varre o seu kau. Todos os dias, logo de manhazinha, as mulheres assomam às portas, vertem água em largas bacias e lavam os apetrechos da última refeição. E lavam bem. Outras, com curtas vassouras de capim, dobradas até a cabeça quase tocar o chão, varrem toda a envolvente da sua kasa, movidas, naturalmente, por uma entranhada noção e limpeza e higiene. Mas são sempre, ou quase-quase sempre, as mulheres a trabalhar. Vemo-las a tratar dos filhos, a varrer as kasas e o kau, a regar e trabalhar as hortas, a buscar a lenha, a lavar a roupa, a fazer compras. As mulheres.

Ontem, à noite, fomos jantar a Bachile, uma tabanca do Setor de Cacheu, convidados pela Romana, uma jovem mãe de uma menina nascida há precisamente sete dias e a quem foi dado o nome de Maria Afonso.

Quando chegamos, um corridinho de mulheres preparava o festim enquanto os homens, entre eles o pai da Maria Afonso, recém-chegado de Dakar, conversavam, bebiam, passeavam. As mulheres, a Romana e a mãe Cristina e todas as outras cirandavam, formiguinhas em modos de acolhimento.

Eis, finalmente, o forno. É uma construção sob um telhado de zinco e vedada com um muro de adobes. Todos os dias, o padeiro coze 900 pães (900 baguetes). Para tal aquece o forno duas vezes. O processo é muito simples e semelhante ao que acontecia no forno de minha casa. Apenas uma diferença: a massa, já moldada, é colocada em bases de chapa com 3 camas cada uma e assim evitam sujá-la na cinza do lar. Em algumas casas da minha aldeia colocavam a massa sobre folhas de couve. Cada baguete tem, sensivelmente, 30cm x 08cm e custa 150 FCFA. É um pão saboroso, trabalhado por homens.

Regresso pela mesma rua ouvindo inúmeros cumprimentos madrugadores: Oi, branco, kuma ke bu mansi? Recordam-me a dignamente humilde simpatia desta gente.

Tenho saudades da minha família, mas sinto-me em casa, nestas terras de Honório Barreto.

Cacheu, 18/02/2024

Notas:

Kuma ke bu mansi? = Como descansaste? Como acordaste?

mindjer garandi i kumpridu = mulher idosa e alta

Kau = lugar, sítio

FCFA = o franco CFA (Communauté Financière d'Afrique) é a moeda utilizada na UEMOA, União Económica e Monetária da África Ocidental (Benim, Burquina Fasso, Costa do Marfim, Guiné-Bissau, Mali, Níger, Senegal e Togo). 1 € equivale, normalmente, a 655 FCFA

Vd. Post.: CART 3494 & camaradas da Guiné: P423 - (...) Ainda gemia, sabia lá eu porquê, de tão desfeito que estava. A cabeça esventrada. Juntei-lhe os bocados e aconcheguei-os no que restava da caixa craniana.(...) TEXTO RECUPERADO DA "RÁDIO ALTO MINHO" DE JOSÉ CARVALHIDO DA PONTE EX. FUR. MILº ENF. DA CART 3494 ONDE DESCREVE COMO VIU A MORTE DO SEU AMIGO FURRIEL, MANUEL DA ROCHA BENTO VITIMA DA EMBOSCADA PERPETRADA PELO PAIGC NA PONTA COLI - GUINÉ QUE TRANSCREVO COM A DEVIDA VÉNIA. (cart3494guine.blogspot.com)