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sexta-feira, 7 de maio de 2010

P-68 ACTIVIDADE DA CART 3494 DO BART 3873 NO TEATRO DE O. P. GUINÉ (8)

DEZEMBRO1971/ABRIL 1974

Este texto foi transcrito e adaptado a partir do livro: - BART 3873
“HISTÓRIA DA UNIDADE”
CCS, CART 3492 – CART 3493 – CART 3494
NA GUERRA CONSTRUINDO A PAZ -  por Sousa de Castro
(autor desconhecido)

Sub-Sector: Bambadinca






Nota do editor:
SC, 1972
Muito embora a CART 3494 tenha mudado para Mansambo, devido à baixa moralização da Companhia, continuarei a divulgar os acontecimentos no Sub-Sector do XIME para perceberem o quanto aquela zona era importante para o P.A.I.G.C. (Partido Africano Independência Guiné e Cabo Verde)
S.C.

Guerra na Guiné 11/11/1969



17º FASCÍCULO

AGOSTO 1973

78. SITUAÇÃO GERAL

- A persistência inimiga em contrariar a navegação do R. GEBA estreito, desta feita atacando o barca «CHEGADO»; o abrandamento sobre o XITOLE e a deslocação do bigrupo actuante em MINA/GALO CORUBAL para reforço do POIDON/PTA DO INGLÊS, por causa do pressionamento provocado pela presença da CCAÇ 21 em BAMBADINCA que tem criado naquela região um clima sistemático de instabilidade, foram os aspectos definidores do período.

79. TERRENO

- Sem alterações apreciáveis, comparativamente ao antecedente.

80. INIMIGO

a) Sub-Sector de Mansambo (CART 3494)
- Como no mês passado, nada a referir.

b) Sub-Sector do XIME (CCAÇ 12)
- Em 03 de Agosto pelas 17,15 horas um grupo IN não estimado flagelou o XIME durante 10 minutos com R.P.G.-7 e Canhão s/Recuo. Consequências nulas.
- Em 07 de Agosto pelas 17,30 horas um grupo IN não estimado flagelou o barco civil «CHEGADO» durante 45 minutos, com R.P.Ç.-7 e armas automáticas, na região de SÃO BELCHIOR. Sofremos 2 feridos graves (um deles ALD. Mil.) e 3 feridos ligeiros civis.

c) Conclusões
- O XIME permanece como alvo favorito do inimigo, enquanto Mansambo goza de uma tranquilidade relativa.
Enquanto isso, torna-se evidente o levantamento crescente de obstáculos à navegação fluvial, num esforço de isolamento do Leste, reforçado pela redução do tráfego aéreo.

81. POPULAÇÃO

- Nesta época do ano a população vê-se ocupada nos trabalhos agrícolas. Quer isto dizer, do lado controlado pelo Partido, que o número de apresentados e visitantes decresce consideravelmente e no que respeita à controlada pelas NT que os contactos com população encontram menos gente nas tabancas, não dando portanto ensejo a uma comunicação mais ampla.

82. NOSSAS TROPAS

a) acções e Operações mais Importantes
- Acção «GARLOPA 9» pela CCAÇ 12 (XIME) a 02 Gr Combate com o objectivo de montar emboscada na região de MADINA COLHIDO. Foram avistados 04 elementos IN de farda azul que caem na zona de morte. Os nossos L.G. Fog. 8 e 9 Metralhadora HK-21 encravam, não conseguindo disparar. As NT são detectadas e lançam-se na persiguição do inimigo que na retirada sofre 05 mortos e 06 feridos e abandonam 03 granadas de R.P.G.-7.

b) Conclusões
- Põe-se em evidência o êxito da acção «GARLOPA 9», onde as NT alardearam alto espírito de combatividade e ousadia.
- O inimigo procura, sempre que possível, furtar-se ao contacto directo com as NT, como se infere do conjunto das operações e acções realizadas ao longo da comissão.

c) Alteração ao Dispositivo
- Há a assinalar: - A chegada ao sector L1 do PEL REC DAIMLER 8681, que vem substituir o PEL REC DAIMLER 3085, por este ter terminado o seu período de comissão.
83. ACÇÃO PSICOLÓGICA E PROMOÇÂO SOCIAL

- Segundo o que se acentuou, os contactos com populaçaõ, enfrentaram as dificuldades conexas à faina agrícola da época que retem na bolanha a gente das tabancas, durante quase todo o dia.
O «aumento» dos 15%, agora pago, sobre as pensões e ordenados da tropa Africana produziu uma impressão benéfica.
São mais necessidades que se podem satisfazer o que se projecta na subida do nível de vida, não obstante a ignorância de muitos que os leva a desbaratar o dinheiro prodigamente.

18º FASCÍCULO

SETEMBRO 1973

84. SITUAÇÃO GERAL

- No plano internacional, destaca-se a proclamação da «independência» das «zonas libertadas» da GUINÉ BISSAU, acto político que não encontrou eco no seio da população controlada pelas NT.
- No plano provincial, sobressai a acção IN contra o XIME e AMDALAI, onde demonstrou agressividade e bom conhecimento de reacção das NT, em circunstâncias como as que se verificaram.

85. TERRENO

- O aspecto não se modificou, continuando a apresentar-se alagadiço e de capim alto.

86. INIMIGO

a) Sub-Sector de Mansambo (CART 3494)
- Nada a referir, como nos últimos períodos.
b) Sub-Sector do XIME (CCAÇ12)
- Em 13 de Setembro pelas 18,35 horas, o XIME e AMEDALAI são flagelados simultaneamente durante 15 e 45 minutos respectivamente, por um numeroso grupo de atacantes. Sobre o 1º, o inimigo utilizou R.P.G., Morteiro 82 e Canhão s/Recuo; sobre o 2º. RPG e armas automáticas. 01 Gr Combate da CCS/BART 3873 e 02 viaturas do PEL REC DAIMLER 8681 acorreram em socorro da A/D de AMEDALAI, sofrendo uma emboscada na estrada XIME/BAMBADINCA.
NT e PEL MIL 241 (AMEDALAI) sem consequências, bem como os civis. Houve apenas a registar o incêndio de 02 moranças daquela A/D.

c) Conclusões
- O inimigo deu mostras de maior agressividade na flagelação historiada na alínea b), ao prolongar a sua acção contra a A/D por três quartos de hora, sabendo que o acesso das NT a AMEDALAI seria facilitado pela estrada asfaltada e proximidade da BAMBADINCA e Destacamento da PTE R. UDUNDUMA.
As forças agressoras, provenientes do POIDON/PTA DO INGLÊS, vinham reforçadas pelo grupo de Artilharia do QUINARA.

87. NOSSAS TROPAS

a) Acções e Operações mais Importantes
- Acção «Guisar 3» pela CART 3494 a 04 Gr Combate na região de MANSAMBO/NASCENTES R. BISSA/GONEGE/JOMBOCARI/MINA. Foram detectados vários trilhos na direcção do FIOFIOLI. Sem contactos.
- Acção «GUARIDA 46» pela CCAÇ 12 a 03 Gr Combate na região do XIME/PONTÃO PTA VARELA/PICADA PTA DO INGLÊS. Foram ouvidos tiros de pistola a 200 metros das NT que procuraram capturar quem disparou o que não foi possível devido à densidade da capim. O OBUS do 20º PEL ART (10,5) abriu fogo na direcção de provável trilho de retirada inimiga.
- Acção «GUINAR 2» pela CART 3492 a 03 Gr Combate na região de SATECUTA/GALO CORUBAL/SECO BRAIMA; CART 3494 a 03 Gr Comb. (+) na protecção à retaguarda, PMIL 370 na picagem do itenerário MANSAMBO/PTE R. TIMINCO. Sem contactos.
- Acção «GUARDEAR 6» de segurança próxima e afastada a BAMBADINCA na cerimónia final da instrução de milícias. Foram empenhadas: PEL REC/BART 3873, Gr Comb/CART 3494 em reforço à CCS/BART 3873, PEL’s CAÇ NAT 52, 54 e 63; PEL’s MIL 358, 370, 242 e 243, 01 Gr Com da CCAÇ 12; 01 Gr Comb (+) da CART 3494. Sem contactos.

b) Conclusões
- A densidade do capim impede uma manobra fácil às NT.
- Na acção «GUARIDA 46» os tiros de pistola funcionaram como sinais de localização das NT, indiciando a existência de postos inimigos avançados, o que não é inédito.
- No ataque a AMEDALAI, louva-se a decisão com que o PEL MIL 241 reagiu e a prontidão com que a tropa de BAMBADINCA se lançou em auxilio da povoação atacada, numa manifestação espontânea de voluntariedade.

c) Alterações ao Dispositivo
- Ficou aquartelado em MANSAMBO (CART 3494) o 28 PEL ARTª (14), guarnecido de 03 OBUSES 14.

19º FASCICULO

OUTUBRO 1973

88. SITUAÇÂO GERAL

- Em 27 de OUTUBRO o BART 3873 (CCS, CART 3492, CART 3493 e CART 3494) terminou o seu período normal de comissão.
Passando de relance o cumprimento da missão que lhe fora confiada, dir-se-á simplesmente que os objectivos a prosseguir foram atingidos, graças ao esforço de todos sem distinção.
O inimigo foi remetido aos seus lugares de refúgio, construíram-se escolas, auxiliou-se economicamente a população, prestou-se-lhe assistência médica e medicamentosa, melhoraram-se picadas, garantiu-se a livre navegação do R. GEBA, conquistou-se a confiança de locais virados à influência do P.A.I.G.C., civilizou-se em suma.
O lema gravado no emblema da Unidade - «NA GUERRA CONSTRUINDO A PAZ», foi correspondido e isso permite exclamar que a incoerência não divorciou as palavras das obras e dos actos.



 89. TERRENO

- A abundância das chuvas decresceu visivelmente o que virá a alterar a configuração do terreno, muito embora as bolanhas ainda estejam alagados e o capim alto.

90. INIMIGO

a) Sub-Sector de MANSAMBO (CART 3494)
- Nada houve a mencionar

b) Sub-Sector do XIME (CCAÇ 12)
- Ao contrário do que é regular, não se verificou nenhuma acção inimiga.

c) Conclusões
- O XIME, contra o que é regular, nada sofreu, assim como MANSAMBO, mas aqui com a diferença de isso ser normal.

91. POPULAÇÃO

- A eleição para deputados (28 de Outubro) decorreu em BAMBADINCA no meio de grande afluência de eleitores provenientes da Circunscrição.
Em abono da verdade, nem todos os votantes estavam conscientes do alcance restrito do seu acto, porém todos eles se encontravam cientes de que a sua comparência e actuação implicava uma confirmação da sua fidelidade às Autoridades e a PORTUGAL.

92. NOSSAS TROPAS

a) Acções e Operações Mais Importantes
- No mês de Outubro realizaram-se, além de simples patrulhamentos, emboscadas nocturnas e segurança ao tráfego terrestre, fluvial e aéreo, 25 acções que empenharam 75 Grs Combate.

b) Conclusões
- O número de acções, Grs Combate (sem contar o trabalho rotineiro) é, por si, elucidativo acerca da actividade intensa que o BART 3873 procurou manter desde o início da comissão. Se dissermos que em Outubro não se fugiu à média, concluiu-se que no conjunto operacional a actividade do Batalhão nunca abrandou.

20ª FASCÍCULO

NOVEMBRO 1973

93. SITUAÇAO GERAL

- O inimigo não revelou actividade digna de nota durante o período.
A dicotomia população/Partido na zona de MADINA/ENXALÉ acusa efeitos de graves desavenças: a flagelação ao ENXALÉ surge como represália contra as representações e visitas dos civis de MADINA àquela tabanca. O próprio P.A.I.G.C. ameaçou queimar as moranças de quem fosse ou se fixasse nas nossas povoações, suscitando uma forte reacção das populações subjugadas. No domínio exterior, a política reservada do SENEGAL em relação ao P.A.I.G.C. parece encaminhar-se para uma mudança radical, após o comunicado das conversações entre SENGHOR e LUIS CABRAL de visita a DAKAR.
Um destacamento da Companhia Terminal encontra-se em laboração, servindo de centro logístico para todo o Leste, a partir de BAMBADINCA.
CCAÇ 21 em Mansambo (1973) ao fundo abrigo das TRMS


94. TERRENO

- A época seca começou: o capim, as bolanhas vão secando, pegam-se as primeiras queimadas e a temperatura ameniza.
95. INIMIGO

a) Sub-Sector de MANSAMBO (CART 3494)
- Uma vez mais não se manifestou.

b) Sub-Sector do XIME (CCAÇ 12)
- Em 19 pelas 16,45, durante 10 minutos, foi flagelado por grupo não estimado o Destacamento do ENXALÉ. As granadas dos atacantes caíram fora do Aquartelamento, sendo os resultados nulos. Um dos nossos GEMIL (Grupo Especial de Milícias) lançou-se em perseguição de IN (inimigo) que dispersou. A reacção das nossas tropas teve o apoio do 20º PEL ARTª (10,5).
- Em 29 pelas 15,15 horas, outro grupo não calculado flagelou o XIME 10 minutos. Nenhuma granada caiu dentro do arame farpado. A resposta das NT (nossas tropas) deve ter provocado baixas, como o indicam os vestígios de sangue encontrados.

Bambadinca (1972)

c) Conclusões
- No Sector L-1 a actividade guerrilheira foi fraca. Em qualquer destas acções os resultados obtidos pelo adversário foram negativos. Tanto no XIME como no ENXALÉ o fogo atacante caracterizou-se por evidente desajustamento.

96. NOSSAS TROPAS

a) Acções e Operações Mais Importantes
- Realizaram-se, além de patrulhamentos de rotina, emboscadas nocturnas e segurança ao tráfego, 24 acções, 01 operação as quais empenharam 102 Grs Comb, onde se inclui a Milícia.
- Salientam-se: Acção «GOLIAS 35» pelas CART’S 3492, 3494, 01 Gr Comb do BCAÇ 3872, 01 PEL EREC FOX e PEL MIL 370, de interesse logístico, em reabastecimento a MANSAMBO/XITOLE/SALTINHO.

b) Conclusões
- Concluiu-se que o inimigo se furtou ao combate, mesmo quando as NF alcançaram os seus lugares de refúgio, optando pela dispersão.
A táctica empregue é de só oferecer resistência em circunstâncias de nítida superioridade.



97. ACÇÃO PSICOLÓGICA E PROMOÇÂO SOCIAL

- De passagem pelo nosso Sector estiveram o jornalista Brasileiro ALVES DAS NEVES e uma equipa da TV Dinamarquesa.
- O perfeito Entendimento entre civis e militares e entre militares europeus e africanos permanece consistente, desmentindo na prática o que no estrangeiro de propala em teoria.
- A atribuição de «13 mês» que beneficia muitos guineenses e o funcionamento das escolas regimentais, frequentadas por Soldados naturais, influenciam favoravelmente o meio humano, dinamizando o poder de compra e o enriquecimento cultural, bases duma promoção social crescente. Os trabalhos de construção dum novo edifício escolar em MANSAMBO começaram, bem como os da cobertura a zinco de 100 casas do reordenamento de BAMBADINCAZINHO.

20 FASCÍCULO

DEZEMBRO 1973

98. SITUAÇÃO GERAL

- O inimigo mostrou uma fraca actividade e mais saliente se tornou, pela sua quase total quietude nas acções de penetração que as NT realizaram nos seus locais de refúgio.
Esta passividade transparece a sua insegurança, motivada pela intensa actividade que as NF vêm desenvolvendo, especialmente na região do POIDON/PTA DO INGLÊS, através da CCAÇ 21 e CCAÇ 12, ambas unidades africanas.
Enquanto isso, não parou o esforço social que as Forças Armadas dão na luta pela PAZ, não obstante a escassez de meios que por vezes tem que enfrentar.

99- TERRENO

- O capim, embora seco, ainda não abateu, conservando-se alto. As bolanhas estão secas, dando lugar `apanha do arroz.

100. INIMIGO

a) Sub-Sector de Mansambo (CART 3494)
- Não se manifestou.

b) Sub-Sector do Xime (CCAÇ 12)
Em 01 pelas 22,15 horas, grupo não estimado flagelou o XIME durante 25 minutos. Caracterizou-se por uma das suas maiores flagelações sofridas, tendo possivelmente os atacantes empregado todas as armas pesadas da zona, incluindo foguetões 122 mm. Dois desses foguetões atingiram uma morança da tabanca, morança que ficou totalmente destruída e com os seus 07 residentes (civis) mortos.
A reacção das NT foi imediata: 20º PEL ARTª (10,5), PEL MORT 4575/72 e apoio do 27º PEL ARTª (14) aquartelado em MANSAMBO. NF sem consequências.
Sabe-se que ao inimigo foram causadas baixas.

c) Conclusões
- Em complemento do que se referiu no nº 98., o adversário evidenciou escassa actividade: os Sub-Sectores de BAMBADINCA, XITOLE E MANSAMBO não foram novamente agitados por acções do P.A.I.G.C. que na única flagelação ao XIME empregou um forte potencial de armas pesadas, como represália provável ao incessante trabalho operacional que ali vimos realizando. A escolha da data 1º de Dezembro (feriado nacional) não foi casual e recorde-se que há um ano foi também a 2ª emboscada da PONTA COLI (CART 3494) no mesmo Sub-Sector.

101. NOSSAS TROPAS

a) Acções e Operações Mais Importantes
- Além da actividade diária, destacam-se:
- Acção «GOLIAS 37 e 38» como colunas de reabastecimento a MANSAMBO e SALTINHO.
-Operação «TUDO VERDE» pela CART 3493, CART 3494, CCAÇ 21 e CCAÇ 3518 na área de MINA/FIOFIOLI. Destruíram 03 tabancas e 04 toneladas de arroz.
b) Conclusões
- Destruíram-se meios de subsistência (04 toneladas de arroz) numa área que os guerrilheiros deviam ter abandonado precipitadamente, ao pressentirem o nosso avanço.
- Capturou-se 01 espingarda semi-automática «SIMONOV» (fabrico soviético), 01 mina A/P (fabrico soviético) e infligiram-se numerosas baixas ao adversário.
(continua)

Vd post:http://cart3494guine.blogspot.pt/2010/04/p-64-actividade-da-cart-3494-do-bart.html

quinta-feira, 29 de abril de 2010

P-67 XXV CONVÍVIO DA COMPANHIA DE ARTILHARIA 3494 – GUINÉ - DEC71/ABR74



CONVITE
XXV CONVÍVIO 
CART 3494 em VIZELA
12 De JUNHO 2010

CARO AMIGO EX. COMBATENTE E COMPANHEIRO DE ARMAS,

TAL COMO TEM SUCEDIDO EM ANOS ANTERIORES VAI REALIZAR-SE NO DIA 12 DE JUNHO 2010, O XXV ENCONTRO/CONVÍVIO.
CONVIDAMOS-TE A PARTICIPAR, JUNTAMENTE COM TEUS FAMILIARES, NESTA GRANDIOSA FESTA DE FRATERNA AMIZADE.
VAMOS CONFRATENIZAR, REVER AMIGOS QUE DE ALGUM MODO COMPARTILHARAM OS SEUS MEDOS, SOFRIMENTOS, AS ANGUSTIAS AS INCERTESAS! MOMENTOS ÚNICOS QUE MEREÇEM SER RECONTADOS, VAIS SENTIR-TE COMO QUANDO TINHAS 20 E ALGUNS ANOS. 
TRÁS TAMBÉM AS TUAS FOTOS DA ÉPOCA, O TEU DIÁRIO SE FOR O CASO, PARA ASSIM AVALIARMOS COMO ÉRAMOS E COMO VIVIAMOS NAQUELE TEMPO. JÁ LÁ VÃO 36 ANOS DO NOSSO REGRESSO.
NÃO PODEMOS DEIXAR MORRER ESTES ENCONTROS/CONVÍVIOS DE EX. COMBATENTES. 
TEMOS DE CONTINUAR A CONVIVER. O NOSSO TEMPO CAMINHA A PASSOS LARGOS PARA O TÉRMINOS, NÃO PODEMOS DEIXAR QUE ESTES EVENTOS DESAPAREÇAM, TEMOS DE MANTER VIVA A CHAMA DA AMIZADE QUE NOS LIGOU DURANTE 27 MESES, RECORDAR A VIVÊNCIA DE UMA GERAÇÃO!… QUE É A NOSSA.
A GUERRA COLONIAL, OU DO ULTRAMAR OU DAS PROVÍnCIAS ULTRAMARINAS, CONFORME QUEIRAS CHAMAR, MARCOU UMA ÉPOCA. A NOSSA ÉPOCA!...
POR ISSO TEMOS DE CONTINUAR A LEMBRAR AOS NOSSOS FILHOS, NETOS E A TODAS AS PESSOAS QUE ESSA GUERRA JUSTA OU INJUSTA, EXISTIU E NÓS PARTICIPAMOS NELA. 
DAÍ A RAZÃO DESTES ENCONTROS, PARA ISSO É FUNDAMENTAL A TUA PRESENÇA. 
VEM DESFRUTAR DE UMA BOA COMPANHIA E PASSAR UM FIM DE SEMANA DIFERENTE.
COM ELEVADA DEFERÊNCIA,



A ORGANIZAÇÃO
Lúcio Damiano «ViZELA»,
TM: 967 251 337
Joaquim Monteiro «O REGUILA»
TM: 916 690 396

LOCAL DO EVENTO:

Restaurante Armando & Filhos Lda

Guimarães - Lordelo Codeçal-Lordelo 4815-225 LORDELO GMR

TRAVESSA DO codeçal, nº 8 - TEL. 252 842 095

CONCENTRAÇÃO EM VIZELA, JUNTO AO QUARTEL DOS BOMBEIROS A PARTIR DAS 10,00 HORAS


EMENTA

Aperitivos

Bolinhos de Bacalhau
Rissóis
Caprichos
Panadinhos
presunto
salpicão (porco preto)
                     moelas à Angolana                     
Rojõezinhos
camarão

QUENTES

Creme de legumes
Delícia de Bacalhau à “Armando”
Filetes de Peixe
Fornada de Vitela

SOBREMESAS

BufFet de Pastelaria
Buffet de Frutas
Bolo alusivo ao convívio

BEBIDAS

Vinho verde ou maduro, branco ou tinto
Sumo Natural
refrigerantes
Espumante
café

Preço por pessoa: 30,00€

crianças até aos 9 anos 15,00€

POR EXIGÊNCIA DO RESTAURANTE, AGRADECEMOS CONFIRMAÇÃO ATÉ 28 DE MAIO 2010


quinta-feira, 22 de abril de 2010

P-66 - 50 PESOS, MANGA DE PATACÃO (MUITO DINHEIRO)

Do blogue com mais de quatrocentos membros inscritos, 1.6 milhões de visitas desde Abril de 2004, um milhão desde Outubro de 2007 relacionado com a Guerra Colonial na Guiné, está a comemorar 6 anos de actividade «Luís Graça e Camaradas da Guiné» http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/ , repesquei uma das primeiras mensagens que enviei   transcrito abaixo:

Olá amigos!

Quero dizer-vos que no meu tempo (1972/74) não era muito diferente: os preços que se praticavam eram mais ou menos os mesmos.


Cópia de nota de 50 escudos (pesos) da Guiné. Frente. Imagem gentilmente enviada à nossa tertúlia pelo Castro.

© Sousa de Castro (2005)



Puxando um pouco pela memória, eu como 1º cabo radiotelegrafista ganhava 1.500$00, sendo 1.200$00 por ser 1º cabo e mais 300$00, de prémio de especialidade.

A dita queca (acto sexual com prostituta), se a memória não me trai, creio que era assim: Para os soldados cinquenta pesos; para os cabos sessenta pesos; a partir daqui não me lembro quanto pagavam os mais graduados... Quanto às cabo-verdianas, a coisa era de facto mais cara, em final de comissão pagava-se entre cento e cinquenta ou duzentos pesos, isto em Fevereiro de 1974.

Recordo que, com um peso, comprava quatro ou cinco bananas. Os uísques novos como o Johnnie Walker (cavalo branco) e outros custavam, em 1972/74, cinquenta pesos; o Dimple 100 pesos; o Old Parr 150 pesos; e havia o Monks, a 250 pesos.

Cópia de nota de 5o escudos (pesos) da Guiné. Verso. Imagem gentilmente oferecida à nossa tertúlia de ex-combatentes da guerra colonial (com destaque para a Guiné) pelo nosso amigo Castro.

© Sousa de Castro (2005)


Julgo serem estes os preços daquela altura, alguém que me corrija. Por lavar a roupa, como cabo pagava 60 pesos e recordo que paguei 1 peso para me consolar a apalpar as mamas a uma mulher grande (isto é, casada) (Ainda hoje recordo aquelas mamas firmes e volumosas! ...).

Sousa de Castro
 http://cart3494guine.blogspot.com/2009/08/p-38-uma-nota-de-cinquenta-pesos.html

segunda-feira, 19 de abril de 2010

P-65 ACTIVIDADE DA CART 3494 DO BART 3873 NO TEATRO DE O. P. GUINÉ (7)


DEZEMBRO1971/ABRIL 1974
Este texto foi elaborado a partir do livro: - BART 3873
“HISTÓRIA DA UNIDADE”
CART 3492 – CART 3493 – CART 3494
NA GUERRA CONSTRUINDO A PAZ
(autor desconhecido)


13º FASCÍCULO

ABRIL 1973

1º cabo radiotelegrafista Sousa de Castro
Nota do editor:
Muito embora a CART 3494 tenha mudado para Mansambo, devido à baixa moralização da Companhia, continuarei a divulgar os acontecimentos no Sub-Sector do XIME para perceberem o quanto aquela zona era importante para o P.A.I.G.C. (Partido Africano Independência Guiné e Cabo Verde)
S.C.


59. SITUAÇÂO GERAL
- A utilização dos mísseis anti-aéreos pelo P.A.I.G.C. colheu de surpresa as Forças Armadas. Daí derivou uma redução da actividade aérea militar e civil e um consequente crescimento no poder agressivo da guerrilha e transtorno das comunicações aéreas.
Embora as aeronaves destruídas o tenham sido fora do Sector L-1, o certo é que o acidente teve ali as suas sequelas, como aliás em toda a Província.

60. TERRENO
- Nada de mencionável se verificou no período.

61. INIMIGO

a)Sub-Sector de Mansambo - CART 3494
- A 07 pelas 07,00 horas MANSAMBO é flagelado por MORT. 82 sem consequências.
A última flagelação deu-se em Agosto de 1972, portanto há 08 meses.
- No dia 10 ás 06,00 horas forças da CART 3494 detectaram e levantaram em (XIME 7A1-91) 03 minas A/P (anti-pessoal) e 01 A/C (anti-carro), reforçadas com granadas de morteiro e ligadas por cordão detonante.

b) Sub-Sector do XIME - CCAÇ 12
- A 06 às 18,30 horas o aquartelamento do XIME foi flagelado por canhão S/R e Mort. 82, durante 15 minutos s/condequências.
- A 13 às 17,45 horas nova flagelação por 02 Mort. 82, RPG’s e armas pesadas, S/consequências.

Xime 1972 - Tabanca dos TRMS
c) Conclusões
- Chama-se atenção para o Sub-Sector de MANSAMBO, onde a actividade IN que há muito não se fazia sentir, ressurgiu através implantação de engenhos explosivos e o ataque à distância ao aquartelamento.
É crível que tendo as informações do P.A.I.G.C. sabido um dos motivos porque a CART 3494 fora para ali transferida ~ baixa moralização da Companhia, tenha tentado com sua insistência, pôr em desespero as NT lá estacionadas.
Ainda assim o ponto mais alvejado no Sector L1 não deixou de ser o XIME.

62. POPULAÇÃO

- O Pel. Mil. 370 de SANSANCUTA pediu que se fixasse na antiga tabanca abandonada, denominada SINCHA BAMBÉ.
A ocupação da primitiva localidade foi rodeada por um cerimonial confratenizador e significativo, na medida em que uma povoação morta desperta para a vida da GUINÉ.
Estiveram presentes o CMDT. Do BART 3873, COR ARTª ANTÓNIO TIAGO MARTINS cujo topónimo da terra natal ~ STA CRUZ DA TRAPA foi atribuído à renascida povoação por sugestão dos milícias, o Régulo de BADORA, MAMAFU BONCO, os chefes das tabancas vizinhas e população.
Uma lápide ali colocada ficou assinalando o acontecimento.

63. NOSSAS TROPAS

a) Acções e Operações Mais Importantes
- Acção «GOLIAS 15» na protecção à coluna reabastecimento BAMBADINCA/MANSAMBO/XITOLE/SALTINHO/BAMBADINCA, por 03 Gr Comb da CART 3492, 02 da CART 3494, 01 cedido pelo BCAÇ 3872 e outro da mesma unidade em reforço à CCS/BART 3873. Sem contactos.
- Em 10, das 05,00 às 16,00 horas a acção «GUARIDA 28» pela CCAÇ 12/XIME a 03 Gr Comb na região da PTA VARELA. Foi escutada pela nossa rádio «ONKYO» uma transmissão em Espanhol.
- No mesmo dia foi a acção «GABÂO 9» por forças da CART 3492 a 03 Gr Comb. e CART 3494 a 02 Gr Comb.. Estas ultimas detectaram e levantaram 03 minas A/P e 01 A/C em (XIME 7A1-95).

b) Conclusões
- A presença de cubanos na PTA VARELA, como pessoal especialista, veio novamente confirmar-se pela transmissão captada.
- A implantação de 04 minas no Sub-Sector de MANSAMBO está na linha do tipo de acções que o IN põe em prática neste compartimento.
Remete-se a este respeito para a alínea c) do número 61.

c) Alterações ao Dispositivo
-No Sub-Sector da CART 3494/MANSAMBO o PEL do ENXALÉ regressou à sede da Companhia.
- No Su-Sector da CCAÇ 12/XIME sec. ocupou no ENXALÉ o lugar deixado pela saída do Pel. da CART 3494.

14º FASCÍCULO

MAIO 1973

64. SITUAÇÃO GERAL

_- Nada de sensível teve lugar neste período, quer do nosso lado, quer do lado do adversário.

65. TERRENO

- Começou a estação das «chuvas», fenómeno donde decorrerá a modificação do terreno pelo crescimento rápido da vegetação.

66. INIMIGO

a) Sub-sector de MANSAMBO – CART 3494
- Revelou-se inactivo, ao invés do que se passou em Abril.

1973 - O descanso dos guerreiros em Bafatá

b) Sub-Sector do XIME – CCAÇ 12
- Em 15 às 18,05 horas o XIME foi atacado à distância, durante 07 minutos, por canhão S/R e Mort. 82 mm. Resultados negativos
- 13 dias após, outra flagelação, desta vez também com R.P.G. Os 10 minutos de duração da referida acção não conseguiram provocar danos às NT.

c) Conclusões
- O aquartelamento do XIME, com tropa branca ou africana, foi o mais atingido, como já vem sendo tradicional.
- A imperícia dos combatentes do P.A.I.G.C. torna-se flagrante pela inoperância das suas acções contra as NF.

67. POPULAÇÂO

- Há notícia de que o inimigo recrutou coercivamente mancebos nas tabancas (sob seu controle) do POIDON, PTA VARELA, PTA LUÍS DIAS e PTA DO INGLÊS.
Por coincidência, um dos recrutados na PTA VARELA era informador das NT e, furtando-se à vigilância dos coactores, apresentou-se no ENXALÉ. Exemplifica-se, assim, os processos utilizados pelo Partido no angariamento dos combatentes, sabendo-se claramente que deste caso particular se pode subir à generalidade.

68. NOSSAS TROPAS

a) Acções e Operações Mais Importantes
Neste mês, a CART 3494 para além da actividade rotineira (Patrulhamentos, Colunas e outros), não participou em Acções e Operações que mereçam destaque.

15º FASCÍCULO

JUNHO 1973

69. SITUAÇÂO GERAL

- A população sob nosso controle voltou a ser pressionada, depois de decorrida uma larga margem de tempo sobre a última acção do género.
- A navegação do R. GEBA também foi, de novo, agitada.
- De resto, o Sector L-1 manteve-se pacífico, como aliás todo LESTE dum modo geral.

70. TERRENO

- Ainda que as chuvas caíssem escassamente, o terreno cobriu-se de densa vegetação, o que dificulta a progressão das NT em patrulhamentos.

71. INIMIGO

a) Sub-Sector de MANSAMBO – CART 3494
- O inimigo não se manifestou. Assim aconteceu no período transacto.

b) Sub-Sector do XIME – CCAÇ 12
- Em 01 às 01,30 horas um grupo inimigo não estimado atacou o barco civil «BUBAQUE» durante 20 minutos, utilizando RPG e armas automáticas, nas proximidades de SÃO BELCHIOR. A tripulação sofreu 02 feridos graves e 01 ligeiro. O patrão AMANTE ROSA, antes do início dos tiros, ouviu vozes mandar parar, mas prosseguiu a sua rota.
- Em 10 às 18,10 horas um grupo não estimado flagelou 03 barcos civis na PONTA VARELA, durante 05 minutos, com RPG e armamento ligeiro, sem consequências. A Artilharia do XIME reagiu, disparando 08 granadas de OBUS (10,5) 4 04 de morteiro 81.

72. NOSSAS TROPAS

a) Acções e Operações Mais Importantes
- Acção «GARBO 1» de 13 às 17,00 horas a 14 até às 17,00 horas em MANSAMBO/JOMBOCARI/Região de MINA/MANSAMBO pela CART 3494, CCAÇ 12 e CART 3492 que monta emboscada em XITOLE/GALO CORUBAL. A doença súbita de um soldado, a carecer de evacuação e a recusa do guia prosseguir, não permitiram o avanço até ao objectivo.
Cerca das 04,30 horas ouviram-se 02 tiros na direcção S.E.
b) Conclusões
- Pelas acções levadas a cabo concluiu-se que o P.A.I.G.C. organiza postos avançados de vigilância que lhe permitem detectar as NT muito antes dos seus redutos. Concluiu-se também que os guerrilheiros não se fixam em um único acampamento, transferindo-se de acampamento para acampamento.

16º FASCÍCULO

JULHO 1973

73. SITUAÇÂO GERAL

- A flagelação ao barco «MANUEL BARBOSA» na sequência de uma nítida intenção de embaraçar, ou até impedir, a navegação no RIO GEBA (Veja-se a flagelação ao «BUBAQUE» em Junho).
- O relativo abrandamento da pressão exercida sobre as NT
- A colocação da CCAÇ 21 (Companhia de Caçadores Africana) em BAMBADINCA, como unidade de intervenção do CAOP 2.
Foram os três factos acima referidos que definiram o período em causa.

74. TERRENO
 - O aspecto não se alterou em relação ao mês passado.
 Os Radiotelegrafistas: O Ramos, o Castro e o Silva (falecido)

 75. INIMIGO

a) Sub-Sector de MANSAMBO – CART 3494
- O inimigo, uma vez mais, não se revelou.

b) Sub-Sector do XIME – CCAÇ 12
- Em 29 às 09,30 horas, um grupo IN não calculado flagelou o XIME durante 10 minutos com RPG, Mort. 82 e Armas automáticas. As NT responderam utilizando L.G. de Foguete, Mort. 81 e OBUS 10,5. As bases dos RPG’s foram localizadas em (XIME 3F6-56). Sem consequências.
- Em 28 às 17,45 horas, um grupo IN não estimado também, flagelou durante 15 minutos o XIME. A nossa reacção desencadeou-se através do Mort. 81 e OBUS 10,5. Desta vez o inimigo, além de Mort. 82, actuou com 02 canhões S/R. Duas granadas caíram próximo do espaldão do nosso OBUS. Sem consequências.
- em 13 às 11,50 horas o barco civil «MANUEL BARBOSA» foi atacado nas proximidades de SÃO BELCHIOR, por 10 minutos. Foi atingido por alguns disparos de RPG e Armas automáticas. A tripulação que nunca perdeu o controle, conduziu a embarcação até BAMBADINCA, onde o ferido (ligeiro) recebeu assistência. O GMIL 309, o PEL CAÇ NAT 54 e o Mort. 81 de MATO CÃO desencadearam o contra-ataque, não conseguindo interceptar os atacantes.

c) Conclusões
- A circulação do tráfego no R. GEBA vem sendo, ultimamente, alvo de forte pressionamento pelo P.A.I.G.C., no sentido de a impedir ou, pelo menos, dificultar.

76. NOSSAS TROPAS

a) Acções e Operações Mais Importantes
- Operação «GUARDEAR 5» de segurança próxima e afastada a BAMBADINCA por ocasião da cerimónia final do 3º Turno de Instrução de Milícias no CIMIL local. Intervieram o PEL REC DAIMLER 3085; 02 Gr Comb. Da CART v3494; PEL REC 3873: PEL’s CAÇ NAT 52, 54 e 63; PE’s MIL 201, 202, 203, 358, 370, 242, 243, CCAÇ 12 e CCAÇ 21. Sem contactos.

b) Alteração ao dispositivo
- A CCAÇ 21= Unidade Africana, ficou aquartelada em BAMBADINCA como força de intervenção do CAOP 2.

77. ACÇÃO PSICOLÒGICA E FORMAÇÂO SOCIAL

- Asumiram o compromisso de honra mais 03 pelotões de Milícia, todos eles pertencentes à etnia FULA. Presidiu à cerimónia SUA EX. GOVERNADOR E COMANDANTE-CHEFE que dissertou sobre os deveres dos milícias. A população da região acorreu em grande número.
- A chegada da CCAÇ 21, com os respectivos graduados africanos, produzirá sobre a população civil uma boa impressão e um estímulo, para mais uma parcela da Província em que predominam os Fulas, pois Fulas são também os militares desta Companhia.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

P-64 A malta do triângulo Xime-Bambadinca-Xitole (1)

Em jeito de homenagem, apresento um dos primeiros posts, (IX) publicado no «BLOGUE-FORA-NADA» de Luís Graça, (fundador), que deu origem à formação da tertúlia de ex. combatentes da Guiné, hoje com mais de 400 membros, 1,6 milhões de visitas desde Abril de 2004 aproximadamente,  passando mais tarde a chamar-se «Luís Graça & camaradas da Guiné». 
Visitem o blogue:  http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/
Luís Graça é natural da Lourinhã (a "capital dos dinossauros"), mora em Alfragide, é sociólogo do trabalho e da saúde, doutorado em saúde pública, professor na Escola Nacional de Saúde Pública, Universidade Nova de Lisboa, em Lisboa
foi combatente na Guiné, em CONTUBOEL e BAMBADINCA, nos anos 1969/71 pertence à CCAÇ 12 (Companhia de Caçadores 12). Bem Haja!
Sousa de Castro 


Dr.Luís Graça


29 Abril 2005
Guiné 69/71 - IX: A malta do triângulo Xime-Bambadinca-Xitole (1)
1. Nos últimos dias descobri alguns camaradas de armas:

(i) que estiveram comigo na Guiné, na mesma altura, entre 1969 e 1970; foi o caso ex-furriel miliciano David J. Guimarães, do Porto, que esteve no Xitole e que voltou à Guiné em 2001, como turista, com um grupo de ex-combatentes, incluindo, o médico psiquiatra, ex-alferes miliciano, Dr. Vilar, ambos do BART 2917;

(ii) ou que passaram pelos mesmos sítios que eu pisei, embora mais tarde (caso do Sousa de Castro, de Viana do Castelo, o ex-1º cabo radiotelegrafista da CART 3494, que esteve aquartelada no Xime e depois em Mansambo, entre Janeiro de 1972 e Abril de 1974).

Eles têm-me fornecido fotos, testemunhos e outra documentação que vou utilizar, com a sua devida autorização, para recordar esses tempos. Este blogue também é deles e para eles, para todos os meus ex-camaradas de armas da Guiné, e em especial os que estiveram no Sector L1, Zona Leste: Xime, Enxalé, Missirá, Fá, Bambadinca, Nhabijões, Mansambo, Xitole, Ponte dos Fulas... Mas que também passaram por outros sítios a onde guerra ainda não chegava: Contuboel, Bafatá...

O limite temporal é arbitrário: coincide com a minha comissão, a primeira comissão da CCAÇ 2590 (depois CCAÇ 12). Mas há outros camaradas que vieram antes e outros que chegaram depois. Sejam bem vindos. Podem mandar os vossos comentários para o responsável do blogue-fora-nada. Prometo divulgá-los aqui ou na minha página pessoal na Net.

2. Aqui ficam alguns excertos das mensagens que temos, eu, o Castro e o Guimarães, trocado:

29 de Abril de 2005:

"Autorização dada para usares todo e qualquer documento que te envie. Aliás, muito gostaria que as pessoas que viveram por lá conseguissem ver o que é hoje a Guiné. Ninguém entenderá como uma pedra, somente uma pedra fotografada ou um sulco, é tão importante para um combatente: no Xitole vêem-se restos de abrigos e sulcos na terra; ora só nós, os combatentes, conseguimos saber o que é isso, pois sabemos bem o que é uma vala e a utilidade dela quando éramos bombardeados (e eu fui-o várias vezes) (...).

"Em breve te enviarei fotos de Bafatá e Bissau. Enfim ficarás, por exemplo, a saber que o célebre café Bento, a 5ª Rep[artição], é hoje uma bomba de gasolina da Galp...

"Abraço, David Guimarães".


29 de Abril de 2005:

" (...) Não foi a minha companhia (CART 3494) que se deslocou para o Cantanhês mas sim, a CART 3493. Nós (CART 3494) saímos do Xime mais ou menos em Abril de 1973 para Mansambo e a CART 3493 de Mansambo para o Cantanhês. Está percebido?

"Aproveito para informar a sequência dos DVD, para o caso de quererem fazer uma capa (...). Embora não os conheça pessoalmente, não me incomoda nada de partilhar algo, que de uma forma ou de outra nos tocou profundamente. Devo dizer também que a pessoa que me forneceu este magnífico trabalho certamente irá ficar satisfeito por o dar a conhecer. Então é assim:

"1º DVD: Introdução, Viagem para a Guiné, Cidade de Bissau, Hospital militar e arredores; Interior da Guiné: Cumuré, Jugudul, Xime.


"2º DVD: Xime, Mansambo, Quebo (antiga Aldeia Formosa), Fonte Balana, Chamarra, Buba (Aldeia Turística), Destacamento de Buba, De norte para sul.


"3º DVD: Guidage, Binta, Farim, Jumbembem, Canjambri, Fajonquito; Zona leste: Bafatá, Bambadinca, Xitole; a sul da Guiné: Empada, Chugué, a caminho de Bedanda;


4º DVD: A caminho de Bedanda, Cacine, Gadamael Porto, Cobumba, Catió, Saltinho (A tabanca), Bissau.

"Abraço. Castro".



29 de Abril de 2005:

"Amigo Castro: Obrigado pelos DVD, pelas fotos e sobretudo por estas tuas preciosas informações que me ajudam a reconstituir, na minha memória, o puzzle da Guiné. Sempre defendi que a forma de gerirmos o stresse pós-traumático de guerra, como diz o psiquiatra Afonso Albuquerque, é falarmos e escrevermos sobre esta nossa experiência de juventude, que nos marcou a todos, a uns mais e a outros menos...

"Não sabia que a CCAÇ 12 vos tinha rendido, no Xime, e que vocês foram para o Cantanhês (fiz uma grande operação nessa zona, na mata do Morès, onde já não se ia há vários anos, depois conto-te: uma operação dramática, como o Beja Santos, de Missirá) (...).

"Continua a dar notícias. Agradeço também os teus links e outros documentos sobre a guerra colonial. Sempre que puder, vou pondo coisas na Net... Pode ser que apareça mais maralha a querer abrir o baú das memórias, como aconteceu com O Jornal na década de 1980...... Bom fim de semana. Um grande abraço (Kandandu, em angolês). Luís"


29 de Abril de 2005:

"Guimarães: (...) Vou seleccionar algumas das tuas fotos, que são excelentes documentos porque nos falam dos sítios onde estivemos, por onde passámos... Nestes últimos dias , em que temos trocado mensagens e documentação (contigo e com o Castro), avivei muito mais a memória... Fui ao meu sótão e abri as pastas onde tenho os meus escritos... Houve uma altura em que escrevi muitas coisas, como eu te disse, para o semanário "O Jornal"... Isto foi no iníco dos anos 80...

"Na Guiné também tinha uma diário onde escrevia, irregularmente. Fiz a história da unidade (que é também em grande parte a do Sector L1/Zona Leste). Ontem descobri que estive na operação que abriu a estrada de Bambadinca - Mansambo (interdita desde meados de 1968). E julgo que foi a seguir que depois visitei, pela primeira vez, o Xitole. Vou-te mandar uns escritos sobre o inferno das colunas logísticas para Mansambo, Xitole e Saltinho. Curiosamente nunca cheguei a ir ao Saltinho!...

"Como já te disse, eu era de armas pesadas. Como a CCAÇ 12 não tinha armas pesadas, acabei em atirador, tendo passado por todos os grupos de combate e por todas as secções e... por quase todas as operações que a CCAÇ 12 fez no meu tempo!

"Vou pôr algumas das tuas fotos na minha página, na secção Subsídios para a história da guerra colonial. Claro que mencionarei o teu nome e espero que me ajudes a criar as legendas. As coisas têm que ser explicadas e contextualizadas. Um abração, L.G.".


28 de Abril de 2005:

"Vou enviar amanhã, sexta feira, os DVD. A foto do quartel em Mansambo, publicada na tua página, para além de ter sido sede da CART 3493 também foi sede da CART 3494 a partir de Abril de 1973 até final de comissão. Digamos que foi o nosso descanso. Fomos rendidos no Xime pela vossa companhia, a CCAÇ 12, tendo a CART 3493 sido deslocada para a zona do Cantanhês.

"Foi a vossa companhia que nos rendeu e, pelo que sei, embrulharam muitas vezes. De Janeiro de 1972 a Abril de 1973, a CART 3494 sofreu no Xime 17 ataques alguns deles de foguetões, não falando dos vários contactos com o IN que a companhia sofreu no terreno (...). Creio que a CCAÇ 12 ficou no Xime até ao final da guerra. Em Mansambo sofremos unicamente um ataque ao quartel e levantámos algumas minas. Cumprimentos. Castro".



27 de Abril de 2007:

"Castro: Fico muito sensibilizado pela tua gentileza. Pus as tuas fotografias na minha página na Net. Em princípio, tenho a tua autorização. Se alguma coisa estiver errada, diz-me, que eu corrijo ou retiro. Vou pedir também ao Guimarães para me autorizar a divulgar as suas fotos (desde que não sejam muito pessoais ou que não envolvam terceiros facilmente identificáveis)...

"Acho que temos a obrigação, moral e até histórica, de dar a conhecer tudo isto à geração dos nossos filhos e dos filhos dos nossos amigos (...). No princípio da década de 1980, ajudei o jornalista Afonso Praça (que tinha estado em Angola) a lançar uma campanha no semanário O Jornal (que já não existe, uma parte dos jornalistas deram depois origem à actual Visão)... Durante semanas e semanas a malta da guerra colonial foi aos baús e desenterrou as suas memórias. Eu próprio publiquei uma data de artigos e caiu no goto a minha frase Exorcizar os fantasmas da guerra colonial... Mais tarde os gajos do Conselho do Revolução começaram a fazer pressões para acabar com a brincadeira... Na época, o Costa Gomes não gostou nada. O Afonso Praça, infelizmente, já morreu e ficou na redacção do Jornal uma série de materiais (fotos, mapas, documentos...) que eu lhe emprestei para uma grande exposição que nunca se chegou a realizar... Houve camaradas que me emprestaram fotos e que ficaram sem elas! Mas um dia ainda vou tirar isto a limpo (...)".


27 de Abril de 2005:

"O convívio da nossa CART é no último sábado de Maio e é sempre assim que se combinou. Por norma os convívios são aqui no Norte, dado o grosso do pessoal ser desta região. O máximo a sul que fizemos foi na em Vieira de Leiria... Paços de Ferreira, Espinho, Matosinhos, Viseu, Gaia (dentro do quartel), Lourosa, Viana do Castelo e agora em Muro (Vila do Conde), têm sido os locais escolhidos para os almoços de convívio...

"Só os quadros é que são do sul: os Furriéis Rei e Augusto, de Azeitão; o Ferreira, de Leiria; o Marques, vagomestre, do Montijo; o Cabete, da Figueira; eu e o Ribeiro e Silva daqui [Porto]... Os 1ºs Sargentos Santos e Pires, o primeiro de Leiria e o segundo daqui. O Alferes Correia é daqui bem como o Coutinho. O Soares, de Algueirão, nunca veio... O Sampaio faleceu. O Capitão Espinha de Almeida também é daqui. No ano passado esteve connosco o Major (Coronel Aposentado) Anjos de Carvalho... Vamos ver se este ano vem também o [major de operações] Barros e Bastos... O Polidoro Monteiro e o Magalhães Filipe já faleceram. O Polidoro Monteiro, sim, operacional, como tu dizes e bem, sempre o foi...

"Quanto ao Vilar fácil será encontrá-lo, Psiquiatra Marques Vilar, vais dar a ele [em Aveiro]...Poderei arranjar a direcção dele, fica descansado.

"Quanto ao Rebelo e ao Rocha, eram Furriéis da nossa CCS, é a esses que me refiro. O Vinagre também era o Furriel Mecânico da CCS.... Quanto ao Padre Poim, sim, era açoriano, foi expulso da Guiné pela Pide. Ele parece que vive lá para os Açores mas saiu de clérigo... Contudo já há muito tempo que não ouço falar dele... Este Furriel Rocha, das Operações Especiais, foi o encarregue dos reordenamentos em Nhabijões.

"Quanto ao [primeiro sargento] Brito era um gajo porreiro, sim. Sei que depois voltou noutra Comissão à Guiné, disse-me um nativo quando lá fui [em 2001], foi mais para o lado de Bafatá (...). Pessoalmente eu dava-me bem com o Brito".


26 de Abril de 2005:

Este mapa [do Sector L1]é muito bom: hoje pude melhor recordar nomes que dia a dia passavam nas nossas cabeças.

"No fim, no Xitole tínhamos, como sabes, acampamentos deles muito próximos. Se Seco Braima era muito ligado à agricultura, já Satecuta parecia uma cidade militar. É verdade! A minha companhia conseguiu lá entrar - eu não fui nessa operação, estava para vir de férias e esparava a avioneta. Bem, mais tarde, nova operação e lá fui eu. Que raio, nunca apanhei tanto fogo num dia! E não conseguimos entrar (...). Obrigado pelo mapa (...).

"A Ponte dos Fulas era um acampamento do Xitole precisamente para guardar aquela ponte. Breve te enviarei os documentos fotográficos actuais: verás o fortim, na Ponte dos Fulas, intacto. Sei que foste ao Xitole, então reconhecerás algo, tenho a certeza. Até mais, abraço, Guimarães".


23 de Abril de 2005:

"Bom, cá com as minhas pesquisas, já consegui alguma coisa, pelo menos o Guimarães encontrou alguém do tempo dele. Como é bom descobrir camaradas de guerra e divulgar, a todos, os contactos que tenho relacionados com essa mesma guerra. Quero dizer também ao Guimarães que, com as fotos que enviei para o Luís Graça, mencionei sempre o nome de quem as cedeu. O seu a seu dono (...).

"Possuo um excelente filme em DVD gravado em Novembro de 2000 por um grupo de dez ex-combatentes que se deslocaram em visita à Guiné. Se estiverem interessados cá o ex- 1º cabo radiotelegrafista Castro não se importa de fazer mais uma cópia (...). Havemos de promover um encontro entre cibernautas que tenham a ver com a Guiné. Um grande abraço para todos. Castro".


22 de Abril de 2005:

"Obrigado, David. Vejo que somos do mesmo ano (nasci em 1947). Regressei da Guiné em Março de 1971. E fui, de facto, algumas vezes ao Xitole. Ou pelo menos fiz muitas operações para te podermos levar o pão e a cerveja de cada dia… Comi muito pó a caminho de Mansambo e do Xitole, tal como tu quando vinhas a Bambadinca… Ainda gostaria de fazer esse percurso a pé… Dizes-me que agora está alcatroada… Nunca mais lá voltei [à Guiné]. Tenho ido a Angola, em trabalho.

"É muito possível que tenhamos confraternizado. Vou revisitar os meus escritos, para ver se fizemos alguma operação em conjunto. Era mais frequente trabalharmos, nós, o da CCAÇ 12, com a malta do Xime e de Mansambo. Vou-te mandar uma fotografia minha desse tempo. E tu podes fazer o mesmo. Vou ter que a digitalizar. Eu na altura não ligava muito às fotografias. Mas escrevi um diário, além da história da CCAÇ 12.

"Sou eu mesmo, o Furriel Henriques (também me chamavam o Soviético ou o Camarada Sov…), que resgatei o corpo do Cunha (que era de Viana do Castelo, se bem me lembro). Gostava muito dele, éramos amigos. Passei a noite na conversa com ele entre dois copos, no Xime, nessa trágica operação em que o (...) [vosso segundo comandante] nos obrigou a seguir o mesmo trilho da véspera (não foi no Mato Cão, mas a caminho da Ponta do Inglês, do lado de cá do rio): escassas horas depois, eu iria resgatar o seu corpo (...).

"(...) Estive debaixo de fogo bastantes vezes. Apanhei de tudo: assalto a aquartelamentos do IN, flagelações a tabancas, explosão de mina anticarro (salvou-me a minha velha GM, mas duas secções inteiras ficaram neutralizadas e o outro furriel, o Marques, fez mais dois anos de tropa, no hospital militar…). Foi no regresso ao aquartelamento que eu perdi as estribeiras. E a seguir a mim foi o capitão do Xime, um jovem capitão do quadro, de 24 anos… Um dia destes mando-te o relatório dessa operação, já na parte final da nossa comissão: foi uns dias depois da invasão de Conacri, em Novembro de 1970… (A propósito, convivi muito com os gajos dos comandos e vi alguns morrerem)…

"Olha, gostei muito das tuas fotografias. O Castro já me tinha mandado umas tantas (Bissau, Bafatá, Xime). Se quiseres arranjo-te um sítio na Net para as divulgar (http://www.care2.com). Há muita malta do nosso tempo que irá sentir-se feliz por rever os sítios mágicos e ao mesmo trágicos onde vivemos (quase dois anos das nossas vidas!).Um abraço. Luís".

# posted by Luís Graça @ 12:00