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segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

P195 - O MEU ANIVERSÁRIO (Sousa de Castro)

15/12/2013 dia do meu aniversário, para além de outras lembranças que os meus filhos (3) me ofereceram, que muito reconhecidamente agradeço, um deles me presenteou este fantástico bolo. Fiquei embasbacado e até emocionado, não pelo bolo em si, mas sim pelo logótipo da nossa companhia, tendo em conta o orgulho que sabem que sinto, por ter servido o estado Português na Guiné, ao serviço da CART 3494 do BART 3873.  Um agradecimento muito especial, em primeiro lugar à minha esposa que se esmerou para que neste dia me sentisse particularmente feliz, não esquecendo as minhas noras, genro e os meus três netinhos.
Aquele pequeno País não nos sai da memória, aquelas gentes, a terra vermelha, o buliço da cidade de Bissau, foi um marco nas nossas vidas, sinto até, alguma nostalgia daquela terra. 
FOI LINDO!

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

P194 -X- MEDALHA COMEMORATIVA DAS CAMPANHAS (Jorge Araújo)

segunda-feira, 9 de Dezembro de 2013
13:26

Assunto
MEDALHA COMEMORATIVA DAS CAMPANHAS
De
Para
Sousa de Castro
Enviado
sexta-feira, 6 de Dezembro de 2013 14:32


Caríssimo Camarada Sousa de Castro
Os meus melhores cumprimentos.
Na sequência da minha participação, como agraciado, na cerimónia de concessão da Medalha Comemorativa das Campanhas, realizada na passada quarta-feira, dia 04Dez2013, no Depósito Geral de Material do Exército, em Alcochete, tomei a iniciativa de elaborar este pequeno texto, para divulgação neste no nosso blogue, no qual faço uma síntese dos aspectos mais relevantes nela verificados.
Um abraço.
Jorge Araújo.

06Dez2013.

GUINÉ
Jorge Alves Araújo, ex-Furriel Mil. Op. Esp./RANGER, CART 3494

(Xime-Mansambo, 1972/1974)
CONCESSÃO DE MEDALHA COMEMORATIVA
DAS CAMPANHAS
- Condecoração de Ex-Combatentes em 04DEC2013
 no Depósito Geral de Material do Exército -
I – A CERIMÓNIA SOLENE
Na passada quarta-feira, dia 04DEC2013, participei na cerimónia solene de imposição de «Medalha Comemorativa das Campanhas», na qualidade de agraciado, na sequência da convocatória endereçada pelo Depósito Geral de Material do Exército, através de ofício datado de 13Nov13, no momento em que se aproxima a data do quadragésimo aniversário do nosso regresso da Guiné, ocorrido em Abril/1974.
Na cerimónia da concessão de medalhas, iniciada pelas 15:00 horas nas instalações da unidade militar acima citada, sediada na Estrada do Infantado, em Alcochete, marcaram presença três pelotões que, perfilados diante da tribuna, fizeram a Guarda de Honra aos que deram origem à realização do acto solene – os Ex-Combatentes.
A concessão da Medalha Comemorativa das Campanhas foi conferida a um total de vinte e quatro ex-militares que, por terem sido combatentes num dos diferentes T.O. [ou ex-Províncias Ultramarinas], a ela adquiriram, por direito próprio, a sua atribuição.
Presidiu à cerimónia solene o Exmo. Director do DGME, Cor AdMil. Rui Alexandre de Castro Jorge Ramalhete, que contou ainda com mais alguns Oficiais Superiores, todos eles participantes na imposição das condecorações, a saber: Subdirector do DGME, TCor Eng Mat António José dos Santos Martins; TCor Jorge Pereira; Major José Luís dos Santos Salsinha Ninitas; Cap Paulo Jorge Paulino Barata; Cap Alcino Fernando Cardoso Santos e Cap Carlos Manuel Fernandes Martins.
Na sua alocução de abertura, o CMDT do DGME, Cor Rui Ramalhete, saudou, em seu nome e no da sua unidade, todos os presentes designados para receber a condecoração, exaltando o papel dos ex-combatentes das diferentes armas, no seu superior desempenho além-fronteiras, particularmente aqueles que combateram nas ex-colónias.
Seguiu-se a cerimónia das condecorações, organizada segundo o T.O. onde foi prestada a comissão de serviço, de acordo com a seguinte ordem: Índia, Angola, Moçambique e, por último, Guiné. Concluída a cerimónia de condecorações, a força perfilada na parada desfilou diante da Tribuna onde se encontravam as Autoridades Militares, os Ex-Combatentes e alguns dos seus familiares que assistiram ao acto, conferindo-lhe um sinal de dignidade que o contexto justificava.
Para encerrar a cerimónia, teve lugar uma pequena confraternização nas instalações sociais do DGME, onde interagiram os actuais Quadros Superiores do Exército daquela Unidade e os Ex-Combatentes, tendo sido servido um Porto de Honra.

II – OS CONDECORADOS
Como elemento meramente estatístico, procedemos à elaboração de um quadro de frequências, tendo por base a distribuição do universo dos Condecorados [vinte e quatro] por
duas variáveis categóricas: a ex-Província Ultramarina onde foram combatentes e os anos [período] em que decorreu cada uma das comissões de serviço.
Da análise quantitativa dessas variáveis, foi elaborado o presente quadro.
Como curiosidade, é de referir que o Condecorado da Campanha da Índia – o ex-Soldado Leonel Augusto Costa da Silva – foi feito prisioneiro em Goa no dia 19Dez1961, ou seja, há cinquenta e dois anos.
Outra situação assaz curiosa, agora da Guiné, foi revelada pelo Condecorado ex-Soldado Joaquim Guerreiro Felicidade, da CCAÇ 622 [1964/1966], que, tendo estado no Xitole o tempo completo da sua comissão, nunca conheceu o Xime, pelo facto do seu desembarque, e depois embarque para Bissau, ter acontecido em Bambadinca a bordo de uma L.D.M. [Lancha de Desembarque Média]. Revelou, também, que as suas férias na Guiné foram passadas em Bafatá.

III – A MEDALHA COMEMORATIVA DAS CAMPANHAS
A medalha que abaixo se reproduz foi o exemplar distribuído na cerimónia. Trata-se de um desenho que foi aprovado em 2002, com imagens nos dois lados da medalha: anverso e reverso.

O anverso contém:
Emblema Nacional rodeado de um listel circular com a legenda «CAMPANHAS E COMISSÕES ESPECIAIS DAS FORÇAS ARMADAS PORTUGUESAS», em letras de tipo elzevir, maiúsculas, e a legenda cercada de duas vergônteas de louro, frutadas e atadas nos topos proximais com um laço largo, encimando este conjunto, uma coroa mural de cinco torres.
O reverso contém:
Um disco tendo, na parte superior, uma Bandeira Nacional; sobrepostas a ela, e medindo quase todo o diâmetro, as figuras de um soldado do Exército, à dextra, um soldado da Força Aérea, ao centro, e um marinheiro da Armada, à sinistra, de pé e firmados num pedestal; o disco rodeado da legenda «ESTE REINO É OBRA DE SOLDADOS», em letras de tipo elzevir, maiúsculas, num listel circular, rematado inferiormente por um laço largo; encimando este conjunto, uma coroa mural idêntica à do anverso.

IV – AS IMAGENS
Como reforço das palavras escritas, apresentam-se algumas imagens do desenrolar da cerimónia.
Foto 1 – Tribuna dos Ex-Combatentes do Exército condecorados [vinte e quatro].
Foto 2 – Colectivo dos Oficiais do DGME presentes na cerimónia.

Fotos 3 a 5 – Grupo dos militares do DGME que fizeram a Guarda de Honra e o desfile.



Foto 6 – Os Ex-Combatentes já condecorados, assistindo ao desfile militar.

Foto 7 – Porta-de-armas do Depósito Geral de Material do Exército [DGME], sito em Alcochete.

Nesta oportunidade, aproveito para enviar a todos os tertulianos, em especial para os Fantasmas do Xime, um forte abraço com votos de muita e boa saúde.
Jorge Araújo.
06Dez2013.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

P193 - IX - O DESTACAMENTO DA PONTE DO RIO UDUNDUMA (Junto à estrada XIME-BAMBADINCA) [Parte 1]


MSG com data de 25NOV2013 (IX) de Jorge Araújo ex. Fur. Milº OP.Esp./Ranger - CART 3494 do BART 3873 - Guiné DEC71/ABR74

Caríssimo camarada Sousa de Castro,
Os meus melhores cumprimentos.
Na sequência das anteriores narrativas tendo por enquadramento histórico a «Ponta Coli» [Postes; 148; 152 e 191], eis outra, agora referente à presença dos camaradas militares da CART 3494 na «Ponte do Rio Udunduma».
Entre a “Ponta…” e a “Ponte…” o que muda é a vogal, uma vez que a substância da nossa missão era a mesma: «SEGURANÇA», mas em diferentes pontos [locais] na Estrada Xime-Bambadinca, afastados, entre si, meia-dúzia de quilómetros.
Ora leiam e comentem a 1.ª parte.
Obrigado.
Jorge Araújo.

Nov./2013.

GUINÉ
Jorge Alves Araújo, ex-Furriel Mil. Op. Esp./RANGER, CART 3494
(Xime-Mansambo, 1972/1974)
O DESTACAMENTO DA PONTE DO RIO UDUNDUMA
(XIME-BAMBADINCA)
- As acções especiais durante o 2.º semestre de 1973 [parte I] - 
1. A génese da segurança à Ponte do Rio Udunduma
     - Antecedentes históricos
A história diz-nos, enquanto memória de um passado que continua presente, que a segurança à 1.ª Ponte [velhinha] do Rio Udunduma, situada na Estrada Xime-Bambadinca, teve o seu início no dia 29 de Maio de 1969, 5.ª feira, na sequência da dupla acção do PAIGC, levada a cabo na noite do dia anterior (28/29.Mai69) por dois bigrupos (cerca de 100 elementos). Essas duas acções tiveram como alvos o ataque ao Aquartelamento de Bambadinca, sede, à época, do BCAÇ 2852 (1968/70), e, simultaneamente, à Ponte do Rio Udunduma, situada a cerca de quatro quilómetros desta localidade, a qual foi dinamitada, resultando desse acto ter ficado parcialmente danificada, conforme se pode observar nas imagens a baixo.
Foto 1 – Estrada Xime-Bambadinca [Ponte do Rio Udunduma – Jul/1973] – imagem de como ficou a ponte velha na sequência da explosão de 28Mai1969, obtida ao nível do solo.

Foto 2 – Estrada Xime-Bambadinca [Ponte do Rio Udunduma – Jul/1973] – imagem da ponte velha, obtida da nova estrada onde foi construída uma nova ponte sobre o rio, inaugurada entre finais de 1971 e início de 1972.
Os primeiros operacionais das NT a avançar para esse local foram os do 3.º GComb da CART 2339 (1968/69), sedeada em Mansambo, sob o comando do Furriel Carlos M. Santos (Vd Postes: 7459 e 7859)
Foto 3 – Estrada Xime-Bambadinca [Ponte do Rio Udunduma – Jul/1973] – imagem da estrada velha, assinalando-se a ponte semidestruída em 1969, e Bambadinca, ao fundo, como local mais próximo, a quatro quilómetros desta. Na linha do horizonte, vê-se a nova estrada na qual é possível contar uma coluna de mais de uma dezena de viaturas civis, em direcção ao Cais do Xime.
Recuperado o controlo daquela pequena fracção de terreno circunscrita ao afluente do Geba e da bolanha contígua, a Ponte do Rio Udunduma, mesmo depois de ter ficado bastante danificada, não mais voltou a estar/ficar desprotegida até ao fim da guerra de guerrilha [Abril/1974], devido à decisão de aí se instalar uma força militar [especial] que, com o decorrer do tempo, haveria de dar lugar à organização de um Destacamento [amostra de… ou mini…].
Entretanto, uma nova ponte haveria de ser construída a seu lado, a poucas dezenas de metros, maior e perfeitamente adequada ao grande fluxo rodoviário, civil e militar, que diariamente circulava nesta estrada, com ligação a toda a zona leste do território, com maior destaque para as localidades de Bafatá, Nova Lamego, Piche, Canquelifá, Galomaro e Saltinho. Segundo julgo saber, a sua construção esteve a cargo da empresa Tecnil, e a sua inauguração deverá ter ocorrido entre finais de 1971 e início de 1972.
Foto 4 – Estrada Xime-Bambadinca [Ponte do Rio Udunduma – Jul/1973] – imagem da nova ponte construída pela empresa Tecnil. Ela foi obtida da ponte velha.
Durante cinco anos, muitos foram os camaradas que aí permaneceram vigilantes, num contexto desprovido de qualquer rectaguarda de apoio militar, em que cada um de nós estava completamente abandonado à sorte da divina providência e à sua couraça, tendo como mais-valia a capacidade de sobrevivência, pois se tivesse acontecido algum ataque, ele seria sempre de surpresa, e, por esse método, nem os peixinhos se salvavam. Em suma: miserável e degradante, já que não tinha rigorosamente nada. Ou melhor, tinha o que as imagens abaixo deixam entender.

Foto 5 – Estrada Xime-Bambadinca [Ponte do Rio Udunduma – Jul/1973] – imagem de um buraco aberto no chão, coberto de troncos de palmeira, terra e chapas de zinco a cobri-los, protegido no exterior com bidões de gasóleo cheios de terra, com uma pequena abertura, tendo no seu interior uma cama de ferro, especial do mobiliário militar, com colchão adequado …a um sono tranquilo [que enorme ironia].
A cama tinha um mosquiteiro comprado em Bafatá, nas “libanesas”. Este acabaria por ter uma dupla função, na medida em que, protegendo-nos dos mosquitos e das melgas, servia também de cama elástica e/ou trampolim para treino de flexibilidade e destreza dos ratos do mato que nos visitavam durante a noite, em sessões contínuas. Para além desta actividade físico-desportiva em ginásio coberto, sem necessidade de inscrição prévia ou celebração de contrato de fidelização, a equipa de roedores ainda tinha a pouca vergonha de nos levar os sabonetes e as meias para a sua comunidade, algures nas redondezas, certamente muito importante na sua higiene.
Era, então, um contexto maravilhoso … e com muita animação.

Foto 6 – Estrada Xime-Bambadinca [Ponte do Rio Udunduma] – o mesmo chalé T0 quatro anos antes, com o camarada furriel Humberto Reis, do 2.º GComb da CCAÇ 12, em momento de reflexão (P7481-LG), aguardando… talvez: a passagem do carteiro? ou, ainda, uma boleia para a metrópole? Mas… só ele nos poderá dizer!
Entre o tempo das fotos 5 e 6 [quatro anos], outros camaradas por lá passaram de diversos Grupos de Combate destacados das Unidades instaladas naquele Sector (L1), considerado um dos de maior vastidão em todo o T.O., nomeadamente: CART 2339 (1969), de Mansambo – CART 2520 [1969 - 2 secções], do Xime – C.CAÇ 12 [1969-71], de Bambadinca – PEL CAÇ NAT 52 [1972] – PEL CAÇ NAT 63 [Out/1972] – CART 3493 [Mar/1973 - 2 secções], de Mansambo – CART 3494 [Abr/1973-74 - 1 secção +], de Mansambo-Xime.

2. As acções especiais durante o 2.º semestre de 1973
Com a transferência do Xime para Mansambo, ocorrida nos primeiros dias de Março de 1973, a CART 3494, através dos seus diferentes GComb, passou a ter uma agenda e missões muito distintas das que tinha tido anteriormente no Xime, o que é perfeitamente natural e normal, pois não havia [não há] dois contextos iguais.
No nosso caso, foi-nos atribuída mais uma missão especial: a de comandar uma secção + do meu pelotão [o 1.º], num total de doze elementos, com o objectivo de proteger a(s) Ponte(s) do Rio Udunduma, actividade que registava já quatro anos.
Avançámos com armas e [poucas] bagagens, na medida em que as condições logísticas e físicas do local eram incrivelmente pouco dignas e, por essa razão, um desafio permanente à superação de qualquer ser mortal.
Não havia nada … mas mesmo nada … com excepção de capim, três buracos no chão, muitos mosquitos e alguns ratos, conforme relatos anteriores. Electricidade cá tem. Água cá tem. Comida cá tem. Mas criatividade e improvisação… muita.
Dois petromax e a claridade da lua; alguns lustres de garrafas de cerveja; poucas velas de cera, reforçadas com meia-dúzia de isqueiros [os dos fumadores], era esta a panóplia de instrumentos que iluminavam os nossos olhos e ideias e aqueciam, simultaneamente, os nossos corações, durante as noites. Mas, como o ser humano é um ser de assimilação e de acomodação [tal como se verifica nos tempos de hoje], as semanas e os meses lá foram passando ao ritmo de… um dia de cada vez.
Esse ano de 1973 foi um ano muito duro para todos nós, militares no CTIG. E no local da Ponte do Rio Udunduma não foi diferente ou excepção. As orientações recebidas dos meus superiores, em particular do comando da CCS, de quem o “grupo especial” dependia logisticamente, assentavam num dualismo cartesiano [de René Descartes, 1596-1650], construídas na ideia de que de dia era para trabalhar, à noite era para estar vigilante. Enfim … já passaram quarenta anos.
Como não fomos para a Guiné em viagem de turismo, as alternativas eram escassas ou quase nulas, pelo que, a bem da defesa pessoal e da melhoria das condições de vida naquele contexto, lá metemos as mãos à(s) obra(s), levando-nos a alterar, significativamente, a sua paisagem por via de algumas benfeitorias.
Dito isto, passaremos em revista três dessas acções especiais, organizadas por fases, e que completam a primeira parte desta história da nossa vida colectiva.

A) – FECHO DO CONDOMÍNIO …

Fotos 7 e 8 – Estrada Xime-Bambadinca [Ponte do Rio Udunduma] – a primeira acção especial desenvolvida por elementos do 1.º GComb, da Cart 3494 [um grupo constituído por uma dúzia de militares = a 1 secção +], foi a delimitação do território, do então designado «Destacamento da Ponte», ou, ainda, por «Condomínio da Ponte». Merece relevo a elevada capacidade técnica de todos os seus executantes. [O 1.º, na foto 8, é o soldado Joaquim Cerqueira, do lugar da Valinha - Amarante].
Tratou-se de uma experiência de alto valor pedagógico, na justa medida em que fez apelo à motricidade fina do efectivo aí residente, por via de não existirem protecções das mãos, vulgo luvas, na manipulação do arame farpado. De referir, que esta acção aconteceu na época das chuvas.

B) – CONSTRUÇÃO DE NOVAS MORADIAS …


Fotos 9 e 10 – Estrada Xime-Bambadinca [Ponte do Rio Udunduma] – as imagens dão conta do modelo de arquitectura da nova moradia T1. Era rectangular, com duas águas, e tinha dois quartos e uma sala de jantar, mas não havia comer. Os alimentos, confeccionados em Bambadinca, na CCS, chegava-nos às diferentes horas do dia, segundo a sequência das refeições.
O edifício foi construído junto ao caminho da “estrada antiga” [picada].
Como estará hoje?

C) – CONSTRUÇÃO DA “ROTUNDA DA PONTE” – A 1.ª NO MATO …


Fotos 11 e 12 – Estrada Xime-Bambadinca [Ponte do Rio Udunduma] – as imagens referem-se à «Rotunda da Ponte» que decidimos construir [sem projecto, logo sem aprovação autárquica] como ícone da CART 3494, através da reprodução do seu símbolo. Para a sua construção foi utilizado o cimento sobrante da moradia e as pedras foram retiradas dos espaços envolventes da nova ponte. Para sinalizar a aproximação à rotunda foi pintada a base [disco] de um bidão de gasóleo com “obrigatório circular” e colocado em local visível, na extremidade de um tubo de ferro. Como curiosidade, todos os veículos que por lá passavam [em particular o jipe do CMDT OP do BART 3873], os seus condutores cumpriam o código da estrada.

D) – INSTALAÇÕES DE APOIO …

Foto 13 – Estrada Xime-Bambadinca [Ponte do Rio Udunduma] – imagem referente às óptimas condições higiénicas do aldeamento … de muitas estrelas … sobretudo nas noites de luar.
É possível, ainda, observar os nossos animais da/de companhia, em processo de socialização… e de solidariedade.
Com esta imagem, damos por concluída a primeira parte da história referente à nossa passagem pela Ponte do Rio Udunduma – 2.º semestre de 1973.
Espero que tenham gostado de a ler, independentemente de aqui e ali ter utilizado alguma ironia e imagens metafóricas, e de ver as imagens seleccionadas.
Como complemento, acredito que a narrativa tenha servido, quiçá, como elemento de recordação de outras memórias de muitos de Vós, que por lá passaram, e que ainda estamos a tempo de dar conta neste espaço de partilha que é o nosso blogue.
Aguardo.
Um forte abraço para todos os Fantasmas do Xime, com muita saúde e energia.
Jorge Araújo.
Nov./2013.

Vd posts: 148; 152  191 e CART 3494 

terça-feira, 12 de novembro de 2013

P192 - O MEU ANIVERSÁRIO [ÚNICO] NA GUINÉ (XIME-BAMBADINCA-MANSAMBO) - 10 de Novembro de [há 40 anos] 1973 (Jorge Araújo)

GUINÉ
Jorge Alves Araújo, ex-Furriel Mil. Op. Esp./RANGER, CART 3494
(Xime-Mansambo, 1972/1974)
O MEU ANIVERSÁRIO [ÚNICO] NA GUINÉ
(XIME-BAMBADINCA-MANSAMBO)

- 10 de Novembro de [há 40 anos] 1973 –



1. Após trezentos e sessenta e cinco dias e ¼, ou doze meses, período a que chamam de “ano civil”, cada ser humano é laureado pela máquina do tempo de origem europeia, um sistema promulgado em 24Fev1582 pelo Papa Gregório XIII (1502-1585), com mais uma “coroa” [unidade] que, somada ao número acumulado no período anterior, perfaz a idade, em anos, que já atingiu, feito que é festejado por familiares e amigos. Em função do determinismo dessa Lei e observada a regra da adição, eis que a partir de hoje conclui mais um ano de idade e iniciei um novo ciclo. Não há volta a dar … nem podemos reclamar.
2. Considerando que a maioria de nós [ex-combatentes] teve de cumprir mais de dois anos de comissão ultramarina, ainda que no início do conflito essa presença obrigatória fosse de dezoito meses, crescendo sucessivamente para vinte e um, vinte e quatro, e no final da guerra quase vinte e oito, é natural que aí tivéssemos de comemorar um ou dois aniversários.
No meu caso, essa efeméride no CTIG apenas se verificou em 1973, sendo, assim, a primeira e única experiência do género, uma vez que no ano anterior, por desejo pessoal definido numa estratégia de gestão do tempo de serviço, ela tivesse acontecido em Lisboa, em ambiente familiar, naquele que foi o primeiro período de férias de trinta e cinco dias [de 24Out a 27Nov1972], [vd post 9802].
Por ausência de outra alternativa mais exequível, quis a divina providência e o calendário gregoriano [ou o meu projecto de vida militar] que o aniversário de 1973 teria de ser celebrado algures entre a Ponte do Rio Udunduma, Missão do Sono, Mansambo ou Bambadinca, os locais por onde circulavam os vários elementos da CART 3494, após a sua transferência para Mansambo, efectuada nos primeiros dias do mês de Março desse ano.
A uma semana do evento, e sabendo eu onde estaria nesse dia 10Nov1973, sábado, elaborei o projecto que passava por organizar um jantar comemorativo a ter lugar na Messe de Sargentos da CCS do BART 3873, unidade sedeada em Bambadinca.
Para o efeito, analisei essa possibilidade com o camarada Furriel vagomestre e, em conjunto, organizámos a logística para a confecção de um «menu de muitas estrelas» … mais de trinta [ver fotogaleria]. Adquiri os géneros necessários e, ainda, um leitão na tabanca de Bambadinca [com +/- 15 kgs].
Durante o jantar, para o qual tinham sido convocados todos os membros disponíveis da família formada em regime de «união de facto», pois era esse o contexto, foi servido um suculento repasto de «Leitão à Bairrada à moda de Bambadinca» em traje de gala [a da metrópole], bem cheirosos e com barba [des]feita, condição sine qua non para os que não estavam de serviço.
Dito isto … mais palavras para quê?
Basta ver as imagens. Elas espelham o ambiente vivido e a grande satisfação que me deu em proporcionar este convívio – o possível. Foi bom para mim … e para todos, pois foi um dia [noite] diferente.
Assim sendo, e caso algum dos camaradas, membro da nossa «Tabanca Grande», tenha participado neste convívio faça o favor de dar sinais de vida, comentando/ recordando esses momentos que estão [já!] a uma distância temporal de quatro décadas. Mas, se não for ou não tenha participado nele também pode/deve fazê-lo.
Para mim, foi óptimo rever estas imagens e um prazer enorme escrever este texto.
Aguardo! 

FOTOGALERIA:
Foto 1 – Bambadinca, messe de Sargentos (10Nov1973) – de trás para a frente, da esquerda para a direita, os furriéis: 1.ª linha: [nome que não recordo] – Russa – Carrasqueiro e Araújo [3494]; 2.ª linha: Monteiro [cozinheiro] – Jorge – Marques – Catarino – Carvalhido – Costa – Soares – Adérito – Laranjeira – Guimarães – Forja – Ferreira [3494] e Veríssimo; 3.ª linha: Mesquita [cozinheiro] – Pinho – Pachão – Faia – Rosado [1.º Sarg.] – Nunes – Costa [35ª CCmds] – Jesus [3494] – Bonito [3494] e Marques; 4.ª linha: Leite [1.º Sarg.] – Martins – Sousa [fur.enfº].  

Foto 2 – Bambadinca, messe de Sargentos (10Nov1973) – da esquerda para a direita: furriéis: Adérito [CCS] – Costa [35ª CCmds] – Araújo [3494] – Bonito [3494], aguardando o «Leitão à Bairrada …», servido por Mesquita.

Foto 3 – Bambadinca, messe de Sargentos (10Nov1973) – da esquerda para a direita: Rosado (1.º Sarg.) – nome que não recordo – Carrasqueiro – Adérito – Costa – Araújo [3494] – Bonito [3494].

Foto 4 – Bambadinca, messe de Sargentos (10Nov1973) – da esquerda para a direita: Adérito – Costa – Araújo [3494] – Bonito [3494] – Jesus [3494] – Laranjeira [CCS] – Vítor, de pé – Carvalhido, de costas [CCS].

Foto 5 – Bambadinca, messe de Sargentos (10Nov1973) – da esquerda para a direita, de frente para a câmara: Araújo (eu, de pé) [3494] – Marques – Soares – Mesquita, de pé – Guimarães – Forja – Leite – Costa – Pachão – Rosado – Costa – Bonito [3494] – Carvalhido – Ferreira [3494] – Veríssimo. 

Foto 6 – Bambadinca, messe de Sargentos (10Nov1973) – Idem.
Obrigado.
Um forte abraço, com votos de muita saúde e boa disposição.
Jorge Araújo.
10Nov2013.