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sexta-feira, 12 de agosto de 2016

P275 - GUINÉ: (D)O OUTRO LADO DO COMBATE MEMÓRIAS DE MÉDICOS CUBANOS (1966-1969) – ‘VI’ - O CASO DO MÉDICO AMADO ALFONSO DELGADO (II) - (Jorge Araújo)


Depois da publicação do 1.º fragmento da entrevista ao médico cubano Amado Alfonso Delgado, que esteve na Guiné entre janeiro de 1968 e setembro de 1969, seguimos agora com a segunda de quatro partes.

Importa referir que este clínico movimentou-se nas matas do Fiofioli, uma zona de difícil acesso, incluída no Sector L1 - Bambadinca, onde viveu episódios de altíssimo risco de vida, durante os quais pensou não sobreviver.

Trata-se de uma região aonde o contingente da CART 3494 cumpriu a sua missão ultramarina, ora no Xime (de fevereiro de 1972 a março de 1973) ora em Mansambo (até março de 1974), durante a qual a maioria das páginas da sua/nossa história colectiva foram escritas, corolário das muitas acções aí desenvolvidas.

GUINÉ

Jorge Alves Araújo, ex-Furriel Mil. Op. Esp./RANGER, CART 3494

(Xime-Mansambo, 1972/1974)

GUINÉ: (D)O OUTRO LADO DO COMBATE

MEMÓRIAS DE MÉDICOS CUBANOS (1966-1969) – ‘VI’

- O CASO DO MÉDICO AMADO ALFONSO DELGADO (II) -
 

 

 

 



Xime (1972) - Imagem do “macaréu” no Rio Geba por onde circulou o dr. Alfonso Delgado no ano de 1969. Três anos depois, em 10 de agosto de 1972, a CART 3494 perdeu neste mesmo local, estupidamente, três elementos do seu contingente (faz quarenta e quatro anos): Abraão Moreira Rosa, da Póvoa do Varzim; Manuel Salgado Antunes, de Quimbres, Coimbra; e José Maria da Silva e Sousa, de São Tiago de Bougado, Santo Tirso (história deste naufrágio nos P159 e P211).

     6.    = Como comunicava com eles?
Uma vez que os cubanos haviam chegado já há algum tempo, os guineenses tinham facilidade de aprender vários idiomas. Alguns deles falavam português, que era parecido com o espanhol, e ao fim de um mês eu já falava com eles. Durante a viagem de canoa, onde iam vinte guerrilheiros, seguia ainda outro cubano, que era um técnico de raio X, de apelido Pupo, e apesar de ser muito mais forte do que eu, era com dificuldade que resistia aquela caminhada.

     7.    = Nessa região encontrou-se com o médico que iria substituir?
Quando chegámos à outra margem, encontrei um homem branco em calções, com gorro na cabeça e uma camisa. Olhou-me com alguma indiferença perguntando-me: tu pensas aguentar esta ratoeira? “Esquece, pois não duras nem três meses”. Perguntei-lhe porquê? Ao que me respondeu: “tu verás como isto é”. Este homem era de facto Daniel Salgado, médico militar que também esteve na segunda Frente e a quem eu ia substituir. O que aconteceu depois foi que ele passou a ser o meu melhor amigo que tive e cuja amizade se prolongou em Cuba durante muitos anos até que faleceu. Como já sabia que eu vinha, preparou um macaco para o almoço. Ali esteve mais cinco dias até que partiu de regresso. Nesse lugar soube da existência de um hospitalito [enfermaria] na frente Leste, na região de Bafatá [Sector L1 - Bambadinca], que me disseram ser na Mata de Fiofioli [mapas abaixo].

Essa zona do hospitalito [enfermaria de colmo] tinha quatro palhotas: uma para os feridos, com dois pequenos bancos de madeira, duas camas construídas com estacas e palha por cima; a cozinha; o depósito de géneros e a do médico, que se encontrava um pouco mais distante. Estava situado na confluência de dois rios [Corubal + Buruntoni?] surgindo depois um grande espaço de terra que ia ter ao mar.
Era nessa ponta aonde nos encontrávamos, num plano mais alto, bastante fechado e com muitos animais [seria entre a Ponta Luís Dias e a Ponta do Inglês? De referir que o destacamento da Ponta do Inglês foi desativado em 7/8 de outubro de 1968, com a evacuação do pelotão aí instalado da CART 1746, regressando este à sua Unidade aquartelada no Xime, comandada pelo nosso saudoso amigo e camarada ex-Cap Mil António Vaz (1936-2015). A decisão da sua evacuação é atribuída a António de Spínola (1910-1996), então Brigadeiro, contemplada no plano de redistribuição das NT no terreno, iniciado após a sua chegada ao CTIG em maio de 1968 - P10009-LG].

utilizados nos três TO (imagem à esquerda). Os desarmados (básicos) realizavam essencialmente operações de transporte geral, reconhecimento, heli-assaltos e evacuações sanitárias. Os armados, chamados de “helicanhões”, tinham o nome de código “Lobos Maus”, estavam equipados com canhão lateral Mauser MG-151/20 (20 mm). O artilheiro estava sentado de lado e disparava o canhão pela abertura do portão esquerdo (http://neloolen-modelismo.no.comunidades.net/alouette-iii-52-anos-na-fap, com a devida vénia)].
Continua…
Obrigado pela atenção.
Um forte abraço de amizade e votos de boas férias, com saúde.
Jorge Araújo.
07AGO016.

[Consulta em 30 de maio de 2016]. Disponível em:





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