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segunda-feira, 19 de abril de 2010

P-65 ACTIVIDADE DA CART 3494 DO BART 3873 NO TEATRO DE O. P. GUINÉ (7)


DEZEMBRO1971/ABRIL 1974
Este texto foi elaborado a partir do livro: - BART 3873
“HISTÓRIA DA UNIDADE”
CART 3492 – CART 3493 – CART 3494
NA GUERRA CONSTRUINDO A PAZ
(autor desconhecido)


13º FASCÍCULO

ABRIL 1973

1º cabo radiotelegrafista Sousa de Castro
Nota do editor:
Muito embora a CART 3494 tenha mudado para Mansambo, devido à baixa moralização da Companhia, continuarei a divulgar os acontecimentos no Sub-Sector do XIME para perceberem o quanto aquela zona era importante para o P.A.I.G.C. (Partido Africano Independência Guiné e Cabo Verde)
S.C.


59. SITUAÇÂO GERAL
- A utilização dos mísseis anti-aéreos pelo P.A.I.G.C. colheu de surpresa as Forças Armadas. Daí derivou uma redução da actividade aérea militar e civil e um consequente crescimento no poder agressivo da guerrilha e transtorno das comunicações aéreas.
Embora as aeronaves destruídas o tenham sido fora do Sector L-1, o certo é que o acidente teve ali as suas sequelas, como aliás em toda a Província.

60. TERRENO
- Nada de mencionável se verificou no período.

61. INIMIGO

a)Sub-Sector de Mansambo - CART 3494
- A 07 pelas 07,00 horas MANSAMBO é flagelado por MORT. 82 sem consequências.
A última flagelação deu-se em Agosto de 1972, portanto há 08 meses.
- No dia 10 ás 06,00 horas forças da CART 3494 detectaram e levantaram em (XIME 7A1-91) 03 minas A/P (anti-pessoal) e 01 A/C (anti-carro), reforçadas com granadas de morteiro e ligadas por cordão detonante.

b) Sub-Sector do XIME - CCAÇ 12
- A 06 às 18,30 horas o aquartelamento do XIME foi flagelado por canhão S/R e Mort. 82, durante 15 minutos s/condequências.
- A 13 às 17,45 horas nova flagelação por 02 Mort. 82, RPG’s e armas pesadas, S/consequências.

Xime 1972 - Tabanca dos TRMS
c) Conclusões
- Chama-se atenção para o Sub-Sector de MANSAMBO, onde a actividade IN que há muito não se fazia sentir, ressurgiu através implantação de engenhos explosivos e o ataque à distância ao aquartelamento.
É crível que tendo as informações do P.A.I.G.C. sabido um dos motivos porque a CART 3494 fora para ali transferida ~ baixa moralização da Companhia, tenha tentado com sua insistência, pôr em desespero as NT lá estacionadas.
Ainda assim o ponto mais alvejado no Sector L1 não deixou de ser o XIME.

62. POPULAÇÃO

- O Pel. Mil. 370 de SANSANCUTA pediu que se fixasse na antiga tabanca abandonada, denominada SINCHA BAMBÉ.
A ocupação da primitiva localidade foi rodeada por um cerimonial confratenizador e significativo, na medida em que uma povoação morta desperta para a vida da GUINÉ.
Estiveram presentes o CMDT. Do BART 3873, COR ARTª ANTÓNIO TIAGO MARTINS cujo topónimo da terra natal ~ STA CRUZ DA TRAPA foi atribuído à renascida povoação por sugestão dos milícias, o Régulo de BADORA, MAMAFU BONCO, os chefes das tabancas vizinhas e população.
Uma lápide ali colocada ficou assinalando o acontecimento.

63. NOSSAS TROPAS

a) Acções e Operações Mais Importantes
- Acção «GOLIAS 15» na protecção à coluna reabastecimento BAMBADINCA/MANSAMBO/XITOLE/SALTINHO/BAMBADINCA, por 03 Gr Comb da CART 3492, 02 da CART 3494, 01 cedido pelo BCAÇ 3872 e outro da mesma unidade em reforço à CCS/BART 3873. Sem contactos.
- Em 10, das 05,00 às 16,00 horas a acção «GUARIDA 28» pela CCAÇ 12/XIME a 03 Gr Comb na região da PTA VARELA. Foi escutada pela nossa rádio «ONKYO» uma transmissão em Espanhol.
- No mesmo dia foi a acção «GABÂO 9» por forças da CART 3492 a 03 Gr Comb. e CART 3494 a 02 Gr Comb.. Estas ultimas detectaram e levantaram 03 minas A/P e 01 A/C em (XIME 7A1-95).

b) Conclusões
- A presença de cubanos na PTA VARELA, como pessoal especialista, veio novamente confirmar-se pela transmissão captada.
- A implantação de 04 minas no Sub-Sector de MANSAMBO está na linha do tipo de acções que o IN põe em prática neste compartimento.
Remete-se a este respeito para a alínea c) do número 61.

c) Alterações ao Dispositivo
-No Sub-Sector da CART 3494/MANSAMBO o PEL do ENXALÉ regressou à sede da Companhia.
- No Su-Sector da CCAÇ 12/XIME sec. ocupou no ENXALÉ o lugar deixado pela saída do Pel. da CART 3494.

14º FASCÍCULO

MAIO 1973

64. SITUAÇÃO GERAL

_- Nada de sensível teve lugar neste período, quer do nosso lado, quer do lado do adversário.

65. TERRENO

- Começou a estação das «chuvas», fenómeno donde decorrerá a modificação do terreno pelo crescimento rápido da vegetação.

66. INIMIGO

a) Sub-sector de MANSAMBO – CART 3494
- Revelou-se inactivo, ao invés do que se passou em Abril.

1973 - O descanso dos guerreiros em Bafatá

b) Sub-Sector do XIME – CCAÇ 12
- Em 15 às 18,05 horas o XIME foi atacado à distância, durante 07 minutos, por canhão S/R e Mort. 82 mm. Resultados negativos
- 13 dias após, outra flagelação, desta vez também com R.P.G. Os 10 minutos de duração da referida acção não conseguiram provocar danos às NT.

c) Conclusões
- O aquartelamento do XIME, com tropa branca ou africana, foi o mais atingido, como já vem sendo tradicional.
- A imperícia dos combatentes do P.A.I.G.C. torna-se flagrante pela inoperância das suas acções contra as NF.

67. POPULAÇÂO

- Há notícia de que o inimigo recrutou coercivamente mancebos nas tabancas (sob seu controle) do POIDON, PTA VARELA, PTA LUÍS DIAS e PTA DO INGLÊS.
Por coincidência, um dos recrutados na PTA VARELA era informador das NT e, furtando-se à vigilância dos coactores, apresentou-se no ENXALÉ. Exemplifica-se, assim, os processos utilizados pelo Partido no angariamento dos combatentes, sabendo-se claramente que deste caso particular se pode subir à generalidade.

68. NOSSAS TROPAS

a) Acções e Operações Mais Importantes
Neste mês, a CART 3494 para além da actividade rotineira (Patrulhamentos, Colunas e outros), não participou em Acções e Operações que mereçam destaque.

15º FASCÍCULO

JUNHO 1973

69. SITUAÇÂO GERAL

- A população sob nosso controle voltou a ser pressionada, depois de decorrida uma larga margem de tempo sobre a última acção do género.
- A navegação do R. GEBA também foi, de novo, agitada.
- De resto, o Sector L-1 manteve-se pacífico, como aliás todo LESTE dum modo geral.

70. TERRENO

- Ainda que as chuvas caíssem escassamente, o terreno cobriu-se de densa vegetação, o que dificulta a progressão das NT em patrulhamentos.

71. INIMIGO

a) Sub-Sector de MANSAMBO – CART 3494
- O inimigo não se manifestou. Assim aconteceu no período transacto.

b) Sub-Sector do XIME – CCAÇ 12
- Em 01 às 01,30 horas um grupo inimigo não estimado atacou o barco civil «BUBAQUE» durante 20 minutos, utilizando RPG e armas automáticas, nas proximidades de SÃO BELCHIOR. A tripulação sofreu 02 feridos graves e 01 ligeiro. O patrão AMANTE ROSA, antes do início dos tiros, ouviu vozes mandar parar, mas prosseguiu a sua rota.
- Em 10 às 18,10 horas um grupo não estimado flagelou 03 barcos civis na PONTA VARELA, durante 05 minutos, com RPG e armamento ligeiro, sem consequências. A Artilharia do XIME reagiu, disparando 08 granadas de OBUS (10,5) 4 04 de morteiro 81.

72. NOSSAS TROPAS

a) Acções e Operações Mais Importantes
- Acção «GARBO 1» de 13 às 17,00 horas a 14 até às 17,00 horas em MANSAMBO/JOMBOCARI/Região de MINA/MANSAMBO pela CART 3494, CCAÇ 12 e CART 3492 que monta emboscada em XITOLE/GALO CORUBAL. A doença súbita de um soldado, a carecer de evacuação e a recusa do guia prosseguir, não permitiram o avanço até ao objectivo.
Cerca das 04,30 horas ouviram-se 02 tiros na direcção S.E.
b) Conclusões
- Pelas acções levadas a cabo concluiu-se que o P.A.I.G.C. organiza postos avançados de vigilância que lhe permitem detectar as NT muito antes dos seus redutos. Concluiu-se também que os guerrilheiros não se fixam em um único acampamento, transferindo-se de acampamento para acampamento.

16º FASCÍCULO

JULHO 1973

73. SITUAÇÂO GERAL

- A flagelação ao barco «MANUEL BARBOSA» na sequência de uma nítida intenção de embaraçar, ou até impedir, a navegação no RIO GEBA (Veja-se a flagelação ao «BUBAQUE» em Junho).
- O relativo abrandamento da pressão exercida sobre as NT
- A colocação da CCAÇ 21 (Companhia de Caçadores Africana) em BAMBADINCA, como unidade de intervenção do CAOP 2.
Foram os três factos acima referidos que definiram o período em causa.

74. TERRENO
 - O aspecto não se alterou em relação ao mês passado.
 Os Radiotelegrafistas: O Ramos, o Castro e o Silva (falecido)

 75. INIMIGO

a) Sub-Sector de MANSAMBO – CART 3494
- O inimigo, uma vez mais, não se revelou.

b) Sub-Sector do XIME – CCAÇ 12
- Em 29 às 09,30 horas, um grupo IN não calculado flagelou o XIME durante 10 minutos com RPG, Mort. 82 e Armas automáticas. As NT responderam utilizando L.G. de Foguete, Mort. 81 e OBUS 10,5. As bases dos RPG’s foram localizadas em (XIME 3F6-56). Sem consequências.
- Em 28 às 17,45 horas, um grupo IN não estimado também, flagelou durante 15 minutos o XIME. A nossa reacção desencadeou-se através do Mort. 81 e OBUS 10,5. Desta vez o inimigo, além de Mort. 82, actuou com 02 canhões S/R. Duas granadas caíram próximo do espaldão do nosso OBUS. Sem consequências.
- em 13 às 11,50 horas o barco civil «MANUEL BARBOSA» foi atacado nas proximidades de SÃO BELCHIOR, por 10 minutos. Foi atingido por alguns disparos de RPG e Armas automáticas. A tripulação que nunca perdeu o controle, conduziu a embarcação até BAMBADINCA, onde o ferido (ligeiro) recebeu assistência. O GMIL 309, o PEL CAÇ NAT 54 e o Mort. 81 de MATO CÃO desencadearam o contra-ataque, não conseguindo interceptar os atacantes.

c) Conclusões
- A circulação do tráfego no R. GEBA vem sendo, ultimamente, alvo de forte pressionamento pelo P.A.I.G.C., no sentido de a impedir ou, pelo menos, dificultar.

76. NOSSAS TROPAS

a) Acções e Operações Mais Importantes
- Operação «GUARDEAR 5» de segurança próxima e afastada a BAMBADINCA por ocasião da cerimónia final do 3º Turno de Instrução de Milícias no CIMIL local. Intervieram o PEL REC DAIMLER 3085; 02 Gr Comb. Da CART v3494; PEL REC 3873: PEL’s CAÇ NAT 52, 54 e 63; PE’s MIL 201, 202, 203, 358, 370, 242, 243, CCAÇ 12 e CCAÇ 21. Sem contactos.

b) Alteração ao dispositivo
- A CCAÇ 21= Unidade Africana, ficou aquartelada em BAMBADINCA como força de intervenção do CAOP 2.

77. ACÇÃO PSICOLÒGICA E FORMAÇÂO SOCIAL

- Asumiram o compromisso de honra mais 03 pelotões de Milícia, todos eles pertencentes à etnia FULA. Presidiu à cerimónia SUA EX. GOVERNADOR E COMANDANTE-CHEFE que dissertou sobre os deveres dos milícias. A população da região acorreu em grande número.
- A chegada da CCAÇ 21, com os respectivos graduados africanos, produzirá sobre a população civil uma boa impressão e um estímulo, para mais uma parcela da Província em que predominam os Fulas, pois Fulas são também os militares desta Companhia.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

P-64 A malta do triângulo Xime-Bambadinca-Xitole (1)

Em jeito de homenagem, apresento um dos primeiros posts, (IX) publicado no «BLOGUE-FORA-NADA» de Luís Graça, (fundador), que deu origem à formação da tertúlia de ex. combatentes da Guiné, hoje com mais de 400 membros, 1,6 milhões de visitas desde Abril de 2004 aproximadamente,  passando mais tarde a chamar-se «Luís Graça & camaradas da Guiné». 
Visitem o blogue:  http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/
Luís Graça é natural da Lourinhã (a "capital dos dinossauros"), mora em Alfragide, é sociólogo do trabalho e da saúde, doutorado em saúde pública, professor na Escola Nacional de Saúde Pública, Universidade Nova de Lisboa, em Lisboa
foi combatente na Guiné, em CONTUBOEL e BAMBADINCA, nos anos 1969/71 pertence à CCAÇ 12 (Companhia de Caçadores 12). Bem Haja!
Sousa de Castro 


Dr.Luís Graça


29 Abril 2005
Guiné 69/71 - IX: A malta do triângulo Xime-Bambadinca-Xitole (1)
1. Nos últimos dias descobri alguns camaradas de armas:

(i) que estiveram comigo na Guiné, na mesma altura, entre 1969 e 1970; foi o caso ex-furriel miliciano David J. Guimarães, do Porto, que esteve no Xitole e que voltou à Guiné em 2001, como turista, com um grupo de ex-combatentes, incluindo, o médico psiquiatra, ex-alferes miliciano, Dr. Vilar, ambos do BART 2917;

(ii) ou que passaram pelos mesmos sítios que eu pisei, embora mais tarde (caso do Sousa de Castro, de Viana do Castelo, o ex-1º cabo radiotelegrafista da CART 3494, que esteve aquartelada no Xime e depois em Mansambo, entre Janeiro de 1972 e Abril de 1974).

Eles têm-me fornecido fotos, testemunhos e outra documentação que vou utilizar, com a sua devida autorização, para recordar esses tempos. Este blogue também é deles e para eles, para todos os meus ex-camaradas de armas da Guiné, e em especial os que estiveram no Sector L1, Zona Leste: Xime, Enxalé, Missirá, Fá, Bambadinca, Nhabijões, Mansambo, Xitole, Ponte dos Fulas... Mas que também passaram por outros sítios a onde guerra ainda não chegava: Contuboel, Bafatá...

O limite temporal é arbitrário: coincide com a minha comissão, a primeira comissão da CCAÇ 2590 (depois CCAÇ 12). Mas há outros camaradas que vieram antes e outros que chegaram depois. Sejam bem vindos. Podem mandar os vossos comentários para o responsável do blogue-fora-nada. Prometo divulgá-los aqui ou na minha página pessoal na Net.

2. Aqui ficam alguns excertos das mensagens que temos, eu, o Castro e o Guimarães, trocado:

29 de Abril de 2005:

"Autorização dada para usares todo e qualquer documento que te envie. Aliás, muito gostaria que as pessoas que viveram por lá conseguissem ver o que é hoje a Guiné. Ninguém entenderá como uma pedra, somente uma pedra fotografada ou um sulco, é tão importante para um combatente: no Xitole vêem-se restos de abrigos e sulcos na terra; ora só nós, os combatentes, conseguimos saber o que é isso, pois sabemos bem o que é uma vala e a utilidade dela quando éramos bombardeados (e eu fui-o várias vezes) (...).

"Em breve te enviarei fotos de Bafatá e Bissau. Enfim ficarás, por exemplo, a saber que o célebre café Bento, a 5ª Rep[artição], é hoje uma bomba de gasolina da Galp...

"Abraço, David Guimarães".


29 de Abril de 2005:

" (...) Não foi a minha companhia (CART 3494) que se deslocou para o Cantanhês mas sim, a CART 3493. Nós (CART 3494) saímos do Xime mais ou menos em Abril de 1973 para Mansambo e a CART 3493 de Mansambo para o Cantanhês. Está percebido?

"Aproveito para informar a sequência dos DVD, para o caso de quererem fazer uma capa (...). Embora não os conheça pessoalmente, não me incomoda nada de partilhar algo, que de uma forma ou de outra nos tocou profundamente. Devo dizer também que a pessoa que me forneceu este magnífico trabalho certamente irá ficar satisfeito por o dar a conhecer. Então é assim:

"1º DVD: Introdução, Viagem para a Guiné, Cidade de Bissau, Hospital militar e arredores; Interior da Guiné: Cumuré, Jugudul, Xime.


"2º DVD: Xime, Mansambo, Quebo (antiga Aldeia Formosa), Fonte Balana, Chamarra, Buba (Aldeia Turística), Destacamento de Buba, De norte para sul.


"3º DVD: Guidage, Binta, Farim, Jumbembem, Canjambri, Fajonquito; Zona leste: Bafatá, Bambadinca, Xitole; a sul da Guiné: Empada, Chugué, a caminho de Bedanda;


4º DVD: A caminho de Bedanda, Cacine, Gadamael Porto, Cobumba, Catió, Saltinho (A tabanca), Bissau.

"Abraço. Castro".



29 de Abril de 2005:

"Amigo Castro: Obrigado pelos DVD, pelas fotos e sobretudo por estas tuas preciosas informações que me ajudam a reconstituir, na minha memória, o puzzle da Guiné. Sempre defendi que a forma de gerirmos o stresse pós-traumático de guerra, como diz o psiquiatra Afonso Albuquerque, é falarmos e escrevermos sobre esta nossa experiência de juventude, que nos marcou a todos, a uns mais e a outros menos...

"Não sabia que a CCAÇ 12 vos tinha rendido, no Xime, e que vocês foram para o Cantanhês (fiz uma grande operação nessa zona, na mata do Morès, onde já não se ia há vários anos, depois conto-te: uma operação dramática, como o Beja Santos, de Missirá) (...).

"Continua a dar notícias. Agradeço também os teus links e outros documentos sobre a guerra colonial. Sempre que puder, vou pondo coisas na Net... Pode ser que apareça mais maralha a querer abrir o baú das memórias, como aconteceu com O Jornal na década de 1980...... Bom fim de semana. Um grande abraço (Kandandu, em angolês). Luís"


29 de Abril de 2005:

"Guimarães: (...) Vou seleccionar algumas das tuas fotos, que são excelentes documentos porque nos falam dos sítios onde estivemos, por onde passámos... Nestes últimos dias , em que temos trocado mensagens e documentação (contigo e com o Castro), avivei muito mais a memória... Fui ao meu sótão e abri as pastas onde tenho os meus escritos... Houve uma altura em que escrevi muitas coisas, como eu te disse, para o semanário "O Jornal"... Isto foi no iníco dos anos 80...

"Na Guiné também tinha uma diário onde escrevia, irregularmente. Fiz a história da unidade (que é também em grande parte a do Sector L1/Zona Leste). Ontem descobri que estive na operação que abriu a estrada de Bambadinca - Mansambo (interdita desde meados de 1968). E julgo que foi a seguir que depois visitei, pela primeira vez, o Xitole. Vou-te mandar uns escritos sobre o inferno das colunas logísticas para Mansambo, Xitole e Saltinho. Curiosamente nunca cheguei a ir ao Saltinho!...

"Como já te disse, eu era de armas pesadas. Como a CCAÇ 12 não tinha armas pesadas, acabei em atirador, tendo passado por todos os grupos de combate e por todas as secções e... por quase todas as operações que a CCAÇ 12 fez no meu tempo!

"Vou pôr algumas das tuas fotos na minha página, na secção Subsídios para a história da guerra colonial. Claro que mencionarei o teu nome e espero que me ajudes a criar as legendas. As coisas têm que ser explicadas e contextualizadas. Um abração, L.G.".


28 de Abril de 2005:

"Vou enviar amanhã, sexta feira, os DVD. A foto do quartel em Mansambo, publicada na tua página, para além de ter sido sede da CART 3493 também foi sede da CART 3494 a partir de Abril de 1973 até final de comissão. Digamos que foi o nosso descanso. Fomos rendidos no Xime pela vossa companhia, a CCAÇ 12, tendo a CART 3493 sido deslocada para a zona do Cantanhês.

"Foi a vossa companhia que nos rendeu e, pelo que sei, embrulharam muitas vezes. De Janeiro de 1972 a Abril de 1973, a CART 3494 sofreu no Xime 17 ataques alguns deles de foguetões, não falando dos vários contactos com o IN que a companhia sofreu no terreno (...). Creio que a CCAÇ 12 ficou no Xime até ao final da guerra. Em Mansambo sofremos unicamente um ataque ao quartel e levantámos algumas minas. Cumprimentos. Castro".



27 de Abril de 2007:

"Castro: Fico muito sensibilizado pela tua gentileza. Pus as tuas fotografias na minha página na Net. Em princípio, tenho a tua autorização. Se alguma coisa estiver errada, diz-me, que eu corrijo ou retiro. Vou pedir também ao Guimarães para me autorizar a divulgar as suas fotos (desde que não sejam muito pessoais ou que não envolvam terceiros facilmente identificáveis)...

"Acho que temos a obrigação, moral e até histórica, de dar a conhecer tudo isto à geração dos nossos filhos e dos filhos dos nossos amigos (...). No princípio da década de 1980, ajudei o jornalista Afonso Praça (que tinha estado em Angola) a lançar uma campanha no semanário O Jornal (que já não existe, uma parte dos jornalistas deram depois origem à actual Visão)... Durante semanas e semanas a malta da guerra colonial foi aos baús e desenterrou as suas memórias. Eu próprio publiquei uma data de artigos e caiu no goto a minha frase Exorcizar os fantasmas da guerra colonial... Mais tarde os gajos do Conselho do Revolução começaram a fazer pressões para acabar com a brincadeira... Na época, o Costa Gomes não gostou nada. O Afonso Praça, infelizmente, já morreu e ficou na redacção do Jornal uma série de materiais (fotos, mapas, documentos...) que eu lhe emprestei para uma grande exposição que nunca se chegou a realizar... Houve camaradas que me emprestaram fotos e que ficaram sem elas! Mas um dia ainda vou tirar isto a limpo (...)".


27 de Abril de 2005:

"O convívio da nossa CART é no último sábado de Maio e é sempre assim que se combinou. Por norma os convívios são aqui no Norte, dado o grosso do pessoal ser desta região. O máximo a sul que fizemos foi na em Vieira de Leiria... Paços de Ferreira, Espinho, Matosinhos, Viseu, Gaia (dentro do quartel), Lourosa, Viana do Castelo e agora em Muro (Vila do Conde), têm sido os locais escolhidos para os almoços de convívio...

"Só os quadros é que são do sul: os Furriéis Rei e Augusto, de Azeitão; o Ferreira, de Leiria; o Marques, vagomestre, do Montijo; o Cabete, da Figueira; eu e o Ribeiro e Silva daqui [Porto]... Os 1ºs Sargentos Santos e Pires, o primeiro de Leiria e o segundo daqui. O Alferes Correia é daqui bem como o Coutinho. O Soares, de Algueirão, nunca veio... O Sampaio faleceu. O Capitão Espinha de Almeida também é daqui. No ano passado esteve connosco o Major (Coronel Aposentado) Anjos de Carvalho... Vamos ver se este ano vem também o [major de operações] Barros e Bastos... O Polidoro Monteiro e o Magalhães Filipe já faleceram. O Polidoro Monteiro, sim, operacional, como tu dizes e bem, sempre o foi...

"Quanto ao Vilar fácil será encontrá-lo, Psiquiatra Marques Vilar, vais dar a ele [em Aveiro]...Poderei arranjar a direcção dele, fica descansado.

"Quanto ao Rebelo e ao Rocha, eram Furriéis da nossa CCS, é a esses que me refiro. O Vinagre também era o Furriel Mecânico da CCS.... Quanto ao Padre Poim, sim, era açoriano, foi expulso da Guiné pela Pide. Ele parece que vive lá para os Açores mas saiu de clérigo... Contudo já há muito tempo que não ouço falar dele... Este Furriel Rocha, das Operações Especiais, foi o encarregue dos reordenamentos em Nhabijões.

"Quanto ao [primeiro sargento] Brito era um gajo porreiro, sim. Sei que depois voltou noutra Comissão à Guiné, disse-me um nativo quando lá fui [em 2001], foi mais para o lado de Bafatá (...). Pessoalmente eu dava-me bem com o Brito".


26 de Abril de 2005:

Este mapa [do Sector L1]é muito bom: hoje pude melhor recordar nomes que dia a dia passavam nas nossas cabeças.

"No fim, no Xitole tínhamos, como sabes, acampamentos deles muito próximos. Se Seco Braima era muito ligado à agricultura, já Satecuta parecia uma cidade militar. É verdade! A minha companhia conseguiu lá entrar - eu não fui nessa operação, estava para vir de férias e esparava a avioneta. Bem, mais tarde, nova operação e lá fui eu. Que raio, nunca apanhei tanto fogo num dia! E não conseguimos entrar (...). Obrigado pelo mapa (...).

"A Ponte dos Fulas era um acampamento do Xitole precisamente para guardar aquela ponte. Breve te enviarei os documentos fotográficos actuais: verás o fortim, na Ponte dos Fulas, intacto. Sei que foste ao Xitole, então reconhecerás algo, tenho a certeza. Até mais, abraço, Guimarães".


23 de Abril de 2005:

"Bom, cá com as minhas pesquisas, já consegui alguma coisa, pelo menos o Guimarães encontrou alguém do tempo dele. Como é bom descobrir camaradas de guerra e divulgar, a todos, os contactos que tenho relacionados com essa mesma guerra. Quero dizer também ao Guimarães que, com as fotos que enviei para o Luís Graça, mencionei sempre o nome de quem as cedeu. O seu a seu dono (...).

"Possuo um excelente filme em DVD gravado em Novembro de 2000 por um grupo de dez ex-combatentes que se deslocaram em visita à Guiné. Se estiverem interessados cá o ex- 1º cabo radiotelegrafista Castro não se importa de fazer mais uma cópia (...). Havemos de promover um encontro entre cibernautas que tenham a ver com a Guiné. Um grande abraço para todos. Castro".


22 de Abril de 2005:

"Obrigado, David. Vejo que somos do mesmo ano (nasci em 1947). Regressei da Guiné em Março de 1971. E fui, de facto, algumas vezes ao Xitole. Ou pelo menos fiz muitas operações para te podermos levar o pão e a cerveja de cada dia… Comi muito pó a caminho de Mansambo e do Xitole, tal como tu quando vinhas a Bambadinca… Ainda gostaria de fazer esse percurso a pé… Dizes-me que agora está alcatroada… Nunca mais lá voltei [à Guiné]. Tenho ido a Angola, em trabalho.

"É muito possível que tenhamos confraternizado. Vou revisitar os meus escritos, para ver se fizemos alguma operação em conjunto. Era mais frequente trabalharmos, nós, o da CCAÇ 12, com a malta do Xime e de Mansambo. Vou-te mandar uma fotografia minha desse tempo. E tu podes fazer o mesmo. Vou ter que a digitalizar. Eu na altura não ligava muito às fotografias. Mas escrevi um diário, além da história da CCAÇ 12.

"Sou eu mesmo, o Furriel Henriques (também me chamavam o Soviético ou o Camarada Sov…), que resgatei o corpo do Cunha (que era de Viana do Castelo, se bem me lembro). Gostava muito dele, éramos amigos. Passei a noite na conversa com ele entre dois copos, no Xime, nessa trágica operação em que o (...) [vosso segundo comandante] nos obrigou a seguir o mesmo trilho da véspera (não foi no Mato Cão, mas a caminho da Ponta do Inglês, do lado de cá do rio): escassas horas depois, eu iria resgatar o seu corpo (...).

"(...) Estive debaixo de fogo bastantes vezes. Apanhei de tudo: assalto a aquartelamentos do IN, flagelações a tabancas, explosão de mina anticarro (salvou-me a minha velha GM, mas duas secções inteiras ficaram neutralizadas e o outro furriel, o Marques, fez mais dois anos de tropa, no hospital militar…). Foi no regresso ao aquartelamento que eu perdi as estribeiras. E a seguir a mim foi o capitão do Xime, um jovem capitão do quadro, de 24 anos… Um dia destes mando-te o relatório dessa operação, já na parte final da nossa comissão: foi uns dias depois da invasão de Conacri, em Novembro de 1970… (A propósito, convivi muito com os gajos dos comandos e vi alguns morrerem)…

"Olha, gostei muito das tuas fotografias. O Castro já me tinha mandado umas tantas (Bissau, Bafatá, Xime). Se quiseres arranjo-te um sítio na Net para as divulgar (http://www.care2.com). Há muita malta do nosso tempo que irá sentir-se feliz por rever os sítios mágicos e ao mesmo trágicos onde vivemos (quase dois anos das nossas vidas!).Um abraço. Luís".

# posted by Luís Graça @ 12:00

quinta-feira, 8 de abril de 2010

P-63 ACTIVIDADE DA CART 3494 DO BART 3873 NO TEATRO DE O. P. GUINÉ (6)


DEZEMBRO1971/ABRIL 1974 
Este texto foi elaborado a partir do livro: - BART 3873
“HISTÓRIA DA UNIDADE”
CART 3492 – CART 3493 – CART 3494
NA GUERRA CONSTRUINDO A PAZ
(autor desconhecido)
                                                                                              
10 FASCÍCULO

JANEIRO 1973

48. SITUAÇÃO GERAL

- O assassinato de AMILCAR CABRAL pela facção dissidente do P.A.I.G.C., a concentração de forças na zona de PORTO GOLE, como medida impeditiva ou retardadora à abertura da nova estrada JUGUDUL/BAMBADINCA e a decisão dos elementos preponderantes do Partido, tendente ao incremento da actividade em todas as Frentes são as coordenadas com possíveis incidências no Sector L1.
Num âmbito mais restrito, suspeita-se da existência duma célula do P.A.I.G.C. em BAMBADINCA.
No XIME em 1972 operando o emissor-receptor AN/GRC-9

49- INIMIGO

a) Sub-Sector do XIME
-Nos dias 17 às 21,05 horas, 24 às 18,58 horas e 29 às 19,40 horas o XIME sofreu sucessivamente 03 flagelações, por grupos não calculados que empregaram canhão S/R e Morteiro 82.
Não há a contar danos pessoais ou materiais em qualquer delas.
No dia 27 às 08,00 horas ocorreu um acidente, quando se procedia à limpeza de um «OBUS 10,5» de que resultou 02 feridos ligeiros e 01 ferido grave, todos Africanos.
Carro de combate «CHAIMITE» no XIME em 1972 

b) Conclusões
-É arriscado concluir-se se as flagelações ao XIME a 24 e 29 são ou não resultado da directiva emanada dos elementos preponderantes do Partido, reunidos em CONAKRY e referida no nº. 48, após a morte do seu SECRETÁRIO-GERAL, dia 20 do corrente mês.
O espaço de tempo intermediado é demasiado acanhado para que se afirme uma certeza.
Deve uma vez mais evidenciar-se a fraca eficiência das flagelações do adversário sobre as nossas bases.

50. POPULAÇÂO

- A população sob nosso controle manifestou regozijo pela morte de AMILCAR CABRAL. Motivos: ter começado a guerra; perspectiva consequente do seu termo; ser cabo-verdiano que juntamente com outros quer dominar a GUINÉ.
Analogamente a ocupação de lugares de chefia por naturais de CABO VERDE nos quadros da Administração Civil não é vista com agrado.
Aduz-se, assim, uma rivalidade de carácter geral entre Guinéus e cabo-verdianos que só a nacionalidade portuguesa e a presença de PORTUGAL conseguem atenuar e adormecer, mas que adentro do P.A.I.G.C., sendo elas renegadas, se configura muito mais viva e inflamável.

51. NOSSAS TROPAS

Para além da actividade rotineira, neste mês não houve Acções ou Operações que mereçam algum destaque.
As colunas de reabastecimento vão correndo sem incidentes e enquanto isso os patrulhamentos das NT processam-se sem confrontações directas com os guerrilheiros.


11 FASCÍCULO

FEVEREIRO 1973

52. SITUAÇO GERAL

- Durante o período voltou a constatar-se que o inimigo só enfrenta de perto as NT, quando estas penetram nas áreas que ele controla. Atestam-no a acção «GUARIDA 18» e a operação «BATE DURO», descritas adiante. O XIME voltou a ser flagelado como é habitual.

53. TERRENO

-As queimadas pegadas ao capim pelas NF constituem a alteração mais notória ao aspecto do terreno.
O próprio P.A.I.G.C., nos locais em que se encontra instalado, procede igualmente.

54. INIMIGO

a) Sub-Sector do XIME
- Em 14 às 18,30 horas, 02 canhões S/R e 01 morteiro 82 abriram fogo sobre o Quartel do XIME, durante 15 minutos e sem resultados.
Os postos de observação conjugada do XIME e ENXALÉ localizaram as bases de fogos o que permitiu uma reacção ajustada, às 23,00 horas foi executada retaliação, por meio de ÓBUS 10,5 sobre instalações IN.




No XIME em 1972 junto ao Cais no rio GEBA

b) Conclusões
- Destaca-se os postos de observação referidos na alínea a) permitem uma resposta certeira da Artilharia do XIME, através do 20º PEL ARTª e do ESQD do PEL MORT 4575 ali estacionados.

55. NOSSAS TROPAS

a) Acções e Operações mais importantes
- Acção «GUARIDA 18» de 03 às 05, 00 horas até 11,30 horas com patrulhamento, emboscada e montagem de armadilhas na região de PTA VARELA.
Intervieram 03 Gr Comb da CCAÇ 12 e 03 (-) da CART 3494. O IN teve 02 mortos e 01 ferido confirmados e as NF 01 ferido ligeiro.
- Operação «BATE DURO» de 25 às 05,30 horas a 27 até às 15,00 horas com patrulhamento, emboscada e montagem de armadilhas, na zona de PTA VARELA/PTA DO INGLÊS/PTA JOÃO DA SILVA/POIDON, por forças da CCAÇ 12 e CART 3494 no dia 25, GEMIL’s 309 e 310 no dia 26, CCAÇ 12 e CART 3494 no dia 27.
O inimigo sofreu 05 mortos (02 pela CCAÇ 12 e 03 pelos GEMIL’s 309 e 310).
As NT tiveram 07 feridos, todos da CCAÇ 12.

b) Conclusões
- A agressividade da Tropa e Milícia africanas cujos resultados estão patentes, prova à sociedade quanto é destra no combate e ciente da missão que cumpre em prol da GUINÉ.
Não se esquecerá também o espírito de sacrifício do Soldado Europeu que acusando já o desgaste psíquico e físico de 14 meses de comissão triunfou uma vez mais sobre os perigos que o rodearam.


12 FASCÍCULO

MARÇO 1973

56. SITUAÇÃO GERAL

- A flagelação do XIME com foguetões; a saída do 1º C/E da Frente BAFATÁ/XITOLE para a área de UNAL; a transferência da CCAÇ 12 (Companhia de Intervenção do CAOP 2) para o XIME, da CART 3494 para MANSAMBO, a deslocação da CART 3493 para fora da ZA do BART 3873 e finalmente a conclusão das 09 escolas no Sector foram os tópicos do período.

57. INIMIGO

a) Sub-Sector do XIME
- Em 04 às 20,55 horas o XIME foi flagelado, utilizando 05 foguetões e canhão S/R. Atingiram apenas a pequena arrecadação do cais.
- Em 15 às 18,20 horas sofreu nova flagelação por RPG e MORT 82 mm. Sem consequências.
Deve todavia salientar-se que o grupo das RPG se instalou a 500 metros do arame farpado.

b) Conclusões
- Não é menosprezável a hipótese de as flagelações ao XIME serem uma retaliação da Operação «BATE DURO» do mês passado.

58. NOSSAS TROPAS

a) Acções e Operações mais importantes
Para além da actividade rotineira, A CART 3494 neste mês não teve Acções ou Operações que mereçam algum destaque.

 Mansambo 1973, 
Em 1º plano tropas da CCAÇ 21 ao fundo o abrigo das TRMS

b)Alterações ao Dispositivo
-Em 27 de Março a CART 3494 foi transferida para MANSAMBO, substituindo igualmente a 01 SEC da CART 3493 sediada na PTE R. UDUNDUMA.
- A CART 3493 deixou a ZA do BART 3873.
- A CCAÇ 12 substituiu a CART 3494 no XIME.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

P-62 O MORTO VIVO DO QUIRAFO - GUINÉ 1972

 António Batista faleceu!... (15MAR1950/23MAR2016), foi a segunda morte!... Esta definitiva. Paz á sua alma... 

Vê aqui: uma História de amor que o António Batista gostaria que fosse contada no dia da sua morte. Lindo!!!

SdC

Do semanário "Matosinhos Hoje"


O morto vivo do Quirafo  Guiné
Um matosinhense na Guerra do Ultramar  
O homem que regressou dos mortos.
António Baptista já tinha uma campa com o seu nome há dois anos no cemitério de Moreira da Maia quando, numa troca de prisioneiros, se chegou a conclusão que, afinal, este português estava bem vivo.
Foi para a guerra do Ultramar em 1971. O destino era a Guiné, na altura tido como o território mais perigoso. Acabou por só estar na frente quatro meses e nunca disparou um tiro. O restante tempo, 29 meses, passou-os como prisioneiro do PAIGC, partido da resistência guineense. Na metrópole, a família pensava que estava morto e fez-lhe o funeral. Passou fome e muito medo, limpou e lavou para o inimigo, foi interrogado por Nino Vieira e quase morto por um soldado tresloucado. Após a libertação, teve que recuperar uma vida que tinha continuado sem si. António Baptista guarda ainda nos olhos as recordações, algumas das quais nunca serão verbalizadas.


foto do António Batista no semanário "Matosinhos Hoje" com a devida vénia
Do blogue http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/ em Fevereiro de 2008 dizia assim:

A notícia do Jornal de Notícias da edição de 18 de Setembro de 1974 era: “Morto-vivo depôs flores na sua campa”. Na lápide pode ler-se: “Em memória de António da Silva Batista. Falecido em combate na Província da Guiné em 17 de Abril de 1972.

Cópia do relatório da CCAÇ 3490, Saltinho, 21 de Abil de 1972, conseguida pelo camarada Álvaro Basto, ex. Fur Mil Enf da CArt 3492 (Xitole, DEC71/ ABR74), na Biblioteca Pública Municipal do Porto.

Exemplar,Nº.….
Anexo B (Relação do pessoal morto e ferido em combate) ao relatório de emboscada Nº. 03/72

1. Causas que deram origem às baixas sofridas pelas NT
- Contacto com IN na emboscada sofrida pelas NT no dia 17 de Abril de 1972, na região do Quirafo /Contabane 9. B7-60).

i) Relação numérica e nominal dos militares, milícias e elementos da População colaborantes com as NT, mortos em combate:


- Sr. ALD. Mil. Nº. 00788271 – Armandino da Silva Ribeiro
- Furriel Mil. Nº. 01142371 – Francisco Oliveira dos Santos
- 1º Cabo Radiotelegrafista. Nº. 08845271 – António Ferreira
- 1º Cabo A.P.Met. nº. 14964771 – Sérgio da Costa Pinto Rebelo
- Soldado nº. 09334069 – António Marques Pereira
- Soldado nº. 10665171 – Bernardino Ramos de Oliveira
- Soldado nº. 10896771 – Zózimo de Azevedo
- Soldado nº. 10998071 – António da Silva Batista
- Soldado nº. 11117671 – António de Moura Moreira
- Sargento Mil. Nº. 044665 – Demba Jau
- Civil – Serifo Baldé
- Civil – Tijane Baldé






ii) Relação Numérica e nominal dos militares desaparecidos em combate

- Soldado nº. 11331671 – António Oliveira Azevedo

iii) Relação numérica e nominal dos militares, feridos em combate

- 1º Cabo Atirador nº. 11549071 – Augusto Carlos Leite
- Soldado Atirador nº. 10819171 – José Manuel de Barros Fernandes
- Soldado Atirador nº. 10977271 – Manuel Hernâni Martins Alves Gandra
- Soldado Atirador nº. 11060971 – Manuel da Costa Almeida
- Civil – Saico Seidi
- Civil – Cabirú Baldé
Assina pelo Comandante da Companhia (Dário Manuel de Jesus Lourenço, Cap. Mil. Inf. Alexandrino Luís F. (restante ilegível).

2. Nota do QG da R. Militar do Porto, solicitando que fossem pagos ao António Bátista os vencimentos em atraso e que fosse definida com urgência a sua situação militar.

Do editor:
2.) António Batista, figura muito acarinhado por todos atabancados e assíduo da Tabanca de Matosinhos http://tabancapequenadematosinhos.blogspot.com/, onde todas as Quartas-Feiras, camaradas que estiveram na Guiné confraternizam, no Restaurante "Milho Rei"

Sousa de Castro

quinta-feira, 1 de abril de 2010

P-61 XXV CONVÍVIO CART 3494

Embora ainda não disponha de dados definitivos sobre programa, a organização vem lembrar que o XXV 

Lúcio Damiano «Vizela» e Joaquim Monteiro, responsáveis pelo XXV Convívio Cart 3494

Convívio da CART 3494 - GUINÉ, XIME e MANSAMBO DEC71/ABR74 vai realizar-se na zona de Guimarães, distrito de Braga, no dia 12 de JUNHO 2010. Oportunamente será enviado convite e programa do evento.
Agradecemos que todos os interessados se manifestem positivamente no sentido de que este encontro/convívio seja mais um êxito, como já vem sendo habitual ao longo dos anos.
Pela direcção,
Sousa de Castro

Contactos: 
967 251 337 Lúcio Damiano (VIZELA)
916 690 396 Joaquim Monteiro.