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sexta-feira, 26 de março de 2021

P413 - Sobre Marcelino da Mata e outros que entretanto vieram a público

Rec. MSG com data de 18FEV2021 de Belarmino Sardinha, ex. 1º cabo radiotelegrafista do STM (Serviço transmissões militares), colocado em Mansoa, Bolama, Aldeia Formosa e Bissau nos anos de 1972/74. Participa normalmente nos almoços do BCAÇ 3832 por ter convivido mais tempo.

Dados retirados com a devida vénia do blogue: LUIS GRAÇA & CAMARADAS DA GUINÉ 

Caros Amigos,

No dia 16FEV2021 assisti a uma conversa no que esperava ser um debate na TVI, mas que, lamentavelmente, por força do desconhecimento e dos interesses políticos dos intervenientes sobre o assunto a debater não passou de uma perda de tempo.

Fiquei irritado, confesso, e escrevi o que vos envio em anexo.

Quem quiser lê quem não quiser apaga. Não fico ofendido em nenhuma das situações.

Um abraço,

BS 

 

Sobre Marcelino da Mata e

outros que entretanto vieram a público

 


Tenho acompanhado minimamente todo o desenrolar do processo sobre a morte de Marcelino da Mata e lamentavelmente tenho lido ou ouvido algumas barbaridades iguais às que se diz terem sido feitas por ele.

Conheci pessoalmente Marcelino da Mata só depois do ano 2000, mas reconheci neste camarada de armas um homem vertical, directo e afável sem fantasmas ou queixumes como não vejo ser o caso dos seus detractores.

Estive na Guiné, na arma de transmissões do STM entre 15 de Junho de 1972 e 20 de Julho de 1974. Andei por Mansoa, Aldeia Formosa (Quebo), Bolama e Bissau e inevitalvelmente ouvi falar e contar muitas histórias de Marcelino da Mata.

Lembro-me de alguns dos operacionais dizerem “hoje podemos dormir descansados, o Marcelino anda por aqui”, curiosamente não me lembro de nenhum referir que o Marcelino era um assassino ou que era um traidor, como me parece haver alguns depois do 25 de Abril de 1974, por opções e/ou oportunidades politicas. 

Sempre foi falado o facto das tropas africanas, em especial os comandos africanos terem uma actuação mais radical por onde passavam, é um facto, em especial com as bajudas, mas isso tinha muito que ver com a idade…Não ficaram também lá filhos de militares brancos do continente?

O porquê da gota de água que faz transbordar o copo?

Assisti ontem a uma conversa, não chamo debate e muito menos esclarecimento sobre Marcelino da Mata, na TVI 24 pelas 23H00 do dia 16 do corrente. Reconheço à TVI o papel de ter sido a única que, ao que se me deu saber, lembrar que tinha havido o funeral do militar mais condecorado do exército Português, logo um militar ao serviço de Portugal. Não foi feliz a escolha dos intervenientes, um, honestamente, confessou algum desconhecimento sobre a figura que iam debater, enquanto o outro assumiu-se como um verdadeiro conhecedor da matéria.

Considero o que vi lamentável. Não posso deixar de manifestar aqui a minha opinião sincera e desinteressada sobre os protagonistas.

Conheci Fernando Rosas, sem que com ele privasse, mas conheci-o e tinha por ele, enquanto historiador, alguma admiração e até simpatia, já enquanto político parece-me medíocre. Filiado num partido que lhe proporcionou ser figura pública, parece-me tê-lo levado a voos para os quais não está preparado e ao esgrimir argumentos sem conhecimento e de forma politicamnete tendenciosa, torna-se incompetente e suspeito nas suas análises históricas.

Não sei se Fernando Rosas fez o serviço militar, e se o fez, quando e onde.

Como político desviou sempre a conversa dizendo que estavam a falar de Marcelino da Mata e dos seus crimes. Como o fazem os políticos, aproveitou-se de uma publicação, no Facebook, feita por um outro camarada que prestou serviço no gabinete jurídico militar em Bissau, Mário Barbot Costa, que na qualidade de escritor assina como Mário Claúdio, para dizer que tinham havido vários processos contra Marcelino da Mata, mas que todos tinham sido arquivados por ordem não se sabe de quem. É estranho não se saber de quem, mas enfim, isso serve para outro tema. Contudo mostrou total desconhecimento e ignorância sobre Marcelino da Mata, aproveitou-se e recorreu a outros para frazer o seu papel político e  desenfrear um ataque torpe e mesquinho a quem nunca conheceu.

Sem qualquer pedido ou necessidade de defesa, uma vez mais e em minha opinião, conheci e privei por mais que uma vez com Mário Claúdio por questões profissionais e já fora da instituição militar, não digo que o conheça de forma a poder afirmar o que pensa, mas estou em crer que apenas disse o que disse para não endeusarem Marcelino da Mata, tanto assim que, segundo Fernando Rosas, começou por escrever que respeitava o combatente Marcelino da Mata, referindo depois ter havido processos arquivados. Não li o  que escreveu Mário Cláudio.

Na qualidade de historiador e político, de forma séria, competia-lhe fazer um enquadramento histórico sobre as etnias guineenses e o seu relacionamento para depois falar da actuação de Marcelino da Mata. Talvez então pudesse falar sobre o ataque de que foram alvo e barbaramente assassinados três majores e um alferes, quando desarmados se deslocaram ao que seria um encontro com tropas do PAIGC, combinado secretamente e que visava o início de um cessar fogo…

Ribeiro e Castro ainda lembrou o que fizeram a Marcelino da Mata, depois de 25 de Abril de 1974 os esbirros políticos ligados a alguns partidos ditos de esquerda ou extrema esquerda e que em nada erame foram diferentes dos seus antecessores da PIDE/DGS, mas não oteve qualquer reacção do seu interlecutor nem do moderador que, à deriva e sem mostrar conhecimento dos factos deixou navegar à deriva. Nada é comparável? Falamos depois de 25 de Abril de 1974. Talvez só não o tenham morto por receio, pois acredito não lhes faltar vontade e muito menos prazer.

Depois defende-se o senegalês asilado em Portugal Mamadú Bá, esse indivíduo que vive à custa dos portugueses e destila ódio aos brancos. Se já por cá andasse talvez o pudessem chamar para matar um preto como o Marcelino da Mata. Talvez isso também não fosse crime, bastava que políticamente a considerassem uma boa causa.

Não quero deixar transparecer que Marcelino da Mata não fez ou não possa ter feito coisas execráveis e não merecesse até punição dentro da instituição que representava. Até para clarificação da posição de Portugal, mas tal como muitos outros processos foram, mesmo hoje em dia, arquivados.

Depois, não podemos e não devemos estar hoje a julgar procedimentos com 40 e muitos anos e fora do seu enquadramento. È verdade que um crime é sempre um crime, mas, como em todos os processos, algumas razões podem ter servido como atenuantes e neste caso em concreto, a guerra, as etnias, a adrenalina ou calor vivido no momento, mas isso só quem os viveu realmente pode falar, para todos os outros não passa de filme.

Quando Nino Vieira foi assassinado, num passado recente, talvez por ter chegado a presidente da Guiné, correu por aqui muita tinta a lembrar que tinha sido assassinado e falando sobre como ele tinha sido como aguerrido guerrilheiro que lutou pela sua terra e pelo seu povo etc. etc. etc. Ninguém se lhe referiu como assassino e ninguém falou sobre a bárbara forma como ficou retalhado. Isto só para comparação com Marcelino da Mata…

Também quando Jonas Savimbi foi assassinado e nos foi apresentado como morto fez igualmente correr muita tinta nos nossos jornais, mas o politicamente correcto impede que isso se faça com Marcelino da Mata.

Estas duas notas servem para lembrar que se podia e devia falar sobre história e sobre as formas brutais e bárbaras como lutam entre etnias e até aproveitar para falar sobre temas como a mutilação genital feminina e outras práticas e tradições do povo africano no seu estado puro.

Há quem defenda que os anos passam por nós e nos tornam mais sábios e tolerantes, que os impulsos da juventude são corrigidos pelo passar dos anos etc. etc. etc. Não sei se será o que acontece com todos, a necessidade dos olofotes sobre si, a vaidade,  ou outras razões de necessidade levam muitos a não conseguirem estar tranquilos e a obrigarem os outros a deixarem de estar.

Eu, e estou crente que muitos outros que passaram pela Guiné no período da Guerra, estão agradecidos à TVI por lembrar e falar sobre a morte de Marcelino da Mata, só lamento que não tenha sabido escolher melhor os elementos do painel e melhor preparado o moderador. Poderiam ter escolhido melhor as figuras do painel, mantendo as que quisessem, mas procurando outra ou outras figuras com conhecimento da operacionalidade de Marcelino da Mata, como, por exemplo, o Coronel Matos Gomes, igualmente figura pública com obra publicada, operacional em acções conjuntas, conhecedor e por certo, muito mais isento e acertivo nas palavras.

Resta-me desejar que Marcelino da Mata, finalmente, descanse em paz.

Um abraço,

BS

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

P412 - A CCAÇ 4142/72 FORMADA NO REGIMENTO DE INFANTARIA Nº. 1(RI-1) NA AMADORA, LISBOA. RUMOU PARA A GUINÉ EM 16 DE SETEMBRO DE 1972, FOI COLOCADA EM GAMPARÁ A 18 DE OUTUBRO, REGRESSOU EM AGOSTO 1974

                                         CCAÇ 4142
                                    (Os Herdeiros de Gampará)



Caros amigos,


Apresento a todos os antigos combatentes um camarada que tal como todos nós, calcorreou as matas da Guiné. 
Curiosamente para além de ser um camarada d’armas, é também um camarada de trabalho do tempo do saudoso Estaleiros Navais de Viana do Castelo, onde foi soldador, trabalhamos naquela empresa sem que nunca tivéssemos tido oportunidade de falarmos sobre as nossas guerras devido a trabalharmos em áreas e secções diferentes.

Foi através das redes sociais que descobrimos termos algo em comum, ele esteve em Gampará e eu no Xime, embora a minha CART 3494 um pouco mais antiga, as nossas companhias ajudavam-se mutuamente quando era necessário apoio de fogo.

Chama-se:

Manuel Alves da Palma, nasceu a 07JAN1951

Ex. 1º cabo atirador da companhia independente CCAÇ 4142/72 (Herdeiros de Gampará), reside em Areosa - Viana do Castelo. TM:96 795 64 41.

A companhia começou a ser formada em Junho de 1972 no RI-1 Regimento de Infantaria nº. 1 na Amadora - Lisboa, depois da instrução de especialidade rumou à Guiné a 16 de setembro de 1972 onde no Cumuré fez o I. A. O. (Instrução de aperfeiçoamento operacional).

Finda a instrução a 18 de outubro é colocada em Gampará onde rendeu a CART 3417 (Os Magalas de Gampará). Vd. Post Aqui:P12246

Regressaram à Metrópole em Agosto de 1974.

É elemento activo do Grupo Etnográfico de Areosa para além de se dedicar também à pesca.




Com amizade,

A. Sousa de Castro

Janeiro, 2021

Fotogaleria:







OBUS 14 cm

Fotos de: Manuel da Palma, direitos reservados

Vd. Poste de 25MAI2016: Ex. SOL. CARLOS CARRILHO ALBERTO, DA CCAV 3463 DO BCAV3869, GUINÉ - PICHE 25SET71/22DEC73, RECEBE A MEDALHA COMEMORATIVA DAS CAMPANHAS DA GUINÉ COM 43 ANOS DE ATRASO


segunda-feira, 21 de dezembro de 2020

P411 - RECORDAR É... TORNAR PRESENTE! BOAS FESTAS POSSÍVEIS EM TEMPO DE PANDEMIA "COVID-19" Por: Jorge Araújo

Caríssimo Camarada Sousa de Castro.

 Os meus melhores cumprimentos.

 Após um pequeno interregno motivado por razões profissionais e pessoais às quais lhe adicionamos o quadro pandémico que a todos tem afectado no nosso quotidiano, serve o presente para enviar a minha tradicional MENSAGEM DE BOAS FESTAS.

 Tomei a liberdade de recuperar algumas das "memórias natalícias" reportadas aos três anos passados pelo colectivo da CART 3494 fora do contexto familiar: a 1.ª a bordo do «Niassa», a 2.ª no Xime e a 3.ª em Mansambo.

 BOM NATAL E UM MELHOR ANO DE 2021.

 Fica bem.

Um abraço,

Jorge Araújo

- Ex. Fur. Milº António Bonito, lembra que está agendado para o dia 05/06/2021 o 35º convívio a realizar na CARAPINHEIRA, MONTEMOR O VELHO.

 


Último poste em Refª: 

VOTOS PARA QUE O VOSSO/NOSSO NATAL SEJA O MELHOR POSSÍVEL TENDO EM CONTA OS CONDICIONALISMOS DEVIDO À DONA "COVID 19", O ANO 2021 É PARA MARCAR A DIFERENÇA PELA POSITIVA. VAMOS MANTER A ESPERANÇA.

sábado, 12 de dezembro de 2020

P410 - VOTOS PARA QUE O VOSSO/NOSSO NATAL SEJA O MELHOR POSSÍVEL TENDO EM CONTA OS CONDICIONALISMOS DEVIDO À DONA "COVID 19", O ANO 2021 É PARA MARCAR A DIFERENÇA PELA POSITIVA. VAMOS MANTER A ESPERANÇA.

Para além de decorrer a terceira fase de vacinação, lembramos que o 35º encontro/convívio está marcado desde o ano transacto, para o dia 05 de junho de 2021 na CARAPINHEIRA - MONTEMOR O VELHO se a "Covid 19" nos deixar abancar, a esperança é a última a morrer.

Os contactos: 

Ex. Furriel Milº Bonito 96 352 97 64 e 233 920 441



quarta-feira, 14 de outubro de 2020

P400 - O farmacêutico minhoto que foi à guerra na Guiné e voltou para salvar vidas 40 anos depois - DN

MSG recebida em 14/10/2020 de Santos Oliveira, Ex.Fur. Milº Armas Pesadas/Ranger do Pel de Morteiros 912, Guiné - Tite, OUT1963/OUT1965, autor do Blogue: https://acordarsonhando.blogspot.com/ 


Publicado na edição do "Diário de Notícias" do dia 10/10/2020 e transcrito com a devida vénia.


Manuel Pimenta ajudou tanto em Cacheu, que a rua da maternidade da cidade tem o seu nome. E a paixão pelos guineenses já conquistou toda a família, a começar pela filha Manuela, farmacêutica como ele, que também tem feito muito para apoiar aquele povo africano tão ligado a Portugal. 

Manuel Pimenta e Manuela fotografados em Bôr, na Guiné, no verão de 2018. Pai e filha partilham paixão pela ajuda àquele país africano

© Leonardo Negrão / Global Imagens

"Passei dois Natais na Guiné, também foram dois aniversários", relembra Manuel Pimenta, farmacêutico, "repescado" para ir para a guerra quando tinha 29 anos. "Cheguei em junho, e a 24 de dezembro fiz lá os meus 30 anos", conta, sentado no laboratório de análises clínicas em Ponte de Lima que tem o seu nome. Quem socorre o pai quando a memória parece falhar é Manuela Pimenta, a filha também farmacêutica. Conheci ambos há dois anos numa reportagem em Bissau, quando visitava o hospital de Bôr, e fiquei de um dia contar a história do farmacêutico minhoto que foi à guerra na Guiné e voltou 40 anos depois para salvar vidas.

Ao contrário de muitos outros soldados portugueses enviados para a Guiné, Angola e Moçambique, Manuel Pimenta não foi chamado para África para combater. Foi para trabalhar na chefia dos serviços de saúde da então colónia portuguesa, e "como tinha pouco que fazer", deu uma ajuda no laboratório de um hospital hoje em ruínas, situado junto à estrada que leva ao aeroporto. Também trabalhou no hospital central de Bissau, hoje chamado de Simão Mendes, um herói guineense. Desse tempo recorda sobretudo como portugueses e guineenses se entendiam bem, pois "o que combatia eram as ideologias, não os povos".

Na Guiné, era a guerrilha do PAIGC que lutava pela libertação. E foi uma guerra duríssima, com a independência a ser proclamada em 1973, ainda antes do 25 de Abril em Portugal (foi reconhecida logo em 1974). Mas a memória de Manuel Pimenta, hoje como 82 anos, destaca sobretudo o que viu de positivo, como "aqueles helicópteros que vinham buscar até grávidas".

Ora, foi a condição das grávidas guineenses que levou mais de 40 anos depois o farmacêutico de Ponte de Lima de volta a África. "Fui lá em 2011 com um amigo aqui de Ponte de Lima, que era administrador da Universidade Lusófona, o António Montenegro Fiúza. Entretanto, soube que havia uma associação em Viana do Castelo que tentava juntar dinheiro para construir uma maternidade no Cacheu. Um português, ex-combatente, o José Luís Carvalhido, professor, foi lá e viu uma coisa horrorosa, a morte de uma jovem parturiente", conta.

"A mortalidade materna na Guiné-Bissau é das piores do mundo. A infantil também", sublinha a filha. Na conversa participam também José Antas Aguiar, o marido de Manuela, que foi várias vezes com o sogro à Guiné e que informatizou o laboratório de análises clínicas para rápido acesso dos médicos aos resultados, e Jesuíno Alvarenga, guineense, que está em formação em Portugal já pela segunda vez.

"As mulheres muitas vezes trabalham até ao último dia da gravidez. E de repente estão no mato na altura do parto, sem qualquer ajuda", explica Jesuíno, que fala com ligeiro sotaque brasileiro pois estudou em Goiânia graças a uma bolsa. "É terrível o que por vezes se vê, mas toca o coração perceber que aquilo que fazemos salva vidas", acrescenta José.

A maternidade em Cacheu foi construída com muito material doado de Portugal, desde janelas a azulejos, e a ajuda financeira de Manuel Pimenta completou o que faltava.

Houve grande festa na inauguração e a rua onde fica a moderna maternidade acabou por ser batizada com o nome do farmacêutico de Ponte de Lima, figura muito querida na terra, oriundo de uma família de sucessivas gerações de farmacêuticos que está ligada à Farmácia Misericórdia, que fica no coração medieval da vila.

Manuela demorou mais a ir à Guiné, só em 2018. "Ficava sempre apreensiva quando o meu pai e o meu marido iam de viagem. Mas quando me despedia deles no aeroporto ficava curiosa com o ânimo deles. Iam tão felizes, como que para uma viagem de finalistas. Como tenho filhas pequenas, ainda hesitei um pouco, mas quis também conhecer o país. E a verdade é que se tornou uma paixão de toda a família. Temos duas filhas, uma com 11 anos e a outra com 5, que sabem tudo sobre aquilo que fazemos lá, sabem o nome de muitas crianças que ajudamos e até rezam o ave-maria e o pai-nosso em crioulo", conta.

Manuela ajudou o pai a montar um laboratório de análises clínicas em Bôr, que visitei com o fotógrafo do DN Leonardo Negrão, e diz que hoje é tudo mais acessível aos guineenses, mais barato. À formação de Jesuíno aqui em Ponte de Lima junta-se a de outros técnicos guineenses no próprio país. "Temos de ajudar o nosso país a desenvolver-se, as pessoas a terem mais acesso à saúde", diz Jesuíno, que gosta de estar em Portugal, como gostou de estudar Biomedicina no Brasil, mas que quer voltar à Guiné, fazer lá carreira, "é a minha casa".

© Leonardo Negrão / Global Imagens

Manuel Pimenta sempre foi reconhecido como um humanista, uma pessoa também com grande espírito cristão, e em 1975, nas primeiras eleições a seguir à Revolução de 1974, foi eleito deputado à Assembleia Constituinte. "Senti o dever de defender a democracia. E aceitei ser candidato nas listas do PS. Para mim, Mário Soares era o político que mais garantias dava ao país." Recorda-se de muitos outros deputados da época, que aprovaram a Constituição de 1976, como o ainda no ativo Jerónimo de Sousa, hoje secretário-geral do PCP, na época jovem operário.

Recordo com Manuel Pimenta e a filha aquele dia do verão de 2018 em que nos conhecemos em Bôr. E como uma tragédia que ali vimos teve um final feliz. Uma menina de 3 anos, a Nazaré, que ingeriu soda cáustica e ficou com o esófago queimado, tendo de ser alimentada por sonda. Uns meses depois, graças à ONG portuguesa Missão Saúde para a Humanidade, Nazaré viajou para Portugal, onde foi operada no Serviço Nacional de Saúde. Depois de uns tempos de recuperação, a menina guineense já comia iogurtes. Manuela esteve envolvida no processo, e elogia muito a amiga Maria José Ferreira, uma enfermeira de Aveiro, que também fez da ajuda à Guiné uma das suas causas. As duas também têm estado ativas no apoio ao Lar Bethel, em Bissau, que apoia órfãos e que também eu e o Leonardo visitámos num dia muito especial, uma oferta de equipamentos dos infantis e juvenis do FC Porto, uma ideia de Fernando Pinheiro, médico que integrou a Missão Saúde para a Humanidade.

A conversa em Ponte de Lima termina com Manuel Pimenta a contar uma outra história com final feliz: "Uma guineense grávida de quadrigémeos que desde os quatro meses foi acompanhada na Casa das Mães de Cacheu. Na altura do parto foi transferida para o hospital do Canchungo e depois, por segurança, para o Simão Mendes. E todos sobreviveram."

Manuela explica que a Casa das Mães, onde existe um azulejo com o rosto do pai, "é uma estrutura que fica junto à maternidade de Cacheu e serve para evitar partos repentinos, no meio do mato. As mulheres vivem ali quando estão perto do final da gravidez. Até cozinham e trazem os outros filhos. Mas têm acompanhamento, e isso faz toda a diferença". "Se ficam no campo, na tabanca, até ao fim, muitas morrem", diz Jesuíno.

"A parteira de Cacheu é Antonieta Monteiro. Falamos muitas vezes por telefone com ela", conta Manuela Pimenta. E as notícias agora são mais boas do que más. Muito graças à generosidade do farmacêutico que fez tropa na Guiné.

                                                                                                                   Diário de Notícias

                                                                                         SO

terça-feira, 15 de setembro de 2020

segunda-feira, 25 de maio de 2020

P398 FOI Á 50 ANOS (17 DE MAIO DE 1970/2020) O BART 2917 composto pelas CCS, CART 2714, CART 2715 e CART 2716, EMBARCOU NO N/M CARVALHO DE ARAÚJO PARA A GUINÉ [David Guimarães]

Castelo de Santiago da Barra

1.   “Castelo de Santiago da Barra
Forte militar de planta poligonal com muralhas de perfil trapezoidal, reforçadas por baluartes triangulares, guaritas de planta circular e fosso, foi mandado construir por D. Filipe I para ampliar o papel da Torre da Roqueta.
Fortaleza abaluartada segundo projeto de Tiburcio Spanochi, foi ampliada com dois revelins em 1700. Ostenta as armas de três governadores: D. Diogo de Lima, D. Pedro Bermudez de Santisso e as dos Sousas de Prado. Auto-suficiente, possuía nascente interna (de chafurdo) e capela própria, quando afectou ao serviço da tropa e dedicou a S. Tiago uma antiga capela de devoção dos marítimos a Santa Catarina. Protagonizou todos os acontecimentos militares locais, nomeadamente a Restauração e as lutas da Patuleia. Foi quartel da arma de Artilharia e hoje sede do Porto e Norte de Portugal.”

Fonte, foto e descrição: https://olharvianadocastelo.blogspot.com/2016/10/fortalezas-de-viana.html com a devida vénia.

2.       O Forte de Santiago da Barra, também referido como Castelo de Santiago da Barra e Castelo de São Tiago Maior da Barra, localiza-se na freguesia de Monserrate, na cidade, concelho e distrito de Viana do Castelo, em Portugal.



David Guimarães, ex. FUR MILº Minas e Armadilhas CART 2716 - 1970/72



1.) Em 16 de Maio de 1970 o BART 2917 constituído pela CCS, CART 2714, CART 2715 e CART 2716 desfilou deste aquartelamento, no fim do IAO, (Instrução de Aperfeiçoamento Operacional), até ao comboio na Estação de Viana do Castelo de onde partiu de "portas trancadas", em viagem noturna, até ao cais de Alcântara onde em 17 de Maio embarcava no Navio Carvalho Araújo com destino à Província Ultramarina da Guiné.
Depois da chegada a Bissau o contingente foi conduzido em LDG (Lancha desembarque grande) até ao Xime, ali repartiram-se as Companhias, em coluna-auto, pelos respectivos Aquartelamentos.  CCS – Bambadinca, CART 2714 - Mansambo, CART 2715 - Xime e CART 2716 - Xitole, companhia onde eu, estava integrado.

A sobreposição pelo BART 3873, foi feita desde 28 de Janeiro de 1972 até quase final de Março do mesmo ano.



História de Guerra – no intervalo e princípio da LICENÇA DISCIPLINAR, Abril de 1971 
(FÉRIAS DIZIAMOS NÓS os militares)


A irreverência da juventude

2.) Quando em Bissau aguardava o dia do embarque em Avião TAP para vir gozar a licença à Metrópole, informaram-me oficialmente que só poderia embarcar após a revacinação contra a CÓLERA. Para tal deveria levar o meu certificado ao hospital civil para que me fosse administrada.
 Lá fui eu, entrei no referido hospital (hoje Hospital Simão Mendes) e lá me dirigi a alguém dizendo ao que ia. Mostrei o certificado e lá me levaram ao serviço de enfermagem e pronto. Braço esticado e injecção dada.

 Depois de injectado aquele líquido a enfª deu-me dois comprimidos dizendo: olhe isso possivelmente vai doer e sendo assim tome isto para atenuar a dor. 
Alguém me tinha dito, voz de caserna; vais apanhar a vacina e a seguir bebe um bom copo de vinho que verás que não te dói nada. Vão-te dar dois comprimidos que se lixem, deita-os fora.
Aquele conselho levava nos ouvidos e enfim, optei. Não deitei os comprimidos logo fora, deitei depois: Havia ali uma casa de comer perto onde entrei! Em Bissau na altura não faltavam restaurantes. Mandei vir frango e duas garrafas de vinho geladinho verde branco (Casal Garcia). 
Deitei tudo o que me apareceu para comer abaixo e bebi o vinho todo, não tive dor nenhuma no braço.
Pensei depois que afinal o vinho tinha seus efeitos sedativos
No outro dia lá estava eu á porta do avião e quando vi a hospedeira branca, que maravilha! Passadas 4 horas via os telhados de Lisboa (tabancas mais a meu gosto)

SOBRE A ENFERMEIRA QUE ME ADMINISTROU HÁ UMA HISTÓRIA BEM POSTERIOR, NÃO É MUITO IMPORTANTE.

NB) Com o que atrás dito e aconteceu não serve para o COVID-19, acho eu!

David Guimarães,
23 de Maio 2020