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segunda-feira, 25 de março de 2013

P171 - (1) RECORDAR É TRAZER DE NOVO AO CORAÇÃO! (ex. Fur. Milº Carvalhido da Ponte)



Caros camarigos,
Falei ao telefone com o nosso camarada d’armas Carvalhido da Ponte, no sentido de autorizar a publicação de um texto que publicou no Facebook sobre a sua última viagem em Março 2013 à Guiné, ao Cacheu, fazendo também uma visita ao Xime, zona onde cumpriu serviço militar. Acedeu prontamente, prometendo colaborar na divulgação do trabalho humanitário que vem desenvolvendo na Vila de Cacheu. Recordo que Viana do Castelo está geminada com esta Vila. 
 Vd.post.:http://cart3494guine.blogspot.pt/2010/09/p-78-rotary-clube-de-viana-deixa-obra.html Assim sendo passo a apresentar:


Xime 1972
José Luís Carvalhido da Ponte ex. Furriel Milº Enf. Pertenceu à Cart 3494 sediado no Xime, do BART 3873, Professor e director da Escola Secundária de Monserrate, Viana do Castelo, Tem vários trabalhos publicados aqui:http://bivam.esmonserrate.org/clr/autores/AutorBibliografia.asp?codAutor=25 muito dedicado à causa humanitária na Guiné, para onde se desloca regularmente no sentido de contribuir para o bem-estar daquele povo, nomeadamente na area da saúde.

SC








José Carvalhido da Ponte
Sábado 23MAR2013 às 20:11 ·

Recordar é trazer de novo ao coração, diz-nos uma leitura etimológica da palavra. Recordar é rememorar e neste rememorar revivemos os factos conforme a paleta das nossas emoções. Assim, às vezes perece que esquecemos a recordação e outras esticámo-la, quase ao infinito, como se não a quiséssemos perder. Já Pessoa dizia que o comboio de corda que se chama coração, não raro, invade-nos a razão.
Tinha 23 anos quando aportei, pela primeira vez, ao Xime, uma aldeia de Bambadinca. A LDG (lancha de desembarque grande) atracou ao pequeno porto, ali mesmo na margem esquerda do Geba. Era Fevereiro de 72.
Deram-nos ordem para nos levantarmos do porão e começarmos ordeiramente a sair. Em terra esperavam-nos, felizes e galhofeiros, os que iríamos substituir.
Depois, nos 27 meses seguintes, deambulamos por Mansambo, pelo Xitole, pelo Enxalé (n’xalé), por Bambadinca, por Bafatá, pelo Saltinho. Depois regressamos, uns em fins de março e outros, como eu, no 3 de Abril de 74.
Para trás ficaram tantas memórias, tantos medos, tantas aventuras, tantos amigos, vários mortos!
Quando em 2.000 regressei à Guiné, não fui ao Xime. Por nada não. Apenas não calhou. Apenas calhou acontecer em 2008, quando uma colega da ESM, que passeava com outros colegas pelo Senegal, a 17 de Agosto, regressou a Cacheu e desafiou-me: vamos a Tabato, ali para as bandas de Bafatá, ver os tocadores de Balafon e passas no teu Xime e assim comemoras os teus 58 anos?
Regressar ao Xime? Porque não? Era uma porta que necessitava reatravessar para exorcizar um ou outro fantasma e, em definitivo, oficiar pelo Manuel Bento, caído em combate, logo nesse ano de 72.
E fomos. E neste ano de 2013 regressei, agora com o Dr Manuel Pimenta. Das duas vezes tive de respeitar várias manadas de bovinos e se da primeira ainda pude recordar os desembarques nos restos mortais do pontão do Xime, agora o tarrafe invadira o espaço a impedir as minhas quarentonas nostalgias.
De repente ... ollha ali a escola onde lecionei as 4 classes ao mesmo tempo. Entro na decrépita escola. Que saudades! Continua sob um enorme poilão. Procurei caras, anichadinhas bem dentro de mim. Não apareceram. Nem a da Teresa, uma jovem professora caboverdiana que me acompanhou nessas andanças letivas durante um ano, por toda a Bambadinca e que cozinhava frango com piripiri dum jeito que nunca vi. De repente assoma à porta um homem dos seus 55 anos e atira-me: oi professor Ponte! Fui seu aluno, lembra-se? Claro que lembro! E não tive coragem de lhe perguntar o nome nem de lhe dizer que não, que não me lembrava. E falou-me de homens e mulheres de 72 que já partiram, que morreram, que estão por ali. É então que, de repente surge a minha lavadeira do tempo, a Clara, em 72 com 11/12 anos e hoje, com uma bacia à cabeça e desdentada, como eu; mais adiante o Malam Mané que escreve poesia em marabutu e à frente o Bacar Biai, encostado a um barrote de uma tabanca. E outros. E perguntou-me pelo Furriel Sousa Pinto. Morreu há um ano, mais ou menos, lhe disse. Ah! Eu gostava dele.
Depois, sozinho, percorri partes da tabanca e do antigo aquartelamento. Sozinho, para que ninguém visse uma ou outra lágrima de saudade. Sim de saudade. Bolas, éramos jovens com 21 a 23 anos. Passamos ali dois dos mais importantes anos da nossa vida. Perdemos ali grandes amigos. Aprendemos ali que o medo é uma antecâmara para toda a coragem.
E por hoje, chega de memórias.
Olhando o Geba e o que resta do cais do XIME

Bacar Biai, escreve poesia em Marabutu

Estrada Xime/Bambadinca

O Adelino da Lancha "SINTEX" e matador de Vacas???

Com o Malan Mané


A lavadeira de seu nome; Carfala, esposa de Malan Mané
- Msg de José Carlos Mussá Biai, irmão do Bacar Biai na foto abaixo, com data de: 27-03-2013 15:44
- José Carlos encontra-se em Portugal à muitos anos, é engenheiro florestal, exercendo funções no Instituto Geográfico Português.  

Vd. post.: http://cart3494guine.blogspot.pt/2013/01/p167-no-xime-tambem-havia-criancas.html


Meu caro Sousa de Castro,

Obrigado, por mais uma vez fazer-me recordar a minha terra natal.

As fotos fazem-me rever o meu irmão Bacar Biai, que está escrever numa "tábua", contrariamente o que diz a legenda, o meu primo Malam Mané, que se encontra encostado e a conversar com o Prof. José Luís, a esposa do Malam Mané, Carfala (Clara, como diz na legenda) que está com bacia na cabeça e o Adelino Vieira(Avelino, como diz na legenda), bem como o próprio Prof. José Luís com que tenho falado, mas ainda não nos vimos.
Também foi bom rever o que resta do cais de Xime.
O meu irmão Bacar foi picador, enquanto o meu primo Malam cumpriu serviço militar em Farim, Bissau e por fim em Bambadinca, até quando deu o 25/04/74.

Um abraço e cumprimetos,

José C. Mussá Biai

Ps: Fotos de Luís Carvalhido, direitos reservados

1 comentário:

martinho tc disse...

caro camarado fiquei sensibilizado com o seu documentário real bem haja fez-me relembrar o meu tempo 72/74 obg