BARROSELAS
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CART 3494 - Sub-Sector do Xime, transferida em Março/73 para Mansambo. Faz parte do BART 3873, o qual renderia no Sector L1 o BART 2917. Composto pelas unidades da CCS - Sub-Sector de Bambadinca, CART 3492 - Sub-Sector do Xitole e CART 3493 - Sub-Sector de Mansambo, transferida em 01ABR73 para Cobumba, ficando operacionalmente subordinada ao COP 4. Unidade mobilizadora: Regimento de Artilharia Pesada 2 (RAP 2) Vila Nova de Gaia. Embarque 22DEC71 N/M "NIASSA", Regresso 03ABR74 (via aérea)
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quinta-feira, 14 de junho de 2018
terça-feira, 12 de junho de 2018
P347 - O XXXIII ENCONTRO/CONVÍVIO ANUAL DA CART 3494 “OPERAÇÃO SENHOR DAS ALMAS, NOGUEIRA DO CRAVO - SEIA” EM 9 DE JUNHO DE 2018 (Jorge Araújo/Sousa de Castro)
GUINÉ
Jorge Alves Araújo,
ex-Furriel Mil. Op. Esp./RANGER, CART 3494
(Xime-Mansambo,
1972/1974)
O
XXXIII ENCONTRO/CONVÍVIO ANUAL DA CART 3494
“OPERAÇÃO
SENHOR DAS ALMAS, NOGUEIRA DO CRAVO - SEIA”
EM 9 DE JUNHO DE 2018
Carrega na foto para ver o vídeo
1. – INTRODUÇÃO
![]() |
| Xime1972 |
Quarenta
e quatro anos após o seu regresso à Metrópole (Lisboa), depois de cumprida a
sua Missão Ultramarina no TO da Guiné, no período de 1971 a 1974, o contingente
da
![]() |
| Mansambo 1973 |
Companhia de Artilharia 3494 [CART 3494], a terceira Unidade de quadrícula
do BART 3873, que esteve aquartelado no Xime, Enxalé, Mansambo e Ponte do Rio
Udunduma, continua activo, realizando as suas “operações” anuais
[encontros/convívios] em diferentes regiões do território nacional.
O
deste ano teve lugar no passado dia 9 de Junho, sábado, na região Centro,
também conhecida pela «Região das Beiras» – ou seja, o “XXXIII” consecutivo
iniciado com o (re)agrupar das/dos tropas, evento realizado em 14JUN1986, em
Aver-o-Mar, Póvoa de Varzim [P184] – com o colectivo de ex-combatentes a ter de
cumprir as suas tarefas em dois distritos: o de Coimbra e o da Guarda.
de Nogueira do Cravo, Município de Oliveira do
Hospital, verificou-se a chamada, e o “controlo”, das quatro dezenas de ex-combatentes
disponíveis para esta acção, onde foi preparado o «golpe de mão» à Tabanca «Restaurante
Pastor da Serra», sito no Município de Seia, distrito da Guarda
2. – O
DESENROLAR DAS ACÇÕES
Para
uma estimativa das distâncias até Seia, referem-se alguns exemplos: de Coimbra
(98 kms), da Guarda (67 kms), de Viseu (45 kms), de Lisboa (298 kms), do Porto
(163 kms) e de Viana do Castelo (235 kms).
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Os ex-combatentes da
CART 3494 que compareceram na Capela Senhor das Almas, freguesia de Nogueira do
Cravo, para a foto de “família”.
Durante
a operação tudo decorreu como planeado, pelo que no final a satisfação era
plena para os oitenta participantes, que uma vez mais recuperaram muitas das
suas memórias de tensões e emoções da “aventura africana”. Houve música, muita
animação, e por último cantaram-se os parabéns por mais um aniversário. Nessa
ocasião voltámos a erguer os nossos copos brindando aos presentes e aos
ausentes, com votos de felicidades e de muita saúde para todos, no sentido de
no próximo ano podermos repetir os resultados agora obtidos e, se possível, com
mais presenças.
Como nota final, dá-se conta que entre o Encontro de
2017 e o deste ano o colectivo da CART 3494 perdeu mais três membros, a saber:
● António
Alves Ramos (sold) – Alvoco da Serra, Seia († 7 de Julho de 2017);
● Orlando
Bilro Bagorro (1º sarg) – Damaia, Amadora († ? de Fevereiro de 2018);
● Augusto
Vieira Fidalgo (sold) – Santa Marinha, Vila Nova de Gaia († 4 de Abril de
2018).
Considerando que estes casos não mereceram a devida
atenção durante o Encontro, por esquecimento colectivo, que só mais tarde foi
notado, importa agora reparar esse lapso tornando público estas ocorrências, ao
mesmo tempo que endereçamos aos familiares dos três camaradas falecidos as
nossas mais sentidas condolências.
Despedimo-nos
até ao próximo Encontro Anual – o XXXIV – a realizar no dia 01 de Junho de 2019,
sábado, no Município de Montemor-o-Velho, organização a cargo do camarada
António de Sousa Bonito. (Foto ao lado)
Até
lá…
Obrigado pela vossa atenção.
Com um forte abraço de amizade.
Jorge Araújo
(13JUN2018)
O Vicente, atarefado para controlar a escrita (organizador)
Vd poste convívio de 2017 em Tondela aqui: convivios, TONDELA 2017 |
quinta-feira, 31 de maio de 2018
P346 - PAIGC - BIGRUPO DE QUINTINO GOMES (PARTE II)
Caríssimo Camarada Sousa de Castro,
Os meus melhores cumprimentos.
Para concluir os estudos sócio-demográficos sobre os bigrupos
dos Cmdt Mário Mendes e Quintino Gomes, anexo a segunda, e última, parte.
É de referir que este segundo fragmento surge na sequência
de diversos comentários postados no Blogue da «Tabanca Grande», onde o estudo
foi divulgado inicialmente.
Até breve.
Com um forte abraço de amizade.
Jorge Araújo
Maio'2018.
PARTE I AQUI: UM NOVO OLHAR SOCIODEMOGRÁFICO DE UM BIGRUPO - O CASO DO BIGRUPO DO CMDT QUINTINO GOMES (1946-1972) - Jorge Araújo
GUINÉ
Jorge Alves Araújo,
ex-Furriel Mil. Op. Esp./RANGER, CART 3494
(Xime-Mansambo,
1972/1974)
GUINÉ: (D)O OUTRO LADO DO COMBATE
OUTROS ELEMENTOS SOCIODEMOGRÁFICOS DOS BIGRUPOS DOS CMDT
MÁRIO MENDES (1943-1972) E DE QUINTINO GOMES (1946-1972)
1. – INTRODUÇÃO
Não podia ficar indiferente
aos importantes contributos transmitidos pelos diferentes tertulianos nos seus
comentários, postados nos P18487-LG e P18493-LG, a propósito dos meus trabalhos
de investigação sociodemográfica tendo por universo dois bigrupos de
guerrilheiros do PAIGC, o primeiro relacionado com o do Cmdt Mário Mendes (1943-1972)
e este último com o do Cmdt Quintino Gomes (1946-1972), falecidos em combate em
Maio e Fevereiro de 1972, no Xime e em Empada, respectivamente.
A todos agradeço os seus
comentários de igual modo, mas com particular destaque para os do nosso amigo,
e colaborador permanente, Cherno Baldé, que continua a ajudar-nos a decifrar
alguns dos enigmas socioculturais dos seus pares e da sua terra, território
onde passámos mais de dois anos da nossa juventude. Obrigado!
Pelo superior valor que lhes
atribui, fui em busca de novos dados sociodemográficos de modo a alargar e/ou a
complementar os já publicados.
Em resultado dessa
investigação, curta no tempo mas bem-sucedida, apresento-vos abaixo o que
consegui apurar, agora no âmbito do “estado civil” de cada um dos sujeitos da
investigação, cujo tema poderá servir de ponto de partida para novas reflexões,
singulares e colectiva.
Mais uma vez a análise
centra-se nos documentos consultados no acervo de Amílcar Cabral disponíveis na
CasaComum - Fundação Mário Soares.
Quanto à data da elaboração das fichas de
inspecção e coordenação do Conselho de Guerra das FARP/PAIGC, acreditamos que
elas tenham ocorrido no início do ano de 1970, uma vez que os documentos agora
consultados, que também não estão datados, referem a existência da “Bateria
Especial Grad” da Frente Sul e que, como sabemos, foi criada no último
trimestre de 1969.
2. –
RESULTADOS DO ESTUDO SOBRE O “ESTADO CIVIL” DOS CONSTITUINTES DOS DOIS BIGRUPOS
O quadro abaixo foi elaborado
a partir das fichas de inspecção coordenação do Conselho de Guerra, já
publicadas anteriormente. Foi dividido por bigrupo, correspondente a cada um
dos Cmdt’s, e agrupado quantitativamente por frequências relacionadas com o ano
de nascimento de cada sujeito. Consideram-se apenas as duas variáveis
categóricas do “estado civil” referidas na ficha: solteiro e casado.
Não nos é possível referir o ano
da “união” ou “uniões”, por desconhecimento, uma vez que o segundo documento
consultado dá-nos conta da existência de casos de “poligamia”.
Na segunda coluna da esquerda
indicam-se as idades dos sujeitos no ano de 1970, por ser o ano (deduzimos) em
que foi elaborado o documento acima referido, respeitante ao número de sujeitos
“casados” em cada um dos bigrupos, número de mulheres e filhos, e que daremos
conta em quadros originais obtidos na investigação.
Quadro 1 –
distribuição de frequências em relação ao “estado civil” de cada bigrupo
Da
análise ao quadro 1, verifica-se que o bigrupo do Cmdt Quintino Gomes regista
sete “casados” (20.6%) em trinta e quatro casos, enquanto o bigrupo do Cmdt
Mário Mendes tem treze “casados” (34.2%) em trinta e oito casos.
Quando
comparados os dois bigrupos, e estratificadas as idades, constata-se que o
maior número de “casados”, três em cada bigrupo, nasceram no ano de 1946. O
bigrupo de Mário Mendes repete igual cifra em 1942.
Por
outro lado, os nascidos no ano de 1948 e seguintes, sete (9.7%) eram “solteiros”
(n=72), não existindo nenhum “casado”.
Da
análise ao quadro 2, verifica-se que os “casados” do bigrupo do Cmdt Mário
Mendes eram treze (34.2%), cada um com uma mulher. Dois “casados”, no mínimo,
não tinham filhos.
Quadro 3 –
distribuição de frequências dos “casados”, mulheres e filhos, do bigrupo do
Cmdt Quintino Gomes, tendo por base a região do Quinara (frente Sul)
Citação: (1963-1973), "Costureira numa tabanca",
CasaComum.org, Disponível HTTP: http://hdl.handle.net/11002/fms_dc_43991
(2018-4-6). (com a devida vénia).
|
3. –
CONCLUSÕES
Da
análise aos quadros supra concluímos:
1. Existe
diferença no número total de “casados” entre os dois bigrupos.
2. No
bigrupo do Cmdt Mário Mendes existe um rácio igual entre o número de homens e
mulheres, sendo que nem todas as mulheres têm filhos (ou são mães).
3. No
bigrupo do Cmdt Quintino Gomes, o número de homens é inferior ao das mulheres,
o que pressupõe a existência de casos em que há homens que têm mais do que uma
mulher (poligamia). Neste bigrupo, o número de filhos é superior ao número de
mulheres (mães) o que significa a existência de mulheres (mães) com mais de um
filho. Pode-se considerar, como hipótese académica, a existência de mulheres
sem filhos.
À vossa consideração.
Com um forte abraço de
amizade e votos de muita saúde.
Jorge Araújo.
25MAI2018.
quarta-feira, 16 de maio de 2018
P345 - UM NOVO OLHAR SOCIODEMOGRÁFICO DE UM BIGRUPO - O CASO DO BIGRUPO DO CMDT QUINTINO GOMES (1946-1972) - Jorge Araújo
Depois de um primeiro estudo sociodemográfico a um bigrupo do PAIGC, este relacionado com o Cmdt Mário Mendes (1943-1972), morto em combate na Ponta Varela (Xime) em 25 de Maio de 1972, facto ocorrido quatro semana depois de ter comando a força que nos atacou na Ponta Coli, em 22 de Abril desse ano, eis agora um segundo estudo.
Trata-se de um trabalho sobre o bigrupo do Cmdt Quintino Gomes (1946-1972), falecido em combate em Fevereiro do mesmo ano, em Empada, na Região de Quinara.
Esta narrativa é a primeira de duas partes.
GUINÉ
Jorge Alves Araújo,
ex-Furriel Mil. Op. Esp./RANGER, CART 3494
(Xime-Mansambo,
1972/1974)
GUINÉ: (D)O OUTRO LADO DO COMBATE
UM NOVO OLHAR SOCIODEMOGRÁFICO DE UM BIGRUPO
- O CASO DO BIGRUPO DO CMDT QUINTINO GOMES (1946-1972) -
1. – INTRODUÇÃO
No primeiro dia do ano de 2017
– P296 – apresentei neste espaço de partilha aquele que foi considerado o
primeiro estudo sociodemográfico de um bigrupo de guerrilheiros, com o título «Mário
Mendes (1943-1972) - O último Cmdt do PAIGC a morrer no Xime».
A vontade, o interesse e a
motivação para a realização deste estudo, nascera há quatro décadas e meia atrás,
naquele já longínquo «22 de Abril de 1972», sábado, e que no mesmo dia, mas do
ano seguinte (1973), correspondeu ao Domingo de Páscoa. E a principal razão
estava ligada ao meu “baptismo de fogo”, e ao do meu Gr Comb (o 4.º) da CART
3494, episódio dramático ocorrido no lugar designado por «Ponta Coli», na
estrada Xime-Bambadinca, local onde diariamente cada um dos 3 Gr Comb, em
regime de rotação, desempenhava a missão de garantir a segurança a pessoas e
bens, civis e militares, em trânsito de ou para Bissau, por via marítima.
Aí aconteceu o primeiro grande
combate da CART 3494, em que estiveram frente a frente, a uma distância de
escassas dezenas de metros, um efectivo de 20
operacionais, mais 2 condutores e o picador Malan Quité [NT], e um bigrupo
reforçado do PAIGC, superior a cinquenta unidades que, agindo de surpresa como
seria espectável, e habitual, nos procurou aniquilar. Alguns dias depois,
soube-se que tinha sido o bigrupo do Cmdt Mário Mendes.
Do outro lado,
ainda não consegui apurar as consequências de tamanha ousadia.
Quatro semanas
após ter organizado e comandado aquela emboscada na «Ponta Coli», voltaríamos a
estar com Mário Mendes e o seu grupo, em novo frente a frente, desta feita na
Ponta Varela (zona mítica do Xime), em 25 de Maio de 1972, 5.ª feira, quando este
se preparava para realizar nova “aventura”. Aí Mário Mendes viria a morrer, por
intervenção de elementos da CCAÇ 12 (ex-CCAÇ 2590), na acção «GASPAR 5», em que
participaram seis Gr Comb [três da CART 3494 e três da CCAÇ 12], tendo-lhe
sido capturada a sua Kalashnicov, bem como três carregadores da mesma e
documentos que davam conta do calendário das “acções” a desenvolver naquela
zona pelo seu bigrupo. [vidé P148 + P191 + P234 + P242].
Foi a partir desse(s)
palco(s) do TO, onde se praticava o “jogo da sobrevivência”, durante o qual se
fazia apelo à superação permanente, ou transcendência, individual e grupal, que
no meu processo cognitivo emergiram um certo número de questões/ interrogações,
por exemplo: “Quantos e quem eram aqueles que tinham estado à minha/nossa frente,
e se puseram em fuga passados 15/20 minutos? Quais os seus nomes? Onde
nasceram? Que idade tinham? Há quantos anos andavam naquela vida? Como viviam e
de que se alimentavam?... Ou seja, alguns enigmas da guerra.
Algumas das respostas consegui obter,
justamente, naquele primeiro estudo.
Hoje, passados quinze meses
após a realização desse primeiro trabalho, volto de novo ao fórum para
apresentar/partilhar um segundo estudo, concretizando, deste modo, uma promessa
que formulei a mim mesmo de o fazer logo que encontrasse uma amostra semelhante
à do primeiro. E isso aconteceu… e ainda bem!
Assim, utilizando a mesma
metodologia do primeiro caso, este novo estudo tem como universo o bigrupo do
Cmdt Quintino [Amisson] Gomes (1946-1972), morto em combate, em Fevereiro de
1972, nos arredores de Empada, região de Quinara, ao tempo da CCAÇ 3373 - “Os
Catedráticos de Empada”, ou seja, três meses antes do Cmdt Mário Mendes
(1943-1972).
2. – QUINTINO
[AMISSON] GOMES, CMDT DE BIGRUPO EM ACÇÃO NA REGIÃO DE QUINARA
O presente estudo
sociodemográfico sobre o bigrupo do Cmdt Quintino Gomes nasce por ramificação
da investigação que tenho vindo a realizar a propósito do “relatório
relacionado com as operações militares na Frente Sul”, acções efectuadas na
região de Quinara e de Tombali, durante o último trimestre de 1969, uma vez que
nele é referido o seu nome.
Soube que Quintino
Gomes era Cmdt do bigrupo do PAIGC e que actuava no Sector de Cubisseco de Baixo,
tendo por missão, até meados de 1969, controlar a
estrada de Nhala, que passa em Uana, antigo quartel das NT, em direcção a
Mampatá. Quintino Gomes nasceu em 1946
[desconhece-se o dia e o mês], na Vila de Empada, na região de Quinara. Era
casado. Em 1962 aderiu ao PAIGC, com 15/16 anos, como aconteceu com muitos
outros, de que é exemplo o caso de Mário Mendes, desde quando deu início à sua
actividade na guerrilha. Era Cmdt de bigrupo, pelo menos desde 1966, ano que
foram elaboradas pelo organismo de Inspecção e Coordenação do Conselho de
Guerra as listas [mapas] das FARP referentes à constituição dos bigrupos
existentes em cada Frente, conforme demonstra o exemplo abaixo, onde consta o
nome de Quintino Gomes e de mais trinta e três elementos.
Como reforço do acima
exposto, no “Relatório da Comissão de Inspecção das FARP para a Frente Sul e
Leste”, datado de 21 de Maio de 1969, e assinado por Pedro Ramos, consta que,
após reunião de 9-3-69 (Bigrupo de Quintino Amisson Gomes e de Pana Djata), “este bigrupo que se encontra estacionado a
uns quilómetros do antigo quartel inimigo [NT] de nome Uana (Tabanca) tem como
missão de controlar a estrada de Nhala, que passa em Uana em direcção a Mampatá.
Na primeira formação do bigrupo, este perdeu uma AK[-47]. A última operação
efectuada foi em 15-2-69 no aquartelamento de Nhala. O último contacto com o
Comando do sector foi em Janeiro de 1969. Com o Comando da Frente nunca tiveram
contactos no lugar de estacionamento. A última reunião do Comissário Político
do bigrupo com os combatentes teve lugar no dia 28-2-69. O comandante do
sector, o camarada Iafal Camará, declarou que tem reunido com os combatentes
sempre no fim de cada mês”.
Ainda no que concerne
ao Cmdt Quintino Gomes, o “Relatório sobre o Sector de Cubisseco de Baixo”,
elaborado por José [Eduardo] Araújo (1933-1992), datado de 10 de Dezembro de
1971 e enviado a Amílcar Cabral (1924-1973), refere que […] “Tive uma impressão muito boa do camarada Quintino
Gomes, comandante do sector, que tem rara “particularidade” de nunca ter visto
o Secretário-Geral, facto que lamenta. Da opinião de toda a gente trata-se de
um bom camarada. Escreve razoavelmente, o que significa que tem algum grau de
instrução primária [3.ª classe]”.
Dois meses depois
deste relatório, em [?] Fevereiro de 1972, Quintino Gomes morreria em combate
na Vila que o viu nascer – Empada.
Em 25 de Fevereiro de 1972, em
carta enviada a “Nino” Vieira (1939-2009), em resposta às suas missivas de 11
de Janeiro e 15 de Fevereiro [1972], Amílcar Cabral (1924-1973) lamenta a morte
do Cmdt Quintino Gomes nos seguintes termos: […] “Mas os camaradas têm que ter muito cuidado nos ataques, para não
acontecer o que se passou em Empada no último ataque [que teria sido antes
de 15Fev’72]. Lamento muito a perda do
camarada Quintino Gomes que era dos nossos melhores combatentes e quadros do
Partido. Discutiremos na próxima reunião da Direcção a tua proposta para que
seja considerado herói”.
Entretanto, no
passado domingo, 4 de Março de 2018, numa feliz coincidência para a conclusão deste
trabalho, o Correio da Manhã Jornal publica uma entrevista com um camarada (não
identificado, mas certamente o da foto abaixo) da CCAÇ 3373 (Empada, Mai’71 a
Mai’72), conduzida pela jornalista Fernanda Cachão.
Em função deste depoimento, não
me é difícil aceitá-lo como elemento factual relacionado com o episódio da
morte do Cmdt Quintino Gomes. Será que esta é também a opinião do fórum? [in: http://www.cmjornal.pt/mais-cm/domingo/detalhe/uma
-mina-levou-a-perna-ao-furriel-rente-ao-joelho? ref=HP_Ticker CMAoMinuto].
3. – RESULTADOS
DO ESTUDO
A partir dos dados contidos na lista acima [mapa],
que consideramos como os casos da investigação ou a “amostra de conveniência”, procura-se
compreender melhor quem estava do outro lado do combate. Com este propósito,
procedemos à organização de alguns desses dados referentes a cada um dos
sujeitos constituintes do “bigrupo de Quintino Gomes”, sobre os quais
pretendemos retirar conclusões.
Para o efeito, esses dados foram agrupados quantitativamente
e apresentados em quadros estatísticos de frequências (caracterização da
amostra por idade: a de nascimento e a de adesão ao Partido) e de quadros de variáveis
categóricas em relação aos restantes elementos (ano de adesão ao PAIGC e idade e
anos de experiência cumulativas ao longo do conflito).
Quadro 1 –
distribuição de frequências em relação ao ano de nascimento dos elementos do bigrupo
de Quintino Gomes (n-34)
Da
análise ao quadro 1, verifica-se que os anos de nascimento com maior
percentagem são dois; 1941 e 1945 (14.7%) com 5 casos cada, seguido de 1947
(11.8%), com 4 casos, e 1934, 1942 e 1944 (8.9%), em terceiro, com 3 casos
cada.
Quando
analisado por períodos, verifica-se que o maior número de casos (n-16) estão os
nascidos entre 1943 e 1947 (47.1%) (grupo central), entre 1933 e 1942 (n-13=
38.2%) (grupo dos mais velhos), e entre 1948 e 1952 (n-5=14.7%) (grupo dos mais
novos).
Quadro 2 –
distribuição de frequências em relação à idade de adesão ao PAIGC dos elementos
do bigrupo de Quintino Gomes (n-34)
Da
análise ao quadro 2, verifica-se que a idade com maior percentagem de adesão ao
Partido é 16 anos, com 7 casos (20.6%), seguida dos 17 e 21 anos, com 4 casos
cada (11.8%). As idades de 18, 19, 22 e 23, com 3 casos cada, valem no seu
conjunto 35.2%.
Quando
analisada a adesão ao Partido por períodos, verifica-se que o maior número de
casos (n-14) estão entre as idades de 14 e 17 anos (41.2%) (mais novos), seguido
pelos grupos de idade média, entre os 18 e 21 anos, e idade superior, entre os
22 e 30 anos (mais velhos), com 10 casos cada (29.4%).
Analisada
a adesão ao Partido entre os 18 e 23 anos, os valores apontam para uma maioria
relativa com 16 casos (47.1%), seguida por 14 casos nas idades inferiores (41.2%)
e somente quatro casos nas idades superiores (11.7%).
Quadro 3 –
distribuição de frequências em relação ao ano de adesão ao PAIGC dos elementos do
bigrupo de Quintino Gomes (n-34)
Da
análise ao quadro 3, verifica-se que o ano onde se registou maior adesão ao
PAIGC foi 1963 com 11 casos (32.4%), seguido de 1962, com 10 casos (um dos
quais Quintino Gomes) (29.4%). O ano de 1964 foi o terceiro com 7 casos
(20.6%).
Quando
analisada a partir da soma dos dois primeiros anos (1962 + 1963), anos de
preparação e início do conflito, a percentagem sobe para 61.8% (n-21).
Quadro 4 –
distribuição de frequências em relação à idade verificada ao longo do conflito,
contados após a adesão individual ao PAIGC, no caso dos elementos do bigrupo de
Quintino Gomes (n-34)
Da
análise ao quadro 4, e partindo da hipótese meramente académica de que o
bigrupo se manteve constante ao longo do conflito, pelo menos até Fevereiro de
1972, data da presumível morte de Quintino Gomes, este teria, então, vinte e
cinco/seis anos [sombreado castanho]. Os restantes elementos teriam a idade
referida na linha [sombreado verde] do ano de 1972.
Quadro 5 –
distribuição de frequências em relação ao número de anos de experiência na
guerrilha ao longo do conflito, contados após a adesão ao PAIGC, no caso dos
elementos do bigrupo de Quintino Gomes (n-34)
Da
análise ao quadro 5, e partindo da hipótese meramente académica apresentada no
quadro anterior, Quintino Gomes teria, no mínimo, nove anos de experiência na
guerrilha [sombreado castanho], bem como de outros nove combatentes. Os restantes
elementos teriam os anos de experiência referidos na linha [sombreado verde] do
ano de 1972.
1. –
CONCLUSÕES
Partindo da análise aos resultados apurados, apresentados nos
quadros acima, procedemos à elaboração de um último quadro (o 6.º), este
comparativo entre os dois comandantes de bigrupos, considerados como os “casos”
da investigação.
Quadro 6 – Elementos
sociodemográficos de comparação entre os sujeitos do estudo – Quintino Gomes
(n-34) e Mário Mendes (n-38) – a partir das variáveis categóricas em análise,
para efeito da elaboração de conclusões.
Da
análise ao quadro supra concluímos:
1.
- A diferença de idade entre ambos era de 3 anos, sendo Quintino Gomes o mais
novo.
2.
- Nasceram em locais diferentes separados por dois rios importantes da Guiné: o
Rio Geba e o Rio Grande de Buba; Mário Mendes mais a Norte (Região do Oio -
Frente Norte); Quintino Gomes, mais a sul (Região de Quinara - Frente Sul).
3.
- Ambos aderiram ao PAIGC no mesmo ano (1962), Quintino Gomes, com 15/16 anos,
e Mário Mendes, com 18/19 anos. Morreram em combate dez anos depois, também no
mesmo ano (1972), com uma diferença de três meses entre si. Cada um deles teria,
aproximadamente, o mesmo tempo de experiência como combatente.
4.
- Quanto às lideranças: Quintino Gomes foi Cmdt de um grupo de guerrilheiros
com média de idades mais alta (28.1/34, em 1972), quando comparada com a do
grupo do Cmdt Mário Mendes (27.9/38, em 1972).
5. -
Quanto às idades: a maioria dos elementos do grupo de Quintino Gomes eram mais
velhos que ele (n-20=58.8%) em comparação com os mais novos (n-9=26.5%). Por
outro lado, a maioria dos elementos do grupo de Mário Mendes eram mais novos
que ele (n-22=57.9%), enquanto os mais velhos eram metade dos mais novos
(n-11=28.9%).
Caso
surja outra oportunidade de investigação semelhante, prometo realizá-la e
partilhar no fórum os seus resultados.
À vossa consideração.
Com um
forte abraço de amizade e votos de muita saúde.
Jorge
Araújo.
11MAI2018.
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