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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

P 138: Situação Militar no Teatro de Operações da Guiné no ano de 1974 (Parte II)

  Mensagem de Luís Gonçalves Vaz, com data de 12JAN2012



Situação Militar no Teatro de Operações da Guiné no ano de 1974

Por: Luís Gonçalves Vaz  (filho do último Chefe do Estado Maior do CTIG, Coronel Henrique Gonçalves Vaz



(Parte II)


DOSSIÊ SECRETO (ou talvez não)


Adaptação/transcrição de Alguns Excertos do; "Relatório da 2ª Repartição do QG do CTIG”, autenticado pelo Chefe da 2ª Repartição, o Major de Infantaria, Tito José Barroso Capela.

Guerrilheiros do PAIGC - 1973
 (fotografias  de Bara István em http://www.fotobara.hu/galeria.htm)


 
Análise da actividade de guerrilha:

(…) Avaliado pelo quantitativo de acções a actividade de guerrilha da iniciativa do PAIGC em 1973, aumentou cerca de 35% em relação ao ano anterior. Por sua vez em 1974, no final de Abril, aquele quantitativo era 50% superior ao total registado nos primeiros quatro meses de 1973.
A acção do PAIGC vinha sendo caracterizada por um aumento significativo das acções de fogo, em detrimento das acções de terrorismo (raptos e roubos), orientando-se este, cada vez mais, para acções de terrorismo selectivo e sabotagens.
Era notória a evolução no sentido do abandono progressivo da actividade de guerrilha dispersa em superfície, em proveito das acções maciças contra objectivos definidos, obrigando a grandes balanceamentos de meios, por vezes, envolvendo elementos de todo o Teatro de Operações.
Estas características eram indicadores seguros do aumento de agressividade das FARP e da sua maior capacidade ofensiva, potencial e eficiência.


 
Baixas causadas pelo PAIGC (entre 1972 e 1974)


1972
1973
1973
Até 30 de Abril
1974
Até 30 de Abril

M

F

RC

M

F

RC

M

F

RC

M

F

RC
Nossas Forças

84

848

8

185

1173

8

33

288

-

81

426

2
População

104

449

496

123

462

35

40

184

9

40

152

2
LEGENDA: M- Mortos, F- Feridos, R- Retidos, C- Capturados



Guerrilheiro do PAIGC
(fotografias  de Bara István em http://www.fotobara.hu/galeria.htm)



 
Baixas sofridas pelo PAIGC (entre 1972 e 1974)


1972
1973
1973
Até 30 de Abril
1974
Até 30 de Abril
Referenciados
Confirmados
Referenciados
Confirmados
Referenciados
Confirmados
Referenciados
Confirmados
Mortos
523
427
538
412
194
162
125
112
Feridos
274
157
241
117
103
33
34
3
Capturados
98
98
39
39
21
21
6
6
Apresentados
13
13
21
21
12
12
33
33
Total de Baixas afetando o Potencial de Combate

634

538

598

472

227

195

164

151

Em reforço da conclusão precedente, menciona-se o aparecimento de novas armas durante o período considerado (Míssil Strella e viaturas blindadas) e um maior emprego de outras (Morteiro 120 mm, Foguetão 122mm, Canhão 85mm, Canhão 130 e minas especiais).
Finalmente, a situação militar revelou nítido agravamento a partir de Dezembro de 1973, em especial nas Zonas SUL e LESTE do Território.

uma coluna das nossas forças, regressa de mais uma missão.


Estimava-se que em 1973/74, o Potencial humano do PAIGC tenha atingido cerca de 7 500 combatentes, 4 500 integrados no Exército Popular e 3 000 nas Forças Armadas Locais. Além disso, os elementos disponíveis permitiam estimar que no princípio de 1974, se encontravam em instrução no CIPM de KAMBERA (dita Madina do Boé) cerca de 300 elementos por trimestre e que nos CI (centros de instrução) dos países de Leste da Europa e Cuba permaneciam 500 elementos dos seus quadros em diversos graus de preparação.

Um “heli” em missão de evacuação. Ao fundo, mas bem perto, ainda se vê o fumo dos rebentamentos do ataque do PAIGC. (Fotografias retiradas de http://entrefogocruzado.wordpress.com/guerra/)

Durante a ofensiva de Maio/Junho de 73 e 1º trimestre de 1974, foi referenciado a presença de elementos estranhos ao PAIGC, provavelmente mercenários, de tez clara, não se conseguindo avaliar o seu efectivo nem determinar a sua nacionalidade (ver nota do Coronel Henrique Gonçalves Vaz, Chefe do Estado-Maior do CTIG, de 7de Janeiro de 1974 "... Soubemos hoje á noite, que em Canquelifá, foram mortos em combate, 6 Cubanos (?) e mais 6 Africanos do IN (inimigo). Uma equipa Fotográfica do Batalhão Fotocine, seguiu de madrugada para lá, a fim de obter imagens. ...").
A evolução do material inimigo continuava a processar-se em ritmo crescente e, ao longo do período, foram detetadas novas armas na posse do PAIGC e maior quantidade de outras já existentes de entre as quais se destacam: Míssil SA-7 STRELLA (Soviético), Morteiro 120 mm, Foguetão 122 mm, Canhão 130 mm e viaturas Blindadas BRDM-2 . (…)


Quanto a meios aéreos, apesar de várias notícias o referirem com insistência, o PAIGC ainda não dispunha de Aviação para apoio aéreo eficaz. Sabia-se da existência de Aviões ligeiros na República da Guiné e era referenciado grande número de sobrevoos suspeitos, nomeadamente com MIG`s-17 e helicópteros. Admitia-se, entretanto que a situação evoluísse, e que o PAIGC pudesse vir a dispor de alguns aviões ( cedidos pela República da Guiné), pois sabe-se de fonte segura, que estavam na Rússia, para frequentar um curso de pilotagem (desconhece-se o tipo de avião), 28 recrutas do PAIGC. (…)
MiG -17

Neste contexto, em Abril de 1974 (Revolução de Abril), face ao aumento do Potencial militar do PAIGC, ao recrudescimento da guerrilha que se verificava desde Abril de 1973, a alguns êxitos espectaculares da mesma (abandono de GUILEGE, no SUL, e COPÁ, no LESTE) e ao alastramento de atos de sabotagem ou terrorismo aos principais centros Urbanos, incluindo Bissau onde o próprio QG/CTIG não foi poupado (Ver nota do Coronel Henrique Gonçalves Vaz, Chefe do Estado-Maior do CTIG, de 22 de Fevereiro de 1974, "... Cerca das 19h e 10 min, quando me encontrava na gabinete do brigadeiro Comandante Militar, com este e com o Brigadeiro 2º Comandante, rebentou um explosivo colocado na casa de banho que a destruiu, assim como algumas das dependências contíguas. A forte deslocação do ar, rebentou a porta e os vidros que foram projectados em frente, onde se encontrava o Brigadeiro 2º Comandante, de pé, e que caiu na direcção onde eu me encontrava sentado. O Brigadeiro Comandante Militar sentado na minha frente ainda sofreu. O 2º Comandante foi levado para o Hospital de Bissau, visto sangrar bastante de uma ferida na parte posterior da cabeça. Eu tive leves arranhões, de que me tratei no posto de saúde da C.C.S.. Estavam também presentes, no Gabinete Central, o Major Ferreira da Costa e o Tenente Abrantes ….Ninguém ficou ferido gravemente. Foi um verdadeiro milagre! ...",) o anterior sentimento de proteção pela força existente no seio da população que se acolhia junto das nossas tropas estava muito afetado. Para isso muito contribuía a redução das evacuações por meios aéreos, originando pelo aparecimento dos mísseis STRELLA, e a fraca dissuasão obtida pela artilharia das nossas tropas face aos frequentes ataques com Foguetão 122mm. Começaram a ser frequentes os pedidos, formulados por diversas Povoações, solicitando melhor proteção e que as guarnições fossem dotadas de armamento mais eficaz, em especial artilharia de maior alcance que o Fog. 122mm (cerca de 25 000 metros).


Continua…

Adaptado por:  Luís Gonçalves Vaz  (Tabanqueiro 530)




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