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segunda-feira, 14 de outubro de 2013

P190 - O “JOGO DA BOLA” NOS INTERVALOS DA GUERRA DE GUERRILHA - Memórias de há 40 anos do Xime-Bambadinca-Mansambo, 1972-74 (JORGE ARAÚJO)

1. Msg de Jorge Araújo, ex. Fur. Milº Op. Esp. Ranger, da CART 3494, com data de 14OUT2013 apresentando um tema deveras interessante, que é o desporto nos intervalos da guerra de guerrilha, sendo o futebol o de maior destaque, aquele que em qualquer companhia se disputava, defrontando por várias vezes equipas locais africanas, para além de outras modalidades, nomeadamente o voleibol. Como diz o  Jorge Araújo, cito;[tema pouco abordado neste contexto], que tem passado um pouco ao lado, quer neste como em outros blogues referentes à guerra do Ultramar. 
Reconheço nas fotos apresentadas, pelo menos três camaradas que já não se encontram entre nós, o Sousa Pinto (Furriel), faleceu em 01ABR2012,  Rogério Tavares da Silva (soldado TRMS), faleceu em 16JUN2002 e o Manuel da Cruz Ramos (1º cabo apontador morteiro 81mm), faleceu em 22NOV2012sem esquecer (para além dos que foram vítimas da guerra) todos os outros, que deixaram de pertencer ao mundo dos vivos, por acidentes de viação, doença prolongada e outras causas. 
Os seus nomes:
Joaquim de Jesus Fernandes (fal. P/acidente 29AGO1992)
Manuel Pais Moreira (Fal. 1996)
Silvino Vaz da Rosa e Silva (faleceu 09MAR2002)
Adão Manuel Gomes da Silva (Fal. OUT. 2009
Ilídio Ferreira Amaral (Fal. 17ABR2009
Joaquim Torres Trindade (data desconhecida)
Laurentino Bandeira dos Santos (data desconhecida)
António da Costa (data desconhecida)
Victor Manuel Ponte da Silva Marques (data desconhecida)

Por outro lado apelo aos camaradas que nos lêem para que me façam chegar as suas ESTÓRIAS acompanhadas de fotos, para que todos nós revivamos os momentos que de alguma forma fazem parte da nossa vida.
SC 

2. Caríssimo Camarada Sousa de Castro.
Os meus melhores cumprimentos.
Para o baú de memórias da CART 3494, de que o nosso blogue é o fiel depositário, anexo mais um apontamento histórico sobre algumas das experiências colectivas vividas no cenário militar do Comando Territorial Independente da Guiné (CTIG), nos anos de 1972 a 1974.
Trata-se de um tema pouco abordado neste contexto, mas que merece, tal como os outros, um espaço de debate e de contraditório.
Espero merecer a V. concordância.
Obrigado pela atenção.

Um forte abraço para todos os FANTASMAS DO XIME.

Jorge Araújo,

Outubro/2013

O “JOGO DA BOLA” NOS INTERVALOS
DA GUERRA DE GUERRILHA
- Memórias de há 40 anos do Xime-Bambadinca-Mansambo (1972-74) 
Revisitando o baú de memórias relacionadas com as vivências e experiências que fazem parte do nosso currículo militar construído no CTIGuiné, entre 1972 e 1974, organizadas por contexto e estruturadas segundo uma classificação que varia entre factos bons e menos bons (ou maus!), eis que, pelo presente, vos quero dar conta de uma prática lúdica que, tradicionalmente, ocorria a meio da tarde, depois de cumpridas as principais tarefas impostas pelo sistema.
Era, então, o tempo da prática a que chamo do «jogo da bola», vulgo futebol, e que despertava sempre grande entusiasmo no seio da nossa companhia (provavelmente de todas as unidades, das menos às mais numerosas), estando sempre garantida forte adesão, quer fosse na qualidade de agentes activos (os jogadores), quer se tratasse de agentes passivos (os assistentes), fenómeno que continua a ser recorrente nos dias de hoje.
Contudo, era necessário a existência do objecto que dá sentido ao jogo – a bola – suscitando, a partir de então, um desejo crescente de a pontapear, constituindo-se, por essa via, como um poderoso meio de socialização. Esta bola mágica, como lhe chamam muitos estudiosos do fenómeno, porque tem a propriedade de entrar em movimento em função das suas diferentes dimensões: direcção, colocação, velocidade, rotação ou trajectória, faz depender o seu resultado da acção exógena que sobre ela é exercida. Deste modo, esta bola (todas as bolas!) tem, assim, um movimento variável e aleatório, por via de seguir um itinerário dependente do modo como é impelida, batida ou arremessada. Daí se considerar que a bola continua a ser um brinquedo que exerce sobre o homem, jovem ou adulto, uma atracção que se renova permanentemente.
Praticada nos intervalos da guerra de guerrilha, esta que por definição emerge da táctica que utiliza (ataques rápidos seguidos de fuga; confronto indirecto; emboscadas; ataques surpresa, por via da grande mobilidade dos seus intervenientes), o «jogo da bola» contribuiu, de facto, para o desenvolvimento de competências relacionadas com factores tácticos, técnicos, psicológicos e físicos, quando analisado numa perspectiva endógena de superação ou transcendência de que cada jogo está impregnado, e que ajudou a lidar melhor com o “jogo do gato e do rato”, fintando o melhor possível as dificuldades/adversidades colocados pelo IN.
Quando surgia a dita «bola mágica», logo nascia a vontade de a fazer rolar, organizando-se grupos informais, ainda que alguns dos seus intervenientes se encontrassem na fase de aprendizagem, garantindo, a maioria das vezes, sucessivas desforras ou “tira teimas” logo que possível, em função dos resultados, mas que acabariam por se revelarem de importantes no reforço da coesão de todo o colectivo da CART 3494.
Concluído cada «jogo da bola», o processo de socialização mudava de terreno de prática, sendo transferido para o bar, onde os golos tinham outro sabor, e as conservas e outros alimentos eram digeridos, igualmente, com grande prazer e satisfação. Aqui a vitória estava sempre garantida.
Pelo exposto, os testemunhos fotográficos que seguidamente apresentamos por ordem cronológica, reportam a momentos onde a câmara esteve presente. A qualidade de cada uma não é a melhor, mas não nos podemos esquecer que todas elas têm mais de quarenta “chuvas”, de vida. É obra!
Espero que gostem de recordar os vários locais referidos: Xime-Bambadinca-Mansambo, em particular aqueles que nelas estão incluídos, pois foi esse o principal objectivo que me moveu ao escrever mais esta retrospectiva histórica.

FOTOGALERIA:

Foto n.º 1 – Xime (Abril/1972) – Eu com uma postura à imagem e semelhança do saudoso José Maria Pedroto (1928-1985), nascido na Freguesia de Almacave, Município de Lamego, cidade incluída no meu itinerário militar, por aí ter concluído a especialidade de “Operações Especiais”, no complexo de Penude.

Foto n.º 2 – Xime (Abril/1972) – uma equipa do 4.º GComb, o grupo que sofreu duas emboscadas na Ponta Coli – a 1.ª em 22.Abr.1972; a 2.ª em 01.Dez.1972 (Vd. Postes: 148 e 152).
Na 1.ª linha, da esquerda para a direita, estão o Teixeira (soldado), o Bento (furriel), o Araújo (furriel), o Sousa Pinto (furriel) e o Monteiro (1.º cabo).
Esta imagem foi obtida três semanas antes da 1.ª emboscada, onde viria a falecer o camarada Furriel Manuel Bento, natural da Ponte de Sor, e que seria a única baixa em combate registada pelo contingente metropolitano da CART 3494.

Foto n.º 3 – Xime (Abril/1972) – uma equipa mista da CART 3494. Imagem obtida quinze dias antes da 1.ª emboscada na Ponta Coli, com destaque, na 1.ª fila, para o furriel Manuel Bento (o 1.º da direita) e o furriel Sousa Pinto (o 2.º da esquerda), falecido em 01.Abr.2012

Foto n.º 4 – Xime (Abril/1972) – fase muito animada de um «jogo da bola» no centro da parada do aquartelamento.

Foto n.º 5 – Bafatá (28.Jan.1973) – Equipa da CART 3494 que se deslocou a Bafatá para realizar um jogo com um misto de militares aquartelados naquela região.

Foto n.º 6 – Bafatá (28.Jan.1973) – imagem referente aos preparativos de regresso ao Xime, após a conclusão do jogo.
Foto n.º 7 – Bafatá (28.Jan.1973) – imagem referente à fase que antecedeu o início do jogo.

Foto n.º 8 – Bafatá (28.Jan.1973) – imagem após a conclusão do jogo.

Foto n.º 9 – Mansambo (Abril/1973) – equipa de sargentos/oficiais organizada após a transferência do Xime para Mansambo, ocorrida em Março/73, em substituição da CART 3493, deslocada para Cobumba, localidade situada em pleno Cantanhez.
Em 1.º plano, da esquerda para a direita: os Furriéis: Araújo, Ferreira, Oliveira e Godinho. Em 2.º plano, segundo a mesma ordem: Correia (Alferes), Luciano Costa (Capitão – o 3.º da Companhia), Jesus (Furriel) e Araújo (Alferes).
Foto n.º 10 – Bambadinca (30.Set.1973) – Equipa mista constituída por elementos da CCS do BART 3873 e da CART 3494, escalada para os jogos (dois) com a CCS do BCAÇ 3872 (Galomaro).
Em 1.º plano, da esquerda para a direita: Costa, Ferreira, Romão, Sousa e Adérito. Em 2.º plano: Mesquita, Santos, Carrasqueiro, Alberto, Rainha, Araújo, Gonçalves e Oliveira.

Foto n.º 11 – Bambadinca (Nov./1973) – Imagem obtida no campo de futebol de Bambadinca (instalações do BART 3873), a meio da tarde, num contexto informal de prática lúdica.
Na sequência da nossa deslocação a Galomaro, o meu prémio do jogo foi a ocorrência de uma lesão no rádio (osso), entre o estilóide radial e o escafóide, do braço esquerdo, obrigando-me a andar durante cinco semanas com ele engessado, como aliás, é possível observar na foto. Do meu lado direito, e entre postes, está o ex-Furriel Comando Américo Costa, colocado na CCS do Batalhão.
Agora que leram o meu escrito e viram as imagens, com as referências em rodapé, façam o favor de as comentar, dizendo o que vos vai na alma.
Fico a aguardar as V. prezadas notícias.
Um forte abraço para todos, com muita saúde e energia.
Jorge Araújo.
Outubro/2013.

3 comentários:

Anónimo disse...

Jorge Um grade abraço extensivo á cart 3494.
Obrigado

António Bonito

Anónimo disse...

Ricardo Teixeira
Um grande abraço para vós e para todos aqueles que nos acompanharão nos bons ,e menos bons momentos no Xime em Mansamba.E ainda na ponte cole(se era assim que se chamava)

Henrique Jales Moreira disse...

É sempre bom recordar e reviver os acontecimentos passados, na nossa GUINÉ.
Sentimo-nos unidos e por isso mais Felizes.
Um grande abraço do Jales Moreira.