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sábado, 14 de fevereiro de 2009

P22: NOMES PRÓPRIOS DA GUINÉ-BISSAU


- Mensagem de António Marques Lopes, ex. Alf. Milº da CART 1690, Guiné - Geba, hoje Coronel (DFA) na situação de reforma.










Do "Contributo" de Fernando Casimiro

www.didinho.org


 NOMES PRÓPRIOS DA GUINÉ-BISSAU



Filomena Embaló
Vários foram os pedidos que nos chegaram solicitando uma lista de nomes próprios da Guiné-Bissau. Aqui fica um apanhado por ordem alfabética, não exaustivo e que poderá ser completado a todo o momento com novas contribuições. Infelizmente, não estão contemplados todos os grupos populacionais da Guiné-Bissau por não termos conseguido informações dos nomes seus.
Para cada nome indicamos o género, a etnia a que corresponde e, na medida do possível, o significado.
Provavelmente, existem imprecisões ou mesmo erros nos significados, ortografias e etnias atribuídas aos nomes. Assim, todos os comentários, sugestões, acréscimos e correcções serão bem-vindos.
A realização desta recolha foi possível graças às informações dadas pelos nossos colaboradores:
Fernanda Tavares
Solita Fernandes
Nu Barreto
A. Marques Lopes
Incanha Intumbo
Armando Albino Arafã
Enfamara Cassamá
Augusto Gomes

Abreviaturas e símbolos usados:

n.f. : nome feminino
n.m. : nome masculino
n.f. e m. : nome feminino e masculino
sig: significado
* : Ver o texto Discutindo a morfologia de alguns nomes balantas, de Incanha Intumbo.
lista de nomes
Abess (n. f. manjaco)
Abna* (n. m. balanta) Forma o verbo abá ‘matar’.
Acubodon (n. m. bijagó) sig. : nunca mais acontecerá
Ádama (n. f. fula)
Adul (n. m. fula)
Adulai (n. m. fula)
Akadite (n. m. bijagó) sig. : não deve ser informado
Alanan* (n. f. balanta) sig. em crioulo: "kin ki misti" , em português: “quem quer”
Alanso (n.m. mandinga) sig. : “Deus ajuda-me”.
Alarba (n. m. fula) sig.: quarta-feira. Nome dado aos rapazes nascidos numa quarta-feira
Alcamussa (n. m. fula) sig.: quinta-feira. Nome dado aos rapazes nascidos numa quinta-feira
Alfa (n. m. fula)
Alimatu (n. f. fula)
Amaiaptak (n. f. manjaco)
Amandepiodj (n. f. manjaco)
Amankana (n. f. manjaco)
Aminata (n. f. fula)
Ammbodina (n.f. bijagó)
Ansumane (n. m. fula e mandinga)
Apily (n. f. manjaco e pepel)
Apodida (n. m. bijagó)
Applop (n. f. manjaco)
Aputi (n. m. pepel)
Arafin (n. f. manjaco)
Assete (n. f. e m. fula) sig.: sábado. Nome dado às meninas nascidas num sábado
Aua (n. f. fula)
Aulé (n. f. balanta) Nome próprio, possivelmente derivado de uule (dialecto de fora) ou aule (dialecto de kentohe) ‘irã’, espécie de divindade na religião animista professada por grande parte dos povos Guiné-Bissau.
B aconteceraensen (n. m. bijagó)
Babetida* (n. f. balanta) sig.: «só vós» ou «só eles» e plausivelmente « só nós ».
Bacar (n. m. Mandinga)
Bacari (n. m. fula)
Baciro (n. m. mandinga e fula)
Bacoah (n. f. mancanha)
Bapam (n. m. mancanha)
Bela (n. m. fula)
Bera (n. f. biafada)
Besna* (n. m. balanta), sig: afugentem
Biankeia Nansanca* (n. f. balanta)
Bidinté (n. m. balanta) (Cf. Nota 4 – BAL); dinte, forma do verbo din’a, ‘tocar’, ‘apertar’.
Binhaté* (n. balanta, f. m. embora designe com maior frequência indivíduos do sexo feminino), sig: ficaram
Binta (n. f. fula)
Blulé (n. m. balanta) sig. : retirar uma coisa oferecida. Possivelmente aglutinação do bi- com a forma do verbo lulana ‘enganar’, no sentido de darmos algo a alguém mas retiramo-lo imediatamente, porque nunca tivemos intenção de lho dar.
Boar (n. f. mancanha)
Bobo (n. m. fula)
Bocamir (n. m. mancanha)
Bocar (n. m. fula)
Botche (n. m. fula)
Braima (n. m. fula)
Brinsan (n. f. balanta) sig. em crioulo: « guarda comberça », em português: « guardar segredo » Possivelmente bi- (pronome indefinido) rin ‘guardar’ san ‘conversa’.
Bubacar (n. m. Fula e mandinga)
Bubo (n. m. balanta) Pode tratar-se de um decalque de um nome não balanta.
Bufétar (n. m. manjaco) sig. : “Amigo/camarada”. Quando os pais, com orgulho, entendem que a vinda do recém-nascido trouxe harmonia na casa e na tabanca.
Busnassum* (n. balanta) sig. : ‘não se metam’ ou ‘abstenham-se”. Por vezes, há contradições entre os habitantes de uma aldeia e que, embora de cunho doméstico, muitas vezes dão origem a graves conflitos. Quando uma das pessoas envolvidas numa dessas desavenças vier a ter um bebé, a criança pode chamar-se assim.
Cadidjatu (n. f. fula)
Cadija (n. f. fula)
Cadja (n. f. fula e mandinga)
Calmicia (n. f. crioulo)
Camary (n. m. bijagó) sig. : ainda existe
Campuny (n. f. bijagó) sig. : rapariga
Capunoo (n. f. bijagó)
Clode (n. m. balanta) sig. : morte
Coli (n. m. fula)
Compotch (n.m. manjaco) sig: criança
Conco (n. f. fula)
Corca (n. m. fula)
Cumcero (n. m. bijagó)
dado a uma criança desejada.
Dallá (n. f. biafada)
Demba (n.m. fula)
Djabu (n. f. mandinga)
Djidere (n. m. fula)
Djiu de Nfanda* (n. m. balanta). Nome do marido de Ntobikte Nfanda é tipicamente um nome balanta.
Djuma (n. f. fula) sig. : “sexta-feira”. Nome dado às meninas nascidas numa sexta-feira
Ecurubu (n. m. bijagó)
Edanne (n. m. bijagó) sig. : não vou
Fali (n. m. Fula)
Fatumata (n. f. fula)
Fodé (n. m. fula)
Fodéba (n. m. mandinga)
Genabo ou Genaba (n. f. fula)
Ghacacane (n. m. bijagó) sig. : errado
Ghammura (n. m. bijagó) sig. : mutilado ou pigmeu
Gibril ou Gibrilo (n. m. fula)
Guidom (n. m. fula)
Hérr (n. m. biafada)
Idrissa (n. m. fula)
Imoutone (n. m. bijagó)
Infali (n. m. mandinga)
Iofna (n. m. balanta) sig.: sede superiores, sejam superiors.
Isnabá* (n. m. balanta) sig.: ‘deixem-nos’
Iurna* (n. m. balanta) sig.: ‘gabem-se’ .
Kausso (n. m. biafada)
Kuluté (n. m. balanta) Nome tipicamente Balanta
Kummempe (n. m. bijagó)
Kundjenne (n. m. bijagó) sig. : eles é que viram
Lânica (n. f. mancanha)
Maimuna (n. f. fula)
Malam (n. m. fula e mandinga)
Mamadjan (n. m. fula)
Mamadu (n.m. fula)
Mamudo (n.m. fula)
Mariama (n. f. fula)
Masimô (n. m. biafada)
Mera (n. f. fula)
Meta (n. f. e m. mandinga) sig. : “Aquele(a) que é esperado(a) há muito tempo”. Nome
Midana* (n. balanta) sig. : “Não leve em conta / releve / jogue tudo para o alto”. Por vezes, há contradições entre os habitantes de uma aldeia e que, embora de cunho doméstico, muitas vezes dão origem a graves conflitos. Quando uma das pessoas envolvidas numa dessas desavenças vier a ter um bebé, a criança pode chamar-se assim.
Mumine (n. f. e m. fula). Nome dado à criança nascida depois do falecimento do pai.
N Coronho (n. f. bijagó) sig. : do régulo
N Djimbala (n. f. biafada)
N Kandaí (n. f. biafada)
N Tchassó (n. f. e m. biafada)
N’Bullandé (n. f. balanta) sig. :‘Puxem-se’.
Naiana (n.m. manjaco e balanta)
Nala (n. f. mancanha)
Nanhara (n.f. bijagó)
Nassim (n. m. manjaco) sig. : “Chefe da aldeia”. Nome dado pelos pais, sobretudo o pai, quando aspiram que o filho venha a reinar, ou, ainda, quando os pais pertencem a uma família de linhagem nobre.
N'dafá (n. m. balanta)
Ndami (n. m. balanta)
Ndjiia (n. f. mandinga)
Ndjomboco (n. m. mandinga)
Nhinoi (n. f. bijagó) sig. : estou contente
Nhinte* (n. m. balanta)
Ntchôba* (n. m. balanta) Tcho – forma de tchoá ‘proibir’
Ntinhina* (n. balanta) sig : continuar a olhar (estou atento). Nome que pode ser dado a uma criança de cuja saúde todos duvidam porque a mãe teve uma gravidez difícil, mas que no entanto nasceu de boa saúde. Se a mãe se surpreender a olhar longamente para o filho nos primeiros momentos da vida deste, a criança pode vir a chamar-se Ntinhina.
Nuunu (n. f. manjaco)
Ocante (n. m. pepel)
Okoba (n. m. bijagó)
Okotlôh (n. m. pepel)
Ommona (n. f. bijagó) sig. : de Ancamona
Onor (n. f. mandinga)
Onua (n. m. bijagó) sig. : ele chegou
Opuda (n. m. bijagó)
Orandische (n. m. bijagó) sig. : que nunca foi dito
Orangona (n. f. bijagó) sig. : que veio de Orango
Orisaro (n. f. bijagó)
Oronnho (n. m. bijagó) sig. : régulo
Osemene (n. m. bijagó) sig. : hóspede
Oteadissa (n. m. bijagó) sig. : o pai de
Pansau* (n. m. balanta) sig: a casa acabou-se (todos os membros da família morreram ou emigraram)
Quecuta (n. m. fula e mandinga)
Quedmil (n. f.?, m. ?, origem?)
Quinta (n. f. crioulo) sig. : nascida numa quinta-feira
Ramatulai (n. f. fula)
Sábado (n. f. crioulo) sig. : nascida num sábado
Sabaro (n. f. e m. mandinga) sig. : Quer dizer “perseverança”.
Saia (n. f. fula)
Saico (n. m. fula)
Sakala (n. m. biafada)
Sali (n. f. fula)
Salimata (n. f. fula)
Salimatu (n. f. fula)
Sáliu (n. m. fula)
Samba (n. m. fula)
Sambaru (n. m. fula)
Sangonhá (n. m. biafada)
Segunda (n. f crioulo.) sig. : nascida numa segunda-feira
Serifo (n.m. fula)
Seteh (n. f. bijagó)
Silá (n. m. fula)
Sola (n. f. fula)
Some (n. f. balanta) sig. : cadáver
Soná (n. f. fula)
Sori (n. m. fula)
Soriba (n. m. mandinga)
Suleimane (n. m. fula)
Sumba Nablata* (n. m. balanta)
Suquel (n. f. fula)
Taí (n. f. fula)
Talara (n. f. fula) sig.: terça-feira. Nome dado às meninas nascidas numa terça-feira
Talibé (n. m. fula)
Tcherna* (n. f. balanta) sig. em crioulo: « bô dispreza », em português: « vocês desprezaram»
Tcherno (n.m. fula)
Tchetaná*(n. m. balanta) sig.: estar de pé
Teném (n. f. fula) sig.: segunda-feira. Nome dado às meninas nascidas numa segunda-feira
Tenemba (n. f. fula e mandinga)
Tidjane (n. m. fula)
Úmaru ou Úmaro (n. m. fula)
Ummbouka (n. m. bijagó) sig. : que devia sentar-se
Upa'Brenh (n.m. manjaco) sig: rapaz do mato
Upa'Brindjan (n.m. manjaco) sig: rapaz da morança de Brindjan
Upa'Brungal (n.m. manjaco) sig: rapaz de cabaceira
Upa'Kalinganar (n.m. manjaco)
Upa'Kantany (n.m. manjaco) sig: rapaz de corda
Upa'Karungal (n.m. manjaco) sig: rapaz da morança[i] de Carungal
Upa'Nalipy (n.m. manjaco) sig rapaz esperto
Upa'Ptak (n.m. manjaco) sig: rapaz da morança de Cambua
Upa'Ter (n.m. manjaco) sig: rapaz de Jeta); a palavra "Ter", significa Jeta...
Uri (n. f. e m. fula) sig. : Vida
Ussumane (n. m. fula)
Wan (n. m. balanta) Possivelmente de wa ‘vamos’.
Watna (n.m. balanta) Possivelmente de wate ‘ir(embora)’, (Cf. Exemplo 1) Uma tradução aceitável seria ‘força, vamos embora’, podendo ser equivalente ao ‘nô pintcha’ do crioulo guineense.
Yamasse (n.f. m. bijagó) sig.: não podem
Yamate (n. m. bijagó) sig. : ainda estão de pé contra mim
Yammauka (n. f. bijagó) sig. : ainda estão sentados
Yammegho (n. f. bijagó) sig. : queriam que
Yatira (n. f. bijagó) sig. : ainda não conseguiram
Yetán (n. m. biafada)


Rec msg de Aua em forma de comentário em 16/03/2021 informando o significado do nome [Fula] feminino "Aua" e "Adama" aqui: 

Olá!!
Meu nome é Aua, e minha mãe disse que nome Aua é da primeira mulher, ou seja, Aua é como dizer Eva. Na religião muçulmana, Aua é Eva, e Adama é Adão.
Espero ter ajudado, abraço! 
NOMES DE CASA[ii]

Baifass (n.m. crioulo) sig.: vai rápido. Nome (nome de casa) dado a crianças cujas mães tiveram nados mortos. Chama-se assim os recém nascidos para "enganar" a sorte ou então deita-se o bebé perto de uma fonte e aguarda-se que alguém o recolha para criar, afastando de si a “alma ciumenta” que não quer que se tenha um filho.
Cudjido (n. m. crioulo) sig.: recolhido. Nome (nome de casa) dado a crianças cujas mães tiveram nados mortos. Chama-se assim os recém nascidos para "enganar" a sorte ou então deita-se o bebé perto de uma fonte e aguarda-se que alguém o recolha para criar, afastando de si a “alma ciumenta” que não quer que se tenha um filho.
Negado (n. m. crioulo) sig: negado. Nome (nome de casa) dado a crianças cujas mães tiveram nados mortos. Chama-se assim os recém nascidos para "enganar" a sorte ou então deita-se o bebé perto de uma fonte e aguarda-se que alguém o recolha para criar, afastando de si a “alma ciumenta” que não quer que se tenha um filho.



[i] conjunto de habitações pertencentes à mesma família
[ii] Ver Nomi di kasa de Jorge Ampa, Papia 1, 2 1991 , p. 119-121, http://www.unb.br/il/liv/public/ampa.htm

NOMI DE KASA - Jorge Ampa
MORFOLOGIA DE NOMES BALANTAS Incanha Intumbo 24.01.2009
PUBLICAÇÃO INICIAL - 11.01.2009
Actualizações:
18.01.2009
24.01.2009


VAMOS CONTINUAR A TRABALHAR!
Projecto Guiné-Bissau: CONTRIBUTO


Nota:Comentário, com data de 22 de Julho de 2016 de MANSAFAKORIM, pedi para que se apresentasse, mas até agora não respondeu, mesmo assim por achar que o texto vem valorizar os nomes próprios da Guiné resolvi transcreve-lo aqui.
SdC


mansafakorim disse...

Acho este exercício interessante, pelo que decidi dar a minha contribuição na medida do possível. Antes de mais queria chamar a atenção para o facto de ter reparado que muitos nomes atribuídos aos fulas, são nomes de origem árabe e por conseguinte comuns as etnias ou pessoas islamizadas.
Esses nomes são comuns aos Fulas, Mandingas, Beafadas, mansoancas garandi (islamizados), Balanta mane, Cssangas e Banhuns (islamizados), padjadincas, Manjacos de pelundo, Saracoles etc. etc. Em Gambia, Senegal e Guiné Conakry existem pessoas de diferentes etnias mas que tem em comum a religião islâmica.
Eis alguns exemplos que constam da lista:
- Adama; Adul (abreviatura de Adulai que e o mesmo que Abdulai em mandinga e outras etnias).
- Aminata; (tem como abreviatura Ami), Aua.
- Bacar; Atribuído á etnia mandiga mas entra na categoria de nome de origem islâmico, por isso transversal a todos os grupos ou pessoas islamizadas.
- Bacari; Trata-se de uma deturpação de Bacar.
- Cadidjatu (cadidja, cadja e cadi são todas abreviaturas de cadidjatu).
- Conco; É nome tipicamente mandinga e significa fome e também meio-quarto que se constrói na parede lateral ou frontal de uma casa. Mas é normal encontrar esse nome também nos fulas e outras etnias em virtude de cruzamento por casamentos.
- Dalla; (mandinga e beafada).
- Fode; (Titulo na religião islâmica, mais usado pelos mandingas e etnias afins do que própriamente fula).
- Gibril; (anjo Gabriel, transversal aos islamitas).
- Idrissa; Outro nome transversal.
- Infali; (Ali genro do profeta e por deturpação o nome Aliu é o mesmo que Infali), daí ser também transversal.
- Kausso; Nome tipicamente e originalmente Djakanka.
- Malam; (Nome do profeta), transversal. Mamadu, Malam, Malamine sao as diferentes formas de chamar o profeta.
- Mariama; Transversal.
- Quecuta; (Mandinga original tipicamente, significa homem novo, mais comum em mandingas e afinas (beafadas, padjadincas, mansoancas garandis, etc)
- Sali; (abreviatura de salimata), transversal.
- Serifo; (Estatuto na religião islâmica), transversal.
- Sona; (Mais comum nos mandingas e afins e menos nos fula).
- Suleimane; Transversal.
- Tenenba; Mandinga. O sufixo ba significa o mais velho.
- Umaro; (nome de um dos próximos do profeta), transversal.
Penso que o objetivo deste exercício é indicar nome típico de uma determinada etnia e se possível o respetivo significado.

Eis alguns nomes mandinga:

- Alamuta, (Fé em Deus)
- Alanso, (Oferta de Deus)
- Buntum, (Celeiro)
- Suntucum, (Lixeira)
- Coba, (cozinha)
- Cairaba, (Felicidade)
- Caramo, (Mestre)
- Queba, (Velho)
- Queluntam, (Hospede macho)
- Quendim, (Homem pequeno)
- Quemessen, (Homem magro)
- Quedjan, (Homem alto)
- Quecoi, (Homem de pele clara)
- Luntan, (Hospede)
- Kinty, (Milhete)
- Faro, (Arrozal)
- Djaliba, (Grande músico)
- Djali, (Músico)
- Cumba, (Cabeça grande)
- Carfa, (Entregue)
- Famata, (Ausente por algum tempo)
- Suti, (Chefe de família)
- Kendo, (O que vale)
- Mussu, (Mulher)
- Nhima, (Bela)
- Terenma, (Surpresa)
- Afilidje, (Deixa estar)
- Djonsaba, (Terceira escrava)
- Tandjan, (A décima)
- Muscuta, (Mulher nova)
- Mussuba, (Mulher grande)
- Musqueba, (Mulher velha)
- Numo, (Ourives)
- Finaba, (Prosador)
- Moro, (Chefe religioso)
- Nhamo, (Palha)
- Mandjique, (Não acredito)
- Yatumbulo, (Deixaram-me)
- Quemo, (Alguém com prestígio)
- Suncar, (Mês de ramadão)
- Sandji, (Chuva)
- Tuncam, (Ferreiro)
- Quenhima, (Homem lindo)
- Quedjau, (Homem feio)
- Suncuto, (Rapariga)
- Sama, (Elefante)
- Bori, (Foge)
- Nhambo (Mandioca)
- Solo (Tigre)
- Babum (Curral de cabra)
- Dandan, (cerca)
- Tombom, (achado)
- Bolom, (rio)
- Quebute, (homem que bate)
- Banburam (Que carrega as costas)
- Totala, (sem nome)
- Curru keme, (100 colas)
- Djama dua, (Pedidos de muita gente)
- Djonkon, (Casa de banho exterior)
- Malafi, (Não querer)
- Cabaah, (Fruto silvestre chamado foli em criolo)
- Cunnadi,  (Salvação)
- Sorri, (madrugar)
- Borra, (Barba)
- N'fanmara, (Tomar conta de si)
- Coto, (Velha)
- Bunbaah, (Casa comum as mulheres que estão a amamentar).


sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

P21: AS FOTOS - Xime e Mansambo 1972/74

Xime 1972 - O Castro com o OP. Cripto, "Pinóquio"

Pessoal das TRMS da CART 3494

Xime 1972- passeando descontraídamente pela Tabanca

Para a fotografia com o Morteiro 81 mm

Xime 1972 - No posto de Rádio operando o ANGRC-9 em grafia

O postal da praxe

Xime 1972 - A Bolanha e um camarada do Porto

Fritar batatas para uma tainada

Xime 1972 - O Posto de Rádio

O Cais sobe o Rio Geba

Xime 1972 - Junto ás Bananeiras

A Tabanca do Xime 1972

Xime 1972 - Vista do Quartel

Xime, 1972 - A Matança da Vaca junto à cozinha

Xime 1972 - Perspectiva do Quartel

Xime 1972 - Perspectiva do Quartel

Xime 1972 - A Tabanca dos TRMS


Mansambo, 1973 - Ao fundo o abrigo dos TRMS

Xime, 1972 - A Chaimite

O Castro

Xime, 1972 - Era Domingo!... Todos à civil no cais sobe o Rio Geba

Xime, 1972 - Os radiotelegrafistas: Ramos, Castro e Silva (já falecido, por acidente)

Xime, 1972 - OBUS 10,5 cm

Xime 1972 - O Spínola e SdC

Mansambo, 1974 - O Brasão para recepção dos piras

Bissau, 1972 Quartel dos TRMS

Bissau, 1974 - No café, fim de comissão

Bissau - O Palácio do Governador

Bissau, 1972 - Festa de anos, O Castro com o 1º sarg. Caldas

Bafatá, 1973 - O descanso dos Guerreiros

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

P19: "O Homem da Bazuca" 1º Pelotão CART 3494



Data: 15-07-2008 10:52:01
Assunto: Ricardo de Almeida Teixeira ex. combatente na Guiné 1972-1974 Xime, Mansambo e Ponte Crol.



Sou Ricardo de Almeida Teixeira, emigrante à muitos anos. Qual foi a minha surpresa ver gente da minha companhia no computador falando da nossa guerra.
Queria ser informado do convívio que vocês organizais todos os anos.
Sem mais, um forte abraço e até breve.
A minha direcção:
Ricardo de Almeida Teixeira
30 Rue du Béarn
13300 SALON DE PROVENCE
França

[Troca de MSG entre Sousa de Castro e Teixeira]

Ricardo Teixeira (Xime 1972)


Caro Teixeira, 
Sei que pertences-te à CART 3494 mas, não me recordo de ti, manda por e-mail foto do tempo da tropa e outra actual. Quanto ao convívio o mesmo já se realizou, este ano foi organizado pelo ex. Furriel Jorge Alves Araújo em Costa da Caparica. De qualquer modo irei dar conhecimento da tua morada aos novos organizadores, que são o Manuel Oscar de Almeida e o Licínio de Almeida Pereira que são da zona de Vagos e Anadia respectivamente, quiçá para o próximo ano estarás junto do pessoal da companhia. Para além disso deves actualizar a tua morada de cá. Nós temos conhecimento que moravas em LEOMIL - Moimenta da Beira, na rua 31 de Janeiro, nº. 24. Quanto à minha pessoa, Fui 1º cabo rádiotelegrafista. Visita os Sítios abaixo e verás muitas coisas relacionadas com a nossa companhia.

Caro Sousa de Castro

Disseste não te recordares de mim. E normal, eu fazia parte dos homens de terreno e tu fazias parte dos homens do segredo das transmissões. Além disso se não me engano, tu vieste juntar-te à nossa companhia mais tarde. Quanto à minha pessoa, eu era homem da Bazuca, do 1° pelotao (Alferes Carneiro, Furriel Godinho, Furriel Ferreira, entre outros).
Aqui vao duas fotografias do tempo da Guiné e outra do alto dos meus 58 Janeiros (juntas ao e-mail). Sem mais me despeço com um forte abraço deste vosso camarada. 
Até breve.

Ricardo de Almeida Teixeira.

Ps : A minha morada em Portugal e a mesma que voces têm.

Nota do editor: O Teixeira enviou e-mail a confirmar a sua presença com sua esposa no XXIV convívio da CART 3494 no dia 13 de junho 2009 em Vagos. Pertenceu ao 1º pelotão, comandado pelo alferes Carneiro, furriel Godinho e Furriel Ferreira. Era o homem da Bazuca, foi graças ao blogue do Luís Graça e Camaradas da Guiné http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/
que ele nos descobriu. Convido-vos a passarem pelo blogue e a participarem com as vossas estórias, passadas na Guiné. Para se tornarem membros da tabanca grande/tertúlia enviem uma foto da época e outra actual, contando uma pequena "estória" da vossa passagem pela guerra Colonial, Ultramar, das Colónias...
para:





P18: AS DUAS FACES DA GUERRA


Jornalista diz ter sido obrigada a repensar as
resistências interiores que tinha face à Guerra Colonial


João Antunes

Quando ainda está fresca na memória a série que Joaquim
Furtado apresentou na RTP, chega agora ao mercado "As duas faces da Guerra",
um trabalho assinado conjuntamente pela jornalista e documentarista
portuguesa Diana Andringa e pelo conceituado realizador guineense Flora
Gomes, um dos nomes de referência do cinema africano das duas últimas
décadas. Foi possível assim oferecer ao espectador uma visão sobre os dois
lados do conflito e alargar a capacidade de investigação iconográfica,
permitindo por exemplo mostrar ao mesmo tempo como dois sobreviventes
portugueses assistem de forma comovida, às imagens de um ataque mortal do
PAIGC, captadas por uma equipa francesa convidada pelos responsáveis
portugueses, e cenas inéditas de clandestinidade, nomeadamente acções de
formação do próprio Amílcar Cabral.

Foi precisamente esse aspecto que Diana Andringa nos
referiu, no lançamento para o mercado do DVD. "A grande vantagem foi ter
dois olhares que são complementares, mas diferentes em todo o caso. Conheço
melhor a parte portuguesa, o Flora conhece melhor a parte guineense. Ele
chega a pessoas a que eu tinha dificuldade em chegar". Mas o projecto também
tinha as suas armadilhas. "Apesar de tudo, eram duas sensibilidades
diferentes", admite Diana Andringa. "Talvez menos em termos de ser um
guineense e uma portuguesa, mas de uma ser documentarista e de o outro ser
da ficção".

Em Portugal, a Guerra Colonial está finalmente a deixar de
ser um certo tabu. Será que os guineenses têm a mesma relação com o passado
ou têm vontade de falar do assunto? "Têm muita vontade de falar", garante.

E será que, durante o processo, Diana Andringa aprendeu
algo de novo sobre esse período da nossa história recente? "Houve coisas que
me marcaram imenso. Uma delas foi a ausência de ódio, hoje em dia. De facto,
as pessoas têm uma relação fraternal, como se em vez de terem andado à
guerra uns com os outros tivessem andado à guerra juntos. Os de cá ficaram
apaixonados pela terra, pela Guiné e pelos guinéus, pelas pessoas. E lá não
há nenhum ódio aos portugueses".

Finalmente, Diana Andringa confessa que a realização deste
trabalho mudou algo na sua visão sobre a Guerra Colonial. "Antes, eu era do
lado dos que achava que se devia desertar. Fui sempre contra a Guerra
Colonial. Agora, percebi um bocado melhor os militares portugueses que eram
forçados a fazer uma guerra e o que acontece no terreno quando se está cheio
de medo."

A terminar, uma lição humanista, que tanto se pode
encontrar no belíssimo filme de Flora Gomes e Diana Andringa como nas
palavras com que a jornalista termina a conversa "O que é extraordinário é
que há uma espécie de fraternidade de armas entre ambos os lados. Há uma
espécie de turismo sentimental. Os militares portugueses que fizeram a
guerra na Guiné vão lá ver como é que estão as coisas e muitas vezes vão
para ver o seu anterior adversário e discutir. Isto é interessante".

Jornal de Notícias, 22 de Janeiro de 2008

P17: Soldados da CART 3494 apanhados pelo Macaréu quando se deslocavam para OP no Mato-Cão (10AGO1972)


XIME 1972
CART 3494: 10-08-1972.
Foto de David Guimarães - XIME, Macaréu - Rio Geba 2001
O Grupo de Combate recebeu instruções para uma OP no MATO-CÃO. 
Para se deslocarem teriam de atravessar o rio Geba em lanchas, entrando depois pela mata adentro e seguirem para MATO-CÃO. Alguém que conhecia bem as marés, naquele rio, avisou o Major de Operações que naquela hora não teriam tempo para fazerem a travessia devido a que dentro em pouco, passaria o "MACARÉU". (1)   

Mesmo assim, entendeu que ainda haveria tempo de passar o rio antes da chegada do Macaréu. Os pelotões envolvidos nesse patrulhamento não tiveram outra alternativa senão obedecer. Os soldados pela experiência adquirida sabiam que uma desgraça iria acontecer e dá-se aquilo que todos esperavam, não se pôde evitar, são apanhados pelo Macaréu.
A embarcação virou e então, cada qual tenta desenrascar-se como pode do perigo de morrerem afogados, muitos não sabiam nadar, depois com todo peso de armamento que transportavam, para além da farda que envergavam, viram-se muito aflitos  para se safarem, mas nem todos  conseguiram, assim desapareceram três camaradas. Um deles apareceu no dia seguinte. Foi o Soldado, José Maria da Silva Sousa residia em Santo Tirso, foi sepultado em Bambadinca, Manuel Salgado Antunes, casado residia em Quimbres - Coimbra e o terceiro Abraão Moreira Rosa este da Póvoa de Varzim, estes dois últimos não mais apareceram. O pessoal envolvido desdobraram-se em esforços tentando encontrar os que desapareceram, mas em vão.

Sousa de Castro

(1) - Macaréu, Sm. Sublevação brusca das águas, que produz em certos estuários no momento da cheia e que progride rapidamente para as nascentes sob forma violenta, capaz de fazer estragos em pequenas embarcações.

 - A propósito deste acontecimento o Ricardo Teixeira (Bazuqueiro) que vive em França, conta uma Estória curiosa que se passou com ele:


JOSÉ MARIA DA SILVA E SOUSA, MANUEL SALGADO ANTUNES E ABRAÃO MOREIRA ROSA.
Estes três homens eram do meu pelotão. (1 Pelotão)
A esse respeito, tenho uma pequena estória a contar. Na véspera desse acidente eu estava de serviço de limpeza ao Quartel, a certa altura a viatura já tinha muito lixo e eu subi acima para calcar esse mesmo lixo.
Azar meu, por um lado e sorte por outro, espetei um prego num pé, inchou muito, a pontos de não poder por o pé no chão. Dia 10 vou ao médico a Bambadinca na coluna que vai a Bafatá, ao chegar ao quartel soube do acontecimento. 

A mando dos superiores do meu pelotão o José Maria da Silva e Sousa, levou a minha bazuca, meu cinto com faca e 4 granadas de mão.
Tudo isto para dizer, que o ter espetado o prego no pé, foi a minha salvação! se não lá tinha eu ido pró maneta. À males que vêm por bem! (eu encontro-me dentro desta situação).
Dias depois fui chamado à secretaria para dar baixa do meu material (o que o José M. S. Sousa tinha levado). Ao mesmo tempo um dos sargentos, deu-me um pequeno pincel e uma latita de tinta, e mandou-me escrever numa mala de madeira a direcção do José Maria da Silva Sousa SÃO TIAGO DO BOUGADO – TROFA se a minha memória está boa, era esta a direcção do nosso camarada.
Sem mais, aqui fica o meu muito obrigado por tudo aquilo que tens feito por todos nós.
Um forte abraço do Teixeira e até breve.





Na História da Unidade, na pág. 149 está assim registado:

AGOSTO 1972

1. Baixas:

(...) d) Por Outras Causas

- Soldado NMº 139899/71 - Abraão Moreira Rosa
- Soldado NMº 140495/71 - Manuel Salgado Antunes
- Soldado NMº 149913/71 - José Maria da Silva e Sousa, todos da CART 3494, mortos por afogamento, no acidente do rio GEBA em 10AGO72. (...)

Conforme documento que o Abílio Soares Rodrigues, (1º cabo condutor auto, CART 3494) me forneceu sobre o acontecimento, que acha serem correctas. O Manuel Salgado Antunes, seria casado, deixou uma filhinha. O José Sousa foi encontrado passado um ou dois dias depois, tendo sido sepultado em Bambadinca. O Abraão e o Antunes, creio que não chegaram a aparecer.

Sepultura em Bambadinca, do José maria da Silva e Sousa



Documento que o Abílio Rodrigues, (ex.1º cabo condutor auto)

Ved. Post.:  http://cart3494guine.blogspot.com/2009/03/situacao-de-risco-elevado.html

domingo, 4 de janeiro de 2009

P16: Novo site sobre a Guerra Colonial


Está on-line o novo site sobre a Guerra Colonial – http://www.guerracolonial.org/ – lançado pela Associação 25 de Abril e coordenado por mim. Os textos base são da obra de Aniceto Afonso e Matos Gomes – Guerra Colonial. De momento o site está em finalização e aperfeiçoamentos, devendo ser lançado oficialmente a 4 de Fevereiro. Nesse mesmo dia será lançado, conjuntamente, uma página, no site da RTP, com documentários da Guerra, quer produzidos na época quer actuais, incluindo o do Joaquim Furtado.
Se acharem indicado divulguem pela nossa Tabanca e quem entender fazer críticas ou sugestões nós agradecemos.

Para o lançamento oficial enviarei os adequados convites.

Pedro Lauret
__________

Notas de vb:



1. Pedro Lauret, actualmente Capitão-de-mar-e-guerra na reforma, embarcou para a Guiné, em Setembro de 1971. Como Imediato do NRP "Orion" percorreu rios e braços de mar navegáveis (Cacheu, Geba, Buba, Tombali, Cumbijã, Cacine, Bijagós). Em Maio de 1973 encontrava-se em missão no Rio Cacheu aquando dos ataques a Guidage, Desembarcou o DF 8 no Jagali, afluente do Cacheu. No mesmo mês, no rio Cacine, foi a primeira unidade a chegar a Gadamael depois da retirada de Guileje, evacuando cerca de 300 militares e civis que se encontravam espalhados pelas margens do rio. Actualmente faz parte da Direcção da Associação 25 de Abril e lidera um projecto de investigação Histórica com a designação –“Marinha: do fim da II Guerra Mundial ao 25 de Abril de 1974”.



Fonte com a devida vénia: http://blogueforanadaevaotres.blogspot.com/

P15: BOAS FESTAS - NATAL 2008











Do nosso amigo Almeida recebi um Postal de Natal 2008, anunciando o XXIV convívio da CART 3494 a realizar na zona de Aveiro para o dia 13 de Junho de 2009, obviamente que a organização enviará mais para a frente o programa devidamente elaborado.
Os contactos são: Manuel Oscar de Almeida, Tel. 234781442 TM: 964198204, Licínio de Almeida Pereira, Tel: 231582239 e o Anadia, Tel. 23474206
Sousa de Castro