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segunda-feira, 14 de outubro de 2013

P190 - O “JOGO DA BOLA” NOS INTERVALOS DA GUERRA DE GUERRILHA - Memórias de há 40 anos do Xime-Bambadinca-Mansambo, 1972-74 (JORGE ARAÚJO)

1. Msg de Jorge Araújo, ex. Fur. Milº Op. Esp. Ranger, da CART 3494, com data de 14OUT2013 apresentando um tema deveras interessante, que é o desporto nos intervalos da guerra de guerrilha, sendo o futebol o de maior destaque, aquele que em qualquer companhia se disputava, defrontando por várias vezes equipas locais africanas, para além de outras modalidades, nomeadamente o voleibol. Como diz o  Jorge Araújo, cito;[tema pouco abordado neste contexto], que tem passado um pouco ao lado, quer neste como em outros blogues referentes à guerra do Ultramar. 
Reconheço nas fotos apresentadas, pelo menos três camaradas que já não se encontram entre nós, o Sousa Pinto (Furriel), faleceu em 01ABR2012,  Rogério Tavares da Silva (soldado TRMS), faleceu em 16JUN2002 e o Manuel da Cruz Ramos (1º cabo apontador morteiro 81mm), faleceu em 22NOV2012sem esquecer (para além dos que foram vítimas da guerra) todos os outros, que deixaram de pertencer ao mundo dos vivos, por acidentes de viação, doença prolongada e outras causas. 
Os seus nomes:
Joaquim de Jesus Fernandes (fal. P/acidente 29AGO1992)
Manuel Pais Moreira (Fal. 1996)
Silvino Vaz da Rosa e Silva (faleceu 09MAR2002)
Adão Manuel Gomes da Silva (Fal. OUT. 2009
Ilídio Ferreira Amaral (Fal. 17ABR2009
Joaquim Torres Trindade (data desconhecida)
Laurentino Bandeira dos Santos (data desconhecida)
António da Costa (data desconhecida)
Victor Manuel Ponte da Silva Marques (data desconhecida)

Por outro lado apelo aos camaradas que nos lêem para que me façam chegar as suas ESTÓRIAS acompanhadas de fotos, para que todos nós revivamos os momentos que de alguma forma fazem parte da nossa vida.
SC 

2. Caríssimo Camarada Sousa de Castro.
Os meus melhores cumprimentos.
Para o baú de memórias da CART 3494, de que o nosso blogue é o fiel depositário, anexo mais um apontamento histórico sobre algumas das experiências colectivas vividas no cenário militar do Comando Territorial Independente da Guiné (CTIG), nos anos de 1972 a 1974.
Trata-se de um tema pouco abordado neste contexto, mas que merece, tal como os outros, um espaço de debate e de contraditório.
Espero merecer a V. concordância.
Obrigado pela atenção.

Um forte abraço para todos os FANTASMAS DO XIME.

Jorge Araújo,

Outubro/2013

O “JOGO DA BOLA” NOS INTERVALOS
DA GUERRA DE GUERRILHA
- Memórias de há 40 anos do Xime-Bambadinca-Mansambo (1972-74) 
Revisitando o baú de memórias relacionadas com as vivências e experiências que fazem parte do nosso currículo militar construído no CTIGuiné, entre 1972 e 1974, organizadas por contexto e estruturadas segundo uma classificação que varia entre factos bons e menos bons (ou maus!), eis que, pelo presente, vos quero dar conta de uma prática lúdica que, tradicionalmente, ocorria a meio da tarde, depois de cumpridas as principais tarefas impostas pelo sistema.
Era, então, o tempo da prática a que chamo do «jogo da bola», vulgo futebol, e que despertava sempre grande entusiasmo no seio da nossa companhia (provavelmente de todas as unidades, das menos às mais numerosas), estando sempre garantida forte adesão, quer fosse na qualidade de agentes activos (os jogadores), quer se tratasse de agentes passivos (os assistentes), fenómeno que continua a ser recorrente nos dias de hoje.
Contudo, era necessário a existência do objecto que dá sentido ao jogo – a bola – suscitando, a partir de então, um desejo crescente de a pontapear, constituindo-se, por essa via, como um poderoso meio de socialização. Esta bola mágica, como lhe chamam muitos estudiosos do fenómeno, porque tem a propriedade de entrar em movimento em função das suas diferentes dimensões: direcção, colocação, velocidade, rotação ou trajectória, faz depender o seu resultado da acção exógena que sobre ela é exercida. Deste modo, esta bola (todas as bolas!) tem, assim, um movimento variável e aleatório, por via de seguir um itinerário dependente do modo como é impelida, batida ou arremessada. Daí se considerar que a bola continua a ser um brinquedo que exerce sobre o homem, jovem ou adulto, uma atracção que se renova permanentemente.
Praticada nos intervalos da guerra de guerrilha, esta que por definição emerge da táctica que utiliza (ataques rápidos seguidos de fuga; confronto indirecto; emboscadas; ataques surpresa, por via da grande mobilidade dos seus intervenientes), o «jogo da bola» contribuiu, de facto, para o desenvolvimento de competências relacionadas com factores tácticos, técnicos, psicológicos e físicos, quando analisado numa perspectiva endógena de superação ou transcendência de que cada jogo está impregnado, e que ajudou a lidar melhor com o “jogo do gato e do rato”, fintando o melhor possível as dificuldades/adversidades colocados pelo IN.
Quando surgia a dita «bola mágica», logo nascia a vontade de a fazer rolar, organizando-se grupos informais, ainda que alguns dos seus intervenientes se encontrassem na fase de aprendizagem, garantindo, a maioria das vezes, sucessivas desforras ou “tira teimas” logo que possível, em função dos resultados, mas que acabariam por se revelarem de importantes no reforço da coesão de todo o colectivo da CART 3494.
Concluído cada «jogo da bola», o processo de socialização mudava de terreno de prática, sendo transferido para o bar, onde os golos tinham outro sabor, e as conservas e outros alimentos eram digeridos, igualmente, com grande prazer e satisfação. Aqui a vitória estava sempre garantida.
Pelo exposto, os testemunhos fotográficos que seguidamente apresentamos por ordem cronológica, reportam a momentos onde a câmara esteve presente. A qualidade de cada uma não é a melhor, mas não nos podemos esquecer que todas elas têm mais de quarenta “chuvas”, de vida. É obra!
Espero que gostem de recordar os vários locais referidos: Xime-Bambadinca-Mansambo, em particular aqueles que nelas estão incluídos, pois foi esse o principal objectivo que me moveu ao escrever mais esta retrospectiva histórica.

FOTOGALERIA:

Foto n.º 1 – Xime (Abril/1972) – Eu com uma postura à imagem e semelhança do saudoso José Maria Pedroto (1928-1985), nascido na Freguesia de Almacave, Município de Lamego, cidade incluída no meu itinerário militar, por aí ter concluído a especialidade de “Operações Especiais”, no complexo de Penude.

Foto n.º 2 – Xime (Abril/1972) – uma equipa do 4.º GComb, o grupo que sofreu duas emboscadas na Ponta Coli – a 1.ª em 22.Abr.1972; a 2.ª em 01.Dez.1972 (Vd. Postes: 148 e 152).
Na 1.ª linha, da esquerda para a direita, estão o Teixeira (soldado), o Bento (furriel), o Araújo (furriel), o Sousa Pinto (furriel) e o Monteiro (1.º cabo).
Esta imagem foi obtida três semanas antes da 1.ª emboscada, onde viria a falecer o camarada Furriel Manuel Bento, natural da Ponte de Sor, e que seria a única baixa em combate registada pelo contingente metropolitano da CART 3494.

Foto n.º 3 – Xime (Abril/1972) – uma equipa mista da CART 3494. Imagem obtida quinze dias antes da 1.ª emboscada na Ponta Coli, com destaque, na 1.ª fila, para o furriel Manuel Bento (o 1.º da direita) e o furriel Sousa Pinto (o 2.º da esquerda), falecido em 01.Abr.2012

Foto n.º 4 – Xime (Abril/1972) – fase muito animada de um «jogo da bola» no centro da parada do aquartelamento.

Foto n.º 5 – Bafatá (28.Jan.1973) – Equipa da CART 3494 que se deslocou a Bafatá para realizar um jogo com um misto de militares aquartelados naquela região.

Foto n.º 6 – Bafatá (28.Jan.1973) – imagem referente aos preparativos de regresso ao Xime, após a conclusão do jogo.
Foto n.º 7 – Bafatá (28.Jan.1973) – imagem referente à fase que antecedeu o início do jogo.

Foto n.º 8 – Bafatá (28.Jan.1973) – imagem após a conclusão do jogo.

Foto n.º 9 – Mansambo (Abril/1973) – equipa de sargentos/oficiais organizada após a transferência do Xime para Mansambo, ocorrida em Março/73, em substituição da CART 3493, deslocada para Cobumba, localidade situada em pleno Cantanhez.
Em 1.º plano, da esquerda para a direita: os Furriéis: Araújo, Ferreira, Oliveira e Godinho. Em 2.º plano, segundo a mesma ordem: Correia (Alferes), Luciano Costa (Capitão – o 3.º da Companhia), Jesus (Furriel) e Araújo (Alferes).
Foto n.º 10 – Bambadinca (30.Set.1973) – Equipa mista constituída por elementos da CCS do BART 3873 e da CART 3494, escalada para os jogos (dois) com a CCS do BCAÇ 3872 (Galomaro).
Em 1.º plano, da esquerda para a direita: Costa, Ferreira, Romão, Sousa e Adérito. Em 2.º plano: Mesquita, Santos, Carrasqueiro, Alberto, Rainha, Araújo, Gonçalves e Oliveira.

Foto n.º 11 – Bambadinca (Nov./1973) – Imagem obtida no campo de futebol de Bambadinca (instalações do BART 3873), a meio da tarde, num contexto informal de prática lúdica.
Na sequência da nossa deslocação a Galomaro, o meu prémio do jogo foi a ocorrência de uma lesão no rádio (osso), entre o estilóide radial e o escafóide, do braço esquerdo, obrigando-me a andar durante cinco semanas com ele engessado, como aliás, é possível observar na foto. Do meu lado direito, e entre postes, está o ex-Furriel Comando Américo Costa, colocado na CCS do Batalhão.
Agora que leram o meu escrito e viram as imagens, com as referências em rodapé, façam o favor de as comentar, dizendo o que vos vai na alma.
Fico a aguardar as V. prezadas notícias.
Um forte abraço para todos, com muita saúde e energia.
Jorge Araújo.
Outubro/2013.

terça-feira, 1 de outubro de 2013

P189 Manuel da Costa Pereira ex. Capelão do BART 3873 de 71 anos sequestrado em assalto à casa paroquial

Padre de Viana do Castelo assaltado com violência dentro de casa durante a madrugada 


 EM 25 DE SETEMBRO DE 2013


http://portocanal.sapo.pt/noticia/8022/


Ex. capelão BART 3873 Costa Pereira
1. Um padre de Viana do Castelo foi assaltado com violência hoje, de madrugada, no interior da residência, entregando cerca de 5.000 euros, num caso já em investigação pela Polícia Judiciária.
Fonte daquela força policial confirmou à Lusa que estão a decorrer "diligências" no terreno, tendo em conta que o assalto terá sido perpetrado por três homens encapuçados munidos com pelo menos uma arma de fogo.
Tudo aconteceu na casa paroquial de Mujães, freguesia do concelho de Viana do Castelo, entre as 00:00 e as 02:00 de hoje, conforme relatou o pároco Manuel da Costa Pereira, de 72 anos.
"Acho que entraram pela parte de baixo da casa, talvez arrombando a porta, e como não encontraram dinheiro foram-me buscar à cama para lhes dar a chave do cofre. Arrastaram-me, ameaçaram-me e ainda me deram uma bofetada na cara", disse.
Acrescentou que os assaltantes acabaram por fugir com cerca de 5.000 euros em dinheiro, entre verbas do próprio padre e da paróquia, que estavam guardadas em diferentes locais daquela residência, inaugurada no último verão.
"Era dinheiro de contas que ainda tinha de fazer com a diocese, de causas sociais e outros apoios ou serviços", admitiu ainda.
Antes de se colocarem em fuga, os três assaltantes amarraram o sacerdote com gravatas que encontraram na residência. "Ao fim de alguns minutos, consegui soltar-me e pedi ajuda. Mas tive muito medo, porque eles ameaçaram-me com a arma", confessou Manuel Pereira.

A GNR foi chamada ao local perto das 02:00, tendo a investigação transitado para a Polícia Judiciária.

Fonte: "PORTO CANAL"

Biografia militar
Fonte:  Livro editado pela Comissão dos antigos Combatente de Barroselas em 2001
"COMBATENTES DO ULTRAMAR" Execução Gráfica: GRAFICRIA


"COMBATENTES DO ULTRAMAR"

A RAZÃO DESTE TRABALHO
(EXCERTO)

(...) Em face disto, sentimos que era imperiosa obrigação da nossa geração de Combatentes do Ultramar, lembrar aos vindouros os nomes dos naturais de Barroselas ou aqui residentes, bem assim como outros que quiseram aderir a esta ideia, que entre 1959 e 1974 passaram pela Guerra do Ultramar e um pouco antes pela Índia, Timor e Macau (...).


2. Comentário na Tabanca Grande em 03OUT2013

Luís Graça disse...
Camarada Sousa de Castro, grã-tabanqueiro nº 2, transmite ao teu vizinho, nosso camarada e ex-capelão do teu batalhão, o BART 3873 ( Bambadinca dez 1971/ abr1974), o padre Manuel da Costa Pereira, as minhas ,as nossas, mais vivas palavras de repulso por esse cobarde ato de violência de que ele foi vítima e que, esperamos bem!, não ficará impune! 




... Transmite também mais as nossas mais calorosas e fraternas palavras de solidariedade e camaradagem... traz, também, o teu capelão até nós, até à Tabanca Grande, para que ele se sinta ainda mais próximos de nós. Arranja-nos o enderaço de correio eletrónico, para lhe podermos transmitir as nossas mensagens. Obrigado pelo alerta!.

3. Sousa de Castro em 04OUT2013


Camarada Luís Graça, acabei mesmo agora de falar ao telefone com o capelão do BART 3873, onde lhe transmiti as mais fraternas palavras de solidariedade dos camaradas da Guiné, pedindo-lhe o endereço eletrónico o qual se prontificou a fazê-lo que é: 

Manuel Martins da Costa Pereira 


 Tel. 258 971 112 ou 258 971 505

Vd. post.: http://cart3494guine.blogspot.pt/2013/07/p183-convivios-combatentes-do-ultramar.html



sábado, 14 de setembro de 2013

P188 (Eventos) Passados 40 anos o reencontro com o camarada d’armas Eduardo Ferreira do 1º Pelotão da CART 3494.

A convite (1) da Associação dos Combatentes de Avintes, assisti à cerimónia no dia 14SET2013 da inauguração do Monumento aos seus Combatentes.

“ OS QUE TOMBARAM DEIXARAM EM ABERTO… UM VAZIO.”


A cerimónia para além de muitos ex. combatentes que fizeram questão de honrar e homenagear todos os que ao serviço do Estado Português deram o seu melhor contou com a presença de várias entidades civis, militares e religiosas.
Usaram da palavra várias entidades, onde ressaltou o sofrimento das mães, que na ansia de obterem notícias de seus filhos procuravam sempre o carteiro, nem que para isso tivessem de se deslocar um ou dois Quilómetros.
Foi bonito!...

Por outro lado a minha ida a Avintes (terra da broa ou Boroa) tinha outro objectivo… Encontrar um camarada da CART 3494 da qual pertenci, de seu nome Eduardo João de Oliveira Ferreira, pertenceu ao 1º Pelotão, do Alf. Milº Araújo. Por várias vezes tentei e com a ajuda do camarigo Antero Santos, também ele ex. combatente na Guiné, lá estava ele nesta importante cerimónia. Reconheci-o!... mas ele não - são 40 anos de distância!... É normal.

Eis as Fotos: Antes na Guiné - Mansambo 1973 e depois Avintes 2013


Eduardo Ferreira, António Sousa de Castro - Mansambo 1973
Sousa de Castro e Eduardo Ferreira, Avintes 2013
O Eduardo que acompanhou o seu neto ao treino das escolas do F.C. de Avintes me confidenciou as várias razões pela qual ainda não ter sido possível participar nos nossos encontros, mas deixou a promessa que o fará numa próxima oportunidade.

O monumento de autoria do arquitecto natural de Avintes, Octávio Alves a que deu o título "O MURO DA VIDA",já com a frase OS QUE TOMBARAM DEIXARAM EM ABERTO UM VAZIO (frase de sua autoria)

  acho-o muito original na sua forma: Um muro em cubos de granito onde sobressai vários blocos caídos, simbolizando todos soldados de Avintes que ao serviço do Estado Português tombaram, uns em combate, outros por várias causas e outros desaparecidos.

(1)        A razão do convite que me foi endereçado pela Associação dos Combatentes de Avintes na pessoa do camarada e amigo Antero Santos ex Fur. Milº CCAÇ 3566/CCAÇ18 Guiné, prende-se com o facto de eu ter vivido parte da minha infância e começo da adolescência em Avintes. Foi aí que fiz a 4ª classe e comunhão solene. 

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

P187 (Convívios) CART 6254 - Guiné, OLOSSATO E DUGAL leva a efeito no dia 14SET2013 o 5º almoço/convívio em ESPINHO


MSG do Ex. Fur. Milº Manuel Castro (rodinhas) com data de 01AGO2013, 18,05horas

Meu caro Sousa Castro,

Os Ex combatentes que fizeram parte da Companhia de Artilharia 6254/72, que esteve sediada no Olossato e depois no Dugal, vão levar a cabo, no dia 14 Setembro de 2013, o seu 5º almoço convívio. O repasto vai realizar-se no restaurante Casarão do Emigrante em Paramos, Espinho. A concentração será, às 10 horas, no regimento de engenharia nº 3.

Pedia-te o favor de publicitares o nosso convívio, no teu site.

Anexo o respetivo programa

Contactos:
Ex. Furriel Figueiredo (Seringas) 967090603 - Porto
Ex. Furriel Castro (Rodinhas) 962471506 - 258731207  E- Mail casadolaranjal@gmail.com
Carvalho e Sá (M.A.R.) 917611175/220812480

        Um grande abraço e muito obrigado pela atenção

        Manuel  Castro
(Ex. Fur Mil da CART 6254)
casadolaranjal@gmail.com


Localização do Regimento de Engenharia 3: Rua da Lagoa, Paramos - Espinho
GPS:
Latitude 40°58'19.71"N
Longitude 8°38'29.72"W




    

Localização do Restaurante: Rua da Praia, 94 - Tel 22 734 40 01 Paramos - ESPINHO

GPS: Latitude 40°58'40.49"N
         Longitude  8°38'52.95"W

Caseirão do Emigrante



sábado, 27 de julho de 2013

P186 - GUERRA COLONIAL PORTUGUESA 1961 - 1974, GUERRA LEGÍTIMA COM VITÓRIA TRAÍDA




Mensagem de Afonso Sousa que esteve na Guiné nos anos  1968/70, como Fur. Milº TRMS na CART 2412 Integrante no COP 3, Binta e Guidage.

GUERRA COLONIAL PORTUGUESA 1961 - 1974, GUERRA LEGÍTIMA COM VITÓRIA TRAÍDA E COM MUITA VERMELHIDÃO PELO MEIO.

 
UM ARTIGO; PARA ALGUNS, POLITICAMENTE INCORRECTO,  MAS CHEIO DE VERDADE. 
Não é o primeiro autor “não português” (com livros de autêntica investigação histórica em arquivos nacionais e estrangeiros) que atesta, documentalmente e por escrito, a sua enorme admiração pelo esforço do pequeno e pobre Portugal nos vastos e longínquos territórios do seu ímpar império marítimo.

Glória aos ex- Combatentes !!! Aos meus "Companheiros de Luta" cordiais saudações...

GUERRA COLONIAL PORTUGUESA 1961 - 1974

Jonathan Llewellyn

Espero que perdoem a um estrangeiro intrometer-se neste grupo, mas é preciso que alguém diga certas verdades.
A insurgência nos territórios ultramarinos portugueses não tinha nada a ver com movimentos nacionalistas. Primeiro, porque não havia (como ainda não há) uma nação angolana, uma nação moçambicana ou uma nação guineense, mas sim diversos povos dentro do mesmo território. E depois, porque os movimentos de guerrilha foram criados e financiados por outros países e que se justificavam dizendo-se, artificiosamente, defensores dos interesses emancipalistas dessa pluralidade de povos.

ANGOLA – A UPA, e depois a FNLA, de Holden Roberto foram criadas pelos americanos e financiadas (directamente) pela bem conhecida Fundação Ford e (indirectamente) pela CIA.
O MPLA era um movimento de inspiração soviética, sem implantação tribal, e financiado pela URSS. Agostinho Neto, que começou a ser trabalhado pelos americanos. só depois se virando para a URSS, tinha tais problemas de alcoolismo que já não era de confiança e acabou por morrer num pós-operatório. Foi substituído pelo José Eduardo dos Santos, treinado, financiado e educado pelos soviéticos.
A UNITA começou por ser financiada pela China, mas, como estava mais interessada em lutar contra o MPLA e a FNLA, acabou por ser tolerada e financiada pela África do Sul. Jonas Savimbi era um pragmático que chegou até a um acordo com os portugueses.

MOÇAMBIQUE - A Frelimo foi criada por conta da CIA. O controleiro do Eduardo Mondlane era a própria mulher, Janet, uma americana branca que casou com ele por determinação superior. Mondlane foi assassinado por não dar garantias de fiabilidade, e substituído pelo Samora Machel, que concordou em seguir uma linha marxista semelhante à da vizinha Tanzânia. Quando Portugal abandonou Moçambique, a Frelimo estava em tal estado que só conseguiu aguentar-se com conselheiros do bloco de leste e tropas tanzanianas.

GUINÉ –- O PAIGC formou-se à volta do Amílcar Cabral, um engenheiro agrónomo vagamente comunista que teve logo o apoio do bloco soviético. Era um movimento tão artificial que dependia de quadros maioritariamente cabo-verdianos para se aguentar (e em Cabo Verde não houve guerrilha). Expandiu-se sobretudo devido ao apoio da vizinha Guiné-Konakry e do seu ditador Sékou Touré, cujo sonho era eventualmente absorver a Guiné portuguesa.

Em resumo, territórios portugueses foram atacados por forças de guerrilha treinadas, financiadas e armadas por países estrangeiros. Segundo o Direito Internacional, Portugal estava a conduzir uma guerra legítima. E ter combatido em três frentes simultâneas durante 13 anos, estando próximo da vitória em Angola e Moçambique e com a situação controlada na Guiné, é um feito que, militarmente falando, é único na História contemporânea.
Então porque é que os portugueses parecem ter vergonha de se orgulharem do que conseguiram?

Publicado a 01 de Junho 2013 por Jonathan Llewellyn em "Publicações recentes de outras pessoas".


segunda-feira, 22 de julho de 2013

P185 - NÃO TENHO 200.000 FRANCOS CFA (CERCA DE 300€) PARA A OPERAÇÃO!


Caríssimos amigos,
No Facebook vi esta msg com data de 20JUL2013 do nosso amigo Luís Carvalhido da Ponte, que regressou de mais uma visita à Guiné mais precisamente da região do CACHEU.
Convém lembrar que o Carvalhido da Ponte foi Furriel Enfermeiro na CART 3494 e também professor das crianças no Xime em 1972/74, é presidente da organização que deu origem à geminação de Viana do Castelo com a Vila de Cacheu, tendo aqui, ao longo de vários anos desenvolvido acção humanitária, nomeadamente a criação da maternidade existente para apoio à mulher Guineense.


Assim, para quem puder participar na ajuda à Mary, pode faze-lo da seguinte forma:

1º Transferir o que muito bem entenderdes para a conta da ACGB Nib: 0036 0056 9910 0155 9387 9
2º Logo-logo enviais para o endereço eletrónico acgb.geral@gmail.com uma mensagem identificando a transferência
SC


Cheguei ontem de Cacheu. Estava abafado o tempo. Eu vim também de semblante pesado.

Em 2000 conheci a Mary. Tinha 33 anos e 7 filhos. Publiquei alguns poemas sobre esta jovem da etnia Felupe, no meu penúltimo livro (Ora di djunta mon tchiga). Cinco anos depois, tinha 38 anos e 11 filhos. E continuava bonita ainda que um pouco desfolhada por tanta florescência. Dançava como eu nunca vira ninguém dançar. A batida ritmada dos pés descalços sobra a terra poeirenta, as contorções do corpo em rituais de sedução e a alegria dos movimentos eram tais que até as árvores pareciam ternurar-se para além das nuvens, nos ares de Fernão Capelo Gaivota, onde os sonhos se constroem.
Mais tarde, uma associação de mulheres nomeou-a sua Presidente e o seu país enviou-a até Espanha para aprender coisas necessárias ao seu mister. Via-a, em março deste ano, alegre e já um pouco europeizada. Entristeci-me um pouquito pois preferia que estivesse um pouco mais culta mas sempre africana. E talvez estivesse. Eu é que não contava com uma Mary diferente. Agora estava doente há uns dias. Doía-lhe o corpo. Doía-lhe a barriga. Levei-a a Canchungo, ao meu amigo médico Dr Koumba Iala Bispo. Que a atendeu de imediato. Que a assustou. Tem cancro do ovário e necessita de intervenção urgente. Os 9 filhos vivos e os netos também. Zé Luis! Como? Não tenho 200.000Francos CFa (cerca de 300€) para a operação, o internamento e os medicamentos. E mudou a conversa e perguntou-me pela Lai. E partiu e uma lágrima caiu, solitária, no chão contrito do alpendre do Centro de Recursos. E prometi-me contar a história. Quem sabe? Cinco euros daqui, 10 dali... Quem sabe?!
Um abraço.
 
Cavalhido da Ponte com a Mary