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quinta-feira, 21 de setembro de 2017

P325 - GUINÉ: (D)O OUTRO LADO DO COMBATE (UM CONTRIBUTO HISTÓRICO PARA O ‘ACHADO MACABRO’ EM 23 DE MARÇO DE 1970 EM CABUCA (REGIÃO LESTE) [NO TEMPO DA CART 2479 / CART 11]


Mensagem de Jorge Araújo com data de 18 de Setembro de 2017


Caríssimo Sousa de Castro,

Os meus melhores cumprimentos.

No passado fim-de-semana foi publicado no blogue da «Tabanca Grande» mais um texto meu, elaborado na sequência de uma história aí narrada pelo camarada Valdemar Queiroz (ex-fur da CArt 2479 / CArt 11 «Os Lacraus»).

Acaso a ele entendas fazer referência no nosso blogue, na medida em que estamos perante mais um episódio das nossas vivências no CTIGuiné, anexo uma cópia adaptada.

Voltarei em breve com mais apontamentos.

Boa semana, com saúde.

Com um forte abraço de amizade.
Jorge Araújo.

SET/17



GUINÉ

Jorge Alves Araújo, ex-Furriel Mil. Op. Esp./RANGER, CART 3494

(Xime-Mansambo, 1972/1974)
GUINÉ: (D)O OUTRO LADO DO COMBATE

UM CONTRIBUTO HISTÓRICO PARA O ‘ACHADO MACABRO’ EM 23 DE MARÇO DE 1970 EM CABUCA (REGIÃO LESTE)

[NO TEMPO DA CART 2479 / CART 11]

1.   INTRODUÇÃO
A história que o camarada Valdemar Queiroz [ex-fur mil, CArt 2479 / CArt 11] fez questão de partilhar connosco no P17471-LG, a partir de duas imagens do seu vasto espólio de memórias do CTIG, levou-me a procurar «(d)o outro lado do combate», titulo dado à minha série de narrativas relacionadas com o aprofundamento de factos e/ou ocorrências que marcaram os desempenhos dos diferentes actores da guerra, os elementos factuais que nos ajudem a encontrar resposta (a possível) para o que foi classificado, por si, de “achado macabro” em Cabuca.
A opção tomada emerge igualmente da ausência de relatos divulgados sobre este tema, em particular os factos ocorridos em 21 ou 22 de março de 1970 naquela região do Leste da Guiné, independentemente de existirem dezenas de referências no blogue da «Tabanca Grande» tendo por contexto a presença das NT no aquartelamento de Cabuca.
Ainda que não explícito, partimos da hipótese de que o material de guerra (foto 1) e o corpo (cadáver) do guerrilheiro (foto 2) foram localizados na mata [no mato], faltando uma referência se ambos estavam mais ou menos próximos ou dispersos e quais as distâncias das nossas instalações.

Estes elementos são importantes nesta reconstrução histórica uma vez que não tendo encontrado, exactamente, relatos sobre esta ocorrência, tivemos acesso a outros que podem ter alguma correlação entre si.

2.   FONTES CONSULTADAS

O que seguidamente se dá conta foi seleccionado dos vários documentos consultados.

2.1 – Relatório da Frente Leste assinado no Boé por Osvaldo Vieira e Pedro Pires com data de Março de 1970

- Sector 2 (Dulombi-Galomaro-Cancolim-Imulo)


Fonte:
Instituição: Fundação Mário Soares
Pasta: 07066.087.009
Título: Relatório da Frente Leste
Assunto: Relatório assinado por Osvaldo Vieira e Pedro Pires, delegados do Bureau Político na Frente Leste, de avaliação da situação política e militar na Frente Leste durante o ano de 1969. Entrada em funcionamento da Escola Político-Militar do Boé (EPM).
Data: Março de 1970
Observações: Doc. Incluído no dossier intitulado Relatórios.
Fundo: DAC – Documentos Amílcar Cabral
Tipo Documental: Documentos
Ao ser referido no relatório da Frente Leste o nome da «operação Tenaz - B – modificada», a realizar no Sector 2, para cuja missão chegariam cinco bigrupos, em 30 de maio de 1969, seguimos em frente na busca de algo mais, e o que encontrámos foi o seguinte:
2.2 – Documentos considerados “muito secreto”, referentes às Operações «Tenaz - A» e «Tenaz - B», assinados por Amílcar Cabral, com datas de 29 de junho e 30 de março de 1969, respectivamente.
1. - «Operação Tenaz - B», com data de 30 de março de 1969.
2. - «Operação Tenaz - A», com data de 29 de junho de 1969.
3. - Notas enviadas a Osvaldo Vieira, por Amílcar Cabral, com data de 31 de março de 1969, referindo os nomes dos Cmdt’s de bigrupos e grupos envolvidos na missão (provavelmente a ‘op. Tenaz A’, pois a sua data é posterior à chegada dos reforços).  
1. - «Operação Tenaz - B»; - não sendo possível confirmar a realização desta operação com os efectivos acima referidos, apenas daremos conta do que consta no documento, particularmente no que concerne às regiões circunvolventes a Cabuca, ou com ela relacionada.

2. - «Operação Tenaz - A»; - de acordo com os documentos consultados, considera-se a operação em título realizada (com forte probabilidade de ter acontecido ao longo dos meses de julho/agosto’1969, em função do número de baixas).
Para melhor leitura sobre as movimentações no terreno, elaborámos a infogravura abaixo indicando-se a distribuição dos grupos propostos por Amílcar Cabral para os diferentes itinerários e etapas [ver notas enviadas a Osvaldo Vieira].






Fonte:
Instituição: Fundação Mário Soares
Pasta: 10192.001.013
Título: Notas. Operação “Tenaz” - A
Assunto: Documento de Amílcar Cabral (muito secreto) sobre a Operação Tenaz. Instruções para o ataque a Bafatá e aos quartéis de Bigene, Galomaro, Bangácia, Dulombi, Quirafo e outras tabancas armadas, tendo a região do Boé libertado como rectaguarda activa e de apoio à operação. Instruções para as forças sob comando de Mamadu Ndjai [Indjai]. Coordenação da luta na Frente Leste com as forças comandadas por Nino [Vieira] e Osvaldo Vieira e com as forças a noroeste de Bafatá (Frente Norte).
Data: Domingo, 29 de Junho de 1969
Fundo: Arquivo Mário Pinto de Andrade
Tipo Documental: Documentos
1.   CONCLUSÕES
Em função do acima exposto, e no caso particular do material de guerra “encontrado” em Cabuca, não é possível afirmar/confirmar que está relacionado com aquele que foi considerado pelo PAIGC como perdido (ou desconhecida a sua localização, dizemos nós). Quanto ao cadáver do guerrilheiro, a imagem não levanta dúvidas… estamos perante factos ocorridos com um curto intervalo entre si: a morte e o registo fotográfico.
Cabe agora ao camarada Valdemar Queiroz fazer mais uma viagem ao seu baú de memórias, na eventualidade de aí poder descobrir mais algum elemento relevante para adicionar a esta história, ou, em alternativa, poder corrigir a data por si avançada.    
Com um forte abraço de amizade
Jorge Araújo.
17JUN2017


quarta-feira, 12 de julho de 2017

P324 - DE BAMBADINCA [1972/74] A TONDELA [2017] (O CASO DO CAMARADA AMÉRICO S. RUSSA, CCS/BART 3873)


GUINÉ

Jorge Alves Araújo, ex-Furriel Mil. Op. Esp./RANGER, CART 3494

(Xime-Mansambo, 1972/1974)

DE BAMBADINCA [1972/74] A TONDELA [2017]

- OU A AMIZADE QUE NÃO MUDOU EM 45 ANOS -

(O CASO DO CAMARADA AMÉRICO S. RUSSA, CCS/BART 3873)

1.   INTRODUÇÃO
Sousa de Castro
Realizou-se no passado dia 11 de Junho (domingo), em Tondela, o já tradicional Encontro/convívio anual do colectivo de veteranos da CART 3494, este ano a Edição XXXII. Pelos relatos pormenorizados, em jeito de reportagem, que o camarada Sousa de Castro [editor do blogue da Companhia] fez o favor de nos dar conta neste espaço de partilha [vidé P318], aos quais adicionou uma panóplia de imagens bem sugestivas, não é difícil concluir que se tratou, de facto, de mais um momento alto de simplicidade mas muito emotivo a confraternização entre todos os presentes: ex-combatentes na/da Guiné (1971-1974), esposas, filhos, netos e outros familiares.

De notar que foi a 14 de Junho de 1986, no Restaurante «O Frangueiro», em Aver-o-Mar, na Póvoa do Varzim, que se realizou o 1.º Almoço/convívio [vidé P207], ainda que nesta reunião se tenha registado uma reduzida participação. Estávamos, então, no início de uma outra caminhada, ou seja, a da reorganização dos/das tropas.

Essa caminhada continua... na medida em que esse projecto/processo ainda não o podemos dar por encerrado. Falta-nos resolver o problema da localização de outros (alguns) membros espalhados pelo País, por desconhecimento das suas respectivas residências. Porém, aos poucos e em cada ano novo ou em cada novo Encontro tem- se verificado, com grande satisfação colectiva, o reencontro daqueles que até então estavam sem contacto.

Esse superior objectivo continuará a manter-se, deixando sempre a porta-aberta, também, a quem connosco queira partilhar um são convívio em que predominam, naturalmente, memórias e experiências daquele tempo africano dos anos setenta do século passado e que, na fita do tempo, se encontra já a uma distância de quatro dezenas e meia de anos… é obra! Estamo-nos a referir a outros camaradas da família do BART 3873.

Embora este ano não tenha tido a oportunidade de estar (fisicamente) convosco por razões familiares, profissionais e logísticas, que justifiquei em devido tempo, foi muito bom saber da presença de novos amigos e camaradas que fizeram questão de participar pela primeira vez.

De entre eles, destaco a participação do camarada Américo Silva Santos Russa, ex-furriel Vaguemestre da CCS / BART 3873, valorando, em primeiro lugar, o conteúdo do seu comentário deixado no blogue no pós-Encontro e que aqui reproduzimos.

Para além das suas palavras de grande satisfação e camaradagem é justo, neste contexto, fazer referência a outras três razões principais que, no seu conjunto, são de agradecimento pessoal (e público) ao camarada Américo Russa, pois fazem parte da memória colectiva da nossa passagem pelo CTIG, em particular por Bambadinca, e que são:

1.    – Por se ter esforçado em garantir a alimentação diária ao(s) grupo(s) da CART 3494 (doze elementos em permanência = 1 furriel; 2 1ºs. Cabos e 9 soldados) durante a sua presença no Destacamento da Ponte do Rio Udunduma, ocorrida após a transferência da Companhia, do Xime para Mansambo, verificada em meados de Março de 1973 até ao fim da comissão (Março de 1974). O serviço incluía as três refeições diárias (pequeno-almoço, almoço e jantar), sendo o transporte de cada refeição efectuado com recurso ao Jipe do Comando do Batalhão sediado em Bambadinca [vidé P193 + P197].

2.    – Por se ter empenhado na organização do meu jantar de aniversário (23º), realizado na Messe de Sargentos, em Bambadinca, em 10 de Novembro de 1973 [foto 1, ao lado] para o colectivo do grupo de sargentos da CCS do BART 3873 e mais quatro furriéis da CART 3494: eu (Jorge Araújo), o Cláudio Ferreira, o Luciano de Jesus e o António Bonito [vidé P192], num total superior a três dezenas.

Naquela ocasião, cada um dos quatro estava em missão específica: eu a aguardar transporte para Bissau a fim de realizar ‘RX’ no HM 241 e consequente retirada do gesso do braço esquerdo, na sequência de ter fracturado o rádio em jogo de futebol ocorrido em 30 de Setembro de 1973, em Galomaro. O Cláudio Ferreira, por me ter substituído no comando do «Grupo da Ponte». O Luciano de Jesus, por estar a dar instrução, em Bambadinca, ao quarto turno de “Milícias”. E o António Bonito, por estar em serviço do Pel Caç Nat 52 (Mato Cão).

3.    – Por se ter disponibilizado a fazer parte do Grupo Musical do Batalhão criado com o objectivo de animar algumas noites do mês de Dezembro de 1973 (entre o Natal e o Ano Novo), que incluíram a deslocação às duas Unidades sediadas no mato (CART 3494, em Mansambo, e CART 3492, no Xitole) (vidé P235).

Para completar esta narrativa histórica, resta-me apresentar algumas imagens com as quais se pretende ilustrar cada fase do texto e, em simultâneo, recordar alguns dos momentos menos tensos, ou mais descontraídos, da nossa passagem pelo CTIG.

RETROSPECTIVA FOTOGRÁFICA
Foto 2 – Bambadinca, messe de Sargentos (10Nov1973, data do meu aniv.º), de trás para a frente, da esquerda para a direita, os furriéis: 1.ª linha: Joel - Russa (círculo vermelho) - Carrasqueira e Araújo [3494]; 2.ª linha: Monteiro [cozinheiro] - Jorge - Marques - Catarino - Carvalhido - Costa - Soares - Adérito - Laranjeira - Guimarães - Forja - Ferreira [3494] e Veríssimo; 3.ª linha: Mesquita [cozinheiro] - Pinho - Pachão - Faia - Rosado [1.º Sarg.] - Nunes - Costa [35.ª CCmds] - Jesus [3494] - Bonito [3494] e Marques; 4.ª linha: Leite [1.º Sarg.] - Martins - Sousa, sentado, [fur. enfº].
Foto 3 – Bambadinca, messe de Sargentos (10Nov1973; idem), da esquerda para a direita: furriéis: Adérito [CCS] - Costa [35.ª CCmds] - Araújo [3494] - Bonito [3494 / PCN52], aguardando a dose de Leitão (prato cheio), servido por Mesquita.

Foto 4 – Bambadinca, messe de Sargentos (10Nov1973; idem), da esquerda para a direita: Adérito - Costa - Araújo [3494] - Bonito [3494] - Jesus [3494] - Laranjeira [CCS] - Vítor, de pé - Carvalhido, de costas [CCS].

Foto 5 – Bambadinca, largo fronteiriço ao Comando do BART 3873 (Nov1973). À esq o Jipe do CMDT [Ten.Cor.Art. Tiago Martins (1919-1992)] utilizado para o transporte

Foto 6 – Destacamento da Ponte, Set1973. A mesa polivalente, onde se comia, escrevia, li, jogava e conversava. Em suma: o espaço de socialização e de partilha. Da esq/dtª: Gregório Santos; José Sebastião; Ricardo Teixeira e eu, participando no ”matabicho” das tardes, preparando-nos para mais uma noite de muitas estrelas.

Foto 7 – Dest. Ponte, Ago1973. Se o “rancho” era curto, havia a possibilidade de reforçar com mais uma dose de “pato da bolanha”, que por lá passavam às centenas.

Foto 8 – Galomaro, 30Set1973. Regresso a Bambadinca após o jogo de futebol com um grupo de camaradas da CCS do BCAÇ 3872, durante o qual aconteceu a lesão.


Foto 9 – Mansambo, 31Dez1973. À esq o camarada Américo Russa na companhia dos elementos do Grupo Musical do BART 3873. O 2.º da dtª é o camarada Luciano Jesus, que ainda hoje continua muito activo nas suas lides musicais


Foto 10 – Tondela, 11Jun2017. Os camaradas Américo Russa e Sousa de Castro durante o XXXII Encontro/convívio da CART 3494… 45 anos depois… 

Obrigado pela atenção.
Um forte abraço de amizade… e até para o ano (09.06.2018) … em Seia.
Jorge Araújo.
10JUL2017.

sábado, 8 de julho de 2017

P323 - IN MEMORIAM: O veterano, António Alves Ramos, ex. Sol. radiotelegrafista da CART 3494 deixa a vida terrena, (05OUT1950/07JUL2017)



A última foto no 32º encontro da CART 3494 em Tondela 11JUN2017 

Os três radiotelegrafistas, Ramos 1950/2017, o SdC e o Silva 1950/2002

No Xime (04MAI72) da Esq./drtª: Ramos 1950/2017, SdC, Vicente, Romão, Marinho 1950/2016 e o Pereira

António A. Ramos e Sousa de Castro em Mansambo (18NOV73)
Para conhecimento; E-mail que o Marco Ramos, filho do saudoso extinto, me endereçou no dia 13JUL2017.


Caro Castro,
mais uma vez, obrigado pela partilha.
Continuarei, igualmente, a seguir o blog da CART 3494 pois, indirectamente, é uma forma de recordar o meu pai, para quem era sempre uma grande alegria estar presente nos convívios. Apesar de já muito debilitado, ainda nos falava do convívio do próximo ano e de como gostaria de voltar a marcar presença.
Grande abraço,

Marco Ramos

quarta-feira, 5 de julho de 2017

P322 - GUINÉ: (D)O OUTRO LADO DO COMBATE: PROPOSTAS DE REFORÇO DA COOPERAÇÃO DA GUINÉ-CONACRI AO PAIGC (14 DE SETEMBRO DE 1972) - (Jorge Araújo) PARTE II – NO DOMÍNIO DA SEGURANÇA


GUINÉ

Jorge Alves Araújo, ex-Furriel Mil. Op. Esp./RANGER, CART 3494

(Xime-Mansambo, 1972/1974)

GUINÉ: (D)O OUTRO LADO DO COMBATE

PROPOSTAS DE REFORÇO DA COOPERAÇÃO DA GUINÉ-CONACRI AO PAIGC ELABORADAS POR AMÍLCAR CABRAL

(14 DE SETEMBRO DE 1972)


PARTE II – NO DOMÍNIO DA SEGURANÇA

1.   INTRODUÇÃO

Conforme dei conta na primeira narrativa relacionada com a divulgação das propostas em título [P319 – parte I], prometi dar continuidade a essa caminhada historiográfica pelas picadas do TO da Guiné que, no caso, implicaram atravessar as fronteiras do conflito colocando-me ‘do outro lado do combate’ diante de factos sociopolíticos levados à prática pelos seus principais personagens e responsáveis.

Deste modo, o principal protagonista continua a ser o secretário-geral do PAIGC, Amílcar Cabral (1924-1973), e a relevância do seu papel de líder emerge da leitura dos seus testemunhos escritos disponíveis na «Casa Comum», contributos essenciais para melhor se compreender as causas e efeitos dos elementos que as interligam, bem como os resultados obtidos ao longo desse processo.

Recorda-se que esse conjunto de propostas elaborado por Amílcar Cabral e enviado à consideração de Sekou Touré [1922-1984], em 14 de Setembro de 1972 [quatro meses antes do seu assassinato], têm como principal objectivo o reforço da cooperação entre o Partido Democrático da Guiné [PDG], então no poder, e o PAIGC na luta comum contra o regime português.

O documento escrito em francês está dividido em quatro pontos principais, corolário de uma apreciação dos maiores problemas e das principais necessidades da luta inventariados e justificados pelo secretário-geral, a saber:

I – Reforço da cooperação militar.

II – No domínio da segurança.

III – Reforço das forças da luta.

IV – No domínio financeiro.

Em função da extensão do documento e da importância histórica dos diferentes pontos abordados, todos eles com consequências político-militares particularmente na Frente Sul que haveriam de prolongar-se por mais dois anos até que as armas se calaram de ambos os lados depois do «25A’74», este trabalho foi dividido em partes, cada uma delas correspondendo aos temas indicados acima. No final de cada uma delas será apresentado o original dactilografado em língua francesa.

No que concerne à parte primeira – cooperação militar – o documento aborda o plano logístico, com destaque para o reforço em armas, munições e viaturas; a reparação e manutenção das estradas, pontes e acessos em direcção às fronteiras da frente sul e ao fornecimento de cem toneladas de arroz a custo mais acessível a ser pago pelo Partido.

 Citação:
(1963-1973), "Combatentes do PAIGC (FARP) transportando uma peça de artilharia anticarro e munições", CasaComum.org, Disponível HTTP: http://hdl.handle.net/11002/fms_dc_43091 (2017-6-28)

Citação:
(1963-1973), "População e combatentes do PAIGC junto a géneros alimentícios", CasaComum.org, Disponível HTTP:
http://hdl.handle.net/11002/fms_dc_43622 (2017-6-28)
Citação:
Desconhecido (s.d.), "Um carro de combate na frente.", CasaComum.org, Disponível HTTP: http://hdl.handle.net/11002/fms_dc_10945 (2017-6-28)

Quanto ao reforço da acção armada, a proposta contempla o envio de militares do exército da Guiné-Conacri para a fronteira, incluindo o patrulhamento continuado, com recurso à utilização de armas pesadas, p.e. canhões de 130 mm. É proposta a instalação de um sistema de defesa antiaérea ao longo da fronteira, desde Sansalé até Foulamory, com patrulhamentos dessa zona a cargo da Força Aérea Guineense. É, ainda, pedida a criação e treino de unidades especiais de combate (carros de assalto, artilheiros, aviadores, sapadores) bem equipadas, para apoio selectivo à luta.
Citação:
(s.d.), "Guerrilheiros deslocando-se num carro blindado, Guiné-Bissau", Casa Comum.org, Disponível HTTP:http://hdl.handle.net/11002/fms_dc_85108 (2017-6-28)


Propostas (continuação)

II – No domínio da segurança

1.    Recenseamento (censo), pelos nossos quadros, com a ajuda das autoridades guineenses, de todos os naturais do nosso país instalados (residentes) na República da Guiné Conacri. Distribuição de cartões de identificação especiais (modelo anexo - PAIGC) a esses indivíduos, nos próximos seis meses.


   2.    Após esse prazo
a)    Todo o indivíduo do nosso país instalado (residente) na República da Guiné Conacri e que não tenha em seu poder o cartão de identificação emitido pelo PAIGC ou de uma ordem de missão devidamente preenchida, será preso e informado o PAIGC para verificação da sua situação, em cooperação com os serviços de segurança guineense.
b)    Designação de um responsável do PAIGC para ajudar as autoridades guineenses no controlo dos indivíduos do nosso país, onde se encontrem em permanência, em cada Federação (ou Secção) [região administrativa].


3.    Ao nível das fronteiras

a)    Retirada da zona de fronteira de todos os naturais do nosso país conhecidos ou suspeitos de serem simpatizantes, colaboradores ou agentes dos colonialistas portugueses. Eles serão enviados para o interior da República da Guiné Conacri ou para as regiões libertadas do nosso país.

b)    Aumento da vigilância e repressão dos agentes dos colonialistas operando nas fronteiras, independentemente das suas responsabilidades ou origem.

c)    Aumento do trabalho político no seio das populações da República da Guiné Conacri das zonas fronteiriças, particularmente no que concerne às comunidades envolvidas na luta de libertação.

Original em francês (folha 2)
Fonte:

Instituição: Fundação Mário Soares

Pasta: 07200.177.003

Título: Propostas do PAIGC à consideração de Sekou Touré

Assunto: Propostas de Amílcar Cabral, Secretário-Geral do PAIGC, à consideração de Sekou Touré, no âmbito da cooperação entre o PDG e o PAIGC. Reforço da cooperação no domínio militar. Domínio da segurança. Reforço das forças vivas da luta. Domínio financeiro.

Data: Quinta, 14 de Setembro de 1972

Observações: Doc. Incluído no dossier intitulado Decisão de A. Cabral / Propostas a Sekou Touré 1972. Documento igual a 04603.004.

Fundo: DAC – Documentos Amílcar Cabral

Tipo Documental: Documentos

 (Continua)

Obrigado pela atenção.

Um forte abraço de amizade com votos de muita saúde.

Jorge Araújo.

02JUL2017

terça-feira, 27 de junho de 2017

P321 - MARCELINO DA MATA, TEN. COR. GRADUADO, O MAIOR COMBATENTE DA GUERRA DE ÁFRICA 1961-1974




Santos Oliveira
MSG de Fernando Santos de Oliveira, 2º Sarg. Armas Pesadas Infª. Guiné, Ilha do Cômo, Cufar e Tite - 1964/66 com data de : 26JUN2017. 
Fotos de; Sousa de Castro (Recortes de imprensa)

DIVULGANDO, COM ESPERANÇA QUE CHEGUE A QUEM DE DIREITO... 
MB (Cor. Manuel Bernardo)

 
ELE É O NOSSO RAMBO! Este homem chama-se Marcelino da Mata e foi uma autêntica "máquina de guerra" nas matas da Guiné. (...) Foi este o título da primeira página do Jornal "tal&qual" Nº 828 - 3 a 9 de Maio de 1996 que reproduzo com a devida vénia.

Marcelino da Mata, Tem Cor Graduado - Portugal esqueceu-se de mim, mas os amigos não.
(jornal "O Diabo" 29JUL2014






Vd. Postes em Refª.: https://cart3494guine.blogspot.pt/2014/12/p222-manuel-ferreira-da-graca-partilhou.html

https://cart3494guine.blogspot.pt/2015/01/p227-marcelino-da-mata-portugal.html