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sábado, 25 de outubro de 2014

P218 - Comentário ao artigo: Guiné, Guileje e o desnorte do reino (Alexandre da Costa Coutinho e Lima, Cor. de Artª. Ref. Ex Comandante do COP 5 , em GUILEJE)

E-mail do: Alexandre da Costa Coutinho e Lima
Cor. de Artª. Ref.
Ex Comandante do COP 5, em GUILEJE
comentando o artigo publicado no blogue: "OAdamastor" em
sábado, 22 de Junho de 2013: "GUINÉ, GUILEJE, E O DESNORTE DO REINO" de autoria do Ten. Cor. Piloto Aviador (ref.) - Cmd. Linha Aérea, João José Brandão Ferreira.

1. Considerando, ser um assunto muito sensível e delicado, muito debatido e discutido nomeadamente no blogue "Luis Graça & Camaradas da Guiné" aconselho, antes de fazerem qualquer juízo de valor, a leitura atenta sobre o artigo publicado no blogue em referência que se intitula:



SC

Assunto
Fwd: Artigo "Guiné, Guileje e o desnorte do reino, do Sr. TC Brandão Ferreira (BF)
De
Coutinho e Lima
Para
Sousa de Castro; Delfim Santos
Enviado
quinta-feira, 23 de Outubro de 2014 17:46

Caro Amigo

Junto envio um comentário sobre o artigo em epígrafe.

As razões por que escrevi este comentário são  porque me assiste o direito de resposta e porque "quem não se sente não é filho de boa gente" e eu prezo muito a memória dos meus pais.

Embora o artigo em questão tenha sido publicado no blogue do Sr,TC BF, considero mais adequada a publicação do meu comentário no nosso, para assim todos os tabanqueiros dele tomarem conhecimento.

 Um abraço amigo

Coutinho e Lima


Comentário ao artigo Guiné, Guileje e o desnorte do reino
1ª. Parte
   Há umas semanas, fazendo uma pesquisa no Google, sob a rubrica “retirada de Guileje – comentários”, encontrei um artigo, com o título referido acima, da autoria do Sr. Ten. Cor. Pil Av. (Ref.) Brandão Ferreira, com data de 22 JUN 2013, publicado no seu blogue Novo Adamastor. Neste, o autor apresenta-se como Comandante de Linha Aérea e Mestre em Estratégia.

   Antes de entrar na análise do artigo indicado, importa referir que o Sr. Ten. Cor. nasceu em Setembro de 1953; por esse facto, na data de 25 de Abril de 1974 (referido, na sua escrita, como “21/4”, o que, só por si, tem o seu significado), tinha 20 anos, estando portanto no início da sua vida militar. Por esta razão, não pôde participar na guerra – Angola, Guiné e Moçambique; em consequência, a sua experiência nestas guerras é igual a ZERO. Não obstante este facto, não se coíbe de fazer afirmações sobre a nossa guerra em África, como se tratasse de um catedrático na matéria, com longa experiência no campo de batalha. Talvez o Curso de Comandante de Linha Aérea e o Mestrado em Estratégia o tenham habilitado com as ferramentas necessárias para perorar sobre assuntos que desconhece.

“Presunção e água benta cada qual toma a que quer”.

  No que diz respeito a experiência de guerra, devo informar que cumpri 3 comissões, por imposição, na Guiné: a 1ª. (63/65), comandando a Companhia de Artilharia 494 (CART 494), que esteve em Ganjola (Norte de Catió), desde Setembro a Dezembro de 1963; em Gadamael, com um destacamento em Ganturé, desde Dezembro de 1963 até Maio de 1965; todas estas localidades, foram ocupadas pela primeira vez, pela CART 494. Além da missão prioritária, que era a actividade de contra-subversão, contra um inimigo bastante aguerrido, a Companhia teve que construir 3 aquartelamentos, partindo praticamente do zero.

 Na 2ª. Comissão (68/70), fui colocado no Quartel General do Comando Chefe das Forças Armadas da Guiné, em Bissau. Não se pense que esta colocação foi consequência de alguma “cunha”; na verdade estava habilitado com o Curso de Observador Aéreo de Artilharia (COAA), frequentado em Vendas Novas e Tancos, em 1958; o COAA era especialidade de mobilização (já o era em 63), razão pela qual tive esta colocação. Refiro que o Sr. Comandante Chefe era. durante toda esta Comissão, o Sr. General António de Spínola.

  Na 3ª. Comissão (72/74), com o posto de Major, fui mobilizado, em rendição individual, de novo
para a Guiné; de SET a DEZ 72, prestei serviço no Centro de Instrução Militar (CIM) em Bolama; de JAN a MAI 73, fui Comandante do Comando Operacional nº. 5 (COP 5), em Guileje; de MAI 73 a MAI 74, estive na situação preventiva, em Bissau, como consequência de ter decidido efectuar a Retirada de Guileje. Regressei a Lisboa, em 12 MAI 74.

Portanto, comparando a minha experiência de combate e a do Sr. Ten. Cor. Brandão Ferreira estamos conversados.

Depois de ler o artigo do Sr. Ten. Cor., que contem algumas, poucas, afirmações verdadeiras, tem, porém, muitas mentiras, imprecisões e omissões, fica claro que o articulista não conhece, verdadeiramente, o que se passou e, presumo que não leu o meu livro “A Retirada de Guileje”, pois se o tivesse feito, não dizia tantas asneiras.
Felizmente que, depois do 25 de Abril de 1974, há liberdade de expressão e, em consequência, também há liberdade para a ASNEIRA.

Vou agora analisar o conteúdo do artigo em causa, nesta 1ª. Parte apenas no que respeita à retirada de Guileje; na 2ª. Parte abordarei os aspectos relativos a Guidage e Gadamael, assim como referirei documentos relacionados com a guerra dos 3 G – Guidage, Guileje e Gadamael.

Começo com a seguinte referência:

“…e ao mito que se veio a criar que a guerra na Guiné estava perdida…”

Sobre este “mito”, reporto-me ao livro MARECHAL COSTA GOMES – No centro da tempestade, da autoria de LUIS NUNO RODRIGUES (pág. 101 a 103), referindo uma viagem, em JUN 73 à Guiné:

“… A posição de Costa Gomes relativamente à situação no teatro de operações da Guiné era bastante clara. Na sua opinião, o “desenvolvimento da manobra em curso” e a “manutenção do actual dispositivo” só seria possível mediante a “disponibilidade de volumosos meios adicionais que permitissem o reforço adequado das guarnições de fronteira”. Nisso concordava com Spínola. No entanto, nas condições existentes em Portugal, tanto humanas como materiais, a Guiné não poderia contar com o “reforço adequado de meios por absoluta impossibilidade de os fornecer actualmente”. A solução, sob o ponto de vista militar, passaria pela “adopção de uma manobra visando o encurtamento de área efectivamente ocupada, evitando-se desse modo a contingência de aniquilamento das guarnições de fronteira que se impõe a todo o transe evitar, atentas as repercussões militares e políticas externas e internas”.

De acordo com Costa Gomes, esta modificação do dispositivo implicava a retirada de todas as forças colocadas nas fronteiras pra uma zona onde não pudessem ser “vítimas” dos “chamados morteiros de 120”, uma arma terrível, utilizada pelo PAIGC “com muita facilidade”.

…Na sua opinião, a Guiné era “defensável” caso o dispositivo fosse modificado, retirando para o interior as guarnições militares que estavam a defender as povoações localizadas junto à fronteira. Tudo isto, porém, na condição de o PAIGC não utilizar os Migs que se sabia possuir. …
Deste modo, se o PAIGC viesse a dispor dos aviões Migs poderia bombardear Bissau, “nós perderíamos imediatamente a guerra.”

Relativamente aos meios aéreos de que o PAIGC dispunha nessa altura, transcreve-se o que o  Sr. Chefe da Repartição de Informações do Comandante Chefe afirmou, na Reunião de Comandos, realizada em Bissau, em 15 MAI 73:

“…Para complementar o quadro da evolução do potencial material do IN, resta acrescentar, no que se refere a meios aéreos, que o PAIGC dispõe já de 4 aviões ligeiros e aguarda o fornecimento de mais 6 de tipo não revelado, contando já com 28 pilotos…

   …no quadro do potencial aéreo inimigo, os meios que a REP GUINÉ pode empenhar e em relação aos quais se refere:

- A recente chegada de 6 pilotos estrangeiros (líbios e argelinos) à REP GUINÉ para substituir, nos MIG-15 e MIG-17, os pilotos guinenses cuja imperícia se revelou em alguns acidentes.
- A chegada à REP GUINE de 2 helicópteros MI-8 em fins de Abril.

- A promessa da REP GUINÉ ceder uma pista ao PAIGC para manobra dos seus aviões.”

Pelo que fica escrito, parece que não se tratava propriamente de um “mito”.

Continuando com as afirmações do Sr. Ten. Cor.:

“No meio da ofensiva referida veio a ter destaque, pelas piores razões, o abandono do quartel e povoação de Guileje, no dia 22 de Maio.

Piores razões, porque marca uma página negra da História Militar Portuguesa, dado que uma guarnição que estando longe de ser batida, quebrou o dever militar, ao abandonar a sua área de operações sem ordem para o fazer e sem razão que o justificasse. A única que o fez em 13 anos de combate.”

“Pelas piores razões”, é a opinião do Sr. Ten. Cor., mas não é, seguramente, a da esmagadora maioria (com uma única excepção) dos militares que estavam em Guileje, que, para mim, é incomensuravelmente a mais importante.

Felizmente não é o Sr. Ten. Cor. que faz a História Militar Portuguesa e por isso vamos esperar  para ver se os historiadores consideram o facto “uma página negra”.

A guarnição, contrariamente ao articulista afirma (até parece que estava lá…), “estando longe de ser batida”, estava, com toda a certeza, muito próxima de ficar completamente cercada pelo PAIGC (o cerco estaria completo no dia 22 MAI 73).

Não considero que tenha quebrado “o dever militar”, porque, além de não estar vedada a retirada (só o estaria se a Missão fosse “defesa a todo o custo”, o que não era o caso), esta foi efectuada “sem ordem para o fazer”, pelo facto de o quartel ter ficado privado de qualquer meio de comunicação, porque o centro de comunicações foi totalmente destruído pela flagelação sofrida na tarde do dia 21 MAI 73.

Tenho sérias dúvidas que o abandono de Guileje tenha sido o único; o Sr. Ten. Cor. contradiz-se, quando refere em (1) que em 30/1/73 (enganou-se no ano, pois foi em 74 e não em 73), também foi abandonado Copá; não tenho a certeza se também o quartel de Canquelifá não terá sido também abandonado e em seguida reocupado em 74.

Continuando a análise, afirma o Sr. Ten. Cor:

“Depois de abandonar o serviço activo, escreveu um livro, profere conferências e entra em debates, no sentido de descrever o que se passou, explicar as razões por que tomou a decisão que tomou e insurgindo-se contra o processo de que foi alvo”

Será que só o Sr. Ten. Cor. está autorizado a escrever, proferir conferências e entrar em debates? Continuarei a fazê-lo, quando para isso for solicitado, mesmo com a sua discordância.

Nunca me insurgi contra o processo de que fui alvo (isto é mais uma invenção do Sr. Ten. Cor.), porque sabia que a instauração de um auto de corpo de delito era inevitável.

O que censuro, com a maior veemência, é a maneira, verdadeiramente tendenciosa, como o mesmo processo foi levado a efeito. Sabe-se que o objectivo primário da investigação é o apuramento da verdade; seguramente, não foi esta a preocupação do Sr. Oficial da Polícia Judiciária Militar (PJM) – Sr. Brigadeiro Leitão Marques; não sei se este recebeu algumas orientações específicas para conduzir o processo, nem isso interessa muito. O Sr. Brigadeiro foi o único responsável pela forma como dirigiu a investigação, da qual resultou a intenção deliberada de me acusar.

No processo, podem verificar-se várias anomalias, apontadas no meu livro. Indico algumas:

- Depoimentos contraditórios de duas testemunhas, sobre a destruição dos carros sanitários, sem que o Sr. Oficial da PJM tenha feito qualquer diligência para esclarecer o assunto.

- Não aceitação da procuração em que eu nomeava meus defensores 4 Advogados, Oficiais Milicianos, todos a prestar serviço militar na Guiné, prejudicando assim a minha defesa.

- O interrogatório que o Sr. Brigadeiro Leitão Marques fez à testemunha, Sr. Ten. Cor. Pinto de Almeida, Chefe da Repartição de Operações do Comando Chefe (pág 692 a 697 do processo), em que nem uma pergunta foi feita sobre os acontecimentos ocorridos em Guileje; todas as perguntas versaram sobre o que ocorrera em Guidage.

Sobre este último assunto escrevi no meu livro:

“Após ter feito a primeira leitura do depoimento do S. Chefe da Repartição, fiquei com dúvidas se teria lido bem. Voltei a ler, com toda a atenção, e fiquei perplexo e estupefacto; na realidade, o caso não era para menos; não é que, tratando-se de um processo sobre a retirada de Guileje, o Sr. Oficial da PJM não formulou nenhuma pergunta acerca do objecto dos autos!

Isto tem um nome, que é DESONESTIDADE INTELECTUAL.”

A testemunha podia, por sua iniciativa, fazer declarações sobre Guileje, mas assim não entendeu.

Não tenho qualquer dúvida, que se tratou de UM VERDADEIRO CONLUIO ENTRE O SR. OFICIAL DA PJM E A TESTEMUNHA, o que considero gravíssimo, especialmente por se ter verificado no Exército Português.

Continuando a análise do artigo, o Sr. Ten. Cor. afirma:

“ Foram escolhidas pois estavam mesmo junto à fronteira…”


Referia-se a Guidage e Guileje; enquanto que a primeira localidade está mesmo na fronteira, já
Guileje dista da dita fronteira, cerca de 8 quilómetros, em linha recta, o que significa que, mais uma vez, não sabe do que estava a falar.

“No meio desta ofensiva séria, foi atacado o aquartelamento de Guileje, no dia 18 de Maio, possivelmente como diversão, para obrigar forças que estavam a auxiliar Guidage.”

A “ofensiva séria” era em Guidage, podendo por isso entender-se que, em Guileje, a “ofensiva era a brincar…”. No mínimo, haja respeito por quem lá estava.

Não admira que o Sr. Ten. Cor. confunda tudo, porque da guerra da Guiné, não percebe nada.
Para seu esclarecimento, devo informá-lo que, pelo chamado “corredor de Guileje”, que vindo da República da Guiné Conacri, passava bem longe do aquartelamento de Guileje, o PAIGC fazia entrar cerca de 60/70% dos abastecimentos, de toda a ordem, para todo o nosso território. Daí a importância atribuída pelo IN à nossa presença, o que fez com que preparasse, com muitos meses de antecedência um “ataque com toda a força a Guileje”, na própria expressão do PAIGC.

Não tenho qualquer dúvida que o ataque a Guidage (de acordo com informações recolhidas no Simpósio Internacional de Guileje, em Mar 2008, em Bissau, devia ter início ao mesmo tempo que o ataque a Guileje e só não houve simultaneidade porque, no primeiro caso, foram detectados pelas NT, as comunicações do IN, obrigando este a desencadear o ataque mais cedo), era uma manobra de diversão, sendo o ataque a Guileje a acção principal.

A intenção do PAIGC era obrigar o Comando Chefe , em Bissau, a socorrer as duas guarnições, tendo que repartir as suas reservas. Para o IN, a actuação do Sr. General Spínola não podia ser-lhe mais favorável, ao hipotecar praticamente todas as suas reservas no socorro a Guidage. Mais à frente voltarei a este assunto.

“A guarnição do Comando Operacional 5 sofreu um morto e dois feridos. O Comandante, Major Coutinho e Lima, decidiu ir a Bissau expor a situação. Regressou no dia seguinte e tomou a decisão de abandonar o quartel, levando consigo toda a população para Gadamael- Porto, uma povoação a poucos quilómetros.”

Esta narrativa (como agora se diz) do Sr. Ten. Cor., muito sintética, sobre o que se passou em Guileje, fica muito aquém da realidade, além de incluir várias incorreções e deturpação dos factos. Passo a esclarecer:

As baixas sofridas pelas NT, na emboscada de 18 MAI 73, foram: um morto, sete feridos graves e quatro feridos ligeiros (e não um morto e dois feridos).

Não decidi ir a Bissau, conforme afirma o Sr. Ten. Cor.

 Após a emboscada montada pelo IN, impedindo, pela primeira vez, a realização da coluna de reabastecimento, tive a noção perfeita de que estávamos perante uma situação grave. Nestas condições, enviei, em 18 MAI 73, às 09H05, uma mensagem RELÂMPAGO (a de maior prioridade, sendo as prioridades seguintes: IMEDIATO, URGENTE e ROTINA), para a REP/OPER, com o seguinte texto:

VIRTUDE FORTE EMBOSCADA COLUNA HOJE SOLICITO VINDA ESTE DELEGADO ESSA DELEGADO COAT”. (COAT = Comando Aero-Táctico da Força Aérea)

Quando enviei esta mensagem, não sabia ainda que a Força Aérea não ia a Guileje, o que vim a verificar depois.

A resposta foi dada, no mesmo dia, às 13H13, com uma mensagem IMEDIATO:

“ REF S/…AGUARDA-SE ENVIO RELIM” (RELIM= Relatório Imediato).

Às15H10, enviei nova mensagem RELÂMPAGO:

“ S/…INFO RELIM INSUFICIENTE. ASSUNTO TRATAR DIZ RESPEITO FALTA APOIOS EFECTIVOS REALIZAÇÃO COLNS FACE POTENCIAL IN. SOLICITO INFORME ESTA VIA QUANDO VÊM DELEGADOS.

Continuando sem resposta da REP/OPER, enviei nova mensagem RELÂMPAGO, às 22H45 desse dia 18MAI:

“M/…SOLICITO RESPOSTA ESTA VIA POIS TENHO POSSIBILIDADE SEGUIR MANHÃ 19 MAI GADAMAEL PORTO.”

Preocupado com a vinda os delegados, enviei em 19 MAI, às 03H50, a mensagem RELÂMPAGO:

CASO HAJA DIFICULDADE VINDA DELEGADOS SOLICITO AUTORIZAÇÃO IDA BISSAU E TRANSPORTE PARTIR GADAMAEL PORTO FIM EXPOR SITUAÇÃO.”

Esta mensagem foi respondida, no mesmo dia, às 11H11 (07H21 depois, o que é um exagero, inadmissível, para responder a uma mensagem RELÂMPAGO):

“ REF S/… DE 19 MAI 73, SITUAÇÃO LOCAL NÃO ACONSELHA SAÍDA DEMORADA DO SECTOR. ESTE TENTOU IR MAS FAEREA SO VAI GADAMAEL EMERGENCIA, EXPONHA SITUAÇÃO ESTA VIA.”

Esta mensagem foi enviada apenas para o COP 5 (Guileje), onde a REP/OPER sabia que eu não estava, o que demonstra a maneira desleixada (para não ser mais contundente), como o assunto foi tratado; o procedimento correcto era enviar a mensagem também para Gadamael e Cacine, havendo assim a certeza que eu a receberia, na hora.

Em consequência, só tive conhecimento do seu teor no dia 20 MAI, pelas 03H00, quando foi retransmitida de Guileje para Cacine, onde eu me encontrava.

Tendo chegado a Cacine na manhã do dia 19 MAI, donde foram evacuados os feridos pela Força Aérea (a REP/OPER não se lembrou de utilizar este transporte para enviar os delegados que eu, insistentemente pedia), e não recebendo resposta de Bissau (recordo que a mensagem acima só foi do meu conhecimento no dia seguinte), desesperado com tanta negligência, fui tentando resolver a situação, inclusivamente solicitando transporte ao Comando de Defesa Marítima, que tinha um avião à sua disposição, o que não foi possível.

Entretanto Guileje estava sujeito à acção do IN, com flagelações de dia e de noite.

No dia 20 MAI, às 03H20, após tomar conhecimento da mensagem da REP/OPER do dia 19 MAI, (11H11), pelas razões apontadas, enviei, de Cacine, a seguinte mensagem RELÂMPAGO:

“ SUA…DE 19 MAI 73 CMDT PRESENTE NESTA INFORMA NECESSITA UMA COMPANHIA TROPA ESPECIAL FIM EFECTUAR REFORÇO TEMPORÁRIO REABASTECIMENTO GUILEJE. NECESSÁRIO TAMBÉM REFORÇO VIATS E ESTIVADORES. VIRTUDE SE ENCONTRAR NESTA JULGA ACONSELHÁVEL IR BISSAU REGRESSANDO IMEDIATAMENTE”.

No dia 20 MAI, à tarde, veio finamente a Cacine um helicóptero, que me transportou para Bissau.
Pelo que fica escrito, espero que o Sr. Ten. Cor. se convença que não decidi ir a Bissau.

“Do que se sabe o General Spínola …e não lhe explicou nada. Podia ter-lhe dito…eu agora não lhe posso valer pois tenho todas as minhas reservas empenhadas (o que era verdade), volte para lá, aguente-se, que logo que possa envio-lhe auxílio”.

Realmente o Sr. General Spínola não me explicou nada. Contrariamente ao que afirma o Sr. Ten. Cor., não é verdade que todas as reservas estivessem empenhadas. Conforme se pode verificar pelo depoimento do Sr. Chefe de Repartição de Operações, já indicado atrás, em resposta à pergunta do Sr. Oficial da PJM:

“… qual a situação das reservas do TO em vinte de Maio de mil novecentos e setenta e três…”, a resposta foi:

“…A trigésima quinta de Comandos encontrava-se em Bissau com a missão de segurança ao Palácio do Governo. …A Companhia de Caçadores Paraquedistas cento e vinte e um encontrava-se em Bissau em descanso desde vinte de Abril de mil novecentos e setenta e três.”

Portanto, se o Sr. General Spínola quisesse (e não quis), podia reforçar Guileje, de imediato, com a 35ª. Companhia de Comandos (depois de substituída na missão que lhe estava atribuída, o que não era particularmente difícil) e com a Companhia de Paraquedistas 121; refere-se que, esta Companhia foi reforçar Guidage, desde as 17H00 do dia 20 MAI 73 (ironicamente, depois de eu ter pedido reforço - ver mensagem anterior, enviada às 03H20 desse mesmo dia 20 - esta Compª foi mandada para Guidage) até às 15H00 do dia 31 MAI73.

O argumento de que não havia reservas para reforçar Guileje, como se vê, é verdadeiramente falacioso. Acrescenta-se que estavam, em 20 MAI 73, em Cufar, as Companhias de Paraquedistas 122 e 123 (Sector do COP 4), que quinze dias mais tarde, foram reforçar Gadamael. Estas duas Companhias também podiam socorrer Guileje, de imediato, se recebessem essa missão do Comandante Chefe.

Se o Sr. General tivesse dito (e não disse), …”logo que possa envio-lhe auxílio”, isto equivaleria a dizer que a guerra, em Guileje, poderia esperar. Na prática, foi o que o Sr. General determinou, com a sua decisão de não atribuir qualquer reforço. Esqueceu-se foi do PORMENOR do envio de uma mensagem RELÂMPAGO, de teor semelhante ao seguinte:

 “ Para o Comandante Zona Sul PAIGC – Nino Vieira

VIRTUDE TER TODAS MINHAS RESERVAS EMPENHADAS GUIDAGE, SOLICITO PARAGEM TEMPORÁRIA VOSSA ACÇÃO GUILEJE. LOGO QUE RESOLVA PROBLEMA NORTE, INFORMAREI ESTA VIA.

       António de Spínola

Talvez Nino Vieira tivesse sido sensível à solicitação!

Continuando a análise do artigo,

“E quando se despediu dele humilhou-o dizendo “regressa a Guileje e daqui a um ou dois dias irá lá ter o Coronel Durão e você passa a adjunto dele”. Ou seja passou-lhe um atestado de incompetência”.

Mais uma vez o Sr. Ten. Cor. deturpa o que aconteceu. O Sr. General não me disse quando o Sr. Coronel Durão iria para Guileje.

 Afirma que me passou um atestado de incompetência. Conhecendo como eu conhecia o Sr. General Spínola (tinha obrigação disso, porque trabalhei, sob as suas ordens, durante dois anos - 68/70), pude verificar que lidava muito mal com a incompetência, tendo dado sobejas provas desse facto. Se me considerasse incompetente, teria sido retirado do Comando do COP 5, na hora. A minha interpretação foi que tinha perdido confiança na minha acção de Comando. Este sentimento era recíproco, pois quando em 18 MAI 73, não foram feitas, a partir de Guileje, as evacuações solicitadas, contrariamente à sua garantia dada na sua última visita, em 11MAI 73, perdi toda a confiança na sua palavra, o que foi partilhado pelos militares, em Guileje.

Além disso, tendo o Sr. General Spínola, no final da minha comissão no Comando Chefe, decidido atribuir-me um louvor, se me considerasse incompetente era a admissão que se tinha enganado (louvando um incompetente), o que não era propriamente o seu forte – admitir que errara.

Perante a decisão do Sr. General, podia ter declarado que, perante a sua falta de confiança, não aceitava a solução, sujeitando-me, obviamente, às respectivas consequências, ficando assim liberto do problema que, responsavelmente, estava a tentar resolver.

Nunca tal me passou pela cabeça, pois a minha preocupação era chegar o mais rapidamente a Guileje, donde tinha saído no dia 18 de manhã. Estes 3 dias da minha ausência, foram um total desperdício. O Comando Chefe e o seu Estado Maior ficaram muito mal na fotografia, ao proceder da maneira displicente como trataram este assunto, sem atribuírem nenhuma prioridade à situação, gravíssima, que se vivia em Guileje

Se os delegados, cuja comparência insistentemente pedira, se tivessem deslocado a Cacine, no dia 19 MAI, aproveitando o meio aéreo que lá foi fazer as evacuações, eu teria regressado a Guileje, o mais tardar, no dia 20 MAI. Mesmo sem a ida dos delegados, o Comando Chefe podia ter ordenado o meu regresso imediato, o que não fez.

“Mas prova ainda outra coisa: que a retirada já teria sido preparada do anterior, pois era praticamente impossível organizar tal operação na hora. Será que estariam à espera que Spínola autorizasse a saída? Até que ponto haveria acção subversiva feita por eventuais infiltrados simpatizantes, idos da Metrópole? Eis duas questões que seria interessante dilucidar.”

Mais uma vez o Sr. Ten. Cor. entra em dissertações que são totalmente fantasiosas.

A retirada foi decidida, apenas, quando regressei a Guileje, ao fim da tarde do dia 21 MAI. Tal pode ser comprovado pelos militares que lá estavam (que só ouviram, da minha boca, falar em tal hipótese, naquela hora). Bem sei que, para o Sr. Ten. Cor. interessa muito mais o “jornal da caserna” e, sendo assim, pode perguntar ao seu “apoiante”, ex-Soldado Constantino Costa, que estava em Guileje, se eu abordei esse tema, anteriormente.

A decisão foi por mim tomada, sem pressão de quem quer que seja. Depois de tomar a decisão, perguntei a todos os que estavam no abrigo em que me encontrava, qual a opinião de cada um e todos manifestaram a sua concordância. Podia aproveitar para afirmar que tive a aprovação dos que ouvi, mas não o fiz, porque esta concordância foi “à posteriori” e porque prezo muito a verdade.
A ideia de esperar que o Sr. General Spínola “autorizasse a saída”, além de absurda, como podia ser expectável, se o que eu pedira era reforço!

A ideia de “acção subversiva por eventuais infiltrados” não me merece qualquer comentário. Como até agora, os argumentos do Sr. Ten. Cor. não são convincentes (excepto o seu autoconvencimento),  resolveu inventar a “teoria da conspiração”. Repito: TOMEI A DECISÃO SEM PRESSÃO DE NINGUÉM. Se não percebeu, POSSO FAZER UM DESENHO.
Espero que o Sr. Ten. Cor. tenha ficado dilucidado, sobre estas duas matérias.

“Guileje tinha, porém, um ponto fraco: não tinha um poço artesiano, que lhe fornecesse água potável, a qual tinha que ser obtida a cerca de 2 Km…”

Esta afirmação do Sr. Ten. Cor., que se saúda, é muito incompleta.

Além da falta de água, no quartel, que era um condicionalismo inultrapassável, tinha outros pontos fracos. Vou referir alguns:

- Só havia uma única ligação, por estrada, a Gadamael; interdita esta, por acção do IN (emboscada no dia 18 MAI 73), Guileje ficou totalmente isolado.

- As outras guarnições mais próximas - Bedanda a Oeste e Aldeia Formosa a Norte, não estavam em condições de prestar qualquer auxílio, porque os respectivos itinerários eram dominados pelo IN e, há muito tempo, não eram utilizados pelas NT.

- Impedido o reabastecimento, por estrada, dependíamos totalmente do que havia em Guileje. Pelo facto de se aproximar a época das chuvas, na qual a estrada para Gadamael ficava intransitável, tinha sido já feito um grande esforço de abastecimento. Mesmo assim, ainda estava em Gadamael (e em Bissau) um grande volume de materiais, necessários para sobreviver durante 6 meses.

- Em virtude das sucessivas flagelações do IN (37 em 80 horas), as munições, especialmente de Artilharia e Morteiros (10,7 e 81), estavam a chegar ao fim, não obstante a preocupação de poupar, desde a primeira hora. Quando acabassem, só por acção exterior, não dependente do Comando do COP 5, chegaria a Guileje o respectivo reabastecimento. 

- Relativamente ao material de Artª., o que se passou foi o seguinte: em 24 JAN 73 (3º. dia da minha estadia em Guileje), enviei uma nota para o Grupo de Artª. nº. 7 (GA7) em Bissau, com conhecimento ao Sr. Chefe de Estado Maior do Comando Chefe e à Repartição de Operações, propondo a substituição das 3 Peças de 11,4 cm (as que estavam em Guileje) por 3 Obuses de 14 cm. A razão desta proposta era o conhecimento que eu tinha da existência de poucas munições de 11,4 e muita dificuldade na sua aquisição. Na proposta sugeria ainda que, mesmo depois de ser efectuada a substituição do material de Artª., se ainda existissem munições de 11,4 em Guileje, se mantivessem as Peças de 11,4, conjuntamente com os Obuses de 14, só regressando aquelas a Bissau, no final da época das chuvas. Desta forma, o aquartelamento ficaria com um reforço de Artª., durante o período de isolamento.

Mesmo em tempo de guerra, a burocracia emperrava tudo. Foi por isso que, em I8 MAI 73, isto é, praticamente passados 3 meses da data da minha proposta, a situação do material de Artª. era: estavam em Guileje 2 Obuses de 14, tendo um deles chegado avariado; o 3º. Obus estava em Gadamael, a aguardar a próxima coluna de reabastecimento. Entretanto, as 3 Peças de 11,4 já tinham saído de Guileje. Quando era necessário o maior apoio de fogo de Artª., estávamos reduzidos a 2 Obuses e um deles avariado.

 Como eu não estava sempre em Guileje, porque as guarnições de Gadamael e Cacine também estavam nas minhas preocupações, além das minhas ausências, resultantes de ordem superior (lembro-me que me desloquei para participar, naquela altura, para participar numa reunião de Comandantes da Zona Sul), não tomei conhecimento da ordem para as Peças de 11,4 regressarem a Bissau (deve ter sido recebida na minha ausência). Se a tivesse recebido, seguramente que não as tinha deixado sair sem, no mínimo, terem chegado a Guileje os 3 Obuses de 14.

Além de o apoio de Artª. estar diminuído, em número de bocas de fogo, a sua eficiência era muito menor. Devido à orografia do terreno da Guiné, com poucas elevações, a regulação do tiro de Artª. só era eficaz quando feita por observação aérea. Enquanto que o tiro das Peças de 11,4 tinha sido regulado, em JUN 72, por avião, relativamente aos Obuses de 14 tal procedimento não foi possível, devido à restrição dos meios aéreos.

- Não evacuação de feridos, garantida pelo Sr. General Spínola (a partir do quartel), na sua última visita a Guileje, em 11 MAI 73, perante formatura geral. O Sr. General foi, no mínimo, muito imprudente, ao fazer tal afirmação, porque nessa data, a Força Aérea já tinha decidido que nenhum meio aéreo se deslocava a Guileje (e não me parece aceitável que o Sr. Comandante Chefe não tivesse conhecimento dessa decisão).

Na sequência da emboscada do dia 18 MAI 73, foi pedida a evacuação dos feridos, no pressuposto de que seria satisfeita, conforme se pode constatar no período anterior. O que aconteceu foi que nenhum helicóptero apareceu e, um dos feridos graves (um cabo metropolitano) faleceu, cerca de 4 horas depois. Foi um “grande murro no estômago” para todos nós, ficando a confiança na palavra do Sr. Comandante Chefe fortemente abalada, bem como o moral de todo o pessoal.

Como fica escrito, tinha muito mais que um ponto fraco, (qual era a falta de água potável).

“…a FA garantia apoio pelo fogo de dia, com os “ Fiats” e de noite com um “C-47” modificado, em bombardeamento de área…

Realmente a FA prestava apoio de fogo, através dos Fiat G-9, quando as condições atmosféricas o permitiam. Depois do aparecimento dos mísseis terra-ar Strella do IN, os aviões voavam acima dos 3.000 pés, por uma questão de segurança, empregando bombas mais potentes.

Relativamente ao C-47, transcrevo parte do depoimento da testemunha, Sr. Cor. Pil Av. Lemos Ferreira (folhas 106 a 108 do processo):

“…tendo perguntado ao Guileje se necessitava de mais alguma coisa foi-lhe pedido o envio de um avião durante a noite para a zona do Guileje para funcionar como ligação de comunicações, tendo-lhe sido respondido que o que fosse possível fazer se faria;…no próprio momento do pedido de Guileje, entrei em contacto com o Centro de Operações Aero-Tácticas, para que vissem a viabilidade de aprontar um C-47 equipado com flairs iluminantes e granadas de Morteiro 81, tendo sido informado estarem os C-47 indisponíveis por falta de sobressalentes, não havendo qualquer hipótese de pôr um em serviço; esta informação, porém, não foi transmitida ao Guileje.” 

Portanto, mesmo nos assuntos respeitantes à Força Aérea, o Sr. Ten. Cor. está mal informado! O C-47 nocturno foi uma miragem.

 “Que o PAIGC estava ainda longe de querer assaltar a povoação, já que só deu pela evacuação três dias depois (entrando quase todos em coma alcoólico depois de esgotado o stock de bebidas existente…).”

Em virtude de o 3º. Corpo de Exército (CE) do PAIGC se encontrar na mata de MEJO (mensagem IMEDIATO, - 19H00horas do dia 20 MAI da REP/INFO), era quase certo que no dia 22MAI completasse o cerco ao quartel, desse lado. Aliás, na tarde do dia 21, já tinha actuado, flagelando elementos da população que tinham tentado reabastecer-se de água na bolanha, junto ao aquartelamento, tendo sido metralhados pelo avião pilotado pelo Sr. Cor. Lemos Ferreira.

No Simpósio Internacional de Guileje (1 a 7 MAR 2008), um elemento daquele CE, informou que, no dia 22 MAI, de manhã, veio fazer reconhecimento junto do quartel (já tínhamos retirado), o que confirma o que afirmei no parágrafo anterior.

A razão por que só deu pela evacuação três dias depois, só o PAIGC pode esclarecer. Seguramente, porque foi surpreendido.

Quando cheguei a Gadamael, comandando a retirada, já lá se encontrava o Sr. Cor Durão, que enviou uma mensagem RELÂMPAGO, às 12H15 para o Comando Chefe a comunicar o que tinha acontecido. Esta mensagem, terminava assim:

“…QUANDO CHEGADA GADAMAEL PORTO FACE DESTRUIÇÕES HAVIDAS VERIFICO SER IMPOSSÍVEL REOCUPAÇÂO TEMPOS PRÓXIMOS”.

Às 13H05, seguiu outra mensagem:

“ REF M/…221215…SUGIRO DESTRUIÇÃO COMPLEMENTAR GUILEJE POR MEIOS AÉREOS”.

A resposta foi a seguinte (às 18H40):

“REF..SEXA JULGA PREMATURO BOMBARDEAR GUILEJE COAT EXECUTA BOMBARDEAMENTO AREA CIRCUNDANTE…”

Não consegui obter, no Estado Maior da Força Aérea (Arquivo Histórico), elementos relativos a este bombardeamento, determinado pelo Sr. Comandante Chefe.

Também não tenho nenhuma informação sobre a vigilância sobre Guileje, até o PAIGC lá entrar; esta deveria ter sido determinada, em minha opinião, por motivos óbvios; se não foi, é mais um erro grave, como igualmente foi a decisão de não bombardear Guileje, a não ser que o Sr. Comandante Chefe tivesse a intenção de determinar a reocupação, o que não se verificou.

Talvez o Sr. General Pil. Av. (Ref) da Força Aérea António Martins de Matos, que na altura era Tenente Pil. Av. na Base Aérea de Bissau, possa responder às seguintes perguntas:

- Qual foi o bombardeamento efectuado sobre a área circundante de Guileje, no período 22/25 MAI 73, determinado pelo Sr. Comandante Chefe.

- Qual a vigilância da Força Aérea sobre Guileje, no mesmo período, no sentido de detectar o momento em que se verificasse a entrada do PAIGC, que seria uma oportunidade ímpar para provocar ao In baixas incontroláveis. Isto no caso de aquela vigilância ter sido determinada.

- Em sua opinião, qual foi a razão por que não foi detectada a entrada do PAIGC, em Guileje, no dia 25 MAI 73. Se tivesse sido detectada, também não teria havido o “coma alcoólico”, referido pelo Sr. Ten. Cor. Brandão Ferreira.

“…e escreveu um livro com a sua versão dos eventos…”

Não Sr. Ten. Cor., o meu livro não é a minha “versão dos eventos”, mas tão só A VERDADE DOS FACTOS, que é o subtítulo do livro, e “contra factos não há argumentos”. Não conheço nenhuma versão ou factos diferentes e, se alguém tem esse conhecimento, é a altura própria de tornar público o  que sabem sobre este assunto.

Para terminar este comentário, que já vai longo e que, mesmo assim, não aborda todas as questões postas pelo Sr. Ten. Cor. Brandão Ferreira (posso voltar ao assunto se o Sr. Ten. Cor. não ficou devidamente dilucidado), quero afirmar o seguinte:

Não me considero louco nem inconsciente. Por isso, ao tomar a decisão de retirar de Guileje, nas circunstâncias conhecidas, sabendo que não teria aceitação do Comando Superior e que iria sofrer as respectivas consequências, entre as quais, se não tivesse acontecido o 25 de Abril de 1974 (25/4 para o Sr. Ten. Cor.), teria sido o meu julgamento e, cumprida a pena máxima, a minha exclusão do Exército, teria que haver uma situação muito grave, para não hesitar na decisão que adoptei. Esta era o perigo iminente de, tanto a guarnição militar quanto a população, sofrer mortos e feridos em número incalculável e, os que restassem, serem feitos prisioneiros pelo PAIGC e posteriormente expostos à comunicação social em Conacri.

E, para mim, a segurança de todos, que era a minha missão e a vida humana não têm preço.
Foi por isso que não hesitei, sabendo o que me esperava, abdicando do interesse pessoal que, naquelas circunstâncias, não tinha a mínima relevância.
Para quem achar este cenário exagerado, terá oportunidade de verificar, na 2ª. Parte do comentário ao artigo em análise que, entidades do Escalão Superior, fizeram a mesma previsão.

A enorme diferença entre o Sr. Ten. Cor. Brandão Ferreira e a minha pessoa, relativamente a Guileje, é que eu estava lá e o Sr. Ten. Cor. conhece Guileje do mapa; ao ter visto este, “junto à fronteira”, das duas uma: ou precisa de mudar de lentes, se usa óculos ou então terá que procurar Guileje num mapa em que a sua localização esteja correcta, por exemplo a carta militar de escala 1/50.000.

Cumprimentos

Alexandre da Costa Coutinho e Lima
Cor. de Artª. Ref.
Ex Comandante do COP 5 , em GUILEJE

4 comentários:

JOSE CASIMIRO CARVALHO disse...

Sem dúvida uma resposta à altura. Os seus homens, ou seja, nós, lhe agradecemos o acto corajoso de tomar tal decisão que iria prejudicar toda a sua vida, Militar e Civil. Vozes de Burro não chegam ao céu.
José Carvalho
ex fur mil Op Esp
CCAV 8350

Anónimo disse...

Ao fim e ao cabo foi mesmo o Nino Vieira quem lhes valeu pois, se fossem atacados no caminho para Gadamael, o que era bem provável, afinal estavam cercados, aí então é que morriam mesmo todos.

Sousa de Castro disse...

Caro anónimo,
Agradeço v/comentário, mas não como anónimo, assim sendo agradeço desde já que se identifique.
Sousa de Castro (SdC)

João Marques disse...

João Marques, ao seu dispor.