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sábado, 1 de abril de 2017

P308 - (Convívios) ENCONTROS COM E PARA A HISTÓRIA - O CASO DO CAMARADA MANUEL JOSÉ JANES “O VIOLAS” DA CCAÇ 1427 (CABEDÚ – 1965/1967)

MSG de Jorge Araújo com data de: 30MAR2017

Caríssimo Camarada Sousa de Castro,

Aqui te envio mais uma pequena história (dupla) para o nosso baú de memórias, tendo na sua génese factos e feitos da nossa passagem em missão militar na Guiné, independentemente das Unidades, das épocas e/ou dos lugares.

São estas pequenas histórias que dão lugar a outras histórias.

Com um forte abraço de amizade.


Jorge Araújo.

GUINÉ
Jorge Alves Araújo, ex-Furriel Mil. Op. Esp./RANGER, CART 3494
(Xime-Mansa/mbo, 1972/1974)
ENCONTROS COM E PARA A HISTÓRIA

1.   INTRODUÇÃO

Participei no passado sábado, dia 25 de março, no Monte da Caparica, Município de Almada, num encontro/convívio entre camaradas, ex-combatentes na Guiné nos já longínquos anos de 1969 a 1974, pertencentes a diversas Unidades que passaram por localidades como sejam: Canquelifá, Teixeira Pinto, Piche, Bafatá, Bula, Aldeia Formosa, Bolama, Bissau e Xime (sendo este o nosso caso).

Estiveram representadas cinco Unidades, a saber: CCAV 2525 (69/71), CCAV 2748 (70/72), CCAÇ 2660 (70/71), CCAÇ 3545 (72/74) e a CART 3494 (71/74).

Eugénio Pereira
O encontro foi promovido pelo meu amigo e camarada Eugénio A. Pereira, ex-furriel da CCAÇ 3545 (Canquelifá,1972/1974 - Os Abutres), com um duplo objectivo: o de saborear a boa gastronomia alentejana e, entre garfadas, continuar a partilhar, num ambiente de grande camaradagem, alguns dos episódios mais marcantes de cada um de nós, gravados durante o biénio da missão militar ultramarina no CTIGuiné. Acreditando no vasto reportório ainda não divulgado, como foi o caso, estamos perante a chama historiográfica que continuará activa durante muito… muito tempo!


A concentração verificou-se pelas 12h30, no Largo do Centro-Sul, na Cova da Piedade, Almada, seguindo depois a comitiva para o restaurante «Tasca do Reguengos» [imagem ao lado], onde nos esperava um cardápio de iguarias muito apelativas, tornando a escolha deveras difícil. Ela (a minha) acabou por recair num prato de “carne do alguidar com migas”, que estava óptima.     

O Eugénio Pereira, mentor e organizador do convívio, e o Jorge Araújo, brindando à saúde dos presentes e à sua repetição num futuro próximo


  2.   O CASO DO CAMARADA MANUEL J. JANES “O VIOLAS” DA CCAÇ 1427 (CABEDÚ - 1965/1967)

- A grande surpresa do encontro

Estando o almoço a decorrer com a tranquilidade que o acto impunha, eis senão quando se aproxima de nós um indivíduo trauteando alguns versos do seu fadário vivido durante a Guerra do Ultramar, em estilo musical de fado.

Era, nem mais nem menos, o proprietário do restaurante, também ele ex-combatente no CTIGuiné nos anos de 1965/1967, fazendo parte do contingente da Companhia de Caçadores (CCAÇ) 1427, Unidade que esteve aquartelada no Destacamento de Cabedú, na região de Tombali, no Sul, conforme se indica no mapa e imagem abaixo.

Tratava-se do camarada Manuel José Janes, também conhecido por 1.º Cabo “O Violas”, alcunha pela qual passou a ser conhecido entre pares, por ser habitual a utilização do seu instrumento musical, e que, a partir daquele momento surpresa do almoço, fez aumentar o número de unidades ali presentes.   


Foto do destacamento de Cabedú retirada, com a devida vénia, da net em http://gw.geoview.info/cabedu_antigo_quartel_portugues,17205192p

O camarada Manuel Janes (CCAÇ 1427) a declamar as quadras do seu fadário da Guerra e que fez questão de me oferecer esse exemplar para o divulgar no Blogue, pois prometi-lhe fazê-lo enquadrado por um texto alusivo a este evento.

Mais dois camaradas furriéis da CCAÇ 3545, heróis de Canquelifá (1972/1974): o António Braz (dtª) e o Rogério Lourenço, escutando o poeta e fadista “O Violas”.


Cumprindo a promessa feita ao camarada Manuel Janes, eis então o seu poema:


Companheiros da farda que nos deram;


Caminhantes dum destino não escolhido;

Camaradas da G-3 que nos puseram;
Nas mãos jovens, como então nos foi pedido.

Alguém nos tirou do afago materno;
Alguém nos fez pisar terra perdida;
Alguém nos juntou naquele inferno;
Alguém nos roubou dois anos à vida.

Companheiros de silêncios adormecidos;
Mas saudosos cada um da sua terra;
Vinte e dois anos andámos meio esquecidos;
Evitando recordar esses anos, essa Guerra.

Mas há dezoito anos que nos reunimos;
Num convívio sempre mais alegre e forte;
Perdoamos à História e não desistimos;
Continuamos até que nos separe a morte.

Quarenta anos passaram e recordamos;
Com cabelos brancos, desfiando memórias;
Passando aos filhos e netos que adoramos;
Só o que de bom marcaram nossas histórias.

Com orgulho escrevemos um remete;
Num minuto de silêncio e de saudade;
Recordando os que morreram na 1427;
Um dia os encontraremos na eternidade.

   29 de Abril de 2007
  (Manuel José Janes)
Nota: Este poema foi lido durante o encontro da CCAÇ 1427, realizado em 29 de abril de 2007, a propósito da comemoração dos quarenta anos após o seu regresso.
Entretanto, terá lugar no próximo dia 23 de abril de 2017 o encontro dos cinquenta anos, tendo este por cenário a Quinta da Alegria, em Penalva, Município do Barreiro.
Concluímos, afirmando que este encontro/convívio acabou por se transformar em “dois em um”, cada qual com as suas histórias… que ficaram para a história… e que foram aqui narradas em síntese.
Obrigado pela atenção.
Um forte abraço de amizade com votos de muita saúde.
Jorge Araújo.

3 comentários:

Sousa de Castro disse...

Presumo o nascimento de mais uma Tabanca, desta feita para os lados de Almada (Monte da Caparica). Qualquer dia vamos fazer um encontro de Tabancas!... A saber; Tabanca Grande (Luis Graça), Tabanca Pequena (Matosinhos) Tabanca do Centro (Leiria) e Tabanca dos Melros (Gondomar). Força camaradas!

SdC

Anónimo disse...

Camaradas,

A legenda da foto 1 deverá ser:

- "O Eugénio Pereira, mentor e organizador do convívio, e o Jorge Araújo, brindando à saúde dos presentes e à sua repetição num futuro próximo".

Boa semana.

Jorge Araújo.

Anónimo disse...

Camaradas,

No título principal e no do ponto 2

onde se lê «Jones»,

deve-se ler «Janes».

As minhas desculpas pela gralha.

Ab. Jorge Araújo.