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terça-feira, 28 de março de 2017

P307 - SUBSÍDIO HISTÓRICO DA GUINÉ EM HOMENAGEM AO EX. FUR. MILº ARTª CART 3494, INÁCIO JOSÉ CAROLA FIGUEIRA [1950-09FEV2017] "Consequências de uma visita ao Xime em 1972" por; Luciano de Jesus

Caro Camarada Sousa de Castro,

Reencaminho o texto que me foi remetido pelo Luciano de Jesus, que estava retido, a seu pedido, para lhe anexar uma foto do camarada Carola Figueira.

Recebi hoje a informação de que não teve sucesso na pesquisa efectuada ao seu baú de imagens, pelo que me deu instruções para te enviar o seu texto, que anexo.
  
Um forte abraço meu e do Jesus.


Jorge Araújo. 

GUINÉ
Luciano José Marcelino Jesus, ex Furriel Milº. Artª., CART 3494
(Xime-Enxalé-Mansambo, 1971/1974)
IN MEMORIAM
SUBSÍDIO HISTÓRICO DA GUINÉ EM HOMENAGEM AO CAMARADA CAROLA FIGUEIRA [1950-2017]
- Consequências de uma visita ao Xime em 1972 -
Camaradas,
Na picada da vida estamos a cair na zona de morte. Uns mais cedo outros mais tarde. É a lei da vida, mas custa muito ver partir os camaradas e amigos num sofrimento imenso para os próprios e famílias.
O Figueira foi um particular amigo e camarada de armas. Iniciámos o percurso juntos, em Vendas Novas, no ano de 1971. Os seus olhos rasgados e uma cor de pele particularmente avermelhada valeram-lhe logo a alcunha de "vietnamita", e assim ficou para sempre.
Quando estávamos juntos conversávamos muito e tínhamos uma particular amizade, piada fácil e riso puro e espontâneo. Grande amigo.
1950 - 09FEV2017
Lembro-me na messe em Mansambo partilharmos a mesma mesa e todos os dias controlarmos o túnel que as formigas bagabaga iam fazendo pela parede abaixo. Mas o episódio mais marcante e que levámos a vida a comentar e a rir, apesar de ter sido muito mau foi o seguinte:
Um dia, estando eu no Enxalé, desloquei-me ao Xime para ir buscar correio e mais qualquer coisa. Aí chegado, encontrei o Figueira a preparar-se para sair com o seu grupo de combate (o 3.º) para o mato, passar a noite algures nuns trilhos que vinham da Ponta Varela ou Ponta do Inglês, para montar uma emboscada com o objectivo de reforçar a segurança a Bambadinca pois o General Spínola (1910-1996) iria lá no dia seguinte fazer uma visita.
Ele estava sozinho. Senti-me incomodado, e, por amizade e solidariedade, achei que o devia acompanhar. E assim foi. Pedi autorização e também um reforço de material de guerra e lá fomos. Dois unimogs largaram-nos algures na estrada Xime/ Bambadinca, sempre em andamento e entrámos na mata.

Pois, foi o começo de uma das piores noites da minha vida. Instalámos o pessoal. Veio a noite e a chuva constante com ela. Mosquitos aos triliões que nos comiam vivos. Se o IN tivesse aparecido não sei quem ia ver quem naquele breu. Eu e o Figueira encostamo-nos costas com costas,  com dois ponchos a envolverem-nos, todos untados de repelente, mas o IN (mosquitos) eram impiedosos. Tal como brocas furavam tudo e todos. Atenção no máximo, a noite não era para dormir e o silêncio absoluto.
Quando o dia rompeu deu-se o alívio. Fizemos o ponto de situação e verificámos que estavam ali vinte e tal monstros, encharcados até aos ossos, com caras deformadas pelos inchaços e os corpos com centenas de gomos das picadas, tal qual filme de terror. As viaturas vieram, fomos recolhidos mas aquela noite ficou gravada para sempre nas nossas memórias.
Sempre que eu e o Figueira nos encontrávamos lá nos riamos daquele episódio. A noite foi horrível mas eu fiquei com a minha consciência tranquila.
Figueira estarás sempre num lugar especial das minhas memórias.
Até um dia camarada.
Luciano de Jesus (Furriel Jesus)

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