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sábado, 10 de dezembro de 2011

P132 (1) “A descolonização Portuguesa” (Painel dedicado à Guiné 29 de Agosto de 1995) / Estudos Gerais da Arrábida - Houve muitos que foram sumariamente executados.



Excertos retirados de: ESTUDOS GERAIS DA ARRÁBIDA por:

Luís Beleza Gonçalves Vaz
(filho do último Chefe e Estado-Maior do CTIG, Coronel Henrique Gonçalves Vaz)






 Depoimentos do General Mateus da Silva (1), feitos em 1995 no âmbito dos "Estudos Gerais da Arrábida  "A DESCOLONIZAÇÃO PORTUGUESA"
   
 (1)     Eduardo Mateus da Silva: Engenheiro militar da Arma de Transmissões. Chega à
     Guiné em Junho de 1972, como tenente-coronel. Membro do MFA desde os
     primórdios. Encarregado do governo da Guiné, depois do 25 de Abril.

Palácio do Governador - Bissau - Guiné 1971

General Mateus da Silva: (…) Também, logo a seguir (vocês não conhecem a Guiné, mas a parte Leste é a parte da etnia fula), posso dizer [a data exacta],tenho aqui os documentos: a 3 de Maio, libertação de 25 presos políticos da Ilha das Galinhas; a 7 de Maio, libertação dos últimos 37 presos políticos da Ilha das Galinhas. Portanto, nós não pudemos libertar logo todos os presos da Ilha das Galinhas. Isto provocou uma certa discussão porque nós estávamos em guerra com o PAIGC e eles não eram só prisioneiros políticos; eram, por assim dizer, prisioneiros de guerra.
Manuel de Lucena: E não ficou mais ninguém?
General Mateus da Silva: Eram os presos que haviam. Havia uma certa lógica que nós ficássemos com esses presos até como um elemento para negociação futura com o PAIGC. Mas de facto não o fizemos.
António Duarte Silva: Mas discutiram isso?
General Mateus da Silva: Não. Discutimos entre nós, e decidimos libertá-los.
António Duarte Silva: Qual foi a argumentação com base na qual (…)
General Mateus da Silva: (…) É difícil. Nós achámos que, para a estabilização da situação na Guiné, era melhor procedermos assim.
Até porque nós queríamos fazer gestos em direcção ao PAIGC. Porque a situação militar era um situação (…) Eu há pouco referi-a ao que eu pensava: «Que azar estar na Guiné…». Imaginem o que era estar na Guiné como nós estávamos, com um PAIGC que tinha superioridade militar sobre nós, tinha um apoio logístico dos dois territórios que nos envolviam [Senegal e Guiné-Conacri], não lhe faltava nada. Tinha armas superiores às nossas e, se quisesse, podia aproveitar esta situação do 25 de Abril para fazer uma acção militar. As nossas tropas estavam desmobilizadas, já não queriam combater, achavam que não
valia a pena. Então, tivemos de fazer gestos em direcção ao PAIGC,
como este, naturalmente, da extinção da DGS, e da libertação dos
presos políticos. O Zé Manuel [Barroso] vai contar-vos que eles
criaram um partido político na Guiné, em Bissau – não sei se quer
contar essa … Neste ponto, Manuel de Lucena insiste sobre a questão dos presos
políticos e da sua libertação no contexto de uma grave crise militar e
política. E António Duarte Silva pensa que essas libertações terão sido
só dos prisioneiros em Bissau.
General Mateus da Silva: Não, não. Todos os presos políticos da Guiné (…) porque a maior parte (…) Bom, vamos lá chamar as coisas pelo nome. Houve muitos que foram sumariamente executados.
António Duarte Silva: Oh senhor general! Eu penso que não. A execução de presos políticos foi em Bissau, quando foi destruída a sede clandestina do PAIGC. A maioria desses prisioneiros não eram Guerrilheiros, mas sim quadros políticos do PAIGC em Bissau. […]
General Mateus da Silva: Em certas situações, houve presos políticos que foram executados pelas nossas tropas. Alguns. Mas, na maior parte, eram libertados. Eu, a sensação que tenho (…)
Manuel de Lucena: Isso é importante. Execuções maciças ou (…)
General Mateus da Silva: Não, não. Esporádicas. Um ou dois. O executado era (…). Eles eram presos e depois, podia ser um tipo muito importante, era deixado fugir e era abatido. Era uma coisa deste género. Coisa esporádica, sim, sim, e era completamente fora das directivas do comando. Eram iniciativas locais. (…)

Vd. Posts relacionados com este assunto publicado em Coisas da Guiné

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