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segunda-feira, 3 de outubro de 2016

P282 - GUINÉ 1968/ 1969 – CART 2339 Fá Mandinga – MANSAMBO Companhia Independente - Unidade do RAL3 – Évora. História da construção do aquartelamento fortificado de Mansambo


Trabalho coligido por Carlos Marques dos Santos
a partir do seu arquivo pessoal
(ex-furriel 3.º GR.COMB.)

CART 2339 – Guiné FÁ MANDINGA - MANSAMBO
Jan1968/ Dez1969



GUINÉ 1968/ 1969 – CART 2339 Fá Mandinga – MANSAMBO

Companhia Independente - Unidade do RAL3 – Évora

História da construção do aquartelamento fortificado de Mansambo

Partida do Cais da Rocha do Conde de Óbidos – Lisboa





















História da “feitoria” de Mansambo, com foral a partir de 21 de Abril de 1968


A ideia de “fortificar” as imediações da pequena tabanca de Mansambo (sob a chefia do Leonardo – um velho homem grande) terá sido iniciada ainda antes do General Spínola ter chegado à Guiné como Governador e Comandante Chefe.
De “pingalim”, de monóculo, de luvas, bem fardado e com uma postura de “cavalaria”, como mandavam as regras, era assim que aparecia, de surpresa no mato em visitas de informação ou operações.
Em Fevereiro de 1968,depois de várias acções de controlo na zona, faz-se a primeira exploração à zona para saber da viabilidade de construir um “aquartelamento altamente fortificado” que sustivesse a força do IN (a partir das matas do Poidon, Fiofioli e Burontoni) no célebre triângulo
XIME-XITOLE- BAMBADINCA.
Em 21 de Abril/ 68 1 Gr.Comb., neste caso o 4.º da Cart2339, inicia a ocupação de Mansambo e a construção de casernas abrigo e em sobreposição com 1 Gr.Comb. da Cart 1646.
Em Julho todo o pessoal operacional estava aí  instalado, ainda com a Formação em Fá Mandinga.
Só em Novembro a Companhia se reuniu na totalidade.
* O projecto era do BENG447, a mão de obra era o nosso pessoal, que, no terreno, construía um aquartelamento, com base nos materiais de construção que quase diariamente lhe eram enviados em enormes colunas de reabastecimento.
Cada abrigo-caserna tinha capacidade para 2 secções. 15 dias depois de iniciada a obra o Cmdt da Cart deslocou-se para Mansambo para supervisionar os trabalhos.
O Gr.Comb da 1646 regressou ao Xitole e a partir daí a segurança era realizada pelo pessoal da Companhia que ainda estava sedeado em Fá Mandinga.
Cada Gr. Comb. ficou encarregado da construção de dois abrigos.
A disposição dos abrigos (8) era em quadrado.
Em simultâneo procedia-se à desmatação e capinagem das imediações.
Entretanto a Secretaria mudou-se para Bambadinca e só em Novembro se estabelece em Mansambo, com a adaptação de um abrigo, e procede-se à construção de uma enfermaria, um depósito de géneros, uma cozinha e um poço que abasteceria os balneários e em geral o aquartelamento.
A iluminação exterior e interior, a gerador, foi inaugurada a 04/08/1968.
Grande “ronco”: balas tracejantes, morteirada, etc., etc., etc..
Mais vistoso que fogo-de-artifício. Até aí eram as garrafas de cerveja (bazookas) com mechas que serviam de iluminação.
Os abrigos, construídos em blocos de cimento, executados no local, tinham porta e umas “seteiras”, eram recobertos na sua fachada com terra, cerca de 1,5 m, “bidons” de gasóleo, inteiros ou abertos em chapas planas.
Os telhados, eram executados, com terra, bocados de “bagabaga”, cibes, chapas de “bidons” e mais cibes. Uma verdadeira fortaleza (???).
Já houve quem questionasse o limite da sua segurança. Nós fomos atacados muitas vezes e, ou por falta de pontaria do IN ou qualidade da instalação não tivemos, nesse aspecto razão de queixa.
Foi montado, inter abrigos, um sistema de som que, através da Rádio Mansambo – e aqui a palavra de ordem era: Aqui rádio Mansambo - passava música e notícias e ainda um sistema de telefones internos.
Foi inaugurado oficialmente em 21/01/69, com a presença de entidades oficiais (diga-se militares e religiosas) e festa rija, que incluiu “variedades” a cargo de elementos da Cart2339 e um conjunto musical de Bambadinca – Os Zorbas (?)
É de notar que, apesar desta azáfama, continuámos em intervenção operacional como Companhia Independente em quadrícula no Sector L1.

Mansambo foi, é, e continuará a ser, a porta fechada que o IN não conseguirá abrir para infiltração nos regulados de BADORA e COSSÉ, pode ler-se em remate da história oficial da Companhia.


Anexos:

A ÁGUA em MANSAMBO

















E experimentou, então, o tão desejado banho
(semelhante ao das civilizações mais avançadas…)

Note-se que até aqui o banho, quando era possível (e eu estive um mês sem o experimentar, destacado numa tabanca de que já nem me lembro do nome, talvez Mondajane), só o era na fonte, com todos os riscos decorrentes da situação, com um púcaro de um litro de água ou, na época das chuvas, em cima dos abrigos, nus e ensaboados com “Lifebuoy” para sacar os líquens de parte incerta.
Quem não se lembra das terríveis micoses?
Andámos com água a mais, nas botas, atravessando intermináveis bolanhas ou dormimos de cócoras encostados a um cibe, encharcados até aos ossos e também em intermináveis operações.
Como nota de rodapé lembro que, a água, as terríveis formigas e as abelhas (eu próprio estive 45 minutos debaixo de um enxame (mas que desespero!) e, ainda por cima debaixo de fogo, eram a par do IN, elementos avassaladores desta guerra.
Reacção às abelhas ou ao inimigo, eis a questão ?

REGRESSO A CASA







Mas antes…



























Carlos Marques dos Santos
a partir do seu arquivo pessoal
(ex-furriel 3.º GR.COMB.)

CART 2339 – Guiné FÁ MANDINGA - MANSAMBO
Jan1968/ Dez1969

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